Grande desilusão em Beja,
Portugal!
Por Manuel Luciano da Silva,
Médico
No fim de Maio de 2003, ao regressarmos da nossa visita a Palos e ao Convento de La Rábida, perto da cidade de Huelva, no sul de Espanha, a minha mulher, Sílvia e eu queríamos ver em Beja, no Alentejo, o mausoléu do Primeiro Duque de Beja, Dom Fernando, porque segundo os estudos genealógicos este duque foi o pai biológico do navegador Cristóvão Cólon.
Ficamos desolados porque era uma segunda-feira e o Museu Regional de Beja estava fechado. Fizemos promessa de este ano, 2004, insistirmos na visita. Fomos lá na sexta-feira de manhã no dia 28 de Maio. Fomos muito bem recebidos pela recepcionista a quem pedimos para falar com o Director do Museu. Gentilmente acedeu ao nosso pedido e dentro de escassos minutos veio atender-nos, muito atenciosamente, o Dr. José Carlos Oliveira, Director do Museu.

António Brahama, Assitente e Dr. José Carlos Oliveira, Director
Expliquei-lhe muito rapidamente que desejava saber onde estava túmulo do Dom Fernando e se haveria possibilidade de se vir a fazer estudos do DNA nos seus ossos. O DNA é o ácido desoxirribonucleico, ou seja a unidade genética de todos os seres vivos animais e plantas. Muito desoladamente o Dr. José Carlos Oliveira informou-nos que infelizmente o mausoleu que estava na nossa frente se encontrava vazio e que não tinha ossos nem do Dom Fernando, nem de seu filho Diogo.
«Devem ter sido os soldados franceses durante as invasões napoleónicas a Portugal que à caça de ouro e prata destruíram não só o túmulo de Dom Fernando mas também o de sua mulher, Dona Beatriz ou Dona Brites» . Este Convento que foi mandado construir em 1459 por D. Fernando e Dona Brites, mereceu a designação de Real Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição e foi favorecido de protecção real, tornando-se um dos mais ricos e sumptuosos do reino.
Ficamos muito triste e desapontados com a informação tão devastadora que o Director do Museu nos deu do mausoléu estar vazio! E porquê? Porque presentemente estão a ser conduzidos estudos sobre o DNA nas amostras dos ossos colhidos dos mausoléus da Catedral de Sevilha, Espanha, do navegador Cristóvão Cólon, do seu filho Fernando Cólon e ainda do irmão Diogo Cólon.
Síntese histórica.
Cristóvão Cólon morreu em Valladolid, Espanha, no dia 20 de Maio de 1506. Em 1509 os seus ossos foram transladados para Sevilha, mas em 1544 foram transportados para a Catedral de São Domingos, colónia espanhola, na América Central, para satisfazer o desejo que o navegador tinha deixado no seu testamento.
Porém em 1795 os espanhóis tiveram que deixar São Domingos e os restos mortais do Cristóvão Cólon foram removidos para a colónia espanhola mais próxima, Havana, Cuba. Finalmente, em 1898, depois de Cuba se tornar independente, os ossos do navegador foram transportados para a Catedral de Sevilha, Espanha e guardados num mausoléu muito ornamentado!
Porém as coisas já se tinham complicado quando em 1877, os dominicanos ao reconstruírem a Catedral de São Domingos encontraram uma caixa fúnebre com alguns ossos e rotulada "Almirante Cristóvão Cólon". Portanto hoje podemos considerar que o navegador Cristóvão Cólon tem duas sepulturas: uma em Sevilha e outra em São Domingos, na América Central!
Para resolver este mistério e se saber quais são os ossos verdadeiros do navegador, o Laboratório de Identificação Genética da Universidade de Granada, chefiado pelo Médico José Lorente Acosta resolveu formar uma equipa de especialistas em vários países para estudarem o DNA nas amostras dos ossos extraídos dos mausoléus na Catedral de Sevilha, como sendo pertencentes ao Cristóvão Cólon, ao seu filho Fernando Cólon e ao irmão do navegador Diogo Cólon.
A comparação dos DNA entre os dois irmãos, Cristovão e Diogo, isto é, entre os Y-cromossomas de cada um, será a única forma científica de se confirmar ou reprovar definitivamente se os ossos diagnosticados realmente pertencem ao navegador Cristóvão Cólon.
O Médico Lorente Acosta da Universidade de Granada, juntamente com o Professor Marcial Castro Sánchez da Universidade de Sevilha, para que as pesquisas do DNA sejam totalmente independentes e imparciais, formaram equipas científicas nos seguintes países: Mark Stoneking, Leipzig, Alemanha; Olga Rickards, Roma, Itália; Bruce Dudowle, Quanto, Virgínia; Angel Carracedo, Santiago, Espanha; e Daniel Turbon, Barcelona, Espanha.Espera-se que ainda este ano, antes de 12 de Outubro de 2004, sejam revelados ao mundo as características dos DNA destes três homens para ver se são realmente da mesma família genética. Há vários meses o Dr. Lorente Acosta e o Dr. Marcial Sánchez pediram-me para lhes enviar da América cópias de todos os meus escritos sobre a nacionalidade portuguesa do navegador e já ambos acusaram satisfeitos a recepção da minha oferta.
A genealogia e o DNA

Rainha Lenor e Sílvia da Silva
Como o estudo do DNA é presentemente a forma mais científica de identificação humana e os estudos genealógicos sugerem a possibilidade do navegador Cristóvão Cólon ser filho de Isabel Gonçalves Zarco e do Duque Dom Fernando de Beja, a análise dos seus ossos serviria para tirarmos a prova dos nove e constatarmos se haveria alguma prova do Duque de Beja ser pai biológico do famoso navegador e portanto ser de nacionalidade portuguesa.
Mas como o túmulo do Dom Fernando está vazio, ficamos igualmente vazios…Temos que procurar outra linha de família para seguirmos as pesquisas do DNA português!
À entrada do Museu Regional de Beja está uma bonita estátua da Rainha Dona Leonor, a Rainha fundadora das Misericórdias, que era mulher do Rei D. João II e filha de Dom Fernando e de Dona Brites. Sendo assim esta Rainha era meia irmã do Cristóvão Cólon. Indagámos do Director do Museu onde estaria o túmulo da Rainha D. Leonor e ele disse-nos. «Na igreja da Madre de Deus, que é agora o Museu dos Azulejos em Lisboa». E será que este túmulo estará intacto? Tentaremos saber a certeza.
Se não conseguirmos nada pelo lado do pai, certamente que poderemos e devemos seguir a linhagem da mãe, Isabel Gonçalves Zarco. Já demos os primeiros passos neste sentido, mas as primeiras impressões também são desoladoras. João Gonçalves Zarco – que era judeu português – descobridor e colonizador da ilha da Madeira, -- mandou fazer o seu mausoléu que foi colocado na Igreja de Santa Clara no Funchal, mas fomos informados que também este túmulo foi igualmente destruído por vandalismo!
Um apelo aos Zarcos vivos
.Só nos resta agora uma última
alternativa. Fazermos um apelo ás famílias Zarco, descendentes directos do
João Gonçalves Zarco e portanto de Isabel Gonçalves Zarco, os quais
felizmente ainda existem vivos no Continente, na Madeira e nos Açores. Temos que saber onde estão
esses
Zarcos e se concordarão em ceder aos cientistas uma amostra do seu cabelo para
se analisar o seu DNA e poder ser comparado com os resultados do DNA encontrados
nos ossos do Fernando Cólon, do Diogo Cólon e do navegador Cristovão Cólon.
Só assim é que poderemos chegar a uma conclusão científica se realmente o navegador Cristóvão Cólon era ou não de descendência portuguesa. Doia a quem doer. Só assim é que poderemos alcançar a verdade histórica ao fim de 500 anos! Só com os estudos do DNA é que poderemos confirmar ou não se as informações genealógicas apresentadas até agora por vários autores, estão correctas ou se são simplesmente cabalas…