O primeiro historiador Português que veio
examinar no local a Pedra de Dighton!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico
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Dr. Luciano
da Silva e Dr. Ferreira Coelho |
Até que enfim veio alguém de Portugal à América, já duas vezes, para examinar e até apalpar a Pedra de Dighton! Foi o Dr. Ferreira Coelho, Professor de Anatomia da Universidade de Lisboa e Especialista em Urologia! Usou os mesmos métodos científicos de se fazer diagnóstico médicos, aplicando-os à investigação histórica e acabou de publicar um livro maravilhoso intitulado “Portugal nos séculos XIII-XV” no qual trata, numa linguagem bem clara, não só da História da Pedra de Dighton, da Torre de Newport, do Forte de Ninigret e muito mais. Ele deu-me a honra de eu escrever para a sua extraordinária obra o Posfácio.
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Capa do livro com o Rodízio |
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POSFÁCIO
Este livro é um Hino
à Odisseia Marítima do Algarve!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico
O Professor Ferreira Coelho como Médico-Cirurgião e Mestre de Anatomia Humana da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e ainda como Oficial da Marinha de Guerra Portuguesa usou os métodos científicos da medicina para diagnosticar os documentos coevos históricos apresentados neste livro. É por isso que os seus diagnósticos são apresentados com convicção porque o Professor Coelho fez, durante a sua vida clínica, muitos milhares de diagnósticos e alguns entre a vida e a morte.
Encontramos nesta obra muitas citações verídicas e Bulas Papais que dão um carácter sério aos acontecimentos históricos. O leitor prepare-se para encontrar muitas surpresas, umas subtis outras mais flagrantes, como a análise descritiva da relíquia occipital num dos Painéis de São Vicente!
A
história do desenvolvimento da Marinha Portuguesa, uma das mais antigas do
mundo, o empenho dos vários Reis na sua evolução, merecem uma consideração
muito especial do Autor.
O grande empreendimento da Conquista de Ceuta, em 1415, com todos os seus
prós e contras, é um capítulo da História de Portugal que o Professor Coelho
trata com muita objectividade, porque foi a origem do início das primeiras
descobertas da epopeia marítima portuguesa. Foi a partir desta altura que
realmente começou a Odisseia Marítima do Algarve. Todos nós sabemos que o
grande impulsionador deste empreendimento foi o Infante D. Henrique.
Desde a Cidade de Tavira, através de todo o Algarve, até à Ponta de Sagres, o Infante D. Henrique procurou sempre, directamente, gente experimentada nas lides marítimas. O Infante viveu e dormiu em muitos lugares diferentes em todo Algarve, por isso podemos até considerar todo Algarve como sendo a Escola Náutica do Infante, embora ele tenha dito que o Promontório de Sagres foi o sítio físico da sua Escola de Navegação.
Escola Náutica de Sagres
Infelizmente ainda hoje em Portugal o povo não sabe que a palavra grega "schole" (Escola) significa em grego CONVERSAÇÃO!
Há mais de vinte e quatro séculos, o famoso filósofo Platão criou uma Escola Filosófica em Atenas, dando as suas aulas - CONVERSANDO -- para os alunos peripatéticos, num jardim chamado 'Academus'. Platão nunca deu aulas em nenhum edifício e por isso hoje não há vestígios da sua escola, mas ninguém duvida que ela existiu. O seu aluno mais famoso, Aristóteles, formou outra Escola Filosófica também em Atenas, usando outro jardim chamado 'Liceum' – CONVERSANDO -- também com os seus alunos. Também não usou nenhum edifício para sua escola. Mas ninguém duvida da existência da Escola de Aristóteles. É fácil compreendermos que tanto Platão, como Aristóteles dando as suas aulas a CONVERSAR, eram eles PRÓPRIOS as suas ESCOLAS!
Coisa semelhante aconteceu ao nosso Infante D. Henrique. O Infante D. Henrique foi deveras toda a sua vida um católico fervoroso. Porque será que ele decidiu chamar e pagar para pertencer à sua entourage, à sua "Casa", uma variedade de especialistas judaicos, muçulmanos tais como matemáticos, astrónomos, cartógrafos, O Infante não seleccionou esses especialistas marítimos para dançar com eles o "corridinho algarvio!" O Infante queria era CONVERSAR com eles, FAZER ESCOLA com eles. É por isso que o nosso Infante D. Henrique onde quer que estivesse ou para onde fosse, ele PRÓPRIO era a sua ESCOLA DE NAVEGAÇÃO! Curioso que o próprio Infante D. Henrique FOI Escola de Navegação mesmo sem se aperceber disso!
O Infante D. Henrique deu início prático à sua Escola de Navegação quando em 1418 enviou dois pajens da sua Casa a descobrirem terras ou ilhas ao longo da costa ocidental da África. Por esta decisão audaz João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira descobriam a Ilha de Porto Santo. Entusiasmado com aquela descoberta o Infante ordenou aos mesmos marinheiros para irem mais longe e eles descobriam a maravilhosa ilha da Madeira, 1419. Mas o Infante queria mais. Entre 1424 e 1433, D. Henrique enviou 15 expedições com a missão de ultrapassarem o maldito Cabo Bojador. Todas fracassaram. Mas com persistência tenaz o nosso Infante conseguiu convencer Gil Eanes para tentar ultrapassar o supersticioso Cabo Bojador e finalmente em Maio de 1434 essa façanha marítima foi conseguida!
E o Infante com muita perseverança continuou o seu grande objectivo -- da sua Escola de Navegação -- na descoberta dos Açores e quis que os seus marinheiros fossem cada vez mais longe ao longo da costa africana. Mas devemos salientar acima de tudo que ele usou sempre centenas e até milhares de marinheiros algarvios!
É por isto que este livro do Professor Ferreira Coelho é original em dois aspectos fundamentais: (1) Em prestar a verdadeira homenagem às gentes do Algarve que tiveram uma participação heróica nos primórdios dos nossos descobrimentos e (2) Em demonstrar que existem vários capítulos da História de Portugal que precisam de ser escrutinados por médicos porque estes cientistas possuem a capacidade de examinar e diagnosticar imparcialmente os documentos históricos usando os métodos científicos da Medicina!
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Manuel Luciano da Silva foi admitido no Panteão da Fama do Estado de Rhode Island, USA,
no Primeiro de Maio de 2010.
Médico-Historiador e Autor do livro “Cristóvão Colon era Português” que o Mestre Manoel de Oliveira adaptou no filme “Cristóvão Colombo, O Enigma”, que ganhou uma Medalha de Ouro no Festival Cinematográfico Internacional de Veneza, Itália, em 8 de Setembro de 2007.
Mora em Bristol, Rhode Island, Estados Unidos da América, desde 1963.