A Assinatura de João Gonçalves Zarco:
Um Contributo
Por Henrique Zarco
Lisboa, Portugal
Agosto 25, 2005

Índice

Sumário... 1

Análise Documental: Documentos Disponíveis. 2

Os Documentos de Estudo. 2

A Assinatura: Estabelecimento de Hipóteses de Trabalho. 3

Exploração das Hipóteses de Trabalho. 5

Hipótese H1: o “g” é um “lamed” do alfabeto hebráico. 5

Hipótese H2: o “g” é um “kuf” do alfabeto hebráico. 5

Hipótese H3: o “g” é mesmo um “g”. 5

Hipótese H4: o “g” é um “q”. 5

Considerações Finais: Interpretação da Assinatura. 6

Bibliografia. 6

Sumário

Catalizados pelo interesse histórico, pela genealogia familiar e por divergências na literatura disponível, decidimo-nos pela observação mais próxima da assinatura de João Gonçalves Zarco (JGZ), povoador e primeiro Capitão-Donário da ilha da Madeira.

O estudo debruça-se sobre um conjunto de hipóteses de trabalho, não sendo o objectivo desta comunicação, pela sua natureza, definitivo, tratando-se antes de um contributo, uma (primeira) proposta a qual evoluirá em função de novos e mais precisos dados.

Olham-se documentos à guarda do convento de Santa Clara, no Funchal, assinados pelo próprio JGZ à luz da numeralogia hebraica e pelo recurso à cifra atbash.

Conclui-se pela grafia Zarco.

Análise Documental: Documentos Disponíveis

A análise debruça-se sobre as assinaturas constantes em dois documentos, redigidos por mãos de tabeliães, nos quais JGZ transfere propriedades, transferências que valida assinando pela sua mão.

Nesta secção       

Os Documentos de Estudo

À guarda do arquivo de Santa Clara, no Funchal, os artefactos que estudaremos são os seguintes, a saber os documentos {1; 2}:


Figura 1 . Documentos notariais assinados pela mão de João Gonçalves Zarco.

  Nestes documentos abordaremos, por limitação de âmbito, apenas a sigla aparente “ZARGO”.

Neste momento do estudo não aprofundaremos os elementos que orbitam em torno da assinatura, a saber:

a)      as linhas horizontais que envolvem a assinatura;

b)     os elementos gráficos afixados nas extremidades das linhas referidas em (a);

c)      os elementos pictóricos, que se encontram à direita da assinatura em ambos os documentos (c.f. figura 1);

d)     detalhes e conteúdo dos textos.

A  Assinatura: Estabelecimento de Hipóteses de Trabalho

Do artefactos mostrados na secção “Os Documentos de Estudo” sintetizam-se as assinaturas que se seguem, as quais constam dos documentos 1 e 2:

 
Figura 2 . Detalhe de assinaturas de João Gonçalves Zarco.

Atentando nas assinaturas (figura 2) de imediato resulta que estão envolvidas, nomeadamente, por dois traços horizontais.

Sem se partir da demonstração (por falta de elementos à data do nosso estudo) logo se constata um filosofia semelhante quando comparada com a assinatura do Infante Dom Henrique: veja-se o notável trabalho de interpretação trazido à luz do dia pelo doutor Manuel Luciano da Silva (da Silva, Manuel Luciano - A Sigla do Infante D. Henrique parece uma linha de comboio!, em http://www.dightonrock.com/asigladoinfantedomhenriqueparece.htm, Setembro 2004). 

O objecto de trabalho será aqui, pelo referido, a sigla aparente “ZARGO”:

 
(sigla 1)

  Assim sendo, passemos sem mais delongas ao lançamento das (quatro) hipóteses de trabalho, a saber:

·   H1: o “g” é um “lamed” do alfabeto hebraico;

·   H2: o “g” é um “kuf” do alfabeto hebraico;

·   H3: o “g” é mesmo um “g”;

·   H4: o “g” é um “q”.

  Na sequência analisaremos as hipóteses à luz da numeralogia hebráica e utilizaremos a metodologia de cifra atbash (de modo a manter ligeiro o texto não aprofundaremos estes temas, utilizando-se apenas os resultados que se constituem as ferramentas adequadas à análise).

  A cifra atbash ajudar-nos-á disponibilizando a seguinte tabela

   
(quadro 1)

Figura 3 . Mapeamento do método de cifra atbash.

  para a exploração das hipóteses de trabalho.

Exploração das Hipóteses de Trabalho

  Nesta secção exploram-se as 4 hipóteses {H1; H2; H3; H4} de trabalho em estudo na comunicação.

Hipótese H1: o “g” é um “lamed” do alfabeto hebraico.

Premissa: da (sigla 1) destaque-se no “g” um “lamed” ().

Deste modo teremos a sigla assim interpretada:


(sigla 2)
Se considerarmos que, na hipótese, temos “zaro” pelo que teremos então, aplicando a cifra atbash (quadro 1), que:

·         z (zain) dará ayin;
·         a (alef) dará tav;
·         r (reish) dará guimel;
·         o hipotético “g” será lamed e, pela cifra, dará kaf ();
·         o “o” não existe no alfabeto hebráico.

Hipótese H2: o “g” é um “kuf” do alfabeto hebráico.

Premissa: da (sigla 1) destaque-se um “kuf ()”.

Deste modo teremos a sigla assim interpretada

 
(sigla 3)

  resultando o padrão “zaro” ou seja, “zarqo” uma vez que o carácter “c” não existe no alfabeto hebraico.

Hipótese H3: o “g” é mesmo um “g”.

  Possível mas difícil face a registos documentais e às hipóteses H1 e H2.   

Hipótese H4: o “g” é um “q”.

  Possível, face a H2.

  Considerações Finais: Interpretação da Assinatura

 As hipóteses H1 e H2 são meras propostas de trabalho.

A fundamentação exposta relativa às hipóteses H1 e H2 (conjuntamente) permite deduzir o seguinte racional:

a)      O lamed () leva-nos a encontrar, por recurso à cifra atbash, um kaf ();

b)     Com kaf se escreve a palavra kipá;

c)      Kaf significa, literalmente, palma (da mão);

d)     De (b) e (c) temos que com a mão se coloca (na cabeça) o kipá;

e)     A letra kaf dá o poder para superar as forças da natureza (referido pelo rabino Yitzchak Ginsburgh e citado por David Zumerkorn em [Zumerkorn, 2002; p106]).
Estas forças da natureza são, no contexto JGZ, os ventos e os mares que JGZ enfrentou nas suas deambulações marítimas ao serviço da coroa e do infante Dom Henrique, casa do qual foi JGZ escudeiro;

f)       Por outro lado, ainda, a simbologia do kaf seria uma forma criptada de alguém se apresentar como pertencendo ao povo da Nação;

g)     Com a letra kaf também se escreve a palavra “kefuim”: alguém que foi coagido a abandonar (nalguma forma e nalgum grau) a fé judáica (ibidem, p108);

h)   João Gonçalves não foi nem pode ser interpretada Zargo,  mas sim Zarco;

i)        Na sua assinatura, João Gonçalves Zarco afirma-se judeu, conhecedor da cabala hebraica.

Bibliografia

da Silva, Manuel Luciano - A Sigla do Infante D. Henrique parece uma linha de comboio!, http://www.dightonrock.com/asigladoinfantedomhenriqueparece.htm, Set04;

Zumerkorn, David - Numeralogia Judaica e os Mistérios da Bíblia, Hugin, 2002.