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Abençoado
computador do
avião da SATA! |

Imagem quando o avião "São Miguel" ficou parado no aeroporto de Lisboa por causa duma avaria eléctrica
Depois de sete maravilhosas semanas de férias em Portugal Continental,
na Madeira e Porto Santo e ainda no sul de Espanha, no Domingo, 26 de Junho de
2005, a minha mulher e eu começamos a
nossa viagem de regresso a América. Partimos da
aldeia de Merlães, Vale de Cambra,
cerca das onze da manhã, a
caminho de Lisboa. Paramos duas vezes nos restaurantes à beira da auto-estrada para
comermos e descansarmos e chegamos
calmamente ao Aeroporto
de Lisboa às 4 horas da
tarde onde tínhamos o nosso amigo Sr.
Gonsalves do Finibanco à nossa
espera para tomar conta do automóvel.
Entramos
no Aeroporto e seguimos com os
nossos documentos e malas para a secção
despachante da companhia aérea
SATA para a viagem até Bóston.
Entretanto
tivemos a agradável visita do Dr. João Moniz Corte Real com a sua filha
adoptiva dando-nos a oportunidade de
conversarmos sobre assuntos históricos de
nosso interesse comum.
Dentro
de 30 minutos
chegou a hora de embarque e seguimos
a caravana dos passageiros para a sala de espera da porta 21, depois de termos
sido examinados pelos serviços de raios X policiais. Eram
6 horas e cinquenta minutos quando fomos transportados
em autocarros para o avião “São
Miguel” um Airbus que se
encontrava a cerca de um quilómetro
de distância.
Antes
de levantarmos voo, as hospedeiras
começaram explicar as regras
de salvamento e o Capitão Ramalho deu as boas vindas a todos os passageiros e
disse que íamos ter uma boa viagem, porque o tempo estava ameno em todo o Atlântico
e por isso devíamos chegar a
Boston, vinte minutos antes da hora prevista.
O
avião começou a deslizar vagarosamente
e depois de andar cerca de cem
metros parou. Sentimos um cheiro
forte a gasolina. Em cinco minutos o Capitão voltou aos microfones para nos
informar que tinha sido detectada
uma avaria eléctrica num dos motores, que já tinham chamado um
profissional e esperavam que
o problema fosse corrigido em dez
minutos. Mas estes dez minutos
tornaram-se DEZASSETE HORAS!
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O voo da SATA das 7 horas da noite foi mudado para as 11 horas da noite e depois para o outro dia |
Um exemplo da refeição que foi dada aos passageiros. Notar o cartão de desembarque junto da travessa |
O Capitão Ramalho informou então que não tinha boas notícias, que teríamos que sair outra vez para o aeroporto onde nos seria servido o jantar. Fomos transportados mais uma vez nos autocarros e dirigidos para o centro do aeroporto, para jantarmos no restaurante IBER. O restaurante não estava preparado para servir jantar a tanta gente e só cerca da nove horas da noite é que começou a dar o jantar com 3 bolos de bacalhau, arroz branco, salada mista, uma bebida, uma peça de fruta e um bolo de pão. Eu só comi uma laranja. Nem fui à linha. Mas fiquei bem.
Cerca das dez e meia da noite fomos
novamente chamados para irmos para a sala de espera da porta 21.
Mas nem chegamos a entrar. À meia
noite menos dez, as duas hospedeiras
que tomavam conta do grupo de passageiros informaram-nos que íamos ser
transportados em autocarros para um hotel na cidade de Lisboa para pernoitarmos. O
voo tinha sido adiado para sairmos
ao outro dia ás nove e meia da manhã
para Bóston.
Lá continuamos fazendo parte desta maratona,
com as nossas duas malitas de mão, que àquela hora da noite pesavam muito mais do que durante o dia!... Já
passavam das duas da manhã quando nos deitamos na cama do hotel, com o aviso
que à seis menos um quarto da manhã, nos
haviam de acordar, para tomarmos um
pequeno almoço e seguirmos mais uma
vez de autocarro para o aeroporto de Lisboa.
E
assim foi. Tivemos que mostrar mais
uma vez os nossos passaportes e obter
mais um cartão de embarque. Passar outra vez na Polícia Internacional, passar
por um exame, desta vez mais
rigoroso no sistema de raios X e entrar outra vez na sala de espera No. 21. O
avião estava marcado para sair às nove e trinta da manhã,
mas só ao meio dia menos dez é
que fomos transportados pelos autocarros para o avião “São Miguel” da
SATA.
O Capitão Ramalho pediu desculpa a todos os passageiros pelo grande período de
espera: dezassete horas! Mais uma
vez o nosso Capitão confirmou que iríamos ter uma boa viagem e chegaríamos
a Bóston vinte minutos antes da hora prevista. Durante a travessia atlântica,
para amenizar os passageiros, a
equipa de hospedagem manteve um bar aberto durante
toda a viagem.
Houve alguns dos passageiros que começaram a reclamar da situação com
as hospedeiras, sem elas, nem o Capitão terem culpa nenhuma.
Nem eu, nem a minha mulher
usamos qualquer vocábulo de
protesto. Pelo contrário, só tenho a dizer bem dos
responsáveis pela companhia SATA e
muito especialmente do computador
que detectou a avaria eléctrica pouco segundos antes de levantarmos
voo. Se esta viagem foi histórica para cada um dos passageiros, devemos
lembrar-nos que, felizmente, chegamos sãos e escorreitos ao
nosso destino que era Boston, vinte minutos antes da hora prevista, como
tinha dito o Capitão.
Foram dezassete horas, que não devemos considerar perdidas, mas sim valorosas
para apreciarmos mais o valor das nossas vidas e também o valor da técnica da
aeronáutica a jacto, quando
é controlada por profissionais capazes de fazerem deste método de transporte a maravilha da humanidade.
Quanto
à companhia
SATA iremos continuar a voar
nela ainda com mais confiança
no futuro!

Deixando a costa de Portugal num dia maravilhoso a caminho de Bóston, Estados Unidos da América.