Abençoado computador do avião da SATA!
Dezassete horas de espera!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico  
Julho 30, 2005

 

 

Imagem quando o avião "São Miguel" ficou parado no aeroporto de Lisboa por causa duma avaria eléctrica

Depois de sete maravilhosas semanas de férias em Portugal Continental, na Madeira e Porto Santo e ainda no sul de Espanha, no Domingo, 26 de Junho  de 2005, a minha mulher e eu começamos  a nossa viagem de regresso a América. Partimos  da aldeia de  Merlães, Vale de Cambra,   cerca das onze da  manhã,  a caminho de Lisboa. Paramos duas vezes nos restaurantes à beira da auto-estrada  para comermos e descansarmos  e chegamos calmamente  ao Aeroporto  de Lisboa  às 4 horas da tarde  onde tínhamos   o nosso amigo Sr. Gonsalves do Finibanco  à nossa espera para tomar conta do automóvel.

Entramos no Aeroporto e seguimos  com os nossos documentos  e malas para a secção despachante da companhia  aérea  SATA para a viagem até Bóston.  

Entretanto tivemos a agradável visita do Dr. João Moniz Corte Real com a sua filha adoptiva dando-nos  a oportunidade de conversarmos sobre assuntos históricos  de  nosso interesse comum.

Dentro de 30 minutos  chegou a hora de embarque  e seguimos a caravana dos passageiros para a sala de espera da porta 21, depois de termos sido examinados pelos serviços de raios X policiais.  Eram 6 horas e cinquenta minutos quando fomos  transportados  em autocarros  para o avião  “São Miguel” um Airbus  que se encontrava  a cerca de um quilómetro de distância. 

Antes de levantarmos voo,  as hospedeiras  começaram explicar  as regras de salvamento e o Capitão Ramalho deu as boas vindas a todos os passageiros e disse que íamos ter uma boa viagem, porque o tempo estava ameno em todo o Atlântico e por isso devíamos  chegar a Boston, vinte minutos antes da hora prevista.

O avião começou a deslizar  vagarosamente e depois  de andar cerca de cem metros parou.  Sentimos um cheiro forte a gasolina. Em cinco minutos o Capitão voltou aos microfones para nos informar  que tinha sido detectada  uma avaria eléctrica num dos motores, que já tinham chamado um profissional  e esperavam  que o problema  fosse corrigido em dez minutos.  Mas estes dez minutos tornaram-se DEZASSETE HORAS!

O voo da SATA das 7 horas da noite foi mudado para as 11 horas da noite e depois para o outro dia 

Um exemplo da refeição que foi dada aos passageiros. Notar o cartão de desembarque junto da travessa 

 O Capitão Ramalho informou  então que não tinha boas notícias, que teríamos que sair  outra vez para o aeroporto onde nos  seria servido o jantar. Fomos transportados mais uma  vez nos autocarros e dirigidos para o centro do aeroporto, para jantarmos no restaurante IBER.   O restaurante não estava preparado para servir jantar a tanta gente  e só cerca  da nove horas  da noite é que começou a dar  o jantar com 3 bolos de bacalhau, arroz branco, salada mista, uma bebida, uma peça de fruta e um bolo de pão. Eu só comi uma laranja.  Nem fui à linha. Mas fiquei bem.  

Cerca das dez e meia da noite  fomos novamente chamados para irmos para a sala de espera da porta 21.  Mas nem chegamos a entrar. À  meia noite menos dez,  as duas hospedeiras que tomavam conta do grupo de passageiros informaram-nos que íamos ser transportados  em  autocarros para um hotel na cidade de Lisboa para pernoitarmos.  O voo tinha sido  adiado para sairmos ao outro dia ás  nove e meia da manhã  para Bóston.

Lá continuamos fazendo parte desta  maratona, com as nossas duas malitas de mão, que àquela hora da noite pesavam muito mais do que durante o dia!...  Já passavam das duas da manhã quando nos deitamos na cama do hotel, com o aviso que à seis menos um quarto da manhã,  nos haviam de acordar,  para tomarmos um pequeno almoço e seguirmos  mais uma vez de autocarro para o aeroporto de Lisboa.  

E assim foi. Tivemos que  mostrar  mais uma vez os nossos passaportes e  obter mais um cartão de embarque. Passar outra vez na Polícia Internacional, passar por um exame, desta vez  mais rigoroso no sistema de raios X e entrar outra vez na sala de espera No. 21. O avião estava marcado para sair às nove e trinta da manhã,  mas só ao meio dia menos dez  é que fomos transportados pelos autocarros para o avião “São Miguel” da SATA. 

O Capitão Ramalho pediu desculpa a todos os passageiros pelo grande período  de espera: dezassete horas!  Mais uma vez  o nosso Capitão confirmou que iríamos  ter uma boa viagem e chegaríamos  a Bóston vinte minutos antes da hora prevista. Durante a travessia atlântica, para amenizar os passageiros,  a equipa de hospedagem manteve um bar aberto durante  toda a viagem.

Houve alguns dos passageiros que começaram a reclamar da situação com as hospedeiras, sem elas, nem o Capitão terem culpa nenhuma.  Nem eu,  nem a minha mulher usamos  qualquer vocábulo de protesto. Pelo contrário, só tenho a dizer bem  dos responsáveis pela  companhia SATA e muito especialmente  do computador que detectou a avaria eléctrica pouco segundos antes de levantarmos  voo. Se esta viagem foi histórica para cada um dos passageiros, devemos lembrar-nos que, felizmente, chegamos sãos e escorreitos ao  nosso destino que era Boston, vinte minutos antes da hora prevista, como tinha dito o Capitão. 

Foram dezassete horas, que não devemos considerar perdidas, mas sim  valorosas para apreciarmos mais o valor das nossas vidas e também o valor da técnica  da aeronáutica a jacto,  quando  é controlada por profissionais capazes de fazerem deste método de transporte a maravilha da humanidade.

Quanto à  companhia  SATA  iremos continuar a voar nela ainda com  mais confiança  no futuro!  

 

 

Deixando a costa de Portugal num dia maravilhoso a caminho de Bóston, Estados Unidos da América.

 

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