A História  das Romãs
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

A romã é um fruto delicioso oriundo da Pérsia ou  Irão que  se começou a espalhar há  milhares de anos por toda a Ásia,  pela África,  região do Mediterrâneo e até há poucos séculos pelas  Américas especialmente na Califórnia onde já existem  milhões de plantas.   

Este fruto é do  tamanho duma maça  vulgar apresentando uma casca dura com uma cor que   vai desde o alaranjado até ao vermelho escuro.

Possui 613 sementes que são as partes comestíveis. O nome em latim da romã é: ‘pomum’ (maçã) mais  ‘granatus ‘ (com sementes).  Portanto trata-se  “duma maçã  com sementes”. Foi deste nome ‘granatus’  que originou o  nome da cidade de Granada em Espanha  à volta da qual  existem muitas romãzeiras.

Arquivos cuneiformes na Mesopotâmia, 3 mil anos antes de Cristo, já faziam referências às romãs. Por causa  da sua casca grossa as romãs  aguentam-se mais do que as outras frutas quer durante o tempo quente quer com o frio.  Por isso foram usadas como alimento  assim como  as cebolas  e os  alhos  (por se conservarem mesmo no tempo quente)  durante as construções das Pirâmides do Egipto. Pelas mesmas razões as romãs foram usadas na travessia do deserto na Rota da Seda.

 
Pintura de Botticelli.
“Nossa Senhora com o Menino Jesus a segurar uma romã, como símbolo divino”

Simbolismo das romãs    Já há muitos anos que me tenho vindo a interessar pelos  significados mitológicos, religiosos e até nacionalísticos  das várias  siglas, de cruzes, de brasões, bandeiras, heráldica,  hieroglífica,  de frutas, de vegetais, etc. Todos estes objectos transmitem   mensagem específicas. Quem diria que há no mundo 317 tipos diferentes de cruzes!  É para exclamarmos:  “Cruzes canhoto!”   Porque é que nos países à volta do Mediterrâneo as laranjas são chamadas Portugálias?  Qual é a origem do nome tangerinas? Porque é que o nome banana é  português?  Porque usam os ingleses a palavra portuguesa zebra quando se referem  à passadeira?  Porque é que em Porto Rico nas Caraíbas as laranjas se chamam Chinas?

Todos nós sabermos que os marmelos são a fruta do amor, que a flor do marmeleiro é usada no ramo das noivas  e que os marmelos representam  os seios de uma rapariga nova,   vai  daí,  todos nós sabemos o que é fazer marmelada...

Do mesmo modo me tenho interessado pelo significado mitológicos das romãs.  A Bíblia  (Exudus,  Capítulo 28)  informa-nos que as romãs estavam esculpidas no Templo de Salomão  em Jerusalém. Mas a Bíblia também nos diz que as romãs  são Símbolos de Rectidão ou Honradez. Mais curioso é o facto de cada romã possuir  613 sementes  e este número ser  igual aos 613  mandamentos ou provérbios judaicos (Mitzvots) que existem na Tora. (Colecção  de Regras Judaicas nos primeiros  5 livros do Velho Testamento).  Por isso os judeus comem romãs no feriado chamado Rosh Hashanah. E os católicos comem romãs no Dia de Reis.


As 613 sementes duma Romã

Na Arménia as romãs são símbolo de fertilidade, abundância e casamento.No Irão as romãs são símbolo de boa saúde e longa vida. Há quem acredite  que as romãs eram uma fruta do Paraíso. Os  gregos escolheram  Persofone  como representante  das romãs,  mas complicaram a história  do amor  com  uma tragédia  grega…. Sabemos que certos pintores famosos como Sandro Botticelli  usaram a romã como símbolo de amor  divino quando o Menino Jesus mostra à Mãe uma romã ou quando Jesus  Cristo é revelado num filme  a comer uma romã!  (Botticelli é o  autor das famosas pinturas: “A Primavera”,  “Vénus na Concha” e  “ A Nossa  Senhora e o Menino segurando uma romã” ).  

A título de curiosidade podemos informar que o Imperador Maximiano I  usava uma  romã como Símbolo Pessoal de Rectidão.  Não conhecemos,   até este momento,  nenhuma figura nobre ou real em Portugal que usasse a romã com o mesmo significado místico.   

Estilo Manuelino    Devido ao meu longo interesse nos Descobrimentos Portugueses há muito tempo que me tenho interessado em estudar e a analisar  o Estilo Arquitectónico Manuelino. Tenho observado que este estilo sui generis compreende um conjunto de naturalismo vegetalista  e náutico. Quer nos Jerónimos, na Batalha ou em Tomar tenho observado bem pertinho  e tenho obtido  muitas fotografias das cordas, das folhas,   dos  frutos,  (uvas, bolotas, flores), dos troncos das árvores podados, (quer carvalhos, quer cardos),  das algas, nas portas, nas janelas ou nas ombreiras.

Tenho prestado também muita atenção aos símbolos nos túmulos dos reis e infantes de Portugal. Penso até a  que mistura de símbolos vegetais com  motivos marítimos tenha resultado  da influência da arte árabe, subentendida no subconsciente dos artistas portugueses…Por exemplo nas Capelas Imperfeitas  (ou melhor,  Não Acabadas)  da Batalha existe uma série de símbolos  nas ombreiras e portais  os quais  não sou capaz de diagnosticar  se são alcachofras, ou romãs.  

O povo chamam  a estes símbolos maçarocas. Não havia ainda o milho em Portugal quando o Mosteiro da Batalha foi construído.  A América ainda não tinha sido descoberta! Penso que maçaroca em relação à Batalha  é  um termo muito genético. Também não sei se alguém já publicou algum trabalho com a análise completa  simbólica de tudo que  existe no Mosteiro da  Batalha. Se existe tal obra  eu quero comprar. 

Penso que havia necessidade de revermos os símbolos arquitectónicos dos monumentos portugueses, da arte sacra nas igrejas e catedrais e até das as iluminuras dos livros antigos para descobrimos mais  segredos  dos nossos antepassados….Mas será que a romã seria um  símbolo da Dinastia de Avis?


Coluna do portal das Capelas Imperfeitas no Mosteiro da Batalha

Qualidade saudáveis das romãs    A romã é um fruto excelente para a nossa saúde. É muito rico em vitaminas tais  como:  tiamina, riboflavina, niacina, pantotenica, vitamina B 6, folate (vit. B 9)  e vitamina C.  

É também muito rica em cálcio, ferro, magnésio, fósforo, potássio e zinco.  Ultimamente tem sido classificada com a campeã dos antioxidantes que fazem diminuir o colesterol mau e subir o colesterol bom!

É muito agradável saborearmos calmamente as sementes duma romã, mas cada vez mais se está a usar  a forma de sumo das romãs porque tem qualidades antioxidantes que são mais fortes do que as do vinho tinto ou de qualquer outra fruta.