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A maior mentira do mapa Cantino! |
Os historiadores e cartógrafos de todo mundo conhecem bem o chamado Planisfério de Alberto Cantino, presentemente guardado na Biblioteca Estense, na cidade de Modena, localizada ao norte de Bolonha, na Itália
Modena é célebre por causa dos carros de corrida fabricados nos seus arrabaldes com as famosas marcas Ferrari e Maserati. Esta cidade hoje com 175 mil habitantes desenvolveu-se muito culturalmente quando os Duques d’Este se mudaram da cidade de Ferrara para ali, em 1598.
A Biblioteca Estense possui muito livros raros e também uma colecção magnífica de mapas originais, entre eles o Planisfério de Alberto Cantino.
Este mapa é considerado anónimo mas hoje sabemos que foi feito por um cartógrafo português em Lisboa em 1502. No canto esquerdo inferior tem uma legenda que diz o seguinte: “Dono Alberto Cantino, ao Sr. Duque Hércules”. Isto é o princípio da atribulada história deste mapa.
É agora do conhecimento geral que Alberto Cantino era um espião italiano em Lisboa nos fins do século XV e princípio do século XVI. Ele era um espião tão esperto e eficiente que chegou a ser secretário particular do Rei D. Manuel I. O facto mais demonstrativo são as duas cartas de espionagem que ele escreveu para o Duque d’Este, então Duque de Ferrara, descrevendo todos os detalhes da viagem de regresso que Gaspar Corte Real fez a Terra Nova em 1501. Nestas cartas datadas em Lisboa em 17 e 18 de Outubro de 1501, o próprio Cantino afirma em ambas que ouviu tudo directamente porque “estava na presença ao Rei“ quando Gaspar Corte Real fez a sua apresentação ao monarca português!
Pois foi este mesmo Alberto Cantino, agente secreto de Hércules d’Este, ao tempo, Duque de Ferrara, que tinha sido enviado para Lisboa para colher informações sobre os descobrimentos portugueses porque já naquele tempo tinham muita fama e causavam muita inveja por toda a Europa.
Com o pretexto de vir a Lisboa negociar em cavalos, Cantino conseguiu subornar um cartógrafo português que lhe fez uma carta náutica com toda a informação geográfica secreta nos arquivos da Casa da Índia em Lisboa. Pagou um elevado preço pelo planisfério: doze ducados em ouro!
Sabemos por outra carta assinada por Cantino que ele enviou este mapa ao seu patrão, Duque de Ferrara, no dia 19 do mês de Novembro de 1502, a qual terminava da seguinte forma: “ a carta (o mapa) é di tal sorte, et spero che in tal manera piacerà a V. Exa.” Tradução “Este mapa é de tal qualidade que eu espero venha a ser de muito agrado a Vossa Excelência”.
O Planisfério de Cantino esteve durante cerca de 90 anos na Biblioteca Ducal até que o Papa Clemente VIII o transferiu para outro palácio em Modena. Mas este mapa teve pouca sorte porque devido aos motins de 1859 desapareceu até ser encontrado a servir de forro num anteparo duma salsicharia na mesma cidade de Modena. O Director da Biblioteca Estense foi chamado ao local e levou-o então para a sua Biblioteca onde se encontra desde 1868 até ao momento actual.
O Planisfério de Cantino de 1502 é hoje considerado uma obra prima da cartografia portuguesa e como carta geográfica é uma das mais importantes do mundo. É a primeira carta que representa o planisfério duma maneira mais completa: desde a Europa, América do Norte, Central e Sul, toda a África, a Ásia até ao Oriente.
É uma carta rica e com muito pormenor em topónimos. Mas a parte que nos interessa mais é a parte mais ocidental dos Açores, isto é, que diz respeito às Terras Americanas. Nesta região vemos ao centro uma linha perpendicular que é a Linha do Tratado de Tordesilhas de 1494 a dividir o mundo entre Portugal e Espanha. Esta linha imaginária foi traçada a 370 léguas a oeste da ilha mais ocidental do Arquipélago de Cabo Verde, por exigência do Rei D. João II. O Tratado de Tordesilhas foi assinado em 2 de Julho de 1494. A cidade de Tordesilhas fica em Espanha entre Valhadolide e Salamanca. Os Reis Católicos, D. Fernando e D. Isabella de Espanha, queriam que a Linha de Tordesilhas fosse 100 léguas, de combinação com o Papa Alexandre VI que era de origem espanhola, mas o Rei D. João II exigiu que fosse 370 léguas e ganhou.
Neste mapa vemos que a Terra Nova e o Brasil estão incluídos no hemisfério oriental, a metade da terra que pertencia a Portugal. Hoje sabemos que o Rei D. João II comeu as papas na cabeça aos espanhóis -- ludibriou-os -- porque eles não sabiam da existência da Terra Nova nem do território que originou mais tarde o Brasil. Vamos agora a analisar o planisfério de Cantino no espaço das Terras Americanas.

Fig. No. 1 –
(1) Representa a Groenlândia com uma bandeira de Portugal com as Cinco Quinas.
(2) 'Terra Del Rey de Portugall,' representando a Terra Nova com os pinheiros do Canadá.
(3) Linha de Tordesilhas dividindo a esfera da terra entre Portugal e Espanha
(4) Açores
(5) Portugal Continental
(6) África
(7) Arquipélago Cabo Verde

Fig. No. 2-
Nesta secção do Mapa de Cantino vemos:
(8) Ilha Hispaniola, hoje Haiti e S. Domingos.
(9) Ilha de Cuba
(10) Península da Flórida. Notar que neste mapa português com a data de 1502 já vemos a Florida bem desenhada. Porque é que na América se ensina que foi Ponce de Leão que descobriu a Flórida quando ele chegou lá ONZE anos mais tarde em 1513, à procura da Fonte do Elixir da Longa Vida!...
(11) 'Las antilhas del Rey de castella'. Notar que nesta frase o nome antilhas está escrito bem claro em português e não em espanhol antilles.
Fig. No. 3 –
(12) América do sul
(13) Brasil com 3 papagaios.
Onde está a Grande Mentira no mapa Cantino?
Fig. No 4
A Grande Mentira está no nome Antilhas -- por cima do (11). Estas ilhas no Mar das Caraíbas não são as Verdadeiras Antilhas. São as Falsas Antilhas. As Verdadeiras Antilhas são a Terra Nova, Nova Escócia e Ilha do Príncipe Eduardo, no Canadá, quase a duas mil milhas mais para o norte!
O cartógrafo que fez o Planisfério de Cantino em 1502, ao baptizar as ilhas das Caraíbas de Antilhas, ENGANOU a humanidade inteira, durante mais cinco séculos, especialmente historiadores, incluindo os cartógrafos portugueses entre eles o Armando Cortesão!!!
As Verdadeiras Antilhas estão desenhadas na Carta Náutica de 1424. Este documento foi profundamente analisado em pormenor pelo Professor Armando Cortesão e publicado num livro em inglês “The Nautical Chart of 1424”, editado pela Universidade de Coimbra em 1954. De mil exemplares existe o exemplar No. 232 na minha Biblioteca-Museu em Cavião, Vale de Cambra, Portugal.
Aqui está uma secção da Carta Náutica de 1424 mostrando as quatro ilhas: duas em azul e outras duas em vermelho. Os seus nomes são à Saya, Satanazes, Antilia e Ymana. O original deste mapa está na Biblioteca da Universidade de Minnesota, na Colecção de James Ford Bell. Foi feito em 22 de Agosto de 1424, por Zuanne Pizzigano, um cartógrafo de Veneza.

Fig. No 5.
(1) Data 1424, Agosto 22.(2) Saya(3) Satanazes(4) Antilha(5) Ymana(6) Portugal Continental
Para conhecer em pormenor a minha análise total da Carta Náutica de 1424 veja na minha Internet os artigos intitulados:
As Verdadeiras Antilhas: Terra Nova e Nova Escócia Resumo das Verdadeiras Antilhas

Fig. No 6 -
Neste diagrama vemos mais claramente os nomes próprios das 4 ilhas, mas também outros nomes que estão escritos dentro dos lagos nas ilhas Satanazes e Antilia.
Curioso que Armando Cortesão, considerado o maior especialista mundial em cartografia, nas suas conclusões no livro “The Nautical Chart of 1424” não consegui diagnosticar que estas 4 ilhas representam as Verdadeiras Antilhas na costa marítima do Canadá!
Aqui está a confissão de Armando Cortesão no seu livro “The Nautical Chart of 1424”:
“The Documentary proof that such a voyage or voyages (by the Portuguese), either willing or unwilling, took place is provided by the representation of the Antilia group of four islands in the 1424 Chart. Several islands of the Antilles were no doubt seen during one or more of these voyages. The newly acquired knowledge confirmed what was already presumed from ancient tradition and more or less recent and more or less positive information, and the first cartographer who got hold of that information, though rather vague, represented it as well as he could in his map. We do not know whether the 1424
Chart is the first one in which Antilia was figured; we only know that it is the earliest extant in which it appears.” “ It would not be easy to say which of the Antilles islands are depicted by the Antilia group, or if the American Continent itself is represented there. Haiti, Cuba, Jamaica, Porto Rico, some of the Bahamas, Trinidad or some of the Lesser Antilles, Florida or even Greenland? There is no sure guide for any such tentative identification. The only certainty is that several of these lands were seen, but the identification of their cartographical representation is as uncertain as the meaning of the seven mysterious names which, following the legend of the Island of the Seven Cities, were written on Antilia and probably influenced the idea of writing the no less mysterious five names on the Satanazes” .
Tradução:
“A prova documentária de que tais viagem ou viagens (pelos portugueses) quer voluntária ou involuntariamente, se realizaram, é demonstrado pela desenho do grupo das quatro Antilhas na carta Náuticas de 1424. Várias ilhas do grupo das Antilhas, sem dúvida nenhuma, foram vistas durante uma ou mais destas viagens. Os conhecimentos recentes confirmam o que já era uma tradição antiga, baseada em mais ou menos informação positiva, e que o primeiro cartografo que obteve essa informação, embora vaga, registou-a o melhor que ele pode neste mapa.
Nós não sabemos se a Carta Náutica de 1424 é a primeira carta na qual as Antilhas estão desenhadas; só sabemos que esta é a mais antiga carta existente na qual as Antilhas aparecem.”
“ Não é fácil dizermos quais das Antilhas é que estão representadas neste grupo ou até o próprio Continente Americano. Haiti, Cuba, Jamaica, Puerto Rico, algumas das Bahamas, Trinidade ou algumas das Antilhas Menores, Florida ou até a Gronelândia? Não temos nenhum guia seguro que nos ajude a tentar tal identificação. A única certeza que temos é que várias destas terras foram vistas, mas a sua identificação é tão incerta como o significado dos sete nomes misteriosos que aparecem na Lenda das Sete Cidades e estão escritos na Antilha e provavelmente influenciaram também a escrita de sete nomes misteriosos nas ilha de Satanazes” .
O que faltou a Cortesão
O GUIA QUE FALTOU ao Armando Cortesão foi descobrir as linhas de latitude na Carta Náutica de 1424. Ele andou lá muito perto, mas não teve sorte . Foi pena porque ele bem merecia. Um Homem que passou toda a sua viva a estudar e analisar mapas antigos. O seu maior monumento certamente é a sua grande participação na criação da Monumenta Cartográfica Henriquina.
Eu falei pessoalmente várias vezes no Instituto de Cartografia da Universidade de Coimbra com o Professor Armando Cortesão, por quem tinha muita admiração, durante o período em que fui estudante na Faculdade de Medicina na Universidade de Coimbra entre 1952 a 1958. Mas naquele tempo, porque eu me tinha que me preocupar intensamente com as anatomias e patologias para conseguir notas distintas, não tive tranquilidade para descobrir as linhas de latitude na Carta Náutica de 1424, como fiz no sossego da minha casa, em Bristol, Rhode Island, E. U. A., no dia 7 de Novembro de 1986, dois minutos para meia noite!
Tenho muita pena do Dr. Armando Cortesão não estar vivo para saber da minha descoberta original das latitudes na Carta Náutica de 1424 porque ele passou quatro anos a estudá-la e a decifrá-la.
O que é muito triste é que depois de Armando Cortesão morrer, tanto o ‘homem mais pequenino’, entre os professores da Universidade de Coimbra, Damião Péres e o seu colega de história, cem por cento comunista-leninista, Luiz de Albuquerque, ambos criticaram negativamente o livro escrito pelo Armando Cortesão -- “The Nautical Chart of 1424”. Não apresentaram nenhuma interpretação da Carta de 1424. Só olharam para ela como burros para um palácio!...
Não sei quem é agora o responsável pelo Departamento de Cartografia da Universidade de Coimbra, se é que ainda existe depois do Armando Cortesão ter morrido, porque foi ele que o criou.
Infelizmente ainda hoje existem muitos historiadores e cartógrafos por esse mundo que não querem aceitar a veracidade da Carta Náutica de 1424, porque não sabem, nem querem TRAÇAR as linhas de latitude neste mesmo mapa! Mas este mal continua a infestar todos os professores das universidades e liceus de Portugal.
A parte que me satisfaz e que me tranquiliza é que estou a deixar escrito em monografias, revistas e livros e também gravado e espalhado por meio da Internet, esta minha descoberta original das latitudes na Carta Náutica de 1424, para que gerações vindouras possam realmente apreciar esta descoberta tão simples e tão singela.
Estou a consolar-me com as novas técnicas de comunicação. Os chamados ”professores” já não podem mais bloquear as minhas descobertas nem os meus escritos usando a “conspiração do silêncio”. Agora até fogem de mim! São uns infelizes cheios de vaidades fúteis. Por isso não vão deixar marca nenhuma positiva na História! Vão receber o que realmente merecem: Zero!