Os Americanos são uns escravos do trabalho!
Muitas horas e poucas férias
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

  Hoje (Setembro 3, 2001)  celebra-se nos Estados Unidos da América o “Labor Day” ou seja o “Dia do Trabalhador”. É  um  feriado nacional celebrado sempre  na primeira  segunda-feira do mês de Setembro. Foi instituído em 1884 quando a  lei foi assinada pelo Presidente Cleveland.  O Canadá celebra  também  feriado idêntico  no mesmo dia. Na Austrália este feriado chama-se “Dia de Oito Horas”, porque comemora a victória da redução  do dia de trabalho para oito horas.

 Na Europa o “Dia do Trabalhador” celebra-se no Primeiro de Maio. Está relacionado com o princípio da Primavera, com a renovação da Natureza e portanto com as  flores.   O conceito social  deste feriado já vem do tempo dos egípcios, dos gregos e dos romanos. Na América o “Dia do Trabalhador” está mais relacionado com o período das colheitas e com o fim do Verão.

Os jornais na América publicaram ontem, em primeira página,  um  artigo extenso  revelando os resultados dum relatório das Nações Unidas  no qual podemos ver quais são os povos que mais horas trabalham  no mundo!  Conclusão: os americanos são uns escravos do trabalho! A  América, a nação  mais invejada do mundo,  é aquela cujos  cidadãos  mais horas de trabalho fazem durante um ano inteiro! E são também aqueles que menos férias tiram!

Nos últimos dez anos os americanos trabalharam 1,979 horas por ano.  Os americanos trabalharam 137 horas mais do que os japoneses, ou seja 3 semanas e meia. Trabalharam  260 horas,  cerca de 6 semanas e meia mais do que os trabalhadores ingleses e  499 horas -- 12 semanas e meia—mais  do que os alemães!

Mas o relatório das Nações Unidos revela ainda a tendência para  os americanos continuarem a aumentar  o seu número de horas de trabalho, em quanto as outras nações industriais demostram  a tendência para continuar a diminuir o número de horas de trabalho.  Antigamente eram os japoneses que eram os escravos do trabalho. Muitos dos nossos imigrantes portugueses têm que ter dois trabalhos para acompanhar o alto nível de vida que existe nos Estados Unidos da América.  Tem que trabalhar o marido e a esposa.

Na França, oficialmente  a semana de trabalho já foi reduzida para 35 horas, para dar oportunidade  a mais pessoas poderem ter acesso ao trabalho.  Na América os trabalhadores chegam ao fim do ano com mais dinheiro, porque fazem mais horas extraordinárias.  

Sendo os americanos os campeões do trabalho são  por isso os últimos na fileira  das férias. Os trabalhadores europeus tiram 4 a 6 semanas de férias por ano, enquanto que  os americanos gozam apenas 2 ou 3 semanas por ano.  Mas nem  todos. Regra geral as férias seguem este esquema: um ano de trabalho, uma semana de férias;  dois anos de trabalho,  duas semanas de férias;  três anos,   três semanas e  quatro anos, quatro semanas de férias e pronto, nada mais!

Feriados Nacionais na América.

Os Estados Unidos, o país mais rico e poderoso do mundo é aquele que menos feriados nacionais celebra.  Na América existem os seguintes feriados:

(1)   Dia de Ano Novo, Primeiro de Janeiro; (2)  Dia dos Presidentes, celebrado na terceira segunda-feira  do mês de Fevereiro; (3)  Dia Memorial, última segunda-feira de Maio; (4)    Dia de Independência, 4 de Julho; (5)  Dia do Trabalhador, primeira segunda-feira de Setembro;  (6) Dia de Colombo, segunda-feira do mês de Outubro; (7)   Dia dos Veteranos, na quarta segunda-feira do mês de Outubro; (8)  Dia de Graças, na terceira quinta-feira do mês de Novembro e (9)  Dia de Natal, em 25 de Dezembro. Nem todos os Estados celebram estes feriados todos. Duma  maneira geral a média é celebrarem apenas cinco feriados por ano.

Vejamos o contraste dos feriados em Portugal. Eu não compreendo porque é que sendo a Constituição Portuguesa actual denominada pelos conceitos comunistas e socialistas,  que não acreditam na existência  de Deus, mais de metade dos feriados em Portugal são religiosos? !!!

Mas além dos quinze  feriados de Portugal,  depois do 25 de Abril,  criaram ainda as  chamadas “Pontes”  para fazer a  ligação dum feriado cuja data seja no meio da semana, possa ser transferido  para  o último dia da semana e assim prolongar mais um  período de dias fora do trabalho!   Ora toma!

Nós aqui na América costumamos dizer que “O tempo é dinheiro”.  Mas na filosofia social portuguesa parece-me que a  situação é  bem diferente.   Quanto menos  se trabalhar melhor é para a Nação.  Para concluir  este artigo  vou citar  um extracto  da página “Expressamendes” do “Portuguese Times”  de 29 de Agosto de 2001, escrito pelo jornalista Eurico Mendes, Redactor do mesmo jornal:

“Férias consulares”

“Um leitor, de New Bedford escreveu inquirindo se é verdade que o pessoal das missões  diplomáticas nos EUA goza de feriados de Portugal e dos EUA. É  sim senhor  e trata-se de prática adoptada em todo o mundo. No caso português, um funcionário consular fica em casa, de pantufas cerca de 130 dias por ano. 

Para além das merecidas férias, não trabalha  sábados e domingos (106 dias). Tem ainda os feriados, dias santos e pontes, portugueses e americanos (24 dias). Portanto, em princípio trabalha 223 dias. Admitindo que não adoeça ou não tenha licenças de luto.  E seja pontual  claro”.

  Faltou ao Sr. Mendes dizer, como exclamam os brasileiros: “E tudo isto é legal!”  Devemos acrescentar ainda que  eles têm também direito  ao seguro nacional de saúde e à reforma. É  por isso que agora a América  é  Portugal!   Eis a razão  dos nossos compatriotas portugueses já não emigrarem mais  para a América.  Também têm direito a serem felizes!  E quem não estiver bem aqui,  que se mude para lá!

Tudo se paga neste mundo

Os americanos brancos desenvolveram esta nação à custa da escravatura negra que veio da África. Quiseram também fazer dos Índios Americanos escravos, mas  não tiveram muita sorte, porque os Índios fizeram-lhes uma guerra terrível.

Os brancos tinham por rito  de guerra arrancar  o couro cabeludo aos Índios e dependurá-lo num pau muito alto para servir de exemplo aos outros índios...

Mas agora são os Índios americanos a tosquiarem os brancos americanos,... por causa  dos casinos indianos que existem nos Estados Unidos.

As estatísticas já mostram que os americanos gastam mais milhões de dólares no jogo do  que na mercearia. Agora sãos os americanos a perderem o couro cabeludo  a favor  dos Índios...

Não há dúvida nenhuma que os americanos estão a  tornar-se cada vez mais materialistas. Já poucos símbolos espirituais têm. Quando uma nação deixa de ter ícones espirituais está  entregue á bicharada!

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