A ‘mosca branca’ nos Açores!
Por Manuel Maria Duarte

Este autor é professor de instrução primária, mas  foi Editor da revista “Chama” publicada  em New Bedford há muitos  anos. Com uma frequência semanal escreve para os jornais luso-americamos, com clareza e firmeza, sobre temas  sociais e culturais  dos nossos emigrantes.

Uma "mosca branca"  nos Açores....

 A mosca branca é um tipo de "insecto" que teima em invadir os Açores, desde há muitas dezenas de anos...
Como os outros congéneres, é mais frequente aparecer, por ali, no Verão, estação do ano mais propícia à sua sobrevivência, que tem muito a ver com dias melhores, em que o sol e o bom-tempo não estejam escondidos, por excesso de vergonha.

Verdade seja que é "bichinho" que parece incomodar muita gente, mesmo da boa...
Como insecto, vive quase sempre em enxames, por isso nada admira que, quando surge pelas nossas ilhas, vá bem acompanhado. Ou seja: chegue em grupo, ou grupos, porque, quando pensa em ir "incomodar" os "parasitas" dos sítios de destino, já conta com companhia.

 A "mosca branca" que, quer se queira, quer não, subiu um pouco de nível cultural em relação aos "calafonas", é aceita com determinadas reservas, não vá alguma tirar o lugar que os "parasitas locais" costumam  ocupar, por sistema, nos bancos dos parques, jardins, praças e mesmo esplanadas de cafés.  É que esta coisa da "mosca branca" ir de férias e, portanto, por pouco tempo, provoca interrupções no viver quotidiano de alguns "parasitas diplomados", que se julgam com direitos adquiridos, por via de uma vivência ininterrupta (ou quase), no sítio onde nasceram.

Assim uma espécie de uns proclamarem o Turismo como uma das poucas fontes de receita para as ilhas e de outros, simultaneamente, preferirem continuar "orgulhosamente sós", alcandorados a sabichões de esquina, onde a mentira pode, facilmente, passar por verdade, ou seja, por aquilo que lhes convêm "fazer passar".

Tenho defendido que a inveja é um, senão o pior, dos males que existem no nosso planeta. Por isso, acredito em que os maiores males advêm do facto de haver muita gente invejosa. Muitas vezes sem saber de quê... Mas, a "mosca branca", no meu entender, está muito longe de ser uma praga que, todos os anos, aparece pelas nossas ilhas. Praga existe, isso sim, por lá, mas devido a outra espécie de moscas: a "mosca da malandrice", que afecta um considerável número da "mosca residente"... e contra a qual ainda não foi descoberta uma vacina ! 

 E, quando o período de permanência da "mosca branca" começa a aproximar-se do fim e todos adivinham que a única "safa" é jogar só  com os "jogadores da casa", há um ou outro desabafo de... pois é, p'ráqui ficamos, reduzidos ao número da nossa realidade!!!

Ah! e quando resolvem falar de dinheiros, onde os câmbios ocupam lugar de destaque, ninguém se esquece de frisar: vocês, agora, já não botam figura, como antigamente! É que o EURO está mais forte do que o dólar...

Coitados, que nem se apercebem de que os seus ordenados, férias, reformas ou outros recursos financeiros não foram nada alterados com a mudança da moeda de escudos para euros, mas, apenas, convertidos. Ou seja: alguns julgam que, por passarem a receber euros, em vez de escudos, ficaram com maior poder de compra...Quando, afinal, e por via da subida do preço dos géneros alimentícios e outros, o custo de vida aumentou bastante e os vencimentos, com percentagens insignificantes de melhoria, não acompanharam o vertiginoso disparo na carestia.

Por outro lado, eu não acredito que tenha sido esse o motivo por que a afluência de emigrantes tenha diminuído, este ano. Prefiro julgar que terá sido a desconfiança na economia dos diferentes países.  Seja como for, eu tenho pena de quem considera o emigrante "mosca branca", mais que não seja pelo facto de haver bem poucos "parasitas" que não tenham familiares incluídos nesse pretenso grupo de "insectos humanos".  Se a "mosca branca" deixar de aparecer pelas ilhas... é bem possível que alguns dêem por isso !!! 

                                                             Fim do artigo


Nota Horrível  -- Por Manuel Luciano da Silva  

 Eu já visitei os Açores sete vezes. Cada vez fico mais encantado com  a maravilha das suas paisagens e do seu povo.

Só há uma coisa venenosa nos Açores.  É  a roubalheira  descarada  como os hoteis exploram aos seus hóspedes que tem necessidade de usar o telefone.  Transmitem,  na hora da despedida,  aos clientes um sabor muito amargo quando ao pagarem a conta da estadia, são bombardeados  com uma  conta  astronómica do telefone! E as meninas da recepção  explicam: “Logo que  levantar  o telefone e ouvir o som ‘ham” do telefone, já gastou dois euros, para pagar o telefone ao hotel.”  “Depois quando discar o número que  quer contactar, são logo mais dois euros para a companhia dos telefones.”   “E a terceira parte será a chamada propriamente dita. Tudo isto somado  dá o total da sua conta telefónica”. 

O certo é que numa chamada de dois minutos,  de Ponta Delgada para a Lagoa, a meia duzia de quilómetros,  paguei  a bonita quantida de oito euros!!!  Se eu tivesse feito a mesma chamada daqui de minha casa, em Bristol, Rhode Island,  para a Lagoa, por dois minutos,  tinha pago seis centimos, pelo sistema  telefónico que tenho  contractado.  

O culpa desta situação horrível que está a estragar o turismo para os Açores é do Presidente  do Governo dos Açores, dos Deputados da Assembleia Regional  e dos Deputados Açorianos à Assembleia da República em Lisboa.

Há muitos anos eu lutei para a abolição dos vistos nos passaportes americanos para se visitar os Açores  e também pela falta de telefone no aerorporto de Ponta Delgada. Tudo foi conseguido para bem do público.  Houve porém  alguns “meninos estúpidos” que chegaram a dizer que eu era continental  e por isso não tinha nada que me meter com a vida dos açorianos....    Indivíduos deste calibre são piores que as “moscas brancas” que o Manuel Maria   tão  bem descreve no seu  artigo sempre actualizado.

Os hoteis nos Açores, no Continente e na Madeira  estão a  envergonhar  todos os portugueses, porque estão a roubar descaradamente  os fregueses. As autoridades governamentais  portuguesas deviam  acabar duma vez para sempre com esta  pouca vergonha!

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