ANI, ANOP, ANADA!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico


Este artigo foi publicado na “Comunidade Lusíada”,  a chamada Página Portuguesa,  da cadeira dos quatro jornais americanos:  “Bristol Phoenix”, “Barrington Times”, “Sakonnet Times” “Warren Gazette”, em 26 de Outubro de 1978. Mas  a situação descrita neste artigo há 24 anos, mantém-se  igual ao litro!

Para sabermos se uma sociedade é livre ou oprimida, basta avaliarmos a sua imprensa, rádio e televisão. Estes meios de informação são como que o ESPELHO dessa mesma sociedade.

No mundo moderno, as agências noticiosas são as fontes principais de coordenação e distribuição de informações e notícias.

A primeira Agenda de Notícias foi fundada em Paris em 1835 por Carlos Havas, cuja família era oriunda de Portugal. Hoje chama-se a Agência France Presse. Nos Estados Unidos, em 1848, organizou-se a United Press e em 1851, na Inglaterra, formou-se a Agência Reuter. Em 1918 estabeleceu-se na Rússia a Agência TASS (Telegrafnoie Agenstvo Sovietskavo Soiuza) e em 1927 foi criada, por decreto real, a famosa B B C de Londres (British Broad­casting Corporation).

Em Portugal, durante a época Salazar-Caetano, a agência principal noticiosa era a ANI, cujas iniciais significavam: Agência de Notícias e informação. Foi fundada e dirigida durante muitos anos pelo jornalista terceirense Dutra Faria (falecido em Julho deste ano,1978), bastante afecto ao governo do Estado Novo.

Depois da Revolução de Abril de 1974, a ANI foi ocupada pelo novo regime e passou a chamar-se ANOP, que quer dizer: Agência Noticiosa Portuguesa.

Recentemente lemos num jornal de Lisboa—”O Dia”—um artigo com  o título: “ANOP agiganta-se em expansão para a África Austral, a partir do “Zero” herdado da ANI”.

A mesma notícia diz que “a ANOP está agora instalada num sumptuoso palácio no Campo de Santana, que foi adquirido “apenas” por DEZ MIL e quatrocentos contos”.

Nas projectadas expansões da ANOP—isto é, a partir do “Zero” da ANI—não vimos quaisquer referências à COLHEITA de notícias das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, com a finalidade de serem publicadas em Portugal Continental, Açores e Madeira.

Se no tempo da ANI as notícias dos emigrantes PARA a Mãe Pátria eram NADA,  agora a ANOP—num sumptuoso palácio—com mais razão passará a olhar para as actividades dos emigrantes de cima para baixo, do cimo da burra....

Segundo as últimas estatísticas existem no mundo cerca de 150 milhões de pessoas que falam português. Mas, destes milhões todos, apenas doze milhões e meio nasceram em Portugal. Dez milhões continuam a residir em Portugal Continental, Açores e Madeira. Os outros dois milhões e meio—ou sejam, vinte por cento, dos portugueses—são em emigrantes constituindo a “Nação Peregrina, pelo mundo em pedaços repartida”.

Depois da Revolução dos cravos vermelhos em 1974, políticos, banqueiros e jornalistas vieram—até fartar— junto dos emigrantes com  as suas “sessões de esclarecimentos”, mas, não levou muito tempo para verificarmos que vinham namorar as nossas economias, ganhas a custa de muito suor. Vieram, e continuam a vir, com a finalidade, sabemo-lo bem, de “pedir batatinhas”...

A ANOP é composta por oitenta jornalistas. É uma Agenda do Estado e não urna Agência do Governo. Concordamos. É  um sistema semelhante à B B C de Londres, para que tenham uma independência total do partido que governe Portugal...  mas,  como Portugal passa mais tempo sem governo do que com governo, está assim, automaticamente, assegurada a independência política dos elementos da ANOP!..

Se  vinte por cento dos portugueses são emigrantes, (agora 2002 dizem que são mais de quarenta por cento),  seria  lógico que vinte por cento do noticiário em Portugal fosse a respeito dos emigrantes. Verificamos que na primeira metade da imprensa diária, rádio e televisão, se publica “Zero” a respeito dos emigrantes portugueses e, que na outra metade dos jornais,  rádio e televisão, não se publica “NADA”!

Nos Estados Unidos, com mais de um milhão de luso-americanos, com mais de sessenta  paróquias portuguesas (católicas e protestantes)  com  uma centena de programas radiofónicos,  uma vintena de programas de televisão, oito jornais semanários, vinte e oito clubes de  futebol na primeira divisão apenas na Nova Inglaterra, com cento  e setenta e quatro universidades americanas oferecendo bacharelato em Cultura Lusíada, com  mais de trezentas organizações luso-americanas espalhadas desde a costa do Atlântico à costa do pacífico, NÃO EXISTE NEM SEQUER UMA DELEGAÇÃO IDA ANOP para enviar para Portugal Con­tinental e Insular, notícias das Comunidades Portuguesas na América!

Será que as notícias dos emigrantes irão CONSPURCAR os meios de comunicação em Portugal?

Quando alguém “importante” no Kremlin ou no Terceiro Mundo dá um arroto, a ANOP imediatamente FAZ eco em Portugal! Mas nós emigrantes, pertencemos ao Quarto Mundo....

É  assim a nossa sina! Tanto vale ANI, como ANOP. Os emigrantes continuam a serem SEMPRE servidos pela Agência ANADA cujas iniciais querem  dizer:

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