A Pedra de Dighton e o Dr. Luciano da Silva
Pelo Jornalista-historiador Basílio José Dias
Publicado no “Atlântico Expresso”, 6 de
Dezembro de 2004
Ponta
Delgada, São Miguel, Açores

Uma série de artigos intitulada “América- América”
Do Século
XV ao Século XX
esteve ramificada
em incertezas, até ao Século XX. A memória
dos homens está mais
aberta aos últimos acontecimentos,
do que aos mais antigos, desviados para
a penumbra do esquecimento.
(Nota
do Dr. Luciano da Silva:
Não
tenho o prazer de
conhecer o escritor Basílio José Dias. Certamente que vou procurar o
seu endereço para lhe agradecer a publicação desta série de artigos e
dizer-lhe que esta é a primeira vez que ALGUÉM publica
POSITIVAMENTE num
jornal açoriano
artigos sobre a veracidade Portuguesa das inscrições da Pedra de Dighton e
sobre os heróis navegadores Corte Reais. Bem haja).
Eis
o artigo do escritor Basílio José Dias:
Em 1620, (quando os peregrinos ingleses chegaram a Plymouth, Nova Inglaterra), já os Portugueses estavam cientes das rotas que pretendiam sulcar. Os oceanos tinham-se aberto à comercialização nas costas oeste e este de África, no Brasil, na Índia, no Oriente.
Colombo, feito grumete a comandante de marinha em Portugal,
mais aventura que génio, se bem com energia de dar e vender, para ganhar a
vida, querendo encontrar a Índia, desembarcou na Ilha São Salvador, no ano
de 1492 e Ihe chamou «Chave do Novo Mundo». Descobriu a «Re-des-coberta»
da América, realizada pelo navegador português João
Vaz Corte-Real em 1472, ao desembarcar na Terra Nova, ou Terra dos Bacalhaus. A distância dos
paralelos ao equador, do Centro - as Antilhas - ao Norte - o Canadá,
tudo é América.
A confusão de Colombo, não Ihe retira o mérito
da proeza
e se Ihe pode acrescentar que apelidou as Ilhas da América Central, de Índias Ocidentais. Colombo tinha afirmado
que chegava à Índia e não seria de bom tom negar-Ihe
a palavra. Índia seria o lugar onde desembarcasse. Assim,
os habitantes, da Gronelândia à Patagónia,
partindo de cima para baixo, atravessando
Américas do Norte e os Brasis, receberam, em São Salvador, a bênção
Colombiana de Índios. Os outros, os verdadeiros habitantes da Índia, para
não se baralharem, mudaram-se para Indianos.
A presença de repovoadores europeus na América
do Norte, esteve ramificada em incertezas, até ao Século
XX. A memória dos homens está mais aberta aos últimos acontecimentos, do que
aos mais antigos, desviados para a penumbra do esquecimento.
É, porém, ao sucedido nas «raízes», junto
às ocorrências
que se Ihe seguem, que se podem rebuscar deduções qualificadas para chegar à América dos nossos dias.
A América dispõe a quem a quiser estudar
nas suas fases de desenvolvimento, de duas partes distintas: A primeira, de importância humana e histórica, refere-se a datas
da Redescoberta pelos europeus. Entenda-se que europeus, só
podem ser os iniciadores Portugueses, seguidos a certa distância
de espanhóis.
A segunda, porventura mais chegada ao conceito da sua actual grandeza, o nível
intelectual dos espanhóis.
A segunda, porventura mais chegada ao conceito da sua actual grandeza, o nível
intelectual dos seus Repovoadores.
Dr. Luciano da Silva
Para esclarecer datas, não faltam historiadores a esforçarem-se
a apontá-las. Optamos, porém, por um Homem de História, nosso contemporâneo, felizmente
ainda vivo, que, voluntário do «amor a camisola», sacrificando
tempo e valores pessoais, só, sem qualquer auxílio, teimou perceber a mensagem de
náufragos
angustiados, gravada, com sangue,
lágrimas e saudade desenganada, num calhau de 40 toneladas que a maré cheia encobria, nas costas da Nova Inglaterra,
carregando os nomes de heróis
Açorianos, santificados
pelo desespero de não poderem ter salvo o transporte que até ali os viajara,
para imporem bonança ao mar e
reverem as Famílias.
O médico português estabelecido em Bristol,
Rhode Island, Dr. Manuel Luciano da Silva, nascido em 5-9-1926,
na Aldeia de Cavião, Concelho de Vale de Cambra, Distrito
de Aveiro, e o Historiador-investigador que, em pleno Século XX, desmistificou teorias e ilações, retiradas de lendas
e indícios inseguros, em tentativas de explicar a meia-luz do passado.

Pedra de Dighton, à meia maré, até Outubro de 1963, quando ainda estava abandonada no Rio Taunton.
É do livro deste escritor que vamos volver
folha a folha «Os Pioneiros Portugueses e a Pedra de Dighton», com
o intuito de dar o nosso contributo a difundir a presença da História de Portugal, destacando os Açores, que nos são
caros,
para com a portentosa América.
Inscrições Portuguesas decalcada a giz para melhor didáctica:
1- Nome do Capitão Migvel Corte Real
2- Escudos Portugueses em "V" e "U" "
3- Quatro Cruzes da Ordem de Cristo
4- Data 1S11 com o cinco em forma de um S maiúsculo
A João Vaz Corte Real, 20 anos depois, é que Colombo, sem o saber, errando informes de ocasião, desenvolvendo anseios de aventura e poder ganhar a vida, arriba a uma ilha americana, como podia ter sido ao Continente em 1492, a expensas da Rainha Isabel, a Católica, de Espanha. O entusiasmo de «redescobrir», não a América Continente, que já se sabia onde se situava, mas o que conteria no seu «bojo», levou João Fernandes, o Lavrador, e Pedro de Barcelos e atingir a Groenlândia e a Península que tomou o nome da profissão do primeiro, de Labrador, em 1495. Recomeça, então, a sagração dos açorianos, na América do Norte.
A Família Corte Real, era oriunda de Tavira, no Algarve.
João Vaz Corte Real, primeiro «redescobridor» da Terra Nova, recebeu uma parte do Governo da Ilha Terceira, por diploma de 2-04-1474, ficando a parte da Praia, a Álvaro Martins Homem. D. Manuel, pelos serviços prestados, concedeu, ainda, a Ilha de S. Jorge.
Homem do Mar, não sentisse em todo o seu ser o chamamento da profissão que juntou a de investigador, legou aos filhos Gaspar e Miguel, a mesma têmpera de se não conformar com fronteiras.
Morto o Pai, em 1496, Gaspar, por carta do Rei D. Manuel, de 12-05-1500, saiu de Lisboa para as Terras que viriam a tomar o nome de Cortes Reais. Obtidos êxitos, D. Manuel, repetiu autorização em 27-01-1501, acrescentando João Martins e outra em 15-01-1502.
Em
consequência da política oficial de sigilo, Gaspar, não deixou nada escrito
sobre as diversas viagens pesquisadores
que se abalançou
«com muito trabalho e despesa da sua fazenda», como mandou escrever D.
Manuel.
Ver a segundo artigo número dois desta série.