As burrices do Professor Hermano Saraiva

Por  Manuel Luciano da Silva, Médico

No dia 22 de Janeiro de 2008 a “Rádio Televisão Portuguesa – Canal 2” apresentou um programa  com a duração  de noventa minutos, ao vivo, na série “Sociedade Civil” intitulado “Colombo era Português?”

Foi moderadora a Senhora  Fernanda Freitas —que fez muito bem --  e três indivíduos constituíram o painel de convidados: José Rodrigues dos Santos, escritor e jornalista da RTP,  Tenente Coronel Brandão Ferreira,  historiador amador   e José Manuel  Garcia,  professor de história numa universidade em  Lisboa.

Tecnicamente o programa foi muito bem coordenado e foi a primeira vez que a televisão portuguesa  trouxe  ao nível nacional uma discussão em que os amadores estiveram ao mesmo nível  dos chamados historiadores profissionais a jogar na primeira liga… O professor de história Manuel Garcia saiu deste debate com muitas equimoses e hematomas… Mas para terem  o prazer de ver este  programa ainda agora,  basta clicar nesta chave electrónica da minha website:

          http://ww1.rtp.pt/multimedia/?tvprog=20544&idpod=11348

O programa intercalou entrevistas com Mascarenhas Barreto  e com Hermano Saraiva.  Mas de todos os intervenientes quem se portou PIOR  foi o professor Hermano  Saraiva. Quero dar explicações  porque faço esta afirmação.

                 Credenciais do Prof. Hermano Saraiva

Nasceu em Leiria  a  3 de Outubro de 1919.   Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas  (1941) e Ciências Jurídicas  (1942) iniciando a sua vida profissional no ensino e na advocacia.

Foi professor de história num liceu, mas NUNCA tirou o mestrado em história. NUNCA tirou o doutoramento em história, mas tem sempre mostrado ares de petulância que é o “maior historiador profissional de Portugal!”... É um grande peneirento! Continua a dar largas  à sua megalomania que só ele é que sabe tudo sobre a História   de Portugal.

Nas últimas décadas tornou-se uma figura pública em Portugal e entre as Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo devido aos programas televisivos – RTPi -- sobre a História  de Portugal.

Tornou-se uma figura polémica muito questionada pelo meio académico, por NUNCA ter obtido qualquer grau académico superior à licenciatura.

Em abono da verdade  Hermano Saraiva  é um simples licenciado banal de Histórico-Filosóficas,  mas  arma-se em  muito sabichão   em coisas de história  e aproveita todas as oportunidades para menosprezar seja quem for,  em especial os historiadores amadores que tenham feito descobertas  originais  históricas diferentes daqueles conceitos que ele  guarda há muitos anos cheios de bolor e de caruncho!  

Vejamos  as burrices  que ele disse  neste programa  de televisão  e depois demonstraremos que os conhecimentos do Saraiva estão  TOTALMENTE  ERRADOS:

Mal ele abriu a boca declarou logo:

”Não encontramos nenhum historiador profissional, nem nenhuma pessoa de história, nem nenhuma pessoa que saiba as regras básicas e que ponha em dúvida a nacionalidade italiana de Colombo. Era genovês, filho dum genovês, cardador de lãs, toda essa documentação está nos arquivos, tudo isso é indiscutível! O que há é realmente, enfim, também pessoas que gostam de dar largas à sua imaginação e portanto é sempre bonito, já temos tantos navegadores, ficávamos com mais um…  Há milhares de pessoas que se têm preocupado com Colombo, milhares, o  Colombo como sabe é uma grande figura para os espanhóis, uma grande figura para os italianos, visto que ele era italiano, e uma grande figura para os americanos, visto que ele chegou à América, nunca ninguém a não ser curiosos portugueses.. assim com argumentos de pura fantasia…”

Sobre o assunto do Navegador saber português:

“Há alguns portugueses que defendem, alguns curiosos, amadores, fantasistas, que enfim,   que merecem todo o nosso respeito como letrados, autores  de obras literárias, fantasiadas, mas que não tem o mínimo de fundamento, fundamental…

Seria Colombo nobre?

Esta afirmação é que é mesmo de bota abaixo:

“ A nobreza descobrir terras? Foram os aventureiros, o povo que eram nobilitados  depois de terem prestado serviços  à coroa… Um nobre NUNCA se metia num barco em que  a pessoa passava fome e o perigo de vida era enorme….”

       As burrices do Prof. Saraiva

Por  esta declaração vê-se mesmo que o Sr. Saraiva  não sabe NADA sobre os fundamentos  da história dos Descobrimentos  Portugueses e está a ofender  muitíssimo  toda   a memória dos  nossos  grandes descobridores que ele,  pelo contrário,  devia engrandecer!   Para ele os nossos capitães foram todos plebeus, uns ignorantões!! Não tinham sangue nobre nem eram brasonados!

A minha refutação

Já lá vão mais de dezoito anos que eu critiquei e refutei veemente as afirmações  históricas do Hermano Saraiva  a respeito do  navegador Colombo  ou  melhor Cólon. Desmascarei o Saraiva num artigo extenso – intitulado “Saraivada nos Açores” -- que foi publicado aqui na América em vários  jornais luso-americanos e também no jornal “Voz da Terra” em Vale de Cambra, Portugal. Naquela altura o Hermano Saraiva era director dum  jornal lisboeta  “Diário Popular ”e ficou muito zangado  e respondeu ao director do  jornal de Vale de  Cambra e  eu voltei a dar-lhe mais uma  resposta dura. Todos estes escritos estão agora  na minha website para  todo o público poder apreciar este capítulo  ao fim de quase duas décadas. 

 http://www.dightonrock.com/saraivadanosacores.htm

No meu referido artigo eu demonstrei,  naquela altura,   que o Hermano Saraiva NÃO sabia analisar,  NÃO   percebia  NADA o que são:   

(1) A  Sigla; 

(2) O Monograma; 

(3) As Bulas Papais de Alexandre VI que apresentam o nome, Cristofõm Colon;

(4) A Benção;

(5) O Brasão  Português do Navegador  

(6) e ainda  mais de 40 topónimos portugueses nas Caraíbas.

 

Com a idade que o Hermano Saraiva  tem  já é tarde para  “endireitar a sombra da vara torta”!…

Vamos agora REFUTAR as afirmações  tolas que o Saraiva fez  na televisão a respeito  da posição social e de nobreza dos nossos famosos capitães no tempo dos Descobrimentos:

Devemos notar que as viagens para o ocidente não tiveram o patrocínio monetário da Corte. Foram custeadas pelos capitães que as chefiaram. Certamente que os plebeus não tinham posses para organizar tamanhas empresas!

(1) João Vaz da Costa Corte Real. Com  Brasão com seis costelas. Descobridor da Terra Nova em 1472.  Nomeado Capitão Donatário de Angra, Terceira  em 1474  e também da ilha  de São Jorge.

(2) Gaspar Corte Real,  filho de João Vaz Corte Real. Com Brasão de seis costelas. Viagens à Terra Nova e Nova Escócia  em 1500 e 1501. Não regressou a Portugal da viagem de 1501.

(3) Miguel Corte Real, filho de João Vaz Corte Real. Com Brasão de seis costelas. Porteiro-Mor do Rei D. Manuel I. Foi à procura do irmão Gaspar,  em 10 de Maio de 1502, mas também nunca  mais regressou a Portugal. Deixou o seu nome  e os símbolos nacionais portugueses  gravados na Pedra de Dighton na Nova Inglaterra. 

(4) Álvaro Martins Homem, Capitão Donatário da metade norte da Terceira  com Brasão, fez várias viagens à Gronelândia e Terra Nova. 

(5) João Fernandes Labrador em 1495  descobriu no Canadá a enorme zona que ainda hoje tem o seu nome.   Labrador também era nobre.

(6) Manuel e Pedro de Barcelos, da Casa de Barcelos,  fizeram   várias viagens no princípio do século XVI para a costa atlântica do Canadá e colonizaram  a ilha de Sable ou ilha de Barcelona. O Palácio dos Pinheiros ainda lá está em Barcelos com o Brasão  com pinhas  douradas!

(7) Pedro Álvares Cabral, de Belmonte, Beira Baixa, foi o descobridor do Brasil em 1500.  O seu castelo em Belmonte tem um Brasão  com cabritos…

(8) Gil Eanes ao serviço do Infante D. Henrique  fez várias viagens ao longo da costa ocidental da África, tornando-se um sabedor da ciência náutica  e passou além  do  Cabo Bojador ou  Cabo Tenebroso.  

(9) Diogo Cão, natural de Vila Real,  era filho ilegítimo  do nobre Álvaro Fernandes Cão,  membro da Casa Real.  Descobriu  o Rio Congo e colocou vários Padrões ao longo da costa ocidental da Africa.

(10) Bartolomeu Dias frequentou aulas de matemática e astronomia na Universidade de Lisboa  e serviu na Fortaleza de São Jorge da Mina antes de fazer a sua viagem imortal passando além do Cabo das Tormentas na extremidade sul  da África  que o Rei D. João II preferiu chamar o Cabo da Boa Esperança.

(11) Tristão Vaz Teixeira, escudeiro do Infante D. Henrique descobriu Porto Santo e Madeira em 1418 e 1419 com João Gonçalves Zarco.

(12)  João Gonçalves Zarco, fidalgo da Casa do Infante D. Henrique  descobriu Porto Santo e Madeira em 1418 e 1419,  com Tristão Vaz Teixeira

(13) Diogo Gomes, Cavaleiro da Casa Real e Colector  das Alfândegas Reais, foi  o descobridor das ilhas do Arquipélago de  Cabo Verde.

(14) Vasco da Gama,  filho do Alcaide Mor de Sines. O Rei D. Manuel I  confiou-lhe o comando da frota para a descoberta do caminho marítimo para a Índia,  em 8 de Julho de 1497.

(15) Gonçalo Velho Cabral,  membro da Ordem de Cristo e Comendador de Almoural. Intimo colaborador do Infante D. Henrique. Descobridor da ilha de  Santa Maria e da ilha de São Miguel nos Açores. (1432).

(16) Cristóvão de  Mendonça,  natural de Mourão,   foi alcaide do castelo de Mourão e D. Manuel I  incumbiu-o de ir descobriu a  “Ilha do Ouro”.  Descobriu a Austrália em 1522. Ver os  mapas   da colecção   Vallard na Biblioteca Huntington, em Los  Angeles, E. U. A. Mendonça foi depois Alcaide do Forte de Ormuz onde veio a morrer.

(17) João Rodrigues Cabrilho, descobridor da Califórnia em 1542. Tornou-se um capitão muito experimentado ao serviço dos Reis de Espanha.

(18) Fernão de Magalhães, natural de Sabrosa, Trás-os-Montes, filho de família  abastada, tornou-se pajem da Corte Real e fez várias viagens  à Índia e ao Oriente. Propôs ao Rei D. Manuel I dar a volta ao mundo pelo ocidente, mas a sua proposta não foi aceite  pelo rei português.  Fez a mesma proposta ao Rei  Carlos V de Espanha que aceitou o plano. Realizou  a primeira  viagem de  circum-navegação  entre 1519-1522,   ( 3 anos menos 11 dias),  demonstrando que a terra era esférica. 

(19) Duarte Pacheco Pereira foi navegador, militar e cosmógrafo. Assinou o Tratado de Tordesilhas,  mas navegou várias vezes  para o Castelo da Mina e para o Brasil.

(20) Francisco Zaimoto  foi o primeiro europeu a chegar ao Japão com António Peixoto e António da Mota em 1543.  Foi Zaimoto que ensinou os japoneses a usar a pólvora nos arcabuzes.

Estou muito triste

Sendo emigrante de Portugal há mais  de sessenta anos, mas cidadão americano a viver na Nova Inglaterra, fico muito triste por verificar que existe muito  pouco patriotismo em Portugal para defender os grandes valores da Pátria Lusíada. 

Tenho pena também de não haver académicos portugueses que bradem bem alto a protestar para que se eliminem duma vez para sempre os erros crassos do Prof. Hermano Saraiva que estão a conspurcar as mentalidades da juventude em Portugal.

Tendão de Aquiles

Os conceitos defeituosos que o Prof. Hermano Saraiva tem revelado a respeito do Navegador Cristóvão Cólon  vão ficar nos anais educativos da História de Portugal  como o Tendão de Aquiles deste  mediático bacharel e é realmente uma pena porque ao fim de contas quem perde é Portugal, nação que ele em  tantos outros programas na  RTPi  tem procurado enaltecer.