As doenças em Portugal de cima a baixo!

Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Um em 4 portugueses tem um risco  de morrer de ataque cardíaco nos próximos dez anos.

Apenas 30 % toma medicação adequada. Obesidade abdominal  é um dos principais factores  de risco.

A Sociedade  Portuguesa de Cardiologia  tem vindo a estudar um grupo de portugueses entre os 18  e 44 anos num total de 10.004 cidadãos e chegou  a conclusões alarmantes  e curiosas as quais  revelou num Congresso de Cardiologia recentemente em Vilamoura, no Algarve.   

As  estatísticas revelam que a diabetes, a tensão arterial alta, os acidentes vasculares cerebrais,  o aumento  do colesterol  e os ataques cardíacos  são  menores no norte de Portugal do que no Algarve. Porquê?

Nas Províncias do Minho  e de  Trás-os-Montes as pessoas  caminham mais, trabalham mais, bebem mais vinho verde  e não ganham  tanto peso  abdominal como nas outras regiões de Portugal.

Regionalmente esse risco elevado vai crescendo de Norte para Sul  do país, com 20 % no Norte, 23.9 % no Centro, 26.2%  na região  de Lisboa e Vale do Tejo e  35.9 % no Algarve.   

Este estudo usou oito factores de risco: Idade, valor da pressão arterial, taxa de colesterol, fumador/ou não,  sexo, sedentarizacão/ exercício físico,  obesidade abdominal e  história familiar.

Foi declarado  que os hábitos das pessoas têm muita importância  no estado de saúde de cada cidadão.

Portugal é o país dos bocadinhos:  um bocadinho de açúcar no sangue,  um bocadinho de tensão alta, um bocadinho de colesterol alto, um cigarrinho, um calicezinho de aguardente e todos estes  'inhos', no seu conjunto causam trapalhadas…  de ataques do coração, hemorragias cerebrais,  diabetes, etc.

O colesterol não dói, a diabetes não dói, a tensão alta também não dói e por isso as pessoas sentem-se bem e depois catrapus.  

Uma das coisas que este estudo salientou  é prevalência da gordura abdominal. Nas mulheres  é de 55% e nos homens é de 36 %,  o  que faz dos portugueses uma população  pançuda!  

Quando uma pança tem um perímetro abdominal ao nível do umbigo de mais de 94 centímetros num homem  ou sejam 37.6 polegadas  e 80  de centímetros  ou 32  polegadas nas mulheres,   o risco  de ataques cardíacos e de hemorragias  cerebrais  aumentam muito.   

As razões  do aumento  de situação  de risco elevado  à medida que se desce na geografia de Portugal, os factores  responsáveis  são o consumo elevado  do sal e das gorduras saturadas   no Alentejo, os hábitos dos fast -foods ou prontos a comer em Lisboa e  a população flutuante e reformada que existe no Algarve que  só descansam, engordam e adquirem uma grande  pança!  Catrapus!