As Odisseias das  5 Réplicas da Pedra de Dighton que foram
enviadas para Portugal  Continental, Madeira e Açores.
 

Por Manuel Luciano da Silva, Médico

 

Foi em 1953, quando eu já era estudante na Faculdade de Medicina da Universidade de  Coimbra, que me tornei membro da Sociedade de Geografia de Lisboa e ainda hoje (2011) continuo a ser  membro daquela instituição centenária.   Uma das figuras que me  atraiu para a Sociedade de Geografia  de Lisboa foi o Almirante Gago Coutinho.

No dia 30 de Janeiro de 1952, quando eu estava na fase final do meu  Curso de Ciências Biológicas na Universidade de New York, escrevi uma carta  ao Almirante Gago Coutinho,  na qualidade de Secretário-Tesoureiro da “Miguel Corte Real Memorial Society" de Nova Iorque, uma carta a pedir-lhe a sua opinião científica sobre as viagens dos Corte Reais e a descoberta da América. E ele respondeu-me no dia 9 de Março de 1952.  Para ver esse documento clique neste título:

http://www.dightonrock.com/cartadoalmirantegagocoutinho.htm

Minha visita à  Sociedade de Geografia

Nas férias da Páscoa de 1953  tive que ir a Lisboa e aproveitei a oportunidade para visitar a Sede da Sociedade de Geografia.  Foi para mim uma grande surpresa  ver lá  uma Réplica  da Pedra de Dighton feita de gesso,  a qual  tinha sido encomendada e paga pelo Almirante Gago Coutinho! As inscrições indicadas nesta Réplica eram apenas baseadas na descoberta do Professor Delabarre em 1918 e não indicavam nada da descoberta das Cruzes da Ordem de Cristo, nem  do Escudo Português em foram de um “U”. 

Foi esta Réplica  do Almirante  Gago Coutinho  que  me deu  a  inspiração para  eu  coordenar  esforços  para se fazer outra réplica,   mas usando todas as técnicas científicas, para se fazer   o primeiro  molde da face da Pedra de Dighton, etc.  Foram precisos 30 anos – de 1953 até 1984 – para que chegasse a Lisboa uma Réplica da Pedra de Dighton feita cientificamente de fibra de vidro a qual  está exposta na Praça da entrada do Museu de Marinha na Capital  Portuguesa!

Outra coisa que o Almirante Gago Coutinho recomendou nos seus escritos a respeito da descoberta da América do Norte  pelos  Corte Reais  foi para os emigrantes portugueses que vivem  na   Nova Inglaterra e no Canadá arranjassem maneira  para  que  às novas ruas das localidades onde vivam fosse dado  o nome  Corte Real. 

Em  1963 quando compramos a nossa  casa  aqui em Bristol eu pedi ao meu empreiteiro,  Everett Francis (de ascendência açoriana),   como  é que se poderia dar  o nome Corte Real  a uma nova rua  na  nossa vizinhança. “Muito fácil,”  disse ele. “Vamos já  à Câmara Municipal e resolvemos isso num instante”. Assim foi.  Fomos  à Câmara  de Bristol e  ele  indicou o novo  nome  “Corte Real Drive”  ao Engenheiro da Câmara e  ficou logo  o novo topónimo registado numa rua que naquela altura ainda não tinha nenhuma casa. O “Corte Real Drive” é uma rua que fica localizada atrás da nossa,  mas  já há muito tempo que está cheia de casas novas. 

Feitura do molde da face da Pedra

Eu para exercer  a minha especialidade de Medicina  Interna tenho que ser um cientista. Tenho que conhecer  muito bem  os métodos científicos para  fazer diagnósticos médicos.  Foi com esta firmeza que  comecei  a pesquisar   os métodos científicos para se fazer um molde da face da Pedra de Dighton.

Visitei os cinco Museus Científicos que  existem  na Nova Inglaterra e inquiri  deles sobre os  vários métodos e materiais a usar. Quando lhes  disse que a  área  da face da Pedra de Dighton tinha 55 pés quadrados TODOS  eles me disseram que seria impossível fazer uma réplica duma área tão grande.  Todos eles  me aconselharam a usar o material  sintético silicone fabricado pela Dow Company.  Experimentamos e não  deu resultado.

Consegui então arranjar um técnico,  Steve Tegu, Jr.  que me disse em primeiro lugar que a feitura dum molde custaria  a bonita quantia  de oito mil dólares.  Falei com o meu bom amigo Raul Benevides,  produtor do programa radiofónico “Açores-Madeira” irradiado na  Cidade de Fall River e ele aconselhou-me a fazermos  uma  Rifa. Procurarmos doze  casas comerciais na mesma cidade que nos ofereceram doze valiosos prémios  e em 90 dias vendemos os  oito mil bilhetes a dólar cada um.  Obtive  previamente uma licença estadual para fazermos a rifa e conduzimos os sorteios dos prémios ao  vivo na rádio. 

Obtivemos igualmente autorização dos Oficiais do Estado de Massachusetts para  fazer o molde da Face  da Pedra de Dighton.

O técnico Steven Tegu teve primeiro que controlar a temperatura ambiental  a  20  graus centígrados dentro do Pavilhão  e depois de espargir  um álcool especial  ( álcool polivinil)  sobre a face da Pedra,  para não aderir, passou a usar camadas de  borracha simples ou Látex  que entrelaçou  com 21 camadas de gaze,  conseguindo assim  obter um molde com a grossura de quase duas polegadas  no qual podemos ver até os poros da face da Pedra. Fantástico!

Como fazer a Réplica?

Agora que conseguimos obter o molde, --- um "bacalhau" enorme !  -- onde é que vamos  encontrar um material que seja resistente,   duradouro  e que não se oxide? Já sabíamos que não poderíamos usar  o silicone porque não tinha  consistência para uma área tão grande  de 55 pés  quadrados. Fartei-me de coçar  meu couro cabeludo, sem chegar a conclusão nenhuma! 

Resolvi lamentar a minha sorte ao meu bom amigo Sr. Henrique Medeiros  que trabalhava  no grande Estaleiro Naval  C. J. Pearson de Bristol  onde se fabricavam  diariamente, barcos de fibra de vidro de vários tamanhos,   

--Oh, Sr. Doutor,  isso  é  facílimo  de se construir! disse me o Sr. Medeiros.

- Deixe-me falar com  o  Capataz Geral da nossa fábrica, o Sr.  Edward Medeiros  e depois  chamo o Sr.  Doutor.”.  

Ao fim da tarde o Sr. Edward Medeiros   chamou-me para o Centro Médico de Bristol e disse-me para ao outro  dia  eu lhe levar o molde para ele tirar uma amostra.  Assim fiz. Mais um dia e Sr. Edward Medeiros mostrou-me o milagre que tinha feito!  Uma réplica dum pedaço do molde mostrando claramente o Escudo Português em  forma de um “V” e   as extremidades da Cruz  da Ordem de Cristo, tal qual como estão  gravadas  na face da Pedra de Dighton. Incrível!  Para mim, foi um milagre! Além disto o Sr. Medeiros garantiu-me que o material de fibra de vidro era muito duro, muito resistente e que não se oxidava portanto poderia durar mais de um milhão  de anos! Inconcebível! 

Quanto custará a Réplica?

Perguntei ao Sr. Edward Medeiros quanto  iria custar a feitura da Réplica.  Ele respondeu-me assim: “Vamos a ver se a fazemos por patriotismo!”

Pediu-me fotografias COLORIDAS da face da pedra para o químico fornecedor da fábrica calcular  a mistura das várias tintas para a Réplica resultar com a mesma cor da Pedra.  O Sr. Medeiros pediu ao químico  fornecedor  da fábrica para oferecer as tintas para o projecto. Pediu ao dono da fábrica, o  Sr. C. J. Pearson,  para dar todos  os garrafões   da substância química  necessária para a fabricação da Réplica em   fibra de  vidro.    E ainda  mobilizou um bom grupo  de trabalhadores  luso-americanos para construírem a Réplica gratuitamente! Entretanto eu ia  dando notícias  para os jornais e para a rádio do que se estava  a passar  e o entusiasmo foi tanto que conseguimos realizar uma cerimónia  dentro da fábrica com a presença da Cônsul de Portugal no Estado de Rhode Island, Dra. Anabela Cardoso,  para agradecer ao  Sr. C. J. Pearson e a todos os  que trabalharam gratuitamente para que  a Réplica fosse uma realidade!  Tive o cuidado de dar crédito  através dos  meios  de comunicação a todos os  indivíduos  que participaram na construção da  Réplica. Os mesmos nomes encontram-se  também num painel no meu Museu-Biblioteca em Cavião, Vale de  Cambra, Portugal.  

No. 1 - Transporte da Réplica para Lisboa

Se tanta  gente,   portuguesa e americana, deram o seu material, o seu trabalho e  o seu saber para a realização da Réplica,  resolvi iniciar também uma campanha para ver se a TAP  (Companhia Aérea  Portuguesa)  poderia transportar  a Réplica gratuitamente para Portugal,  visto tratar-se  dum monumento  que honra a História de Portugal. 

O Sr. Edward Medeiros teve o cuidado de fazer uma caixa em contraplacado, almofadando a Réplica  cuidadosamente.  A caixa ficou com as  seguintes dimensões: Comprimento = 3,81 metros;  Largura = 2, 42 metros; Espessura = 27, 94 centímetros; e  Peso = 221, 8 quilos.

Contactei  os serviços da  TAP e disseram-me que  o frete  de avião custaria  4 mil e duzentos dólares!  Ora toma!  Contactei  a  Cônsul  de Portugal em Providence a pedir-lhe para ela interceder perante o Embaixador de Portugal em Washington para  evitar que eu começasse  a fazer um alarido.  A estratégia deu resultado, mas  teríamos que levar a caixa com a Réplica ao Aeroporto de Kennedy na Cidade de  New York, porque os aviões da TAP   que estavam a fazer a carreira de Boston não tinham capacidade no porão para levar Réplica.

Obtive uma guia da Cônsul  a explicar qual era o conteúdo da caixa para quando chegássemos ao Aeroporto de Kennedy as autoridades lá  soubessem do que se tratava.  Assim num domingo de manhã,  guiando o seu  caminhão  o Sr.  Edward Medeiros, com um colega e eu lá seguimos  na auto-estrada 95, para a grande cidade  que fica a mais de duzentas milhas. Não tivemos dificuldade nenhuma em despachar a caixa  no aeroporto e não pagamos nada pelo porte aéreo para Lisboa, Portugal!

Nome do Presidente da Câmara de Lisboa                                                   

Porque eu antevia  dificuldades  na Alfândega  em Lisboa,  resolvi colocar na caixa da Réplica  o endereço do Dr. Nuno Abacassis, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.  Na realidade quem ia receber a Réplica era  o Almirante Tengarrinha Pires, Presidente da Comissão Corte Real  da Sociedade de Geografia de Lisboa.  Telefonei ao Almirante Pires a informá-lo  que já  tínhamos despachado  a caixa com Réplica e  que dentro duma semana  devia chegar  a Lisboa  conforme o espaço no porão dos grandes aviões da TAP. Informei-o também que a caixa  ia endereçada ao Presidente da Câmara.

Como eu antevia  que os oficiais da Alfândega no Aeroporto de Lisboa iriam dificultar a saída da caixa  com a Réplica, o Presidente Câmara resolveu o assunto mandando lá um caminhão da Câmara  apanhar a Réplica e esse  problema ficou resolvido.

Onde em Lisboa devia ser colocada a Réplica?

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Já há vários anos que a Comissão dos Corte Reais da Sociedade de Geografia andava a tratar com os Serviços Camarários  o local onde é que se deveria  colocar a Réplica da Pedra de Dighton. Foi finalmente acordado  na Praça do Planetário Gulbenkian do lado da entrada do Museu de Marinha. Local ideal.   Mas os Engenheiros da Câmara levantaram um problema. Tinha que se construir uma base  de cimento,  com um peso  de 14 toneladas para ser superior à força  da capilaridade das árvores à volta e isso iria  custar  mais de mil contos. Mas o Presidente da Câmara resolveu  o problema  incluindo  metade da verba num ano e resto no outro ano.  Em Setembro de 1984 houve uma  inauguração condigna  da Réplica na qual eu tive a honra de ser  o orador principal!

Além dum desenho das inscrições portuguesas delineadas em azulejos, existe uma lápide  no monumento esclarecendo as credenciais:

Réplica  da Pedra de Dighton – Oferta dos Luso-americanos da Nova Inglaterra (E. U. A.) -  Descerrada pela Câmara  Municipal de Lisboa, neste  local, por deferência  da Marinha em 1984. 

No. 2  - Réplica para o Museu de Oliveira de Azeméis

Como as coisas tinham decorrido bem com a primeira Réplica, apesar das  dificuldades  a vencer no transporte  e na Alfândega em Portugal,  o Sr.  Edward Medeiros incitou-me  para  fazermos mais  uma Réplica e eu aceitei.  Esta seria para enviarmos para o Museu de Oliveira de  Azeméis, cidade  onde eu completei  o meu liceu e onde existe o “Hotel Rock of Dighton”, construído pelo luso-americano Anthony Marques de  Bethlehem, Pensilvânia, E. U. A.    

O Sr. Edward Medeiros, como Capataz Geral da Fábrica-Estaleiro,  coordenou todo o pessoal técnico,  as dádivas do material e ainda os  trabalhadores voluntários luso-americanos.   Com muito entusiasmo fizeram a segunda Réplica  em cinco dias! Demonstraram que já eram  mestres!  

Como não havia muita pressa em despachar  esta Réplica para Portugal, decidi  mandá-la   por navio em 1987.   Assim o Sr. Edward Medeiros preparou  mais uma caixa  e   eu com o motorista Carlos fomos  despachá-la ao porto de New Bedford, Massachusetts. O transporte custou 172 dólares.

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Tive o cuidado de endereçar a caixa com  a Réplica ao  Presidente da Câmara de Oliveira  de Azeméis por causa dos oficiais da Alfândega em Lisboa. Entretanto preveni o meu  condiscípulo, Abílio Rodrigues dos Santos,   (do Colégio de Oliveira de Azeméis),  que era na altura  Tesoureiro da Câmara,  para estar àlerta para o levantamento  da Réplica da Alfândega marítima de Lisboa para se evitar  imposto.    Tal qual como eu previa os oficiais na Alfândega criaram dificuldades, mas o Presidente da Câmara  de Oliveira  de Azeméis  com a sua influência conseguiu resolver o problema e mandou  um  motorista da Câmara apanhar  a Réplica em Lisboa  sem pagar nenhum imposto.  Esta Réplica tem estado  exposta no Museu da Cidade desde  1988. O meu amigo Manuel Carlos Fernandes é que tem sido o grande entusiasta da Réplica  neste Museu.

Duas Irmãs  Corte Real  e o Sr. Anthony Marques dono do Hotel Rock of Dighton assistiram   à cerimónia  da inauguração e ao descerramento da Réplica neste Museu.

No. 3 – Réplica para o Museu-Biblioteca com o meu nome, em Cavião, Vale de Cambra, Portugal Continental.

Esta Réplica teve uma odisseia muito mais complicada. Desta vez eu é que pedi ao Sr. Edward  Medeiros para me fazer mais uma Réplica para ser colocada no Pátio entre a casa onde eu nasci e a Biblioteca com o meu nome. Nesta altura o Sr. Edward Medeiros já estava a trabalhar numa fábrica ainda maior,   no TPI  na vizinha vila de  Warren,  onde outro luso-americano, o Sr. Duarte da Silva,  era  o Chefe dos Projectos Especiais  e que aprovou  a feitura  desta  Réplica. Com novas técnicas de vácuo,  para aspirar  todas as bolhas de ar,   esta Réplica foi feita com mais primor.

Como as obras da restauração da casa  onde eu nasci e a nova Biblioteca estavam prestes terminar,   eu resolvi despachar  a Réplica  de  avião e o frete custou quinhentos e dezasseis dólares, mas dei por bem empregado por este monumento ir  para o local tão relacionado com a minha vida.

A caixa com a Réplica foi endereçada ao Sr. Álvaro da Costa Leite por ser o Patrono  Principal do meu Museu-Biblioteca.    Ele era também dono da grande fábrica Vicaima e presidente do Finibanco.  Foi asneira minha eu não mandar  a caixa com  a Réplica  endereçada ao Presidente de Câmara de Vale de Cambra para ele poder  interceder perante os oficiais da Alfândega  no Aeroporto de Lisboa  e despachar o levantamento  sem pagar  impostos, por se tratar dum monumento a favor da História de  Portugal, como tinha acontecido com as outras Réplicas.

Procurei daqui da América coordenar todas as forças mas não consegui nada. Depois vim a saber  que o Sr. Álvaro da Costa Leite tinha  mandado  pagar o imposto de  noventa e cinco mil escudos na Alfândega  do Aeroporto para se poder levantar a Réplica  sendo transportada num  caminhão  da Vicaima de Lisboa para Vale de Cambra!  Malvados  os oficiais  da Alfândega em Lisboa!

Esta Réplica  foi inaugurada no dia 12 Junho de 2001 juntamente com a Biblioteca com o meu nome numa festa  histórica  e brilhante! 

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No. 4 - Réplica para o Funchal, Madeira

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Numa das minhas visitas à grande fábrica TPI para saudar e informar  sobre o impacto das Réplicas  em Portugal,    eu sugeri ao  Sr. Duarte da Silva e  ao Sr. Edward Medeiros, que pelo facto da maioria dos empregados da fábrica serem oriundos dos Açores viria   muito  a propósito haver também uma Réplica nos Açores, porque Miguel Corte Real  nasceu em Angra, na Terceira e também seria uma forma  de homenagear os trabalhadores  da fábrica que são de origem  açoriana.    
“E porque não”, disseram eles.  Se os Açores têm uma história  há séculos muito íntima  com os Estados Unidos  da América,  a Madeira também o tem, porque os  55 homens que  assinaram a Declaração da Independência América,  no dia 4 de Julho de  1776, escolheram o Vinho da Madeira  para celebrar  o nascimento  desta grande Nação.

Tanto um como o outro ficaram entusiasmados  com a minha sugestão e disseram-me tão depressa tivessem um espaço  disponível  na fábrica  iriam construir  mais  duas Réplicas.   

Entretanto escrevi ao Dr. Alberto João Jardim, Presidente da Madeira,  acompanhado de um  exemplar do nosso livro em português, “Cristóvão Colon (Colombo) era Português”  do qual ele gostou muito. Ver cópia da carta dele, acima.

Depois de fazerem  mais uma  Réplica e  ser metida na respectiva caixa,  eu indaguei se ela poderia ser transportada num avião da SATA para  Ponta Delgada  e depois ser transferida  para outro  avião que a levasse para  o aeroporto do Funchal. A razão deste plano é que não há carreira  de navio de carga da Nova Inglaterra directamente  para o Funchal. Além disso  eu queria evitar as  mal fadadas alfândegas em Lisboa.  Mas não tive outra alternativa senão despachar a caixa da Réplica por navio via Lisboa. Coloquei no endereço o nome do Dr. Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional da Região Autónoma da  Madeira. Paguei pelo percurso inteiro  $266,00 dólares até Lisboa incluindo  a transferência para outro navio  até ao porto do Funchal. Mas na Alfândega marítima em Lisboa, a  Réplica foi  atacada por  mau olhado!  

Houve um  despachante, um grande  f. d. p. ,  que enguiçou com a Réplica,  por ir endereçada ao Presidente da Madeira e manteve a Réplica no armazém da doca de Lisboa até atingir o limite de tempo, para depois pôr a Réplica  a leilão! A nossa sorte foi  alertar  os Serviços  Culturais da Câmara Municipal do Funchal para salvar a Réplica.

Finalmente recebemos aqui a notícia  da Câmara que a Réplica tinha chegado ao Funchal e que estava tudo em boa ordem. Não sabemos se a Câmara  teve que pagar mais algum suplemento do transporte de Lisboa para Madeira.  

Esta Réplica já está colocada  na Esplanada do Funchal,  mas  infelizmente, ainda não foi inaugurada, por causa  do meu  “Inimigo Número Dois” que continua a emprenhar as autoridades da Madeira.  

http://www.dightonrock.com/RTP%20photos-2/Omeuinimigon%C3%BAmerodois!.htm

Há de facto em toda a  história  das Réplicas um contraste impressionante: Aqui na Nova  Inglaterra toda gente trabalhou gratuitamente,   com entusiasmo e  patriotismo português, dando o seu saber e o seu suor,  enquanto  que em Portugal o significado  histórico  das Réplicas  tem sido  recebido com  velhacaria e exploração!

A inauguração oficial da Réplica no Funchal agora é da responsabilidade  do Presidente  da Câmara,  Dr. Miguel Filipe Machado de Albuquerque. Escrevemos também ao Bispo da Diocese, Dom António Carrilho,  para ele participar por causa da Mensagem Cristã das Cruzes da Ordem de Cristo  gravadas na face da Pedra de Dighton e na Bandeira da Madeira.

No. 5 -  Réplica para a Vila da Lagoa, São Miguel,  Açores

Se havia uma razão forte de se mandar para Belém uma Réplica  da Pedra Dighton pelo facto do Miguel Corte Real ter  chegado a  ser Chefe da Casa  Real do Rei D. Manuel I, outra razão também acrescida seria  mandar outra  Réplica  para Angra,  pois foi a cidade onde  este malogrado navegador nasceu!

Tentamos de várias maneiras comunicar com  as Autoridades em Angra, Presidente da Câmara, Director do Arquivo  de História e até do Museu de Angra, para aceitar a nossa  oferta duma Réplica da Pedra de Dighton. Incrível!  Nunca  recebemos resposta de ninguém!  Procurei até enviar uma colectânea  de fotografias coloridas  sobre a   história   da Pedra de Dighton as quais foram entregues por um  portador à  secretária da Câmara Municipal. Mesmo assim NUNCA  recebi nenhuma resposta oficial!!! Esta atitude horrenda das Autoridades de Angra deve ser por recomendação do meu “Inimigo Número Um!”  Tentei até por meio  dos Deputados  da zona de Angra e NADA!

http://www.dightonrock.com/omeuinimigonumeroum.htm

Como é possível a gente actual de Angra desprezar  assim  uma das figuras  mais  célebres da História  da  Ilha da Terceira?

Porque  infelizmente  não consegui nada com a Terceira,  virei-me  para Vila da Lagoa em São Miguel. Porquê?  Porque o  emigrante José Dâmaso Fragoso,  que  nasceu na Vila da Lagoa, Freguesia de Santa Cruz, foi  o descobridor das  três Cruzes da Ordem de Cristo  gravadas na Pedra de Dighton.

Falei com o Sr.  Roberto Medeiros, que era ao tempo Vice-Presidente da Câmara da Lagoa,   sobre este plano de enviar uma Réplica para a Câmara da Lagoa e ele disse logo:  “Isso será a nossa coroa de glória!”

Nas suas visitas regulares  à Nova  Inglaterra quis  que ele visitasse a fábrica TPI para conhecer o Sr. Duarte da Silva e o Sr. Edward Medeiros. Quando a Réplica  ficou pronta comuniquei ao Sr. Roberto Medeiros  para combinarmos a melhor  maneira de ser enviada  para São Miguel. Disse-me que não fizesse nada que ele ia tratar de tudo. Assim foi. Um  dia ele  telefonou-me para eu levar a caixa com a Réplica  ao Aeroporto de Boston em determinado local, para ser levada pela SATA. Depois  ele e as Autoridades da Câmara da Lagoa iriam  apanhar a  Réplica, sem  mais problemas.   Assim foi. Em compensação esta Réplica foi a que menos dores  de cabeça  e  menos  despesa me deu.  Esta Réplica tem estado à espera que acabem a construção de um Museu em frente ao edifício  da Câmara da Lagoa para depois   ser  inaugurada e exposta ao público. Servirá para prestar homenagem ao Miguel Corte Real,  ao emigrante José Dâmaso Fragoso e a todos os açorianos  quer emigrantes, quer não.

Agora a inauguração da Réplica na Vila da Lagoa pertence ao Presidente da Câmara, Engenheiro João Pontes.


Conclusão 

É  obvio que não foi nada fácil coordenar todos  os esforços de boas vontades, enfrentar tantas  dificuldades e  aborrecimentos principalmente   da parte de Portugal, pagar todas as despesas  do meu bolso e ficar a dever favores  a tanta gente boa.   Só tendo uma grande vontade  de vencer  é  que consegui chegar ao fim destas odisseias das 5 Réplicas.

Por fim aprendi que para se evitar todas as complicações  nas Alfândegas portuguesas eu devia ter feito um requerimento  ao Ministro  das Finanças  a descrever o significado histórico das Réplicas  e esse  pedido iria ser  aprovado  e  assim evitaria  todas as dores de cabeça e  despesa! Mas nunca ninguém me ensinou, nem nenhum  diplomata  português aqui na América  me alertou para isso.

Quanto Custa uma Réplica?

Quem quiser encomendar uma Réplica fabricada  na TPI terá que pagar a bonita quantia de vinte  dois mil dólares  por cada!

Se 5 Réplicas  foram para Portugal, Açores e Madeira, vezes 22 mil perfaz um total de 110  mil dólares! Mas a parte mais importante de tudo isto é  o factor humano de todos estes abnegados trabalhadores que deram  o seu melhor para servir a sua Pátria  de Origem! E ainda não foram reconhecidos. É por isso  que a todos eles eu  tenho dado crédito nos meus programas de rádio  e televisão, nos  meus artigos  nos jornais  e nos nossos  livros.  Tenho também todos os  seus  nomes  no meu Museu - Biblioteca  em Portugal  e em muitos artigos que estão publicados  na minha página  na Internet, com expressão muito  profunda  do meu agradecimento sincero a todos eles.  Bem Hajam a todos estes maravilhosos  Compatriotas!  Boa sorte a todos !

Post  Scriptum  - Mais tarde vim  saber  que havia  certos indivíduos  na Sociedade de Geografia de Lisboa que não gostavam nada da  Réplica  que o Almirante  Gago  Coutinho tinha  numa das salas da Sociedade. Com o tempo o gesso começou  a secar e a desfazer-se e   a referida Réplica foi  removida para o Cemitério da Marinha no Alfeite.  Anos mais tarde a minha mulher  e eu fomos lá para verificar  e de facto encontrámo-la toda  despedaçada!  

Finalmente foram Homenageados!

No Grande Festival que se realizou no sábado, 24 de Setembro de 2011, no Parque Estadual e no Museu da Pedra de Dighton,  para comemorarmos -- os 500 Anos  da Presença  Açoriana  na Nova Inglaterra e os 500 Anos das  inscrições  gravadas  na Pedra de Dighton por Miguel Corte Real,  que nasceu em Angra,  Ilha da Terceira,  -- a Dra. Graça Castanho, Directora  Regional das Comunidades Açorianas,  em representação  de Sua Excelência Carlos César,  o Presidente  do Governo Autónomo  dos Açores,   apresentou um Diploma  de Homenagem assinado  pelo Presidente Carlos César a todos estes homens emigrantes   que nasceram na Ilha  de São Miguel e que tão abnegada e patrioticamente,  construíram  as CINCO Réplicas que já estão em Portugal Continental, Açores e Madeira.

O meu coração encheu-se de alegria e de comoção ao ver  esta cena tão histórica,  pela qual já  eu ansiava  há tantos anos.

Aqui está  lista  de todos estes beneméritos e briosos luso-americanos:

Mr. Eddy da Silva, Vice-Presidente  e General Capataz  da Fábrica TPI em  

Warren, Rhode  Island, E. U. A. e que deu todo o material químico  para as Réplicas.

Mr. Duarte da Silva, Gerente dos Projectos Especiais

Mr. Eduardo Medeiros, Gerente Geral

Mr. João Ferreira, Técnico

Mr. José Pereira, Técnico

Mr. Duarte Medeiros, Técnico

Mr. José Cordeiro, Técnico

 

Todos estes Homens são uns verdadeiros  heróis!