As Odisseias das 5 Réplicas da Pedra
de Dighton que foram
enviadas para Portugal Continental,
Madeira e Açores.
Por Manuel Luciano da Silva, Médico
Foi em 1953, quando eu já era estudante na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, que me tornei membro da Sociedade de Geografia de Lisboa e ainda hoje (2011) continuo a ser membro daquela instituição centenária. Uma das figuras que me atraiu para a Sociedade de Geografia de Lisboa foi o Almirante Gago Coutinho.
No dia 30 de Janeiro de 1952, quando eu estava na fase final do meu Curso de Ciências Biológicas na Universidade de New York, escrevi uma carta ao Almirante Gago Coutinho, na qualidade de Secretário-Tesoureiro da “Miguel Corte Real Memorial Society" de Nova Iorque, uma carta a pedir-lhe a sua opinião científica sobre as viagens dos Corte Reais e a descoberta da América. E ele respondeu-me no dia 9 de Março de 1952. Para ver esse documento clique neste título:
http://www.dightonrock.com/cartadoalmirantegagocoutinho.htm
Minha visita à Sociedade de Geografia
Nas férias da Páscoa de 1953 tive que ir a Lisboa e aproveitei a oportunidade para visitar a Sede da Sociedade de Geografia. Foi para mim uma grande surpresa ver lá uma Réplica da Pedra de Dighton feita de gesso, a qual tinha sido encomendada e paga pelo Almirante Gago Coutinho! As inscrições indicadas nesta Réplica eram apenas baseadas na descoberta do Professor Delabarre em 1918 e não indicavam nada da descoberta das Cruzes da Ordem de Cristo, nem do Escudo Português em foram de um “U”.
Foi esta Réplica do Almirante Gago Coutinho que me deu a inspiração para eu coordenar esforços para se fazer outra réplica, mas usando todas as técnicas científicas, para se fazer o primeiro molde da face da Pedra de Dighton, etc. Foram precisos 30 anos – de 1953 até 1984 – para que chegasse a Lisboa uma Réplica da Pedra de Dighton feita cientificamente de fibra de vidro a qual está exposta na Praça da entrada do Museu de Marinha na Capital Portuguesa!
Outra coisa que o Almirante Gago Coutinho recomendou nos seus escritos a respeito da descoberta da América do Norte pelos Corte Reais foi para os emigrantes portugueses que vivem na Nova Inglaterra e no Canadá arranjassem maneira para que às novas ruas das localidades onde vivam fosse dado o nome Corte Real.
Em 1963 quando compramos a nossa casa aqui em Bristol eu pedi ao meu empreiteiro, Everett Francis (de ascendência açoriana), como é que se poderia dar o nome Corte Real a uma nova rua na nossa vizinhança. “Muito fácil,” disse ele. “Vamos já à Câmara Municipal e resolvemos isso num instante”. Assim foi. Fomos à Câmara de Bristol e ele indicou o novo nome “Corte Real Drive” ao Engenheiro da Câmara e ficou logo o novo topónimo registado numa rua que naquela altura ainda não tinha nenhuma casa. O “Corte Real Drive” é uma rua que fica localizada atrás da nossa, mas já há muito tempo que está cheia de casas novas.
Feitura do molde da face da Pedra
Eu para exercer a minha especialidade de Medicina Interna tenho que ser um cientista. Tenho que conhecer muito bem os métodos científicos para fazer diagnósticos médicos. Foi com esta firmeza que comecei a pesquisar os métodos científicos para se fazer um molde da face da Pedra de Dighton.
Visitei os cinco Museus Científicos que existem na Nova Inglaterra e inquiri deles sobre os vários métodos e materiais a usar. Quando lhes disse que a área da face da Pedra de Dighton tinha 55 pés quadrados TODOS eles me disseram que seria impossível fazer uma réplica duma área tão grande. Todos eles me aconselharam a usar o material sintético silicone fabricado pela Dow Company. Experimentamos e não deu resultado.
Consegui então arranjar um técnico, Steve Tegu, Jr. que me disse em primeiro lugar que a feitura dum molde custaria a bonita quantia de oito mil dólares. Falei com o meu bom amigo Raul Benevides, produtor do programa radiofónico “Açores-Madeira” irradiado na Cidade de Fall River e ele aconselhou-me a fazermos uma Rifa. Procurarmos doze casas comerciais na mesma cidade que nos ofereceram doze valiosos prémios e em 90 dias vendemos os oito mil bilhetes a dólar cada um. Obtive previamente uma licença estadual para fazermos a rifa e conduzimos os sorteios dos prémios ao vivo na rádio.
Obtivemos igualmente autorização dos Oficiais do Estado de Massachusetts para fazer o molde da Face da Pedra de Dighton.
O técnico Steven Tegu teve primeiro que controlar a temperatura ambiental a 20 graus centígrados dentro do Pavilhão e depois de espargir um álcool especial ( álcool polivinil) sobre a face da Pedra, para não aderir, passou a usar camadas de borracha simples ou Látex que entrelaçou com 21 camadas de gaze, conseguindo assim obter um molde com a grossura de quase duas polegadas no qual podemos ver até os poros da face da Pedra. Fantástico!
Como fazer a Réplica?
Agora que conseguimos obter o molde, --- um "bacalhau" enorme ! -- onde é que vamos encontrar um material que seja resistente, duradouro e que não se oxide? Já sabíamos que não poderíamos usar o silicone porque não tinha consistência para uma área tão grande de 55 pés quadrados. Fartei-me de coçar meu couro cabeludo, sem chegar a conclusão nenhuma!
Resolvi lamentar a minha sorte ao meu bom amigo Sr. Henrique Medeiros que trabalhava no grande Estaleiro Naval C. J. Pearson de Bristol onde se fabricavam diariamente, barcos de fibra de vidro de vários tamanhos,
--Oh, Sr. Doutor, isso é facílimo de se construir! disse me o Sr. Medeiros.
- Deixe-me falar com o Capataz Geral da nossa fábrica, o Sr. Edward Medeiros e depois chamo o Sr. Doutor.”.
Ao fim da tarde o Sr. Edward Medeiros chamou-me para o Centro Médico de Bristol e disse-me para ao outro dia eu lhe levar o molde para ele tirar uma amostra. Assim fiz. Mais um dia e Sr. Edward Medeiros mostrou-me o milagre que tinha feito! Uma réplica dum pedaço do molde mostrando claramente o Escudo Português em forma de um “V” e as extremidades da Cruz da Ordem de Cristo, tal qual como estão gravadas na face da Pedra de Dighton. Incrível! Para mim, foi um milagre! Além disto o Sr. Medeiros garantiu-me que o material de fibra de vidro era muito duro, muito resistente e que não se oxidava portanto poderia durar mais de um milhão de anos! Inconcebível!
Quanto custará a Réplica?
Perguntei ao Sr. Edward Medeiros quanto iria custar a feitura da Réplica. Ele respondeu-me assim: “Vamos a ver se a fazemos por patriotismo!”
Pediu-me fotografias COLORIDAS da face da pedra para o químico fornecedor da fábrica calcular a mistura das várias tintas para a Réplica resultar com a mesma cor da Pedra. O Sr. Medeiros pediu ao químico fornecedor da fábrica para oferecer as tintas para o projecto. Pediu ao dono da fábrica, o Sr. C. J. Pearson, para dar todos os garrafões da substância química necessária para a fabricação da Réplica em fibra de vidro. E ainda mobilizou um bom grupo de trabalhadores luso-americanos para construírem a Réplica gratuitamente! Entretanto eu ia dando notícias para os jornais e para a rádio do que se estava a passar e o entusiasmo foi tanto que conseguimos realizar uma cerimónia dentro da fábrica com a presença da Cônsul de Portugal no Estado de Rhode Island, Dra. Anabela Cardoso, para agradecer ao Sr. C. J. Pearson e a todos os que trabalharam gratuitamente para que a Réplica fosse uma realidade! Tive o cuidado de dar crédito através dos meios de comunicação a todos os indivíduos que participaram na construção da Réplica. Os mesmos nomes encontram-se também num painel no meu Museu-Biblioteca em Cavião, Vale de Cambra, Portugal.
No. 1 - Transporte da Réplica para Lisboa
Se tanta gente, portuguesa e americana, deram o seu material, o seu trabalho e o seu saber para a realização da Réplica, resolvi iniciar também uma campanha para ver se a TAP (Companhia Aérea Portuguesa) poderia transportar a Réplica gratuitamente para Portugal, visto tratar-se dum monumento que honra a História de Portugal.
O Sr. Edward Medeiros teve o cuidado de fazer uma caixa em contraplacado, almofadando a Réplica cuidadosamente. A caixa ficou com as seguintes dimensões: Comprimento = 3,81 metros; Largura = 2, 42 metros; Espessura = 27, 94 centímetros; e Peso = 221, 8 quilos.
Contactei os serviços da TAP e disseram-me que o frete de avião custaria 4 mil e duzentos dólares! Ora toma! Contactei a Cônsul de Portugal em Providence a pedir-lhe para ela interceder perante o Embaixador de Portugal em Washington para evitar que eu começasse a fazer um alarido. A estratégia deu resultado, mas teríamos que levar a caixa com a Réplica ao Aeroporto de Kennedy na Cidade de New York, porque os aviões da TAP que estavam a fazer a carreira de Boston não tinham capacidade no porão para levar Réplica.
Obtive uma guia da Cônsul a explicar qual era o conteúdo da caixa para quando chegássemos ao Aeroporto de Kennedy as autoridades lá soubessem do que se tratava. Assim num domingo de manhã, guiando o seu caminhão o Sr. Edward Medeiros, com um colega e eu lá seguimos na auto-estrada 95, para a grande cidade que fica a mais de duzentas milhas. Não tivemos dificuldade nenhuma em despachar a caixa no aeroporto e não pagamos nada pelo porte aéreo para Lisboa, Portugal!
Nome do Presidente da Câmara de Lisboa
Porque eu antevia dificuldades na Alfândega em Lisboa, resolvi colocar na caixa da Réplica o endereço do Dr. Nuno Abacassis, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Na realidade quem ia receber a Réplica era o Almirante Tengarrinha Pires, Presidente da Comissão Corte Real da Sociedade de Geografia de Lisboa. Telefonei ao Almirante Pires a informá-lo que já tínhamos despachado a caixa com Réplica e que dentro duma semana devia chegar a Lisboa conforme o espaço no porão dos grandes aviões da TAP. Informei-o também que a caixa ia endereçada ao Presidente da Câmara.
Como eu antevia que os oficiais da Alfândega no Aeroporto de Lisboa iriam dificultar a saída da caixa com a Réplica, o Presidente Câmara resolveu o assunto mandando lá um caminhão da Câmara apanhar a Réplica e esse problema ficou resolvido.
Onde em Lisboa devia ser colocada a Réplica?
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Já há vários anos que a Comissão dos Corte Reais da Sociedade de Geografia andava a tratar com os Serviços Camarários o local onde é que se deveria colocar a Réplica da Pedra de Dighton. Foi finalmente acordado na Praça do Planetário Gulbenkian do lado da entrada do Museu de Marinha. Local ideal. Mas os Engenheiros da Câmara levantaram um problema. Tinha que se construir uma base de cimento, com um peso de 14 toneladas para ser superior à força da capilaridade das árvores à volta e isso iria custar mais de mil contos. Mas o Presidente da Câmara resolveu o problema incluindo metade da verba num ano e resto no outro ano. Em Setembro de 1984 houve uma inauguração condigna da Réplica na qual eu tive a honra de ser o orador principal!
Além dum desenho das inscrições portuguesas delineadas em azulejos, existe uma lápide no monumento esclarecendo as credenciais:
Réplica da Pedra de Dighton – Oferta dos Luso-americanos da Nova Inglaterra (E. U. A.) - Descerrada pela Câmara Municipal de Lisboa, neste local, por deferência da Marinha em 1984.
No. 2 - Réplica para o Museu de Oliveira de Azeméis
Como as coisas tinham decorrido bem com a primeira Réplica, apesar das dificuldades a vencer no transporte e na Alfândega em Portugal, o Sr. Edward Medeiros incitou-me para fazermos mais uma Réplica e eu aceitei. Esta seria para enviarmos para o Museu de Oliveira de Azeméis, cidade onde eu completei o meu liceu e onde existe o “Hotel Rock of Dighton”, construído pelo luso-americano Anthony Marques de Bethlehem, Pensilvânia, E. U. A.
O Sr. Edward Medeiros, como Capataz Geral da Fábrica-Estaleiro, coordenou todo o pessoal técnico, as dádivas do material e ainda os trabalhadores voluntários luso-americanos. Com muito entusiasmo fizeram a segunda Réplica em cinco dias! Demonstraram que já eram mestres!
Como não havia muita pressa em despachar esta Réplica para Portugal, decidi mandá-la por navio em 1987. Assim o Sr. Edward Medeiros preparou mais uma caixa e eu com o motorista Carlos fomos despachá-la ao porto de New Bedford, Massachusetts. O transporte custou 172 dólares.
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Tive o cuidado de endereçar a caixa com a Réplica ao Presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis por causa dos oficiais da Alfândega em Lisboa. Entretanto preveni o meu condiscípulo, Abílio Rodrigues dos Santos, (do Colégio de Oliveira de Azeméis), que era na altura Tesoureiro da Câmara, para estar àlerta para o levantamento da Réplica da Alfândega marítima de Lisboa para se evitar imposto. Tal qual como eu previa os oficiais na Alfândega criaram dificuldades, mas o Presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis com a sua influência conseguiu resolver o problema e mandou um motorista da Câmara apanhar a Réplica em Lisboa sem pagar nenhum imposto. Esta Réplica tem estado exposta no Museu da Cidade desde 1988. O meu amigo Manuel Carlos Fernandes é que tem sido o grande entusiasta da Réplica neste Museu.
Duas Irmãs Corte Real e o Sr. Anthony Marques dono do Hotel Rock of Dighton assistiram à cerimónia da inauguração e ao descerramento da Réplica neste Museu.
No. 3 – Réplica para o Museu-Biblioteca com o meu nome, em Cavião, Vale de Cambra, Portugal Continental.
Esta Réplica teve uma odisseia muito mais complicada. Desta vez eu é que pedi ao Sr. Edward Medeiros para me fazer mais uma Réplica para ser colocada no Pátio entre a casa onde eu nasci e a Biblioteca com o meu nome. Nesta altura o Sr. Edward Medeiros já estava a trabalhar numa fábrica ainda maior, no TPI na vizinha vila de Warren, onde outro luso-americano, o Sr. Duarte da Silva, era o Chefe dos Projectos Especiais e que aprovou a feitura desta Réplica. Com novas técnicas de vácuo, para aspirar todas as bolhas de ar, esta Réplica foi feita com mais primor.
Como as obras da restauração da casa onde eu nasci e a nova Biblioteca estavam prestes terminar, eu resolvi despachar a Réplica de avião e o frete custou quinhentos e dezasseis dólares, mas dei por bem empregado por este monumento ir para o local tão relacionado com a minha vida.
A caixa com a Réplica foi endereçada ao Sr. Álvaro da Costa Leite por ser o Patrono Principal do meu Museu-Biblioteca. Ele era também dono da grande fábrica Vicaima e presidente do Finibanco. Foi asneira minha eu não mandar a caixa com a Réplica endereçada ao Presidente de Câmara de Vale de Cambra para ele poder interceder perante os oficiais da Alfândega no Aeroporto de Lisboa e despachar o levantamento sem pagar impostos, por se tratar dum monumento a favor da História de Portugal, como tinha acontecido com as outras Réplicas.
Procurei daqui da América coordenar todas as forças mas não consegui nada. Depois vim a saber que o Sr. Álvaro da Costa Leite tinha mandado pagar o imposto de noventa e cinco mil escudos na Alfândega do Aeroporto para se poder levantar a Réplica sendo transportada num caminhão da Vicaima de Lisboa para Vale de Cambra! Malvados os oficiais da Alfândega em Lisboa!
Esta Réplica foi inaugurada no dia 12 Junho de 2001 juntamente com a Biblioteca com o meu nome numa festa histórica e brilhante!
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No. 4 - Réplica para o Funchal, Madeira
http://www.dightonrock.com/replicadapedradedightonparaamade.htm
Numa das minhas
visitas à grande fábrica TPI para saudar e informar sobre o impacto das
Réplicas em Portugal, eu sugeri ao Sr. Duarte da Silva e ao Sr. Edward
Medeiros, que pelo facto da maioria dos empregados da fábrica serem oriundos dos
Açores viria muito a propósito haver também uma Réplica nos Açores, porque
Miguel Corte Real nasceu em Angra, na Terceira e também seria uma forma de
homenagear os trabalhadores da fábrica que são de origem açoriana.
“E porque não”, disseram eles. Se os Açores têm uma história há séculos
muito íntima com os Estados Unidos da América, a Madeira também o tem, porque
os 55 homens que assinaram a Declaração da Independência América, no dia 4 de
Julho de 1776, escolheram o Vinho da Madeira para celebrar o nascimento
desta grande Nação.
Tanto um como o outro ficaram entusiasmados com a minha sugestão e disseram-me tão depressa tivessem um espaço disponível na fábrica iriam construir mais duas Réplicas.
Entretanto escrevi ao Dr. Alberto João Jardim, Presidente da Madeira, acompanhado de um exemplar do nosso livro em português, “Cristóvão Colon (Colombo) era Português” do qual ele gostou muito. Ver cópia da carta dele, acima.
Depois de fazerem mais uma Réplica e ser metida na respectiva caixa, eu indaguei se ela poderia ser transportada num avião da SATA para Ponta Delgada e depois ser transferida para outro avião que a levasse para o aeroporto do Funchal. A razão deste plano é que não há carreira de navio de carga da Nova Inglaterra directamente para o Funchal. Além disso eu queria evitar as mal fadadas alfândegas em Lisboa. Mas não tive outra alternativa senão despachar a caixa da Réplica por navio via Lisboa. Coloquei no endereço o nome do Dr. Alberto João Jardim, Presidente do Governo Regional da Região Autónoma da Madeira. Paguei pelo percurso inteiro $266,00 dólares até Lisboa incluindo a transferência para outro navio até ao porto do Funchal. Mas na Alfândega marítima em Lisboa, a Réplica foi atacada por mau olhado!
Houve um despachante, um grande f. d. p. , que enguiçou com a Réplica, por ir endereçada ao Presidente da Madeira e manteve a Réplica no armazém da doca de Lisboa até atingir o limite de tempo, para depois pôr a Réplica a leilão! A nossa sorte foi alertar os Serviços Culturais da Câmara Municipal do Funchal para salvar a Réplica.
Finalmente recebemos aqui a notícia da Câmara que a Réplica tinha chegado ao Funchal e que estava tudo em boa ordem. Não sabemos se a Câmara teve que pagar mais algum suplemento do transporte de Lisboa para Madeira.
Esta Réplica já está colocada na Esplanada do Funchal, mas infelizmente, ainda não foi inaugurada, por causa do meu “Inimigo Número Dois” que continua a emprenhar as autoridades da Madeira.
http://www.dightonrock.com/RTP%20photos-2/Omeuinimigon%C3%BAmerodois!.htm
Há de facto em toda a história das Réplicas um contraste impressionante: Aqui na Nova Inglaterra toda gente trabalhou gratuitamente, com entusiasmo e patriotismo português, dando o seu saber e o seu suor, enquanto que em Portugal o significado histórico das Réplicas tem sido recebido com velhacaria e exploração!
A inauguração oficial da Réplica no Funchal agora é da responsabilidade do Presidente da Câmara, Dr. Miguel Filipe Machado de Albuquerque. Escrevemos também ao Bispo da Diocese, Dom António Carrilho, para ele participar por causa da Mensagem Cristã das Cruzes da Ordem de Cristo gravadas na face da Pedra de Dighton e na Bandeira da Madeira.
No. 5 - Réplica para a Vila da Lagoa, São Miguel, Açores
Se havia uma razão forte de se mandar para Belém uma Réplica da Pedra Dighton pelo facto do Miguel Corte Real ter chegado a ser Chefe da Casa Real do Rei D. Manuel I, outra razão também acrescida seria mandar outra Réplica para Angra, pois foi a cidade onde este malogrado navegador nasceu!
Tentamos de várias maneiras comunicar com as Autoridades em Angra, Presidente da Câmara, Director do Arquivo de História e até do Museu de Angra, para aceitar a nossa oferta duma Réplica da Pedra de Dighton. Incrível! Nunca recebemos resposta de ninguém! Procurei até enviar uma colectânea de fotografias coloridas sobre a história da Pedra de Dighton as quais foram entregues por um portador à secretária da Câmara Municipal. Mesmo assim NUNCA recebi nenhuma resposta oficial!!! Esta atitude horrenda das Autoridades de Angra deve ser por recomendação do meu “Inimigo Número Um!” Tentei até por meio dos Deputados da zona de Angra e NADA!
http://www.dightonrock.com/omeuinimigonumeroum.htm
Como é possível a gente actual de Angra desprezar assim uma das figuras mais célebres da História da Ilha da Terceira?
Porque infelizmente não consegui nada com a Terceira, virei-me para Vila da Lagoa em São Miguel. Porquê? Porque o emigrante José Dâmaso Fragoso, que nasceu na Vila da Lagoa, Freguesia de Santa Cruz, foi o descobridor das três Cruzes da Ordem de Cristo gravadas na Pedra de Dighton.
Falei com o Sr. Roberto Medeiros, que era ao tempo Vice-Presidente da Câmara da Lagoa, sobre este plano de enviar uma Réplica para a Câmara da Lagoa e ele disse logo: “Isso será a nossa coroa de glória!”
Nas suas visitas regulares à Nova Inglaterra quis que ele visitasse a fábrica TPI para conhecer o Sr. Duarte da Silva e o Sr. Edward Medeiros. Quando a Réplica ficou pronta comuniquei ao Sr. Roberto Medeiros para combinarmos a melhor maneira de ser enviada para São Miguel. Disse-me que não fizesse nada que ele ia tratar de tudo. Assim foi. Um dia ele telefonou-me para eu levar a caixa com a Réplica ao Aeroporto de Boston em determinado local, para ser levada pela SATA. Depois ele e as Autoridades da Câmara da Lagoa iriam apanhar a Réplica, sem mais problemas. Assim foi. Em compensação esta Réplica foi a que menos dores de cabeça e menos despesa me deu. Esta Réplica tem estado à espera que acabem a construção de um Museu em frente ao edifício da Câmara da Lagoa para depois ser inaugurada e exposta ao público. Servirá para prestar homenagem ao Miguel Corte Real, ao emigrante José Dâmaso Fragoso e a todos os açorianos quer emigrantes, quer não.
Agora a inauguração da Réplica na Vila da Lagoa pertence ao Presidente da Câmara, Engenheiro João Pontes.
Conclusão
É obvio que não foi nada fácil coordenar todos os esforços de boas vontades, enfrentar tantas dificuldades e aborrecimentos principalmente da parte de Portugal, pagar todas as despesas do meu bolso e ficar a dever favores a tanta gente boa. Só tendo uma grande vontade de vencer é que consegui chegar ao fim destas odisseias das 5 Réplicas.
Por fim aprendi que para se evitar todas as complicações nas Alfândegas portuguesas eu devia ter feito um requerimento ao Ministro das Finanças a descrever o significado histórico das Réplicas e esse pedido iria ser aprovado e assim evitaria todas as dores de cabeça e despesa! Mas nunca ninguém me ensinou, nem nenhum diplomata português aqui na América me alertou para isso.
Quanto Custa uma Réplica?
Quem quiser encomendar uma Réplica fabricada na TPI terá que pagar a bonita quantia de vinte dois mil dólares por cada!
Se 5 Réplicas foram para Portugal, Açores e Madeira, vezes 22 mil perfaz um total de 110 mil dólares! Mas a parte mais importante de tudo isto é o factor humano de todos estes abnegados trabalhadores que deram o seu melhor para servir a sua Pátria de Origem! E ainda não foram reconhecidos. É por isso que a todos eles eu tenho dado crédito nos meus programas de rádio e televisão, nos meus artigos nos jornais e nos nossos livros. Tenho também todos os seus nomes no meu Museu - Biblioteca em Portugal e em muitos artigos que estão publicados na minha página na Internet, com expressão muito profunda do meu agradecimento sincero a todos eles. Bem Hajam a todos estes maravilhosos Compatriotas! Boa sorte a todos !
Post Scriptum - Mais tarde vim saber que havia certos indivíduos na Sociedade de Geografia de Lisboa que não gostavam nada da Réplica que o Almirante Gago Coutinho tinha numa das salas da Sociedade. Com o tempo o gesso começou a secar e a desfazer-se e a referida Réplica foi removida para o Cemitério da Marinha no Alfeite. Anos mais tarde a minha mulher e eu fomos lá para verificar e de facto encontrámo-la toda despedaçada!
Finalmente foram Homenageados!
No Grande Festival que se realizou no sábado, 24 de Setembro de 2011, no Parque Estadual e no Museu da Pedra de Dighton, para comemorarmos -- os 500 Anos da Presença Açoriana na Nova Inglaterra e os 500 Anos das inscrições gravadas na Pedra de Dighton por Miguel Corte Real, que nasceu em Angra, Ilha da Terceira, -- a Dra. Graça Castanho, Directora Regional das Comunidades Açorianas, em representação de Sua Excelência Carlos César, o Presidente do Governo Autónomo dos Açores, apresentou um Diploma de Homenagem assinado pelo Presidente Carlos César a todos estes homens emigrantes que nasceram na Ilha de São Miguel e que tão abnegada e patrioticamente, construíram as CINCO Réplicas que já estão em Portugal Continental, Açores e Madeira.
O meu coração encheu-se de alegria e de comoção ao ver esta cena tão histórica, pela qual já eu ansiava há tantos anos.
Aqui está lista de todos estes beneméritos e briosos luso-americanos:
Mr. Eddy da Silva, Vice-Presidente e General Capataz da Fábrica TPI em
Warren, Rhode Island, E. U. A. e que deu todo o material químico para as Réplicas.
Mr. Duarte da Silva, Gerente dos Projectos Especiais
Mr. Eduardo Medeiros, Gerente Geral
Mr. João Ferreira, Técnico
Mr. José Pereira, Técnico
Mr. Duarte Medeiros, Técnico
Mr. José Cordeiro, Técnico
Todos estes Homens são uns verdadeiros heróis!