Bater no 'ceguinho' !
Por  Manuel Maria Duarte 


Eu sinto pena pelo Secretário das Comunidades! Não porque o conheça, pessoalmente. Acredito, até, que seja uma boa-pessoa, bem-intencionada, daquelas  que sonham alto e bom-som e se fiam em sapatos de defunto. 

É natural que um qualquer indivíduo, elemento directivo de uma qualquer Agremiação, assuma o cargo com as maiores esperanças de vir a fazer aquilo que todos os antecessores juntos nunca conseguiram. Disse "é natural", embora me apetecesse dizer ser sintoma de ausência de realismo. 

Estas coisas que envolvem as Comunidades "diasporianas" são mais complicadas do que qualquer senhor do Terreiro do Paço e arredores possa julgar. É que nãoée dando uma passeata, por um ou outro lado da estranja, que se fica a saber patavina sobre as Comunidades. Por razões que são obvias, mas a que os mais variados governantes teimam em não ligar. 

Para se conhecer essa gente, não basta julgar que se lhe "tomou o pulso" por se haver falado com os que procuram a honra suprema do aperto-de-mão, que ficara para a " história das histórias," que se contam a familiares e amigos. 

É preciso ter-se currículo, mas não daquele que mantém as pessoas de rabo colado a cadeira das secretarias do título. E mesmo o currículo terá de ser condizente com os fins a alcançar. Melhor dizendo: há questões que, à partida, já são casos perdidos.

As poucas possíveis pessoas, que tenham a paciência de passar os olhos por estas linhas, já perceberam que me estou a referir as eleições, que se realizaram para os Conselhos da Comunidades Portuguesas e que resultaram naquilo que, aqui e nesta coluna, dizia a 12 de Março último: vão ser um autêntico aborto. E foram-no...Mas, alguém poderá perguntar-me como inverter esta situação? E eu, para continuar a ser o que sempre fui, dentro da minha modéstia original, direi que "é um mal (ou um bem?) sem qualquer espécie de remédio. Porque, antes de mais e acima de tudo, não se trata de nada que entusiasme a Comunidade, convidando-a a sair de casa para ir a um lugar de voto fazer... NADA. Ou melhor: nada de nada... 

Ao Secretário José Cesário, que, num frente-a-frente com outros, num programa televisivo da RTPi, exibiu, na fase final, um sorriso e proferiu algumas (poucas) palavras, não muito perceptíveis, mas que evidenciavam discordância com os demais presentes, ficou "com as prova-dos-nove tirada". Ou será preciso mais alguma coisa?

Os elementos das diferentes Comunidades deverão e ser incentivados a naturalizarem-se, a fim de poderem participar nas eleições dos mais variados níveis, tentando influenciar o poder político local e não outro qualquer. 

José Cesário (perdoem-me o exagero), mas se calhar imaginou o povo emigrado a imitar as últimas eleições iraquianas, em quem o Saddam conseguiu 100% dos votos... 

Triste cálculo! Pobre povo que, se calhar, ainda vai perder(!) o trabalho (não disse emprego), por não ter comparecido as urnas, para eleger os Conselhos das Comunidades!!! 

Deixem-se de utopias, pois, tanto quanto vi, parece que foram mais de 99% que não ligaram patavina a essa coisa. O que era de esperar. Por isso é tempo de acabar com fantasias, que só absorvem tempo e despendem dinheiro.

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