Camões, o maior
emigrante de todos os tempos!
Por
Manuel Luciano da Silva, Médico
Luis
Vaz de Camões
Desde
aquela data, nós, emigrantes, ficamos
muito contentes porque passamos a ter como patrono exclusivo o
maior poeta universal da Língua Portuguesa, Luis Vaz de Camões, autor de
"Os Lusíadas", o épico
imortal de Portugal.
Nós,
emigrantes, aceitamos de bom grado o Dia de Camões como "Dia do Emigrante
Português", pois Camões também foi emigrante durante DEZASSETE
anos!
Partida
em 1497, do Tejo, Lisboa, Portugal, da frota de Vasco da Gama para a descoberta
do Caminho Marítimo da Índia.
Camões
veio a falecer na maior miséria, em Lisboa, em 1580, no mesmo ano em que
Portugal também morria, perdendo a sua independência a favor do jugo de
Espanha.
Há
quem diga que Camões chegou a ser estudante em Coimbra. De certeza, sabe-se que
frequentou a Corte Real em Lisboa, onde angariou
grandes inimizades por ser muito brigão, galanteador e por possuir um
riquíssimo talento. Mas foram as sua aventuras amorosas e as invejas na Corte
que o levaram ao desterro, primeiro no Ribatejo (Constância) e depois em Ceuta,
onde perdeu o olho direito numa escaramuça.
Foi na viagem para a Índia, enfrentando tempestades, tormentas e o gigante Adamastor que Camões se inspirou para escrever a epopeia nacional portuguesa "Os Lusíadas".
Mesmo
em Goa, Camões sempre satírico, criticou severamente o Governador, tendo sido
mais uma vez desterrado para as Molucas e depois para Macau, Como ele diria:
"Se mais mundo houvera, lá chegara".
Quando
viveu em Lisboa, Camões sempre aspirou conquistar o coração das donzelas e
princesas da Corte Real, mas nunca foi correspondido e só sofreu desgostos.
Por contraste, só quando era emigrante, muito longe da Pátria, do outro
lado do mundo, é que Camões amou profunda e sinceramente uma mulher, quase
escrava, vivendo com ela, não num palácio, nem num bairro de lata, mas sim,
numa gruta em Macau!
Como
emigrante, Camões passou fome, comeu pão que o diabo amaçou, sofreu doenças
e paixões. Como emigrante, teve que se adaptar a remotas gentes, de cor escura,
negra, amarela, ferozes, hostis, pacíficas e hospitaleiras.
Para
ganhar o pão nosso de cada dia,
Camões, como emigrante, teve vários empregos no Oriente, chegando mesmo a ser
em Macau, Provedor-Mor dos defuntos
e ausentes.
Como
emigrante, Camões sofreu profundamente vicissitudes e misérias. É ele próprio
que nos diz em verso deixando a vida "pelo mundo em pedaços
repartida". e "a alma chagada, toda em carne viva".
Também
como emigrante, apesar da fortuna nunca lhe ter sorrido, Camões quis voltar
à Pátria. E ao fim de treze anos no Oriente, saiu de Macau, mas sofreu
um naufrágio perto de Camboja, salvando a muito custo a vida e o manuscrito de
"Os Lusíadas".
A
viagem de regresso foi interrompida por dois anos em Moçambique, onde a sua
pobreza era tanta que "comia e vestia à custa de amigos".
EMIGRANTES - OS MAIS VALOROSOS
Não
há dúvida que os nomes mais gloriosos da história de Portugal, desde
navegadores, escritores,
historiadores e missionários, TODOS tinham sangue emigrante!
Foi
bom os governantes de Portugal nos legarem o
"Dia de Camões", como Dia do Emigrante Português.
Aceitamo-lo, alegre e orgulhosamente, porque nós emigrantes
fazemos parte da Nação Peregrina Portuguesa, como diria Camões
"pelo mundo em pedaços repartida". Somos 40 por cento dos portugueses
espalhados pelo mundo, ou seja 4 milhões.