Camões, rogai por nós!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Camões, no teu imortal poema, “Os Lusíadas”, composto por dez cantos, somando 1102 estrofes (de 8 versos cada ) num total de 8816 versos, dedicaste APENAS UM VERSO AOS PORTUGUESES DA AMÉRICA!
Camões, não te parece que isso foi mesmo a menosprezar-nos? Não acreditas? Vejamos no teu Sétimo Canto a estrofe número 14:
Mas em tanto que cegos e sedentos
Andais de vosso sangue, ó gente insana,
Não faltarão cristãos atrevimentos
Nesta pequena casa lusitana:
De África tem marítimos assentos;
É na Ásia mais que todas soberana;
Na quarta parte nova os campos ara;
E se mais mundo houvera lá chegara!
Camões, é assim que descreveste em prosa os portugueses espalhados pelo mundo:
Mas ó insana (alucinada) gente: enquanto andais assim cegos e sedentos (sequiosos) do vosso (próprio) sangue (como é o de irmãos), não hão de faltar arrojos cristãos nessa pequena casa (pequeno reino) português: Tem Portugal de África (em África) assentos (colónias) marítimas; é na Ásia mais soberano do que todos; na nova e quarta parte do mundo (na América) cultiva os campos; e, se mais muito houvesse, lá chegariam (os seus soldados e navegadores.)
O mundo de então estava dividido em quatro partes: Europa, África, Ásia e no novo continente da América. América era a parte que MENOS interessava a Portugal!
Camões, se entre 8816 versos, dedicaste APENAS UM aos portugueses da América, isso foi como um PROGNÓSTICO do DESPREZO que os Reis e Rainhas de Portugal assim como os Governantes durante um século da República Portuguesa têm dedicado aos emigrantes portugueses nos Estados Unidos e Canadá! Qual é a categoria em que nos têm classificado? Zero? Não! De tolos!!! Porquê? Porque os emigrantes no Canadá e nos Estados Unidos ainda estão a mandar para Mãe Pátria MAIS DE UM MILHÃO DE DÓLARES POR DIA! As remessas que os emigrantes portugueses espalhados pelas quatro partidas do mundo, ainda estão a mandar POR ANO para Portugal é muito maior do que as verbas que Portugal recebe da União Europeia!
Roga por nós!
Camões, “se lá no assento etéreo onde subiste” – no dia 10 de Junho de 1580 – “e a tua memória te consente” do único verso que escreveste a nosso respeito (luso-americanos), ROGA A DEUS que nos dê melhor sorte e aos nossos descendentes do que aquela que os Governantes de Portugal nos têm dado até agora. Se conseguires esse milagre ficarás remido do pecado que cometeste para connosco! Ámen!