Carnavais
Por
Manuel Maria Duarte
A RTPI, afinal, parece querer enveredar por um caminho mais condizente com as exigências da audiência espalhada pelo mundo. Suponho que, para isso, não necessitou (nem necessita) de abrir os cordéis á bolsa mas, antes, de racionalizar os dinheiros a ela destinados.
Vem isto a propósito de ter assistido ao desfile de ruas, realizado na Madeira, e transmitido através daquele canal da Rádio Televisão Portuguesa que, por sua vez, me transportou aos tempos de menino e moço (mais moço do que menino...), em que o Carnaval pertencia ao grupo de "dentro de casa": ou nas sedes dos Clubes ou em casas particulares, sob a classificação de "assaltos", em que cada um levava qualquer coisa, que enganasse o estômago e/ou aquecesse a garganta ( para "alegrar a cabeça"), porque já dizia o meu padrinho:"afilhado, a alegria vem de dentro..."!
Como todas as coisas, assim o Carnaval foi mudando de figurino, nalguns casos para melhor, noutros para pior...São ciclos da vida... A Madeira tem sabido explorar as suas potencialidades, desde o excelente clima de que beneficia, até à circunstância, também ela "oferta" da natureza, de ser um Arquipélago com apenas duas ilhas povoadas, possuindo a da Madeira cerca de 50 vezes a população de Porto Santo. Portanto, há uma grande concentração na ilha principal, que por sinal tem de área menos uns 6 quilómetros quadrados do que S. Miguel.
Toda a gente sabe que a maior indústria daquela Região Autónoma é o Turismo. Mas isso não é de agora! Já vem dos tempos antigos. Só que, para estimular é preciso "mudar os hábitos e lavar a cara"... Ou, se se quiser, "sujar a cara"...E é o que os responsáveis madeirenses fizeram...Ao ponto do Presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, se fantasiar e ir para a rua, armado em folião, tomando os seus copos, comendo o que lhe apetece , cantando e dançando com o povo a que pertence. Sem complexos!
Se pudéssemos estabelecer uma relação completa com a atitude dos nossos governantes açorianos, diríamos que ninguém acredita na possibilidade de ver Mota Amaral, marcado pelo "voto de castidade," ou Carlos César, pela "demora" que levou a pronunciar a palavra Deus (que também gosta que nos divirtamos), participar num desfile de Carnaval, nem que com isso beneficiasse a Região.
Porém, para além de tudo isso e de muito mais que fica por dizer, há o "senão" dos Açores terem nove ilhas. Mas como eu já vi, pela altura das Festas Sanjoaninas ( as maiores profanas dos Açores) mostrarem marchas de S. Miguel, do tipo do século XVI ( se calhar por constituírem uma relíquia histórica!), em género de "réplica bairrista" as terceirenses, não ficaria mais descabido se fosse apresentado um daqueles bailes de Carnaval, realizados no Coliseu de Ponta Delgada, em que os homens (perdão, os Senhores) vestiam "casaca rachada" e as Senhoras vestidos de "baile de gala... Sim, um daqueles bailes em que um locutor brasileiro presente disse, mais ou menos assim: "eu já vi muitas coisas diferentes e também esquisitas pelo Carnaval, mas...disto é a primeira vez e supunha que não existia..."
Como se tratava de uma coisa diferente, possivelmente atrairia ali alguém, mais que não fosse para rir...com vontade de chorar. É que há coisas que, mesmo feitas com intenção, nunca saem tão perfeitas!!!