Manuel Luciano da Silva, MD
16
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13 de Julho de 2002
Exmo. Senhor
Dr. José Lourenço
Director do "Diário Insular"
Angra do Heroismo
Terceira
Açores
Caro Senhor Director:
O meu amigo José Moniz, productor-moderador há 14 anos
do programa semanal com a duração de trinta minutos
em português por cabo na
Nova Inglaterra, deu-me uma cópia do jornal "Diário Insular", datado
de 14 de Maio de 2002, onde vêm publicados dois artigos sobre o Jardim dos
Corte Reais em frente à baía de Angra do Heroismo.
Fiquei triste com a notícia da Câmara Municipal de
Angra querer destruir o referido jardim.
Lembro-me muito bem que foi na
mesma estrada à beira mar, que
em 1969, passei mais de uma hora a
conversar sobre os Corte Reais como descobridores
da América e sobre as inscrições
portuguesas da Pedra de
Dighton gravadas por Miguel Corte
Real, com o investigador e
meteorologista Comandante José Agostinho, sem dúvida uma das figuras
cientistas mais ilustres do Açores.
Parece-me que a desconsideração pelos navegadores
Corte Reais aí na Terceira já vem de longe! Porque será? Por inveja
doutras famílias brasonadas terceirences ou por ignorância dos factos históricos
que só dignificam a História dessa ilha?
A Casa dos Corte Reais, ou melhor a Casa do Capitão,
construída por João Vaz Corte Real em 1474, que devia ser monumento
nacional português, está também dada
ao desprezo, pois funcionou muitos
anos como armazém e parece que presentemente serve de filial
ao Partido Socialista!
Certamente que o comportamento das autoridades camarárias
para com os lugares históricos
ligados aos grandes navegadores Corte Reais
não está
a condizer com a definição do Património Mundial que a UNESCO
classificou Angra há vários anos!
Nós já temos três Réplicas da face da Pedra de
Dighton (com uma área de 55 pés
quadrados) feitas de fibra de vidro
em Portugal Continental: A primeira em 1982,
está num monumento especial na
Praça do Planetário de Gulbenkian, à entrado do Museu de Marinha, nos Jerónimos,
em Belém. A segunda encontra-se
no Museu de Oliveira de Azeméis, cidade onde completei o meu
curso liceal. E a terceira está
desde 2001, no pátio da Biblioteca-Museu com o meu nome em Cavião, Vale de
Cambra.
Temos estado a fazer diligências para também construímos
uma Réplica igual da face da Pedra
de Dighton para enviarmos como dádiva
para Angra do Heroismo, mas sabendo da atitude
desprezível que Câmara
Municipal demonstra pelo
significado histórico dos Corte Reais, vamos mandar para os trabalhos.
Penso que todos angrenses devem saber que Angra do
Heroismo é cidade irmã com a cidade de Taunton aqui nos Estados Unidos. Achamos muito bem. O
que não concordamos é quando o presidente da Câmara de Angra e a sua comitiva
vêm aqui a Taunton para festejos, passam apenas
a duas milhas de distância na auto-estrada e não vão visitar o Museu da Pedra
de Dighton! Isso é verdadeiramente
lamentável.
Ainda mais. Eu sei que os Srs. têm aí em Angra
historiadores ou investigadores que têm emitido a sua opinião sobre as inscrições
da Pedra de Dighton, sem nunca terem visto ou examinado
a Pedra de Dighton no local. Isso não se faz. Isso é como um médico
que medica um doente a duas mil milhas de distância!
Está sujeito a matar o doente! Na próxima vinda aos Estados Unidos o
Presidente de Angra que traga consigo
esses especialistas para verem e
apalparem a face da Pedra de Dighton. Que sejam como o Santo Tomé, “ver para
crer”.
Agradecendo a publicação desta carta, subscrevo-me com os melhores cumprimentos.
Respeitosamente,
Manuel Luciano da Silva, Médico
P. S. -- Se os seus leitores quiserem ver centenas de fotos coloridos e dezenas de artigos sobre a Pedra de Dighton e a história completa sobre os Corte Reais podem consultar a minha página na Internet http://www.dightonrock.com