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Desaparecimento do Jardim dos Corte Real |
O Director, Dr. José Lourenço, do jornal “Diário Insular”, que se publica na Cidade de Angra do Heroísmo, na Terceira, Açores, publicou a carta que eu lhe havia enviado, no dia 13 de Julho de 2002, sobre a destruição do Jardim Corte Real em frente à Baia de Angra.
Fez até uma óptima apresentação do assunto. Ocupando mais de metade da segunda página do jornal de 17 de Julho de 2002 e encabeçada com duas fotografias, uma da maqueta do projecto, que segundo a legenda da mesma “está a ser concretizado no lugar que já foi Jardim dos Corte Real” e a outra fotografia com a vista panorâmica do Museu da Pedra de Dighton, em Berkley, Massachusetts.
A minha carta foi publicada na íntegra a quatro colunas e com um título apropriado: “Desaparecimento do Jardim dos Corte Real indigna estudioso da “Pedra de Dighton”.
Foi a publicação desta minha carta no “Diário Insular” que estimulou o Sr. Roger Alves de Brampton, Ontário, Canadá, a enviar-me a sua inteligente e patriótica carta que eu já coloquei na minha página na Internet para todo o mundo ver!
Quero exprimir aqui publicamente os meus agradecimentos ao Reverendo Joe Ferreira, de Oakland, Califórnia, por te tido a gentileza de me enviar o recorte do jornal “Diário Insular”, de 17 de Julho de 2002, que traz publicada a minha referida carta.
Dr. Baptista de Lima com convulsões na sepultura
Eu conheci pessoalmente o Dr. Baptista de Lima,
Director do Museu de Angra, no Congresso Internacional dos Descobrimentos,
que se realizou na Universidade de Lisboa,
nas duas primeiras semanas
do mês de Setembro de 1960.
Já lá vão
quarenta e dois anos, mas nunca mais me posso esquecer a contribuição original
que o Dr. Baptista de Lima
fez ao mesmo Congresso.
Revelou que além
dos Corte Reais houve outras
famílias que estiveram interessadas
nas exploração e colonização da Terra Nova. Uma das mais importantes foi a
Família Barcelos que, durante três gerações
trabalhou na colonização.
Na sua
dissertação ao Congresso o Dr.
Baptista de Lima
descreveu em pormenor a participação de Pedro Pinheiro e
a contenda com o irmão
Diogo Pinheiro, na participação dos
direitos ao gado vermelho que
se tinha multiplicado muito
na Ilha de Sable e que tinha sido levado pela família para
aquela ilha para apoiar a colonização portuguesa
na América do Norte.
Dois séculos e meio mais tarde, segundo a História de John Winthrop, primeiro governador da Colónia de Massachusetts, (1639-1649), ficamos a saber que “ John Rose encontrou oitocentas cabeças de gado, pequenas e grandes, todas vermelhas, as maiores que jamais vira naquela ilha”. (Que fica em frente à Nova Escócia)
Este gado vermelho era descendente do Tipo Ramo Grande que ainda hoje existe na região da Lages na Terceira e que foi levado para aquela região, pela família Pinheiro da Casa Brasonada dos Pinheiros de Barcelos, no norte de Portugal.
Hoje já não existem mais vacas e bois
vermelhos na Ilha de Sable porque os colonos ingleses e franceses que
vieram muito depois dos portugueses comeram a carne toda!..
O que existe AINDA HOJE são
cerca de 300 potros selvagens
naquela ilha. Se ainda
houvesse burros na Terceira seria interessante a Universidade dos
Açores fazer estudos de DNA para
sabermos se os potros que ainda hoje vivem na Ilha Sable
são descendentes dos primos terceirenses!... Se se encontrassem ossos das
vacas e bois na mesma ilha podia-se fazer igualmente o estudo do DNA comparativo
com o gado do Tipo Grande que existe actualmente
na Terceira ou em Barcelos.
Mas o Dr. Baptista de Lima não era só palavra. Aplicou a sua influência histórica à toponímia da Cidade de Angra. Foi o responsável que influenciou a Câmara de Angra do Heroismo, há quarenta anos, a pôr nomes nas ruas, e praças da mesma cidade, enaltecendo o nome Corte Real e até criando o Jardim dos Corte Real. Certamente que o Dr. Baptista de Lima, se já faleceu, deve estar a dar voltas na sua sepultura com as notícias da actualidade, descrevendo a destruição do mesmo jardim!