Minha carta ao Editor do "Portuguese Times"
O Chefe da Redacção do "Portuguese Times", Sr. Eurico Mendes, todas as semanas publica uma página inteira, tratando de vários assuntos luso-americanos. Além de dar muita informação histórica e humorística sobre a nossa gente, trata sempre de uma variedades de assuntos. Na semana de 29 de Agosto de 2001, na página 29, publicou a seguinte rúbrica:
"A popularidade do vinho da Madeira na
América na era colonial"
Descoberta há tempos uma adega de vinho da Madeira na casa de Thomas Jefferson em Monticello, Virginia. O pormenor não é muito conhecido, mas a existência de uma adega destinada ao vinho da Madeira na casa do antigo Presidente dos EUA confirma a popularidade que o vinho madeirense gozou nos tempos coloniais e até mesmo depois da independência quando o mercado foi aberto a outros vinhos, e só em 1853, quando um fungo ido aparentemente da América atacou e destruiu as vinhas é que a produção sofreu grande quebra e o consumo diminuiu. Mas nos tempos coloniais, era muito apreciado e, conforme escreveu Frank J. Frial no "The New York Times " "bebê-lo foi quase uma obrigação na América". Uma das razões da popularidade eram as facilidades aduaneiras que facilitavam a sua entrada na colónia. Naquele tempo, todos os produtos europeus destinados a América tinham que passar primeiro por portos britânicos e uma rara excepção era o vinho da Madeira, exportado directametne desde 1690. Segundo Frank J. Frial, a longa viagem por mar em climas quentes contribuia também para melhorar o vinho da Madeira, pelo qual os colonos ricos de Charlestown, Sanvannah, Baltimore e Filadélfia chegavam a parar a importâcia considerável para a época -- 40 dólares por garrafa".
É verdade a existência da adega na Casa do Thomas Jefferson, em Monticello. Já estive lá e os guias dizem essa verdade.
Baseado no conteúdo deste artigo assinado por Eurico Mendes, já mandei ao Editor do "Portuguese Times", a seguinte carta:
Exmo. Sr.
Adelino Ferreira
Editor do
“Portuguese Times”
New Bedford, Mass
Caro Sr. Editor:
Leio sempre com muita
curiosidade e interesse a página “Expressamendes”.
Sobre o tema “A popularidade do Vinho da Madeira na América na era colonial”, quero acrescentar um ponto muito interessante e histórico que é o facto dos indivíduos que assinaram a Declaração da Independência dos Estados Unidos, no dia 4 de Julho de 1776, beberam Vinho da Madeira e não champanhe!
Era naquele tempo um luxo
e estava até na moda of
Fundadores da América preferirem o Vinho da Madeira. O Presidente George
Washington, como não recebia salário nenhum em ser Presidente da América
(porque era uma grande honra ser-se presidente da novel nação), punha a
despesa da compra das caixas do
Vinho da Madeira na “lista da despesa do material de Guerra”!
Posso acrescentar também que quase todos os Fundadores desta Nação sofriam de reumatismo gotoso, ou gota, porque o Vinho da Madeira faz muito mal a esta doença. E porquê? Porque o Vinho da Madeira faz aumentar o ácido láctico no sangue o qual por sua vez interfere com o mecanismo de excreção pelos rins do acido úrico no sangue.
É
o aumento de ácido úrico no sangue que origina os sais de urato que
se depositam nas articulações e que vistos ao microscópico parecem
alfinetes! Por isso um
homen que tem um ataque de gota, tem
dores horríveis , pois são muitos “alfinetes”
a espetar por dentro a articulação do dedo grande do pé!...
O famoso Benjamin Franklin
sofreu de reumatismo gotoso durante muitos anos. Teve até ataques serveros
de gota. Mas como era um filósofo optimista resolveu escrever uma
monografia cheia de humor, intitulada “ The Dialogue with Gout” (O meu
dialogo com a gota), a qual aconselho as pessoas que saibam inglês a lerem.
Foi também o Benjamin
Franklin que trouxe da Europa o
uso do medicamento Colchicine para o tratamento
do reumatismo gotoso, e devo dizer que ainda hoje os médicos
receitam a Colchicina nos
ataques agudos da gota.
Com os melhores
cumprimentos, subscrevo-me,
Respeitosamente,
Manuel Luciano da Silva