A cebola e o alho evitam os ataques do coração!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico


São  lágrimas de crocodilo, ou lágrimas falsas, aquelas que derramamos quando cortarnos uma cebola.  No entanto, toda a gente julga que a cebola irrita directamente os olhos. Mas isso não é verdade. O que acontece defacto, é uma irritação directa, sim, mas do nervo do olfacto no nariz, provocada pelo óleo volátil, pungente e picante da cebola.

A mucosa nasal além das fibras do olfacto possue também ter­minações nervosas do sistema automático, que por intermédio do gânglio ptérigopalatino, comunicam instantâneamente com as glândulas lacrimais, nos olhos.

Mas que tem  as lágrimas a ver com o nariz? As lágrimas possuem um desinfectante chamado lisosima que evita as infecções dos olhos. Por isso necessitamos de pestanejar frequentemente para limpar as poeiras e desinfectar a córnea, a parte externa do olho. Depois das lágrimas limparem os olhos, passam por uns canais muito finos para as narinas, com  a finalidade  de desinfectarem  também o nariz das poeiras e das bactérias. Mecanismo bem  aproveitado, não  lhes parece?

 

 

 

 

Notar que a glandula lacrimal está na parte mais alta,  externa de cada olho, para assim as lágrimas tirarem vantagem da força da gravidade, como se fosse um tanque de água. Notar também os canais que ligam o olho às narinas, por onde as lágrimas vão decorrer e desenfectar o nariz...

 

 

 

 

 

 

Agora compreendemos porque é que a substância pungente ou irritante da cebola faz chorar, para que as lágrimas possam ir em  socorro do nariz quando este  é excitado pela cebola!

O que é  que a cebola tem  que irrita o nariz e  faz chorar? Tem  uma substância química denominada sulfureto de alil,  que se evapora quando cortamos a cebola. Se taparmos o nariz ou cor­tarmos a cebola debaixo da torneira com  a água a correr, os olbos não choram mais lágrimas de crocodilo!

O sulfureto da cebola, substância que contem enxôfre, é que confere à cebola e ao alho as propriedades mais importantes que fazem baixar a gordura, ou o colesterol mau  no sangue.

Há milhares de anos tem-se observado empiricamente que tanto a cebola como o alho não só tornam a comida mais saborosa, mas também  fazem bem  à saúde sem sabermos porquê. Só agora, no princípio do  século vinte e um, é que podemos demonstrar cientificamente que estes dois bolbos evitam os ataques cardíacos


 

Origem da cebola

Tudo indica que tanto a cebola como o alho são oriundos da Índia. Há mais de dez mil  anos que os povos da Ásia usam estes dois vegetais na sua alimentação diária.

Três mil  anos antes de Cristo, os escravos que construiram as pirâmides gigantescas do Egipto, os maiores monumentos que existem na terra,  foram  alimentados com  cebolas e alhos!

O povo da Babilónia, os Gregos e os Romanos davam alhos e cebolas aos soldados para os tornar mais fortes e valentes.

Atravéz dos séculos muitas qualidades medicinais tem  sido atribuídas à cebola e ao alho, no tratamento de doenças da pele, parasitas intestinais, tensão  arterial  elevada, problemas respiratórios, tais como gripe, tuberculose, etc.

 

 

 

 

 

 

As piramides do Egipto, os monumentos mais gigantescos da humanidade foram contruidas pelos escravos alimentados por cebolas e alhos. Parece incrível!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na Segunda Guerra Mundial o Governo Inglês chegou a usar, com sucesso, toneladas de alho em pó no tratamento de ferimentos nos soldados em campo de batalha. Devemos lembrar que nessa altura a era dos antibióticos praticamente não tinha nascido. Ainda hoje na União Soviética se usa, nas clínicas e hospitais, um  óleo volátil feito de alho, cognominado ‘Penicilina Russa”. O óleo da cebola é ácido, isto é, tem um PH muito baixo e isso evita que as bactérias se multipliquem. As bacterias preferem um ambiente alcalino, mais doce... É por isso que os diabéticos são muito mais susceptíveis a infecções! 

 

0 certo é que actualmente na Bulgária existe um número im­pressionante de pessoas com  mais de cem anos, que mantêm uma vida activa, trabalhando como se tivessem metade da idade. Sabemos que naquele país é  prática comum o povo em vez de usar “chewing gum” ou pastilhas elásticas, mastigam dentes de alhos todos os dias!


 

Estudos científicos

Se a cebola e o alho são oriundos da Índia, torna-se curioso verificarmos, que os estudos científicos actuais sobre as qualidades medicinais de ambos foram feitos em três faculdades médicas na India.

Os Drs. Sharma e associados dos Departamentos de Far­macologia das Faculdades de Medicina de Agra, Jhansi e Meerut (cidades circumvizinhas da capital Nova Deli) fizeram as seguintes experiências:

Primeiro, formaram grupos de 10 indivíduos compostos por médicos, estudantes de medicina e técnicos de laboratório, com as idades entre os vinte e quarenta anos.

A seguir, de cada pessoa obtiveram sangue, em jejum, para examinar os valores do colesterol ou gordura sanguínea.

Depois da colheita do sangue em jejum deram a cada indivíduo quatro fatias de pão barradas com 100 gramas de manteiga. Fizeram novas colheitas de sangue,  duas e quatro horas depois da refeiçäo do pão com manteiga. Resultado, ao fim de quatro horas o colesterol ou gordura no sangue deu um salto enorme, aumentando em media 40 miligramas por 100 mililitros.

No dia seguinte repetiram a experiência, mas desta vez deram a cada indivíduo uma cebola crua, juntamente com o pão e a man­teiga. Resultado, com a adição da cebola, passadas quatro horas, o colesterol não tinha aumentado.  Em alguns casos, a gordura chegou a diminuir abaixo dos valores colhidos com o sangue em jejum!

Mas os  médicos Sharma foram mais longe. Quizeram saber se os efeitos seriam as mesmos com cebola crua, cozida ou frita. Caso extraordinário, o colesterol mau  ou gordura no sangue não aumentou usando cebola crua, cozida ou frita! Portanto a substância activa da cebola, que é capaz de bloquear a subida do colesterol depois de uma refeição gordurosa, não é destruída pela cozedura, nem é destruída pelo calor do fritar.

A substância em causa, como já dissemos, é o sulfureto de alil. O alho é também muito rico nesta substância química. Por isso as médicos Indianos repetiram as mesmas experiências usando o alho em vez da cebola e obtiverarn os mesmos resultados, quer cru, cozido ou frito.

Toda a gente sabe que o alho e a cebola dão mau hálito, ou mau cheiro da boca, e produzem abundância de gases intestinais. É fácil compreendermos que assim seja, pois o sulfureto de alil está muito relacionado com o ácido sulfídrico, de cheiro desagradável, característico dos ovos podres!

 

 Os três tipos de cebolas: vermelhas, amarelas e brancas

 


 

Conclusões

 Afinal quais são as conclusões que tiramos desta cebolada toda?

(1) Há três qualidades de cebolas: vermelhas, amarelas  e brancas. As vermelhas são as mais ricas em sulfureto de alil,  portanto  as mais fortes (e por isso as  mais caras), seguindo-se as amarelas e depois as brancas

(2) Cada cebola, de tamanho médio, possue cerca de 30 calorias, isto é, tanto como uma colher de sopa de açucar.

(3) Cada dente de alho possue apenas uma caloria.

(4) A medicina moderna considera o colesterol  mau elevado no sangue uma das causas principais dos ataques cardíacos.

(5) A cebola e o alho tem sido, atravéz dos séculos, seculorum, as condimentos por excelência. Não nos importa a poluição dos gases intestinais! O mais importante é que bloqueiam a subida do colesterol mau no sangue evitando assim os ataques do coração!

(6) Além disso todos nós sabemos que a cebola, o alho e o vinho fazem uma combinação que dão à  nossa comida uma sabor muito especial. 

 

Return