Cruz da Ordem de Cristo de Portugal numa igreja Americana!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

 

Igreja de São Bernado em  Assonet, Massachusetts, E. U. A.  40 milhas ao sul da Boston

 

O Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça possui  a maior igreja de Portugal. Foi construído pelos monges  cistercienses  chefiados pelo Frade Bernardo que nasceu na Burgundy em  França e foi fundador do famoso Mosteiro Clairvaux (Vale De Luz).   Filho de gente rica,  quando perdeu a mãe,  decidiu tornar-se frade ingressando  na Ordem dos Cistercienses.

 

Alguns destes cistercienses  vieram para Portugal  inspirados no espírito de cruzada para ajudar o primeiro Rei de Portugal  a conquistar Santarém aos mouros. Por esta vitória o Rei D. Afonso Henriques prometeu aos monges cistercienses   construir um grande mosteiro  semelhante aos outros  mosteiros que a mesma  ordem já tinha edificado   em  várias localidades em  França. A Ordem dos Cistercienses  chegou a ter  300 mosteiros e 68 destes foram fundados pelo Abade  Bernardo que era um excelente orador e atraía muitos peregrinos às igrejas dos  mosteiros.   Este frade  veio a ser  canonizado São Bernado pelo Papa  Alexandre III em 1174 e tornou-se um Santo muito popular.  Passou a usar-se como seu ícone uma colmeia  representando a  congregação ou os paroquianos  da respectiva igreja!

 

O Monge Bernado chegou a organizar a Segunda Cruzada  à Terra Santa, mas não foi bem sucedido. Ajudou no entanto a formar a Ordem dos Templários. Com  o desenrolar dos tempos  a Ordem dos Templários tornou-se muito poderosa e rica – chegando a ser “os banqueiros da Europa” – causando muita  cobiça  ao  Rei de França, Filipe o Belo, o qual organizou  uma conspiração com o Papa Clemente  V,  levando-o   à publicação da Bula  “Regrans in Coelis (1308) que aboliu   todos os Templários pela Europa fora!  Em Portugal o Rei D. Dinis, numa manobra diplomática  genial,  mudou  nome  da Ordem dos Templários  com sede em Tomar,   para Ordem dos Cavaleiros  da Ordem de Cristo, transferindo   todos  os frades para o Castelo de Castro Marim  no Algarve, para  protecção  da ameaça dos mouros que ainda estavam em Granada  no sul de Castela.   Em 14 de Março de 1319, outro Papa João XXII  aprovou a criação da  Ordem de Cristo Portuguesa  com  a Bula “Ad ea Exquibus”.

 

Símbolo da Cruz de Cristo
Em 1417  quando o D. João I nomeou o Infante  D. Henrique Administrador  da  Ordem de Cristo,  a  Cruz da Ordem de Cristo passou a ser o ícone das caravelas  Portuguesas  e tornou-se também o símbolo de “Dilatar  a Fé  e o Império”.  E quando Miguel Corte Real saiu de Lisboa no dia 10 de Maio de 1502 à procura do irmão  Gaspar Corte Real,  que tinha vindo no ano anterior  em 1501  para as  “Terras Verdes” – Hoje Nova Inglaterra -   e  nunca mais voltou a Portugal,  Miguel  porque  também não  pode regressar à Pátria,  deixou o seu “cartão de visita”   gravado na face da Pedra de Dighton. Aqui estão as gravações  portugueses: 

 

(1) Inscrições portuguesas  gravadas por Miguel Corte Real em 1511, com as Cruzes da Ordem de Cristo  e os dois Escudos Portugueses em forma de um ‘U” e um “V”

As inscrições portuguesas gravadas na face da Pedra de Dighton são IGUAIS  às gravações na Pedra de Yelala no Congo em África e às  de  São Lourenço em Sri-Lanka na Ásia, porque foram  feitas por navegadores que frequentaram  a  mesma Escola de Navegação  de Sagres.

 

Pedra de Dighton
A Pedra de Dighton pesa 40 toneladas. Tem uma superfície plana com 55 pés quadrados  onde estão gravadas as inscrições feitas por Miguel Corte Real em 1511, tem  quatro Cruzes da Ordem de Cristo e os Escudos Portugueses  em forma de um  “U” e de um “V” .  A pedra está agora protegida dentro do  Museu da Pedra de Dighton.  

 

(2) Museu da Pedra de Dighton inaugurado em 1978

 

 

Igreja de São Bernado em Assonet, Massachusetts
A 3 milhas do Museu da Pedra de Dighton existe a Igreja Católica de São Bernado em Assonet. Em 1998 recebi uma chamada telefónica do Pároco Timothy  Goldrick  desta igreja  que gostaria de conhecer  as inscrições gravadas na  pedra assim como o seu significado histórico.   Combinamos  o encontro  e depois de mostrar tudo dentro do Museu  ao Reverendo Goldrick  ele convidou-me para eu fazer uma palestra  com diapositivos  no auditório da igreja dele para que todos os paroquianos pudessem apreciar  o valor religioso e católico das inscrições portuguesas  da Pedra  de Dighton.  Dito e feito.

O Padre Goldrick escreve regularmente uma crónica para o Jornal da Diocese de Fall River – “The Anchor” --  sobre assuntos  históricos  da paróquia  e a Pedra de Dighton mereceu-lhe a publicação de vários  artigos muito informativos e positivos.

Eu tive ocasião de dizer ao Padre Goldrick que há uma coincidência  extraordinária entre o São  Bernado e o Primeiro Rei  de Portugal, a formação dos Templários e depois  a transformação em Portugal  desta Ordem para os Cavaleiros da   Ordem de Cristo,  cuja Cruz única com as extremidades em 45 graus está  gravada  na face da Pedra de Dighton. Este meu ‘ sermão’    ao Padre Goldrick produziu  fruto!

O Padre Goldrick convenceu os  seus paroquianos a mudar a cruz  que estava  no vértice da torre  da igreja de São Bernado e substitui-la  por uma  Cruz de Prata com as extremidades em 45  graus iguais a Cruz da Ordem de Cristo de Portugal!

No painel  em frente à  igreja de São  Bernardo  o Padre Goldrick  colocou uma colmeia, símbolo  da congregação e  por  detrás  uma Cruz de Cristo mas  mostrando as quatro  extremidades da Cruz  em  45 graus.     

Na parte inferior desta placa  escreveu em inglês:

           “Claimed for Christ in  1511”

     “Reinvidicado para Cristo desde 1511”

 

(3) Igreja de São Bernado com a Cruz da Ordem de Cristo   com as extremidades em 45 graus  no cume da torre, vendo-se também o cartaz em frente à igreja.

(4) Cartaz  em frente  à  igreja, com ícone de são Bernado ( a Colmeia), a Cruz de Cristo e a data de 1511  

(5) Reivindicado para Cristo desde 1511,
data das gravações da Pedra de Dighton

(6) Devemos notar que a data de 1511 é  a mesma  quando  Miguel Corre Real  gravou as inscrições  como símbolo católico da sua viagem à Nova Lusitânia a qual depois se tornou na Nova Inglaterra porque os  peregrinos protestantes ingleses  vieram para Plymouth em 1620, isto é,  109 anos mais tarde.

 

Impressionante!

No próximo ano 2011  celebrar-se-ão 500 anos   da vinda de Miguel Corte Real para estas terras com a Mensagem Católica em  espalhar a mensagem de Cristo em Terras Americanas. Ámen!