Dia Internacional dos velhinhos!
Por Manuel Maria Duarte
3 de Outubro de 2003

O 1 de Outubro celebra, mundialmente, o Dia Internacional do Idoso. Foi o que aconteceu, este ano, com algumas iniciativas dedicadas aos idosos, sendo certo, também, que muitos nem se lembraram da data....
Definir idoso não é tarefa pacífica, já que, ao longo da minha vida, tenho constactado as mais variadas versões. 

Para alguns, ser idoso é não acompanhar o evoluir da sociedade; para outros, é apenas ter-se uma idade mais avançada; há, também, os que consideram idoso aquele que não pode fazer uma vida mais ou menos normal, como era habitual; e ainda não faltam os que consideram idoso o  que costuma repetir:" ...no meu tempo, as coisas eram muito diferentes...!" Etc..

Afinal, em que ficamos?

Quanto a mim, deveríamos respeitar todas as posições, aqui assumidas, e muitas mais, que existem...
Respeitar os idosos não é arranjar festas para eles, durante um dia, e deixá-los ao "Deus dará", durante o resto do ano. Respeitar os idosos passa, primeiro e antes de tudo, por não esquece-los um único dia do ano. Mesmo que o ano seja bissexto, que é aquele, como toda a gente sabe, em que o mês de Fevereiro tem 29 dias. Muita gente confunde o respeito pelos idosos o interná-los, numa casa tida como própria, e ir lá visitá-los no dia em que completam mais um ano, ou seja, quando já estão ainda mais perto da meta, que é o fim da recta final da vida! Assim uma espécie de atirar uns burros estragados para a selva e passar, por lá, ao fim de um ano, para ver se os animais ainda respiram ou se "já lá vão". "Já lá vão...não": "já lá foram!"

 

É  bem verdade que muita gente não pertence a este grupo, pois até se sacrifica imenso por manter os seus idosos em casa, até ao final da vida, embora tendo muito mais afazeres do que aquela que os entrega ao abandono. Mas...isso de excepções só serve para confirmar a regra...

 

É  certo que a vida de hoje não se compara com a de algumas dezenas de anos atrás. Cada vez a "féria" da mulher faz mais falta ao orçamento familiar, onde as despesas com os  estudos de um ou outro filho não é equilibrada pela tendência notada de se constituírem famílias menos numerosas.

 

Sempre houve casais que souberam ( e/ou puderam ) ajustar os seus horários de trabalho, ao ponto de conseguirem, alternadamente, criar os seus filhos, na sua própria casa. Tal como sempre houve quem nunca se viu na necessidade de dar os rebentos a criar, por via de os avós tomarem essa responsabilidade. Avós que, não poucas vezes, se viram atirados para "o cesto dos papeis velhos..."

 

Nos Açores, onde nada se passa sem que se introduza uma "politiquice", o PSD local aproveitou para " dar lições de moral, naquilo que, quando era governo, nunca lhe veio a mente. E foi assim que responsáveis do referido partido apelaram à melhoria das condições da "terceira idade" e, à mistura, também prometeram coisas muito bonitas, que todos gostariam se concretizassem.

 

Ora, toda a gente sabe que foi com o PSD-Acores, no governo da Região, que se construíram, se não a totalidade (não me recordo), ao menos a esmagadora maioria dos "Lares de idosos" ou "Casas de Repouso", que substituíram, com enorme vantagem, os antigos asilos de mendicidade. Assim sendo, como pode um indivíduo da mesma cor política vir propor novas formas de reduzir as dificuldades que a velhice acarreta, optando, ainda por cima, por formas distanciadamente diferentes daquelas que se defenderam, há uns anos atrás?

 

Mas, a desfaçatez não fica por aqui! Vai ao ponto de propor mais meios financeiros para essas instituições, para que os trabalhadores sejam melhor remunerados, quando toda a gente sabe que o Governo Central continua a fazer a política do "apertar do cinto", reduzindo quadros, não admitindo funcionários, não aumentando vencimentos ao nível da carestia da vida, etc., etc..

 

Claro que se trata de promessas eleitoralistas, que nunca se chegarão a concretizar. Até porque, nos Açores, , só não tem faltado dinheiro para pagar aos deputados que, em abono da verdade, são em número muito superior ao que seria necessário.

 

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