As viagens de Diogo Cão ao longo da Costa Ocidental da Africa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fernando Pessoa, que passou dez anos na África do Sul, no seu livro Mensagem diz:

 

              Mensagem

 O esforço é grande e o homem é pequeno
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.

A alma é divina e a obra imperfeita.
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada , é minha   a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.

E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas , que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.

E a cruz ao alto diz que o que me há na alma

E faz a febre em mim de navegar

Só encontrará de Deus na eterna calma

O porto sempre por achar.

(Fernando Pessoa, Mensagem )

INTRODUÇÃO

A primeira referência conhecida sobre Diogo Cão deve-se a um estrangeiro: trata-se do relato da Voyage D’Eustache Delafosse sur la côte de guinée, au Portugal & en Espagne (1479-1481).

O francês Eustache de la Fosse identifica-o como um dos capitães portugueses que patrulham o golfo da Guiné, cerca de 1480.

Na descrição do apresamento de um navio castelhano na costa da Mina, em 1480, Diogo Cão desempenhava na altura as funções de Capitão de um dos quatro navios portugueses.

O navio de Eustáquio de la Fosse , foi tomado naqueles mesmos lugares e o seu capitão caíu nas mãos de Diogo Cão, que, depois de o obrigar a ajudá-lo a vender as suas próprias mercadorias aos indígenas em benefício dele, captor, o trouxe para Portugal. Uma vez aqui, Eustáquio de la Fosse foi condenado a morrer na forca, mas conseguiu escapar-se para Espanha, “ Descobrimentos dos Portugueses, Edgar Prestage, pág. 185

Ao certo, apenas se sabe que a sua família se instala em Vila Real de Trás-os-Montes e que ele se torna escudeiro da Casa Real.

 

 

 

 

Segundo a tradição , o navegador Diogo Cão nasceu nesta casa, situada em Vila Real de Trás-os-Montes (Portugal . É um edifício de dois pisos, de pedra, com uma escadaria exterior sob uma arcada. Trata-se de uma construção do século XV

 

 

 

No tempo de D. João I, o seu avô Gonçalo Cão fora companheiro de armas do rei, prestara relevantes serviços à Pátria nas lutas com Castela, pelo que lhe havia sido feita a doação de Badajoz.

 

Seu pai fora igualmente batalhador nos tempos de Afonso V e distinguido nas campanhas efectuadas pelo rei.

 

D. João II tinha boas referências sobre Diogo Cão e não foi por acaso que o escolheu para dar continuidade aos descobrimentos.

 

Em 1481, quando D. João II tomou conta dos destinos do país, os portugueses tinham chegado ao Cabo de Santa Catarina (actual Gabão), e os descobrimentos estavam praticamente parados. 

 

Sobre a vida do navegador pouco se conhece, sendo escassas e ambíguas as informações, à semelhança do que se passa com as viagens pelas quais é recordado.

 

Aos descobrimentos realizados por Diogo Cão referiram-se os cronistas Rui Pina (1440-1522), Garcia de Resende (1470-1536), António Galvão (1490-1557), João de Barros (1496-1570), e  o cosmógrafo e roteirista Duarte Pacheco (1570).

 

Todas essas notícias, úteis para o conhecimento de alguns pormenores, são, porém, bastante incompletas e confusas quanto a pontos fundamentais, tais como o número de viagens, datas em que foram realizadas e extensões.

 

Rui de Pina (Crónica de D. João II cap. 62º ) começa por aludir a uma viagem encetada em 1485, acrescentando logo ter havido outra antes, de que não diz a data; descreve sumariamente as duas, apontando como limite da primeira o Zaire, e acaba a narração com a chegada dos navios ao Tejo, em conclusão da segunda viagem, facto a que atribui a data de 1489.

 

Garcia de Resende (crónica D. João II, capº CL V) descreve uma viagem de Diogo Cão ao Congo em 1485, acrescentando, de passagem que aquele navegador «outra vez já lá fora por seu descobridor». Nada diz dessa primeira viagem, descreve aquela que considera segunda, e fá-la seguir de uma terceira, já sem referências a Diogo Cão; em nenhuma alude a navegações para sul da foz do Zaire.

 

António Galvão ( Tratado dos descobrimentos pág. 26), descreve uma só viagem, começada em 1484, dando-lhe por limite o Trópico de Capricórnio « .... chegado ao rio de Manicongo, pôs nele padrão de pedra com armas e letras reais....; daqui foram ter ao rio Pico de Capricórnio pondo padrões onde pareceu ser necessário ».

 

 João de Barros ( Asia, Dec. I, livro 3º cap III ) descreve duas viagens : à primeira, que diz começada em 1484 e concluída em 1486, dá como termo a foz do Zaire; à segunda, feita logo após a primeira, atribui o reconhecimento de mais 200 léguas para além daquele rio.

 

Duarte Pacheco (Esmeraldo de situ orbis liv 3º cap. 4º) igualmente atribui a partida de Diogo Cão, e também só alude a uma viagem, terminada no Zaire.

 

Apesar de tantas imperfeições e contradições, os aludidos relatos foram durante perto de quatro séculos a informação quase única de que se dispôs relativamente aos descobrimentos realizados por Diogo Cão.

 

Historiadores, escrevendo no séc. XIX, quando já era notável o desenvolvimento dos estudos de história das navegações portuguesas, esforçaram-se por uma explicação razoável, porém, nunca conseguiram desfazer satisfatoriamente a confusão das notícias quinhentistas quanto às datas e ao âmbito das viagens efectuadas por Diogo Cão.

 

 Em 1892 tais factos começaram a ser conhecidos, devido ao aproveitamento de outras, e mais sólidas fontes históricas: as de carácter epigráfico, cartográfico e diplomático, até então desconhecidas ou totalmente ignoradas.

 

Desde o segundo quartel do séc. XIX, o incremento dos estudos da história das navegações portuguesas fez despertar o interesse do que poderiam revelar essas inscrições.

 

Era, porém, geral a crença de tê-las a acção do tempo deteriorado a ponto tal, que nenhum esclarecimento útil ministravam.     

 – O navegador, Diogo Cão percorreu (navegou) pela 1ª vez na história da navegação marítima, a costa ocidental de África da latitude 2 sul  à latitude 22º 10´sul, o correspondente a 20 graus de descoberta da costa ocidental africana, ao serviço de el- rei D. João II de Portugal.

 

Os 20 graus equivalem  a 2.230 Km aproximadamente.

 

Considerando, a estrutura real do mapa físico a sul do Equador, o navegador percorreu mais de 5.000 Km o equivalente 2.900 milhas naúticas por mares nunca antes navegados.

 

A proeza foi alcançada em duas  expedições  (viagens):

 

1ª expedição -De Julho de 1482  a Abril de 1484, da era Cristã – alcance da Lat. 15º 45’ Sul- actual baía de Moçâmedes –Angola – Setembro de 1483.

 

2ª expedição - De Setembro de 1485  a 1486/1487, da era Cristã. – alcance da Lat. 22º 10´ Sul – actual Hentiesbay ( Namíbia). – Fevereiro / Março de 1486

 

A armada de Diogo Cão esteve a 1º  17´ = 170 Km de atingir o Trópico de Capricórnio (23º 27´Sul) a 6´ de Anichad ( 23º 21´´ Sul)

 

O Professor ERIC AXELSON, catedrático jubilado da Universiadde de Cape Town (cidade do Cabo – Africa do Sul ), considerado como a maior utoridade na história do estabelecimento dos portugueses na África austral nos séc. XV a XVII, escreve sobre as viagens de Diogo Cão:

 

“ Diogo Cão que se tinha distinguido na captura de três caravelas espanholas na Costa do Ouro, em 1480, foi nomeado para capitanear uma expedição que partiu de Portugal em 1482.

 

A frota fez escala em São Jorge da Mina e navegou depois para além do Cabo de Santa Catarina.

 

Na margem sul da foz do Rio Congo, quase ao nível do mar, Diogo Cão levantou um padrão- um pilar de pedra composto por uma coluna circular, sobreposto por um bloco rectangular, que por sua vez tinha sobreposta uma Cruz.

 

O Brasão do Rei D. João II e uma inscrição, proclamavam a soberania portuguesa sobre aquelas águas, direito reconhecido pelo Papa, enquanto a cruz anunciava a chegada da fé cristã.

 

Ao ouvir falar dum rei todo poderoso no interior do continente, Diogo Cão mandou emissários a fim de entrar em contacto com ele.

 

Continuou a navegar para Sul e, no Cabo do Lobo, mais tarde Cabo de Santa Maria, na latitude 13º 26’ S, ergueu em 28 de Agosto de 1483 um segundo padrão, dedicado a Santo Agostinho.

 

A partir do Cabo de Santa Maria, as terras altas estendem-se 5 Km para sul, até ao Cabo de Santa Marta e parece que aí, por razões desconhecidas, Diogo Cão, voltou para trás.

 

É possível que tivessem escassez de mantimentos e sofressem de escorbuto, mas há quem pense que Diogo Cão estava convencido de que tinha atingido a extremidade Sul do continente.

 

Regressado à foz do Congo, a fim de embarcar os emissários que tinha mandado ao rei, viu que não tinham voltado.

 

Raptou, então, alguns indígenas como reféns. Em Abril de 1484, Diogo Cão chegou a Portugal e o rei, convencido de que ele tinha alcançado um notável êxito, armou-o cavaleiro e concedeu-lhe uma pensão, assim como aos seus descendentes.

 

Diogo Cão escolheu para o seu brazão os dois padrões que tinha levantado.

 

O embaixador do rei junto da Santa Sé afirmou, com muito orgulho, que os portugueses se tinham aproximado do Promontório Prassum, onde começa o Golfo da Arábia.

 

Encarregado de empreender uma segunda expedição, Diogo Cão partiu na segunda metade de 1485.

 

Devolveu os reféns e procurou, provavelmente na ida, explorar o Rio Congo, na esperança que pudesse vir a ser a extremidade meridional do canal que, segundo a mapa de Fra Mauro, separava a África Austral da massa do continente e desembocava no Índico perto de Quilóa.

 

Não há dúvida que D. João esperava que Diogo Cão alcançasse pelo menos os reinos periféricos de Prestes João ou, mesmo, o Índico, pois um tal percurso tornava desnecessário mais expedições ao longo da costa.

 

A expedição progrediu até às cataratas de Ielala, que se situam a noventa e duas milhas náuticas do mar, onde os marinheiros gravaram várias inscrições nas rochas, deixando assim para a posteridade um precioso registo da sua façanha.

 

Segundo o cronista João de Barros, Diogo Cão viajou por terra até à capital do rei do Congo – cidade que no século seguinte viria a receber o nome de São Salvador – onde iniciou a duradoura aliança entre o Congo e Portugal.

Mas também recebeu notícias desoladoras de que o rio era intransponível, por causa das muitas cachoeiras no percurso superior, e que encontrar uma rota até ao Índico estava fora de questão.

As explorações tiveram assim de continuar por via marítima e, ao navegar para além do Cabo de Santa Marta, verificou, com desilusão, que o continente se estendia para sul, aparentemente sem fim.

No Cabo Negro, na latitude 15º 42’ S, Diogo Cão ergueu outro padrão.

Logo a seguir ancorou numa baía, hoje Porto Alexandre, a que deu o nome de Angra das aldeias, devido à existência de duas povoações.

Também entrou na manga das areias, hoje Baía dos Tigres.

Navegando ao longo duma costa deserta, alcançou a latitude 21º 47’ S, onde ergueu outro padrão, o mais meridional de todos, num sítio que hoje se chama Cape Cross (Cabo do Padrão).

Mais a sul fica a serra Parda e é provável que fosse perto dali que Diogo Cão morreu; pelo menos sabe-se que a expedição acabou neste ponto.

Diogo Cão tinha aumentado os conhecimentos dos Europeus sobre o sul do continente africano e o sul do Atlântico, desde o Cabo da Santa Catarina até ao sudoeste da África (Namíbia).

Logo que os sobreviventes da expedição de Diogo Cão chegaram a Portugal, o rei mandou Bartolomeu Dias continuar o empreendimento.

(Réplica-caravela Bartolomeu Dias- finais séc.XV)

 

Dias deixou o Tejo em Agosto de 1487, com duas caravelas e uma naveta de mantimentos.

 

A pequena frota fez escala em São Jorge da Mina e depois seguiu a costa reconhecida e traçada por Diogo Cão.

 

Lançando ferro numa baía abrigada, provavelmente a Baía dos Tigres, Dias transferiu mantimentos para as caravelas e seguiu para sul, deixando alguns homens na naveta.

 

Para além do último padrão erguido por Diogo Cão e para lá da Serra Parda, as caravelas teriam navegado com terra à vista. ......”                

Trezentos anos antes da descoberta da nascente do Nilo, um português deu notícia dos lagos imaginados por Ptolemeu. No século XVI, Duarte Lopes revelou velhos segredos ao mundo.

 

Este é um excerto do artigo que pode encontrar na edição impressa da NGM – Portugal.


Em 1591, um livro publicado em Roma causou grande sensação na Europa. Tratava-se da "Relatione del Reame di Congo et delle Circonvicine Contrade", ditada a Filippo Pigafetta pelo português Duarte Lopes, que durante seis anos viveu naquele reino da África Ocidental.

 

Repleta de informações precisas sobre o Congo e outras regiões do interior africano, a "Relatione" deu a conhecer terras e gentes de que os europeus tinham apenas notícias vagas, desmistificando ideias herdadas de tempos antigos.

 

À data da viagem de Duarte Lopes, o reino do Congo era já bem conhecido dos portugueses.

Cem anos antes, Abril de 1483, as caravelas de Diogo Cão  explorando a costa africana encontraram a foz do rio Congo, ou Zaire, o segundo maior de África a seguir ao Nilo.

Regressando em 1485 subiram a foz do rio Zaire às cataratas de Ielala, onde deixaram os seus nomes gravados nos rochedos junto ao rio Zaire a montante de Matádi.

Em  finais de 1488, Bartolomeu Dias regressando ao Reino, depois de encontrar a passagem do cabo de Boa Esperança - ligação do oceano Atlântico com o Índico -, aportou a M’Pinda e trouxe uma embaixada congolesa, sendo um dos principais o Caçuta, que já estivera em Portugal em 1484/1485 no tempo de Diogo Cão.

 Em Dezembro de 1490, uma nova expedição, trouxe o Caçuta de volta ao Reino do Congo, e morreu de doença em Cabo Verde. Os portugueses  estabeleceram relações amistosas com aquele povo, cujos reis se converteram à religião cristã adoptando os nomes de João e Leonor em homenagem aos reis de Portugal.

Nos anos a seguir, enviaram os seus dois filhos para Lisboa a fim de aprenderem português e se instruírem nos ensinamentos da nova fé.

Missionários franciscanos, dominicanos e agostinhos, bem como alguns comerciantes, estabeleceram-se em S. Salvador do Congo, ou Banza, a capital daquele reino - uns para evangelizar, outros para comerciar.

É consensual que em torno da figura de Diogo Cão, subsistem duas grandes questões por esclarecer.

Em que circunstâncias ocorreu a sua morte e ou quantas viagens teria feito para sul do cabo de Stª Catarina ( actual Gabão).

Na verdade, boa parte do que se julga conhecer sobre as viagens de Diogo Cão depende dos padrões que deixou  ao longo do seu trajecto e respectivas inscrições, cartas, gravações, crónicas e a oração de obediência ao Papa:

- Três (3) padrões actualmente na Sociedade de Geografia em Lisboa ( o Padrão de S. Jorge – os quais existem alguns fragmentos- , o Padrão de Stº Agostinho e o Padrão do Cabo Negro).

- Um ( 1) padrão, actualmente na Alemanha ( Padrão do Cabo) ou Cape Cross.

- Toponímia incluída nas cartas de Cristóforo Soligo, datada de  1486, de Henricus Martellus de 1489 e do globo de Martim Behaim, de 1492.

- Gravações nas pedras das cataratas de Ielela, 160Km ( 92 milhas náuticas) da foz do rio Zaire ou Congo a montante de Matádi.

- Oração de Obediência que D. João II, envia ao papa Inocêncio VIII e que foi lida em Roma por Vasco Fernandes de Lucena em 11 de Dezembro de 1485.

- Crónicas de Rui de Pina, Garcia de Resende e de João de Barros.

Com as  viagens de Diogo Cão, para além do Cabo de Santa Catarina (Gabão )  inicia-se a prática de assinalar com padrões de pedra (calcário) as terras descobertas pelos portugueses e de se estabelecer os primeiros contactos com o rei do Congo, cuja residência ficava em M’Banza Congo (S. Salvador  - Angola) para o interior e a sudeste das cataratas de Ielala (100Km).

Partindo do Tejo as caravelas seguiram para S. Jorge da Mina, (Gana) entreposto comercial edificado em princípios de 1482, por Diogo de Azambuja a mando de D. João II.

Dirigiram-se depois ao cabo de Santa Catarina (actual Gabão), última etapa atingida no reinado anterior D. Afonso V.

 Foi reconhecida a costa a Sul daquele cabo e descoberto um grande rio a que puseram o nome rio do Padrão ou Rio Poderoso (actual rio Zaire ou Congo), onde foi erguido na foz e ponta extrema na margem Sul, (hoje conhecido por Moita Seca –Ponta do Padrão),  um padrão de pedra a que puseram o nome de Padrão de S. Jorge.  

Mais a sul, no cabo do Lobo (actual Cabo de Stª Maria a sul de Benguela), até onde prosseguiu a expedição, foi colocado o segundo padrão, a que chamaram Padrão de S. Agostinho (Cabo do Lobo). Os portugueses seguiram pouco mais além até à baía de Moçâmedes?   

Os navios terão então regressado a Portugal, em Abril de 1484. Diogo Cão foi distinguido por D. João II, pelos serviços prestados.

O objectivo seria continuar a exploração da costa africana para além da Baía de Moçâmedes, convencidos que estavam de terem atingido o Promontório Prassum.

No decurso dessa segunda expedição, tendo inicio na segunda metade de 1485, Diogo Cão navegou pelo Rio Zaire até às cataratas de Ielala, onde foram gravadas em rochedos  a permanência dos portugueses.

Descendo o rio, navegaram depois para além da Baía de Moçâmedes, e são fixados mais dois padrões, um dos quais no cabo Negro (Porto Alexandre) e o outro no cabo do Padrão (actual Cape Cross, na Namíbia).

Não se sabe, ao certo  a data de  regresso desta expedição, (1486 ou mesmo 1487). Sabe-se no entanto que Bartolomeu Dias partiu de Portugal na demanda do Sul de África em Agosto de 1487, já os sobreviventes da segunda expedição de Diogo Cão tinham chegado ao reino.

E Bartolomeu Dias fez escala na Baía dos Tigres (sul Angola ), transferiu a maior parte dos alimentos da pequena naveta para os navios de maior porte e deixou ali alguns homens.

Ficou assim a memória da sua participação neste período de explorações, em que se nota claramente o interesse em encontrar o extremo sul do continente africano, que o mesmo é dizer, a passagem para a Índia.

Súmula dos factos conhecidos:

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A Primeira Viagem a sul do Equador

1482

D. João II mandou Diogo Cão, seu escudeiro, prosseguir a descoberta para o Sul da África.

 

Levava víveres para larga demora e numerosos artigos para permuta com o gentio e presentes aos potentados das regiões africanas a visitar.

 

Em vez das cruzes de madeira que os navegadores dos reinados anteriores costumavam colocar nas terras descobertas, levava Diogo Cão padrões de pedra calcária.

 

Neste propósito, partiu do Tejo (Lisboa) com duas caravelas, no segundo semestre de 1482, acompanhado do cosmógrafo Martim Beheim?, introdutor do uso do astrolábio na navegação e autor do afamado globo de Nuremberg, fazendo escala em São Jorge da Mina (Gana).

 

Castelo S. Jorge da Mina, actual Gana - África

 

“ o estabelecimento da feitoria da Mina fora resolvido por D. João II em fins de 1481, sendo encarregado dessa assaz delicada missão Diogo de Azambuja, que partiu de Lisboa em Dezembro daquele ano,, comandando uma frota constituída por dez caravelas e duas urcas. Naquelas seguiam quinhentos homens de armas e cem artífices, e nestas os materiais de construção, já aparelhados, os mantimentos e as munições.

 

A frota fundeou em 12 de Janeiro de 1482 defronte do lugar escolhido para assentamento da feitoria, próximo da Aldeia das Duas Partes, um pouco além da mina de ouro. A construção dos edifícios começou imediatamente e prosseguiu com rapidez.  Por vezes os indígenas vieram perturbar o curso dos trabalhos, mas Diogo de Azambuja, com prudência logrou levar a obra a bom termo rapidamente.

 

 

Navegou até ao de Cabo de Santa Catarina, (actual Gabão), já reconhecido em 1474/75, por Lopo Gonçalves e Rui Sequeira no reinado de D. Afonso V.

 

Antes de atingir o Cabo de Stª Catarina, Diogo Cão descobriu a ilha de Ano Bom. 

A viagem para além do Cabo Stª Catarina foi feita  ao longo da costa.

 

Este método de navegação, porém, se era vantajoso por permitir um meticuloso conhecimento da costa, não era isento de graves dificuldades.

 

 

 

Duarte Pacheco mais tarde ainda aconselhava, “ sabendo pouco a pouco o que nella hia, a asy suas Rootas e conhecenças, e cada província de que gente era, pela verdadeiramente saberem ho luguar em que estauam, por onde podiam seer certos da terra que hiam buscar” ( Esmeraldo de situ orbis )

                                                                                                                                                                                                                      

Trecho  da Costa Africana do paralelo 2 sul  (Cabo Stª Catarina) ao Rio Zaire ou Congo

Seguindo para Sul reconhece sucessivamente:

 

“Duas moitas” ( hoje Mamas de Banda).

 

Praia Formosa de São Domingos” (Ponta Negra – Congo Brazaville)

 

“Serra da Praia Formosa” (Luango).

 

“Ponta ou Praia Branca” (Lândana), actual enclave de Cabinda

 

Foz do Rio Chiluango – Lândana – enclave de Cabinda

 

Ponta da Barreira Vermelha” ( Molembo), norte de Cabinda

 

“Cabo do Paúl”, a sul da actual cidade de Cabinda

 

     

 

            1483 – Chegada ao Rio Zaire

 

Passado aquele Cabo, aos navios deparou-se em 23 de Abril, dia de São Jorge, uma corrente de 20 Km de largo, barrenta e rumorejante que invadia o mar com violência de catarata, trazendo consigo, em remoinhos, ilhas de capim, troncos raptados à margem, ramos estilhaçados, toda a triste e aflitiva bagagem das grandes inundações, era a embocadura   de um grande rio,  “Rio Poderoso” ( Rio Zaire ou Congo),  como lhe terá chamado alguém da frota, conhecido depois por “Rio do Padrão”.

 

A curiosidade das tripulações, já de si aguçada pelo facto de navegarem em novos mares, devia ter sido despertada por esta inesperada circunstância.

           

À medida que caminhavam, experimentavam os efeitos de uma corrente vertiginosa que cortava o mar perpendicularmente à costa :  e no inverno desta terra, que he do mês de abril atee o fim de setembro, traz este Rio tam grande corrente d’ auguoa doce, que a trinta léguas em mar se sente a força dela (Esmeraldo.)

                       

Torneando e atravessando a corrente da embocadura do rio, a armada penetra num majestoso estuário de margens baixas e  foram dar com a margem esquerda, junto à foz.

 

Viram uma língua de terra, nesse bocado de terra frisada, que avança pelo mar como braço recurvado de muralha a proteger um ponto e que olha de um dos lados para o Atlântico e do outro para a foz do Zaire, arribou as caravelas de Diogo Cão.

 

Rio Zaire ou Congo – ( Ponta do Padrão, actual cidade do Soyo e M’Pinda, residência do Manisoyo). Ao encontro do Manisoyo em M´Pinda

 

 

 

Festivamente, a tripulação desembarca, a que, pelo grande volume de água e impetuosidade de corrente, os marinheiros puseram o nome de Rio Poderoso, conhecido também por rio do Manicongo e mais tarde por Rio do Padrão.

 

Em Mbanza Malele , praia fluvial do Soyo,  (hoje porto e estaleiro fluvial  da cidade), Diogo Cão encontrou um pescador, Ndom Lwolo, um súbdito da rainha Malele kya Nsi, nome que figura entre os primeiros da lista de soberanos do Mfutila Neanda ( o "Soyo de baixo").

 

O navegador perguntou o nome da terra, o pescador respondeu: "Kinzadiko" ("não sei"). Ao interrogá-lo sobre o nome do grande rio, Ndom Lwolo respondeu: "Nzadi" ("Rio").

O visitante concluiu  que o rio se chamava "Zaire".

 

Diogo Cão manifestou o desejo de ser apresentado à rainha. A soberana foi informada deste acontecimento e desta solicitação, mas lembrou-se que o seu antepassado Nezinga recebera ordens do tio, o Ntotila/ Manicongo, que a impediam de, como seu suserano, estabelecer relações com povos estrangeiros. Por isso a rainha recusou qualquer contacto com os visitantes mas mandou-os conduzir a Mbanza Kongo....”

 

Espantados ficaram os habitantes do Soyo, gente pacífica, ao verem surgir, das grandes águas, navios e homens jamais vistos e que não faziam parte da sua taxonomia habitual.

 

 No século XVII, (1694) um missionário italiano Bernardo de Gallo, recolheu as primeiras imagens gravadas nas memórias dos mais velhos e transmitidas de geração para geração:

 

« Os negros do Soyo, vendo a novidade dos navios, sem saber que coisa aquilo era começaram a gritar com sinais de admiração, amindele, amindele (igual a mudele, branco na significação actual, mas, naquele tempo, amindele significava coisas, como baleias, que vêm do mar) .»   

 

 

Embora Diogo Cão não contactasse a rainha (Malele kya Nsi), foi aconselhado ir ao encontro do Manisoyo (Ndom Malele kya Nsi), chefe e soberano  local, representante  do Rei do Congo, à praça de M’Pinda, 10 Km da ponta do Padrão.

    

Pelos naturais do baixo Soyo e do Manisoyo, residente em Praza, M’Pinda ( 10 Km da foz), souberam os portugueses que estes dependiam de um grande potentado, chamado Manicongo, cuja corte ficava na M’Banza (residência) Congo, para sudeste, no interior das terras, e cujo império se estendia largamente por ambas as margens do rio e muito para sul da costa africana.

 

A 26 de Abril de 1483, na presença de diversos naturais e do Manisoyo, os nautas ergueram à latitude 3’ Sul, na ponta meridional (Moita Seca) e margem esquerda na foz do rio, onde 3 dias antes tinham arribado,  o  Padrão de S. Jorge, “ como quem tomava posse por parte de el-Rei de toda a costa que leixaua atras” (Ásia, Década I, João de Barros, liv.II, capº.3 ),   seguida de celebração de missa.

 

 

Ponta do Padrão. O Padrão de S. Jorge foi colocado à direita desta língua de terra.

Do lado esquerdo o oceano Atlântico, em cima e direita o estuário do rio Zaire

 

 

Estabelecida a certeza da existência deste potentado, Diogo Cão, em obediência às instruções recebidas do próprio D. João II, que lhe mandavam proceder de forma a ganhar a confiança dos povos que encontrasse, levando-os a abraçarem o cristianismo, escolhe 2 portugueses idóneos para levarem ao imperador um presente, de muitas coisas variadas umas das outras.

 

«E lhe mandou dizer como há dita armada era del-Rei de Portugal, que com todo o mundo tinha paz e amizade. E por lhe dizerem quam grande Rey elle era, desejando de ha ter com elle, e muita prestança, e trato, o mandaua buscar, dizendo-lhe logo o proueito e honra que aos seus e a sua terra dahy lhe poderão vir» ( Crónica de el-Rei D. João II, Garcia de Resende, cap. CLV).

 

Diogo Cão decide enviar ao potentado dois emissários (mensageiros), levando  ofertas e presentes. Seguiram  para a M’Banza (residência) por via terrestre,  23 dias de caminho,  acompanhados por guias  do Manisoyo ?)..

 

.Painel representando Diogo Cão , na foz do Zaire, depois de haver colocado o padrão da descoberta

Painel representando Diogo Cão, na foz do Zaire,

depois de haver colocado o padrão da descoberta

Foto obtida perto da Ponta do Padrão.

Vista geral da actual  cidade do Soyo – ex- Stº António do Zaire – Sazaire -Angola

Estaleiros do porto Fluvial da cidade do Soyo

Diogo Cão e os nautas  foram ao encontro do Manisoyo, na Plaza do M’Pinda, ( 10 Km da Ponta do Padrão). Na foto o canal à esquerda da cidade do Soyo dá acesso a M´Pinda.

 

Restos do padrão de S. Jorge –Sociedade de Geografia, Lisboa)

O padrão tradicionalmente chamado de S. Jorge, assente por Diogo Cão na extremidade da margem meridional (esquerda) do rio Zaire, fora em 1859, encontrado em completa ruína.

Alguns fragmentos do Padrão de S. Jorge encontram-se actualmente na Sociedade de Geografia em Lisboa. Aqueles fragmentos são de pedra calcária, foram retirados do local  (Ponta do Padrão), por ordem do governo português (1859).

E não resisto á tentação de copiar o que Henrique Galvão dizia em "Outras Terras, Outras Gentes" :

" Um dia, passados séculos, um navio de guerra inglês, que se esquecera de aparecer trezentos anos mais cedo para descobrir também qualquer coisa, assinalou a sua passagem, gloriosamente, despedaçando a tiros de artilharia o Padrão de S. Jorge. Em compensação, os indígenas arrecadaram como relíquias os fragmentos do Padrão. Mas esses... não eram civilizados”.

Anos antes explicavam os indígenas (naturais do Soyo)- a guarnição dum navio de guerra britânico fizera do padrão alvo de exercícios da artilharia; depois, destroçado o monumento, pretendera recolher a bordo alguns pedaços dele, mas no momento da atracação voltara-se o escaler que os trazia.

 Um escaler da marinha inglesa, tentou recuperar a parte  superior do padrão, onde se encontrava as inscrições e cruz  original,   ao  dirigir-se para o navio maior,  voltou-se e a parte superior padrão perdeu-se nas águas do rio.

O escritor que relata tais memórias, extraídas de um relatório arquivado na Sociedade de Geografia de Lisboa, comenta: « Se o escaler não se volta, teríamos naturalmente hoje, no British Museum, a parte superior do padrão, onde poderia ler-se, talvez, a inscrição respectiva » ( Luciano Cordeiro, Diogo Cão, pág. 50 ).

Mas voltou-se, e o regresso a Portugal dos míseros restos do mutilado padrão, postos à guarda daquela Sociedade, nenhum dado útil puderam acrescentar ao discutido problema das viagens de Diogo Cão.

Assim, o Padrão colocado por Diogo Cão e nautas esteve 376 anos na Ponta do Padrão (Moita Seca).

Nesse mesmo ano (1859), o governo de Angola mandou erigir um monumento comemorativo do velho padrão, que ali permaneceu até à independência de Angola (1975), do antigo apenas existiam o pé e uns restos do fuste, que os indígenas ciosamente guardavam, venerando-os como poderoso feitiço, um feitiço de branco.

 

Padrão Português, na Foz do Rio Zaire ( moderno ) – Ponta do Padrão – Moita Seca

Depois  foi erigido uma outra réplica do padrão na vila de ex - Stº António do Zaire (actual Soyo), a 5 Km da ponta do padrão.

Em Agosto de 1938, o então Chefe do Estado, Óscar Carmona, ali no areal escaldante na foz do rio Zaire, na presença da marinha de guerra ao som de tambores e clarins na qual prestava guarda de honra e na presença de muitas autoridades gentílicas ( sobas das regiões nortenhas e uma grande multidão compacta ), depôs uma coroa de flores em bronze, transportada pelos marinheiros vindos dos barcos de guerra, fundeados ao largo.

Nos olhos de todos os presentes marejavam lágrimas sentidas pela grandiosidade do solene momento de evocação e homenagem aos nossos gloriosos antepassados,  pelo seu esforço e abnegação. Os vasos de guerra salvaram tiros de canhão enquanto a gente gritava VIVA PORTUGAL. Foi a maior homenagem feita aos pioneiros das descobertas e das conquistas em que os heróis portugueses de antanho deram « Mundos Novos ao Mundo», espalhando a fé e a civilização inscrevendo na história da humanidade o nome glorioso de Portugal

A 26 de Abril de 1973, foi realizada a 2ª missa na ponta do padrão, 490 anos depois da chegada dos portugueses, estiveram presentes as autoridades locais do distrito do Zaire –Angola, nomeadamente os descendentes do Rei  do Congo,   sobas e  regedores de vários concelhos do distrito, bem como representantes da marinha portuguesa, autoridades administrativas e o então governador do distrito do Zaire  coronel Carlos dos Santos.. 

O Mito de Diogo Cão

“....Diogo Cão, navegador português e figura histórica do Século XV, entra finalmente na história tradicional do Soyo como personagem mítica, embora aí apareça de uma maneira um tanto vaga, e contudo com a missão muito precisa de reiterar a eclosão de uma nova cultura entre os basolongo, de uma nova religião e de uma nova civilização técnica que faz surgir bens materiais de tipo novo. Ora a maneira como o seu mito se desenvolve é a maneira clássica dos "heróis reformadores" da mitologia savânica desta parte de África. A sua estrutura narrativa é semelhante à de toda essa mitologia. O protagonista surge de algures, de longe, com uma comitiva; tem encontros com os mandatários dos soberanos locais mas não chega a encontrar o "rei" ( ou "rainha") do Soyo. A sua entrada em cena tem aspectos espectaculares que valorizam o personagem e que o definem como "estrangeiro". Depois percorre um itinerário bem definido onde a via fluvial -- a principal via comercial: o rio Zaire -- se desenha como dominante, e acaba em Mbanza Kongo , junto do Ntotila. Por uma das versões recolhidas desta lenda, sabe-se que Diogo Cão desembarcou numa praia do Soyo onde encontrou uma "pedra alta", sobre a qual havia dois santos: St. António e St. Maria. O visitante queria levá-los para Portugal, mas St. Maria negou-se e veio a ser deixada na praia, criando uma derivação da lenda destinada a dar conteúdo ao culto de St. Maria que, como vimos atrás, ainda hoje se pratica no Soyo.

Uma segunda versão diz que Diogo Cão chegou num barco à vela (Nkumbi ya Nkutuktu) a uma praia do Soyo em Mbanza Malele. Aí encontrou um pescador, Ndom Lwolo, um súbdito da rainha Malele kya Nsi, nome que figura entre os primeiros da lista de soberanos do Mfutila Neanda ( o "Soyo de baixo").

Quando o navegador perguntou o nome da terra, o pescador respondeu: "Kinzadiko" ("não sei"). E ao interrogá-lo sobre o nome do grande rio, Ndom Lwolo respondeu: "Nzadi" ("Rio"). O visitante concluiu assim que o rio se chamava "Zaire". Então Diogo Cão manifestou o desejo de ser apresentado à rainha. A soberana foi informada deste acontecimento e desta solicitação, mas lembrou-se que o seu antepassado Nezinga recebera ordens do Tio, o Ntotila, que a impediam de, como seu suserano, estabelecer relações com povos estrangeiros. Por isso a rainha recusou qualquer contacto com os visitantes mas mandou-os conduzir a Mbanza Kongo....”

A grandiosidade do rio, despertou a curiosidade dos nautas. Diogo Cão, sondou e explorou o estuário, navegando muitas milhas para o interior. (O mapa de Soligo releva os contornos da embocadura- estuário- do rio ,  e parte do percurso superior).

Foram dois meses de exploração (Maio e Junho de 1483).

Por do sol, tendo como cenário a densa e inóspita floresta equatorial africana e o rio Zaire, também conhecido por rio Poderoso e depois rio do Padrão, por aí ter sido chantado por Diogo Cão, em Abril de 1483, um padrão dos descobrimentos portugueses.

Rio Zaire ou Congo – ( da ponta do padrão às cataratas de Ielala )

Porém, nesta acção exploratória, e velejando para o interior, os emissários enviados ao rei do Congo foram largados, perto de Nóqui (localidade mais próxima da M’Banza do rei).

 

Seguiram depois por via terrestre até M’Banza Congo. O Manisoyo, residente em M’Pinda, cedera a pedido do capitão, alguns guias que se dispuseram a acompanhá-los.  

 

Os nautas não se detiveram no local, (Nóqui) desceram o curso do rio, e prosseguiram viagem para Sul.

 

Costa angolana para Sul da Ponta do Padrão a escassos Km da Ponta do Padrão  

                        Trecho da costa angolana a  sul do rio Zaire ao Ambriz