Segunda
viagem a sul do Equador
pelo Navegador Diogo Cão
Em
1485

Réplica
Caravela Bartolomeu Dias
D. João II, desejoso de apertar relações com
o rei do Congo, Nzinga-a-Kuvu, de fazer regressar os
indígenas de lá trazidos, de recolher os emissários e de prosseguir na
descoberta do caminho marítimo para a Índia, enviou no segundo semestre de
1485, Diogo Cão nesta segunda viagem, com duas caravelas.
Para o rei do Congo, Nzinga-a-Kuvu, uma embaixada com ricas
prendas ofertas de amizade, seguiriam também recomendações para renegar aos
ídolos, feitiçarias e abraçar a religião cristã.
Dirigiram-se
para a Mina (S. Jorge da Mina), como era habitual.

Castelo
de S. Jorge da Mina (Ghana – África)
Depois
seguiram para o estuário do Zaire, onde aportou a M’Pinda,
Dois meses era o tempo necessário para chegar ao Rio Poderoso (Zaire ou
Congo), depois de ter sido aparelhado na Mina, chegou em Outubro.
Tendo-se
apercebido que os emissários anteriormente enviados ao Rei do Congo, ainda não
se encontravam em M’Pinda, e também de suspeitar que por esta via poderia ter
acesso mais rápido ao Índico, já que na exploração anterior não fora mais
além das imediações de Nóqui, decide zarpar rio acima.
“...Um
guia acompanhou, pois, a expedição portuguesa rio acima, até Noki, onde
desembarcaram. O navio ficou fundeado no sítio chamado Nsuku a Nsambi a Nzombo,
onde havia uma grande pedra com uma mulembeira que lhe crescera no topo. Desse
modo evitava-se subir até Matadi, "por causa dos ventos violentos da região,
originados pelas montanhas". Prosseguiram a viagem por terra ao encontro do
Nekongoe da sua corte, que lhe ofereceram um grande banquete. Note-se que o
Nekongo, avisado por mensageiros, já sabia da chegada dos portugueses e já os
esperava. O visitante deu ao Ntotila como presente um rico pano que se chamou
Nkampa. O mito de Diogo Cão parece, enfim, pôr em relevo algumas
particularidades da consciência solongo. Nele se recorda com especial vigor a
dependência do rei do Soyo para com o rei do Kongo, seu soberano. Este aspecto
não tem porém uma intenção didáctica pura, mas ele é, muito mais, o
resultado do movimento de aproximação com Mbanza Kongo e portanto com o poder
central por tradição, que crescia no Soyo à data da recolha do mito (1990).
Contudo sabe-se pertinentemente pela documentação existente , que os contactos
de Diogo Cão com o dito "Mani Soyo", foram numerosos e até frutuosos,
pois inclusive o chefe solongo fez-se baptizar. Além disso a narração
pretende mostrar através dum contorno simbólico que o culto actual (e bastante
antigo) de St. Maria, surge da igreja católica (vem com Diogo Cão), mas em
oposição a ela. Recordemos que a santa, devendo ter "regressado" com
o navegador como sucedeu a St. António, preferiu ficar no Soyo. Enfim, para o
historiador, há neste mito numerosos elementos significativos inspirando um mínimo
de segurança que lhes permita serem tratados como factos históricos, quer pelo
número muito elevado de informantes que os reconheceram -- o que dá fixidez a
uma cultura histórica envolvente -- quer pela sua semelhança com a realidade
concreta conhecida. No episódio histórico de Diogo Cão fala-se de uma "pedra"
(na ocorrência, o Padrão); essa "pedra", de que, no mito, o
Navegador é miticamente (e não explicitamente) portador (ou criador) contém
dois santos da religião católica: St. António e St. Maria, o primeiro, tanto
na versão antonina do Soyo como na do Kongo desaparece, abstratiza-se e só se
manifesta indirectamente através da sua eleita, a santa; o itinerário mítico
da expedição pelo rio Zaire conduzindo a uma "pedra" que evoca a
descoberta de Yelala, facto histórico e por fim um Senhor do Soyo, um "Mani
Soyo" que na narração mítica se chama Ndom Malele Kya Nsi e na narração
histórica toma o nome de D. Manuel da Silva. O que é pois o dito "Mito de
Diogo Cão", senão a representação que o povo solongo se faz do facto
histórico, modelado pela linguagem mítica local e pela ideologia dominante?
Assim sendo é também uma das fontes da história do Soyo cuja leitura implica
a descodificação de um mito.
Devemos notar que durante a época dos Descobrimentos houve 3 períodos de marcação das terras descobertas a favor de Portugal:
No Primeiro Período usou-se a Cruz de Madeira Alta para os descobrimentos do Porto Santo, Madeira, Cabo Verde e Açores. Mas estas cruzes apodreceram.
No Segundo Período compreendeu fazeram-se gravações em pedras ou rochas à beira dos rios ou nas praias- Pedras de Ielala na África e a Pedra de Dighton na América do Norte.
No Terceiro Período compreendeu a colocação de Padrões.
O Diogo Cão executou o Segundo e Terceiro Períodos.

Itinerário do
curso superior Rio Zaire ( Cataratas de Ielala ) –
Viajando até
Entre recifes, na
margem esquerda, adiante de Matádi, e a montante de Vivi, num sítio chamado
Nsadi- Qumbidinga (rio de peixe ), chegaram a uma ponta que fica a uns duzentos
metros dos rochedos onde haveriam de efectuar
a gravação, desembarcaram, e descalços por ser completamente impossível
seguir calçados por sobre pedras escorregadias, de onde, caíndo,
inevitavelmente iam ao rio, onde a morte seria certa.
Os nautas com
enormes dificuldades conseguiram andar alguns metros, até que chegaram a um
ponto onde a todos faltou o ânimo para continuar. Tinham na sua frente, por único
caminho, um despenhadeiro de alguns metros de altura, cortado a pique sobre o
rio, sem outra cousa a que se segurassem, que não fosse alguns fios de erva (
capim ) e as raízes de uma árvore
(lianas)!
Houve alguém que
se arrojou a transpor aquele precipício e os que seguiam foram atras. Ao fim de
algum tempo encontravam-se sobre o rochedo onde iria ficar a inscrição. Ali,
em frente de tamanho espectáculo, vendo o rio, em baixo soltando rugidos de leão,
é que avaliaram a intrepidez de tamanha façanha
que acabavam de efectuar.
De seguida
gravaram as armas de Portugal, o escudo usado naquela época, a cruz de Cristo e
nomes de vários nautas deixando para a posteridade a permanência dos
portugueses naquele lugar.
O
escudo, os castelos, as quinas gravadas revelam que são posteriores à reforma
decretada por D. João II (Março de 1485).

D. João II (1485-1495)
De Março de 1485
Fundo
branco.
Cinco
quinas azuis dispostas em cruz (as laterais apontam para baixo, como as do
centro).
As
quinas possuem cinco besantes brancos (dois pontos – um ponto – dois pontos)
Bordadura
vermelha.
Sete
castelos dourados na bordadura (por vezes oito castelos).
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Gravação
nas pedras de Ielala –
Rio Zaire ou Congo ( a
Nas gravações
dos rochedos de Ielala, na margem esquerda do rio vê-se o seguinte:
O
Escudo português, constituído por cinco quinas todas viradas para baixo e uma
cruz da ordem de Cristo e a inscrição
“Aqui chegaram os navios do esclarecido rei D.João II de Portugal –
Diogo Cão, Pero Anes, Pero da Costa”.
Noutro rochedo dois nomes
–
Álvaro
Pires, Pero Escolar e uma sigla
.
Noutro rochedo os nomes
João
de Santiago, Diogo Pinheiro (por cima do D, o sinal de uma cruz reduzida), Gonçalo
Álvares e Antão e outra sigla.
Nesta pedra lêem-se também as palavras
“ da
doença”,
precedidas
de uma cruz
┼,
seguida
do nome
João ou (Gonçalo) Álvares
!?,
o que quer dizer que o nauta morreu
por doença.
O estudo epigráfico desta inscrição revela ser posterior às
outras inscrições. A letra (grafia) utilizada é diferente. Há uma opinião
sobre este assunto no capítulo das “curiosidades”.
O sinal de uma cruz reduzida por cima do D de Diogo Pinheiro,
significaria que o nauta se encontrava afectado pela doença?!
Diogo Cão, explorou o Rio Poderoso (Zaire ou
Congo) até Ielala, não foi mais
adiante pelo facto de ter notícias
desoladoras de que o rio era intransponível, das muitas cachoeiras no percurso
superior, encontrar uma rota por
esta via até ao Índico, estava
fora de questão.
PEDRA
DE IELALA, com a incrição
deixada por Diogo Cão, c. 1485.
Na
foto um oficial da marinha Portuguesa, finais da década de 60, princípios de
70, séc. XX.

Encontrando-se
próximos da residência (M’Banza) do rei do Congo, Manicongo,
cerca de
Esta
embaixada teve também como objectivo a recuperação dos 2 emissários
anteriormente enviados e que ainda não tinham sido recuperados.
Ficou o monarca do Congo
encantado, ao ouvir da boca dos seus súbditos, já um pouco aportuguesados, notícias
precisas a respeito dos portugueses. Os recém chegados causaram admiração,
respeito e alegria na corte congolesa.
Segundo
o cronista Garcia de Resende, o rei do Congo viajou até Nóqui,
o qual “hindo polla dita
cofta com assaz perigo, e trabalho, foi ter com a dita armada ao rio de
Manicongo”.
(Itinerário
de M’Manza Congo a Nóqui a tracejado vermelho)
Como
exemplo cita-se o trecho seguinte no qual o cronista narra o acontecimento.
“ O
qual hindo polla dita cofta com affaz perigo, e trabalho, foy ter com a dita
armada ao rio de Manicongo, (…) o qual rio, e terra de Congo he de
Portugal mil e fetecentas legoas, onde por fer tão lomge da outra terra de Guiné
já defcuberta não fe poderão entender com a gente da terra, e levando muytas
lingoas nenhua entendia, nem fabia aquella lingoagem”.
(Garcia de Resende, Crónica de D. João
II e Miscelânea, Lisboa:INCM, 1991, pág. 221)
Deste
modo, Diogo Cão não foi à residência do Rei do Congo (Banza Congo- ex -
S.Salvador), como quis pretender o cronista João de Barros.
Os capitães não se ausentavam dos
navios por longos períodos.
Para
se encontrar com o Rei do Congo era necessário percorrer de Nóqui até
M’Banza Congo, aproximadamente 20 léguas (
Alguns dias de
caminho em assaz perigo e trabalho, foi ele (rei do Congo), Nzinga-a-Kkuvu, ter
com a dita armada ao rio do Manicongo, onde os navios se encontravam
fundeados (ancorados) perto de Nóqui, lugar de melhores
acessos.
Rio
Zaire, perto das pedras de Ielala
Ofereceu ao rei do Congo um
rico tecido de damasco e outros
objectos, a mando de D. João II, servindo de intérpretes os negros
agora chegados, porque os portugueses não se “ entendiam com a língua
da gente da terra “.
O rei por sua
vez, ofertou peças de marfim e objectos de arte e peles, como sinal de futura
amizade a encetar com o Rei de Portugal.
Deu-se assim, início
à duradoura aliança entre os reis do Congo e de
Portugal.
Os dois emissários
regressaram às caravelas e houve contentamento de todos. Martim Afonso,
já conhecedor da língua congolesa trouxe conhecimentos das gentes e das
terras da região.
Diogo
Cão saiu das cataratas em Novembro
de 1485, partido para Sul em busca da passagem para
o Índico, dois anos antes Setembro de 1483 estavam convencidos que
tinham atingido a proximidade do Promontório Prassum, onde começa o Golfo
Arábico!
Passando o cabo
do Lobo, e chegando ao cabo Saco, ultimo ponto atingido na viagem
anterior, verificaram com muita
surpresa, a entrada de uma angra cuja trajectória seguia para Sul.
“Com
efeito, enquanto os nautas seguiam em direcção a Sul, em Roma, pelo resultado
alcançado por Diogo Cão na viagem anterior (1482-1484),
na Oração de Obediência que o Rei D. João II envia ao papa Inocêncio
VIII e que é lida pelo embaixador Vasco Fernandes de Lucena em 11 de Dezembro
de 1485, afirma, que no ano anterior tinham os portugueses chegado até perto do
“ Promontório Prasso”, onde começa o Golfo da Arábico. Tendo feito uma
larga exposição dos serviços prestados pelos nautas na expansão da fé cristã,
o Dr. Lucena continuou: « A tudo isto acresce a esperança bem fundada de
explorar o Golfo Arábico, onde reinos e povos que habitam a Ásia, mal
conhecidos de nós por notícias muito incertas, praticam escrupulosamente a fé
santíssima do Salvador, dos quais, a dar crédito a experimentados geógrafos,
já a navegação portuguesa se não encontra senão a alguns dias de viagem.
Efectivamente, descoberta já uma parte enormíssima da costa africana, chegaram
os nossos no ano passado até perto do Promontório; foram explorados os rios,
praias e todos os portos que desde Lisboa, numa extensão de mais de 45 centenas
de milhares de passos, estão enumerados com exactíssima observação do mar,
das terras e dos astros ( o texto latino destas afirmações ocupa, na 1ª edição
da Oração de Obediência – Roma, 1485, as últimas linhas da 10ª página e
as primeiras da 11ª )
1486
Iludidos
por aquela orientação da costa, ilusão que certamente não foi só sua,
seguiu mais adiante.
A 16 de Janeiro
de 1486, Diogo Cão e os nautas , dão
com um cabo a que chamaram
de Cabo Negro, 15º 42´ lat. sul, onde ergueram o Padrão do Cabo Negro,
seguida de celebração de missa.
Visão da costa angolana, perto do Cabo
Negro, onde foi implantado o Padrão do Cabo Negro
A
seguir entram na Angra das Duas Aldeias
( Porto Alexandre, actual Tombua), a
que foi posto este nome por nela os nautas terem achado duas grandes aldeias de
negros, gente pobre que se mantinha de pescarias, única riqueza da terra,
“ nesta terra nam há proueyto “ , nesta terra não há proveito.

Padrão
do Cabo Negro e angra duas aldeias, actual Tombua – Porto
Alexandre -Angola

(Padrão
do Cabo Negro, Sociedade de
Geografia Lisboa),
O Padrão do Cabo
Negro, encontra-se em mau estado de conservação, as inscrições são
iguais ao Padrão do Cabo (Cape Cross).?, a inscrição nela gravada, está
quase completamente destruída.
Os vestígios
dessa inscrição estão no fuste e no capitel. Este facto e a feição geral do
monumento – o corpo superior do padrão aproxima-o ao Padrão do Cabo da Serra
(Cape Cross)
Trecho da costa
angolana a Sul da Baía de Moçâmedes (Namibe) à Baía dos Tigres
Porto
Alexandre – actual Tombua - Angola
Navegando à
vista duma costa baixa e correndo
nordeste sudoeste com a Angra das Aldeias, a quinze léguas, os nautas acharam
uma enseada, a que deram o nome de Manga das Areias (Baía dos Tigres), e que se
estendia por terra a dentro cinco ou seis léguas, com doze a quinze braças de
fundo.
A
terra continuava sem qualquer espécie de arvoredo, estendendo-se o areal a
perder de vista.
Os
negros miseráveis, que viviam do peixe, aproveitavam as costelas das baleias
que davam à costa para com elas construírem abrigos cobertos de seba do mar e
das próprias areias.
Não
era possível encontrar água ou qualquer abastecimento, além do peixe, em que
a costa era riquíssima.

Foto
Satélite
– Costa de Angola – de Porto Alexandre à Baía dos Tigres
A
navegação a partir de agora tornava-se difícil, por causa da calema larga que
ia quebrar-se contra a costa, tornando cada vez mais penoso o trabalho de bordo.
Prolongando
a marcha para sul, passaram sem darem por isso a foz do rio Cunene.
Rio
Cunene – Sul de Angola
Depois
mais para sul , reconhecem sucessivamente a Ponta Verde e o Golfo das Baleias.
Cabo
do Padrão da Serra, modernamente Cape
Cross - Namíbia


Cabo
do Padrão da Serra, actual Cape
Cross –Namíbia
Depois, ainda
percorreram mais 50Km de costa para Sul do Cabo do Padrão da Serra, até à
ponta dos Farilhões, Hentiestbaai de hoje e foi aí que a expedição
terminou.
O termo exacto da viagem, deve-se a uma legenda de um mapa de 1489
de Martellus, cujo texto sugere que Diogo Cão aí terá morrido. Se assim
aconteceu, poderá ter sido essa a razão porque os navios não avançaram mais
para sul ?

Padrão
do Cabo (Cape Cross) museu do Institut
fur Deutsche Geschichte, Berlim-Leste
O Padrão do Cabo
é constituído por uma peça do calcário vulgar das pedreiras dos arredores de
Lisboa, com a forma de uma coluna sobrê-punjada de um cubo.
Numa das faces do
cubo encontra-se o escudo nacional português, mas já com as modificações
nele introduzidas por D.João II- supressão da Cruz de Avis, redução do número
de castelos a sete, modificação da posição dos escudetes laterais, que
deixam de ser apontados ao centro, para o serem a baixo como os três restantes.
Há duas inscrições:
Uma em latim, outra em português.
Foram lidas pelo
Prof. Scheppig que comunicou o seu teor a Luciano
Cordeiro.
Este publicou-as
na sua monografia.
O texto latino é
o seguinte:
A
mundi creatione fluxerunt ani 6684 et a Christi nativitate 1485 quum
excelentissimus serenissimusque Rex d. Johanes secundus portugaliae per iacobum
canum ejes militem colunam hic situari jussit
O Texto português
é o seguinte:
Era
da criação do mundo de bjm bjc lxxxb e de xpto de IIIclxxxb o eycelente
esclarecido Rei dom Jº s.º de Portugal mandou descobrir esta terra e poer este
padram por dº cão cavº de sua casa.
Correntemente:
“Era
da criação do mundo de 6685 e de Cristo 1485 o excelente esclarecido Rei D. João
II de Portugal mandou descobrir esta terra e pôr este padrão por Diogo Cão
cavaleiro de sua casa”.
Da
inscrição em latim, o Professor Scheppig teve dúvidas, quanto ao último
algarismo do ano da era cristã, em virtude de estar muito mal conservado,
podendo ser 4 ou 5
Luciano
cordeiro entendeu que “ esse algarismo embora parecido aos que têm
evidentemente o valor de 4…, deve considerar-se como uma das variantes que até
ao séc. XV se encontram na maneira de escrever o algarismo 5 “. E
estabelecendo a relação entre datas da criação do mundo e do N. de Cristo
achou:
6
684 – 5 199 = 1485
Partindo
deste cálculo considerou errada a data 6 685, da era da criação, que se
encontra na inscrição em português.
Ravenstein,
estudando novamente este assunto “ The voyages of Diogo Cão and Bartolomeu
Dias, no Geographical Journal de Dezembro de 199 ( Vol. XVI, pág. 625-
Uma
análise da inscrição latina e portuguesa do Padrão do Cabo do Padrão:
O
ano de 6684, pelo cômputo da era Eusebiana começou no dia 1 de Setembro de
1484 e terminou em 31 de Agosto de 1485.
Ao
analisar-se as inscrições em latim como em português no padrão, elas
correspondem ao que o Prof. Scheppig comunicou a Luciano Cordeiro, isto é, na
inscrição latina a criação do mundo é o ano de 6684, e a era cristã o ano
é 1485.
Na
inscrição portuguesa a criação do mundo é o ano de 6685 e era cristã, o
ano de 1485.
Porque
razão o ano da criação do mundo, tanto da inscrição latina como da inscrição
portuguesa não coincidem?!...
De
facto a inscrição latina foi efectuada ou gravada antes do dia 31 de Agosto de
1485 ou mesmo nesse dia, o que coincide com o ano de 6684 da criação do mundo.
Na
inscrição portuguesa, o ano da criação do mundo é 6685, pelo motivo desta
inscrição ter sido gravada após o dia 01 de Setembro de 1485, ou mesmo nesse
dia.
Embora,
o ano da criação do mundo, não sejam coincidentes, tanto numa como noutra
inscrição, o que é certo, é que o ano da era cristã da inscrição latina
1485? é mesmo o ano de 1485, o que valida igualmente o ano da era cristã da
inscrição portuguesa, que se encontra bem legível 1485.
Dá-se
assim crédito ao ano de 1485, por motivo de D. João II ter decretado a
modificação do escudo, a partir de Março.
Assim
sendo, a 2ª viagem de Diogo Cão, teve início
após o dia 1 de Setembro de 1485 e antes do fim do ano (conclusão de
Ravenstein), que se aceita como correcta.
Em
No tempo da
Alemanha de Bismarck, em 1893, Beder, comandante do cruzador alemão Falte,
recolheu num cabo que algumas cartas antigas chamam Cabo do Padrão, e
modernamente tem o nome de Cape Cross, um padrão que levou para a Alemanha.
Encontra-se no
museu do Institut fur Deutsche Geschichte, Berlim-Leste, sendo o único de todos
os Padrões de Diogo Cão que conserva a cruz como cimeira original.
A cruz de pedra que o descobridor português
colocou na actual (Costa do Esqueleto) em 1486, foi assim no final do século 19
retirada para Berlim, pela então potência colonial, a Alemanha, e mais tarde
substituída por uma imitação (réplica).

Réplica do Padrão do Cabo da
Serra

junto à réplica
do
Padrão
Em 1998, o
governo da Namíbia (Sudoeste Africano), pediu às autoridades alemãs a devolução
do padrão erigido há 512 anos, no
litoral daquele país africano por Diogo Cão, para poder exibi-lo na Expo-98,
em Lisboa, o que nunca chegou a concretizar-se.
Para o visitante,
será difícil de imaginar a reacção da armada de Diogo Cão ao encontrar uma
colónia de focas que chega a reunir cerca de 100 mil animais.
Foto
satélite – A costa desértica da Namíbia – Deserto do Calaári.
Seta
a tracejado deserto de Moçâmedes a vermelho Cape Cross
A costa da Namíbia é uma terra inóspita que
se esparrama por
O deserto da Namíbia
ocupa uma faixa litorânea que chega até
É um dos
desertos mais antigos do mundo. Há 80 milhões de anos, a areia vem sendo
pacientemente depositada ao longo da costa.
Quase toda a
areia da Namíbia vem do mar, carregada pelo aluvião do Rio Orange, ao sul, até
o Oceano Atlântica, e daí levada pela corrente marítima e pelo vento até ao
litoral da Namíbia.
O resultado deste
longo trabalho é um interminável manto de dunas que se debruça sobre as águas
frias do Atlântico e redesenha o mapa da Costa do Esqueleto a cada dia.
Praias, baías e
ilhas que os navegadores portugueses mapearam já não existem mais. Algumas das
dunas chegam até
Isso tudo seriam
belas praias tropicais se chovesse mais do que os
No lugar da chuva,
quem dá as caras por ali é uma névoa espessa que, toda manhã, invade o
deserto e se alastra por até
Plantas
essas que servem de alimento a animais como elefantes, girafas e antílopes. È
assim que a vida se sustenta no Namibe.
Uma das plantas vem se alimentando dessa forma há
milhares de anos.
É a Welwistschia
mirabilis, apelidada por Charles Darwin de “ ornitorrinco do reino vegetal”.
A planta, endêmica do Namib, é um milagre da evolução. Só com a névoa
matinal, cada exemplar pode viver cerca de 2 mil anos. Por causa da sua estranha
forma – apenas duas folhas rígidas e fibrosas acopladas a um caule grosso e
achatado – os botânicos consideram a Welwitschia uma espécie de árvora anã.
Outra planta que
sobrevive bem às duras condições do deserto é o melão !nara ( o ponto de
exclamação significa um estalido com a língua no idioma falado pela tribo
nama). Com sua raiz de
Névoa pode ser
bom para insectos e plantas, mas para quem está disposto a tentar escapar das
armadilhas do deserto pode ser o fim.
Imaginemos alguèm
perdido no meio de uma névoa costeira que não lhe permite ver um palmo adiante
e que, para piorar, vem acompanhada pelo ronco gelado do vento sodoeste que
sopra sobre as dunas.
Agora imagine-se
como seria para os antigos navegantes enfrentar um mar revolto repleto de
recifes e bancos de areia- e no meio da neblina. É fácil supor por que a Costa
do Esqueleto era considerada um dos litorais mais traiçoeiros do planeta.
O litoral inteiro
da Namíbia está tomado pelo deserto. Não se espere encontrar a foz de um rio
derramando água fresca e farta sobre o oceano. O litoral da Namíbia tem apenas
dois rios perenes: O Cunene, ao norte que faz fronteita com Angola, e o Orange,
ao sul, que delimita a divisa com a África do Sul.
Entre ambos, só
o deserto e o seu punhado de rios
sazonais. O que já basta. Os especialistas chamam a esses rios de “ oásis
lineares”, responsáveis por abrigar quase toda a vida do Namib.
Também aparecem
leões, vieram do semi-árido, caminhando lentamente pelo leito dos rios até
chegar à costa.
E, como a vida
animal não é tão abundante como a da savana, tiveram de se adaptar ao cardápio
disponível. E acabaram descobrindo uma nova fonte de alimento nas focas e nas
baleias encalhadas que ocupam as praias da costa do Esqueleto. Refeição que
eles compartilham com hienas e chacais, Ali
Defendida por um
mar turbulento que atira qualquer barco contra a costa, tem sido ao longo dos séculos
cenário de vários naufrágios, que hoje são recordados pelos muitos restos de
navios que surgem presos nas armadilhas da areia da praia.
É a presença
destes destroços que dá origem ao nome desta longa linha de areia que se
estende até Angola : Costa dos Esqueletos.
Mais a sul fica a serra Parda, (22º
O
MAPA DE
HENRICUS MARTELLUS GERMANUS 1489
É
a seguinte a legenda da carta de Henricus Martellus, de 1489, da qual consta que
Diogo Cão, tendo colocado um padrão no Monte Negro ( o actual Cabo Negro )
seguiu avante mais mil milhas, até à Serra Parda e ali morreu:
“
ad hunc usquemontem qui vocatur niger pervenit classis secudi regis portugalie
cujus classis prefectus erat diegus canus qui in memoriam rei erexit colunam
marmoreã cum crucis in signe et ultra processit usque ad Serram Pardam que
distat ab mõte nigro mille miliaria et hic moritur”.
Correntemente:
“ Até este monte que se chama Negro chegou a armada do rei de
Portugal [ João ) segundo, da qual armada era comandante Diogo Cão, que erigiu
uma coluna de mármore com o sinal da cruz e seguiu avante até à Serra Parda,
que dista do Monte Negro mil milhas e aqui morre
“.
Esta
interpretação tem a seu favor certas afirmações contidas num parecer de
peritos espanhóis apresentada na conferência luso-espanhola de 1524, reunida
em Badajoz « .... Diogo Can .... em outro viagem desel dicho Monte Negro pasó
á Sierra Parda, donde muerio » Publicado por Navarrete
( Coleccion de los viages Y descubrimientos, tomo IV, pág.
Mas
outros aceitaram a leitura, segundo a qual a frase quereria dizer que aí
acabava a serra.
O
conhecimento de um mapa do cartógrafo veneziano Pietro Coppo, datado de 1520,
terá resolvido a questão ?!: aí está escrito “reversus est in regno”,
aludindo ao navegador, que assim volveu ao reino mas do qual nunca mais houve
notícia.
Pietro Coppo, terá mesmo resolvido a questão? Se Diogo Cão volveu ao reino, porque motivo desaparecem todas as menções oficiais do navegador? E como soube que volveu ao reino, uma vez que nessa data (1520), já se tinha passado 34 anos após a última viagem.

Deserto
da Namíbia – Calaári
Globo
terrestre de Martin Behaim (Martinho da Boémia), 1492
Museu
Nacional da Alemanha, Nuremberga