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Armas do rei de Portugal.
Vigoraram a partir do reinado de D. João II (1481-1495),
com algumas alterações durante
o
período filipino (1580 -1640). Iluminura extraída do Livro de Armas, da autoria de João
de Cros (1509), que se |
![]() |
Há
uma espécie de mistério sobre os acontecimentos náuticos dessa época
e, a isso não são estranhas as controvérsias políticas do reinado e a
necessidade de ocultar os conhecimentos portugueses a olhares cobiçosos de
estrangeiros.
As
delicadas relações com os reis de Espanha (os reis católicos Isabel e
Fernando de Aragão) concorreram para algumas das tramas que, nos estudos
posteriores, resultaram em grandes dificuldades de interpretação dos factos.
Poucos
anos após a morte do soberano, João de Barros confundia os acontecimentos,
descrevendo-os com pouca regra e com erros significativos.
As
"descobertas marítimas" — sobretudo depois de 1481 – envolviam
projectos ambiciosos que, a concretizarem-se, podiam representar uma vantagem
significativa dos portugueses no contexto das nações europeias daquela época.
É
natural que o rei português tentasse escondê-las de observações indiscretas,
sendo de admitir haverem causas que assumiam
proporções de confidencialidade
- segredo de estado, tal como aconteceu e acontece com muitas das descobertas
científicas do século XX.
Esta
é, seguramente, uma das possibilidades de interpretação da falta de
documentos acerca das viagens efectuadas no tempo de D. João II, embora não
sejam de pôr de parte as hipóteses que responsabilizam os problemas políticos
ocorridos com algumas das mais importantes casas nobres de Portugal ou ainda
outras causas que escapam à nossa observação actual.
Nos finais do séc. XIX, o epigrafista, Luciano Cordeiro, iniciou um estudo muito detalhado dos padrões que acima se refere, elaborando uma monografia,(Sociedade de Geografia), das viagens que Diogo Cão efectuou ao Sul do Equador.
É
a partir da referida (monografia) que se iniciou o conhecimento das datas em que
ocorreram a 1ª e a 2ª
expedições ( viagens) ao longo da costa, para além do paralelo 2º a
sul do Equador, abrangendo os actuais territórios do Gabão, Congo Brazaville,
Congo Zaire,
Angola e Namíbia.
Navegar
com bom tempo e vento de feição eram as condições ideias para o sucesso do
empreendimento.
(
I )“O padrão conhecido de S. Jorge foi erigido junto à foz da margem
esquerda do Rio Zaire ou Congo - Angola, num local conhecido por Moita Seca
(Ponta do Padrão), latitude 6º 2' 60"
Sul”.
(
II ) “O Padrão de Stº Agostinho foi erigido no Cabo do Lobo, depois chamado
de Cabo de Stª Maria a sul de Benguela -Angola, à Lat.
13º 25' sul”.
(
III ) “O Padrão do Cabo Negro, erigido a norte da Baía de Porto Alexandre,
actual Tombua- Angola, à latitude de 15º 42' Sul”.
(
IV)
“E por último
o Padrão do Cabo da Serra erigido no actual Cape Cross - Namíbia, à latitude
de 21º 47' sul”.
“Deste
modo, os dois primeiros erigidos na 1ª viagem ( 1482-1484) Os dois últimos
erigidos na 2ª viagem (1485-86-87)”.
A
de Nosso Sr. Jesus Cristo:
1482
O
ano de 1482, de Nosso Sr. Jesus Cristo, (era actual), marca o anos já
decorridos do nascimento de N.S. Jesus Cristo.
Este
Padrão está em mau estado de conservação.
Na
inscrição em português duas
datas –
6685 e 1485
“…Diogo
Cão, no retorno da segunda viagem subiu o Rio Zaire e foi visitar o Rei do
Congo, dando a entender que o navegador regressou ao reino”
Desconhece-se,
a data da chegada dos sobreviventes ao reino.
O
nome de João de Santiago, está registado nos rochedos de Ielala, fez parte da
2ª expedição de Diogo Cão.
Conclui-se
então, terem os sobreviventes da 2ª viagem de Diogo Cão, chegado ao reino
antes de Bartolomeu Dias partir em Agosto
de 1487, para a arrojada missão de encontrar a passagem para o oceano Índico.
«
Diogo Cão..... jaz
Esta
notícia foi mais tarde divulgada, por Gastão de Sousa Dias.
Ainda
hoje há a convicção de que o navegador não morreu no termo da segunda viagem,
e muitas pessoas acreditam ter Diogo Cão regressado dessa viagem.
De
facto, na igreja de S. Domingos, a meio da nave do Evangelho, existe um túmulo
embutido na parede sob um ornamentado arco, e uma inscrição de três linhas,
duas na face do tampo e a terceira no rebordo, achando-se esta última muito mal
conservada.
O
túmulo pertence à família Taveira de Magalhães. A letra da inscrição –
alemã minúscula – corresponde ao tempo de Diogo Cão?
O
sarcófago (túmulo) é de Pero Domingues, do qual se transcreve a incrição:
ESTA
OBRA MÃDOU FAZER D Aº E SUA MULHER BRÃCA DYZ
E JAZ SEU FILHO PERO DIZ QUE D(e)US AJAO
Assim sendo, o túmulo em questão não veio resolver o debatido problema sobre a morte de Diogo Cão.
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Sé Catedral de S. Domingos |
Túmulo de Pêro Domingues. Segundo a lenda pertence a Diogo Cão |
A
completa obscuridade que envolve a personalidade de Diogo Cão desde a sua última
viagem, continua assim por resolver?
Se voltou
ao reino, onde se encontra o seu túmulo?!
Ou
D. João II, fez desaparecer todas as menções do navegador, por causa de uma
hipotética errada informação?
“Ora
o que decerto não aconteceu foi o capitão levar nesse passeio fatal o roteiro
debaixo do braço”.
“..O
roteiro era um caderno no qual os capitães e pilotos anotavam dados referentes
à navegação, era um diário de bordo. E regressado a Portugal. O que,
aparentemente, não sucedeu. Ou regressou e desapareceu depois de ter regressado?
Eis o mistério”.
As
viúvas dos tripulantes desaparecidos no mar e além fronteiras recolhiam com
frequência aos mosteiros e conventos existentes em Portugal? Anotavam os
motivos pela opção da clausura? A entrevistada recolheu as informações em
alguma biblioteca do mosteiro ou convento? Eis a dúvida.
Com
base na "Oratio de Obedientia", pronunciada por Vasco Fernandes de
Lucena, durante a coroação do papa Inocêncio VIII, foi elaborada a teoria de
que Diogo Cão se tinha aproximado do Promontório Prasso, onde começa o Golfo
Arábico. (Mapa de Fra Mauro).
Chegado
à angra de Moçâmedes, Diogo Cão verificou nesta segunda viagem JAN1486, o
equívoco (engano). Acabavam de entrar numa larga angra a perder-se de vista,
cujo limite da costa se estendia para sul.
Depois
desta angra disseram “ reconhecemos a costa ainda mais mil milhas para sul e não
verificamos qualquer sinal da navegação para oriente ou norte”, o que
faz supor caso exista tal passagem, ela existir muito mais para sul ao
ponto onde chegamos Cabo da Serra lat. 22º
Ouvidas
estas explicações, o Rei e os cosmógrafos do reino,
ficaram surpreendidos?
Havia a certeza, de que na 1ª expedição, os portugueses se aproximaram do Promontório Prasso, já que a navegação termina num ponto onde a linha da costa (Mapa de Soligo) seguia a direcção do Norte.

O mapa mundi de Fra Mauro. Seta a tracejado o grande canal
(Ligação
do
oceano Atlântico ao Índico). Seta a vermelho o Promontório Prasso
Atingindo,
nesta 2ª viagem, o ponto antes reconhecido – O Falso Promontório Prasso- o
actual Cabo Saco na Baía de Moçâmedes, o navegador devia ter suposto achar-se
ante um mar aberto e portanto no fim de África(Cf. Fontoura da Costa – às
portas da Índia em 1483, págs, 41-50), os nautas verificaram a perder de
vista, o início de uma larga angra
( João de Lisboa) , cujo alargamento se dirigia para sul.
Diogo Cão
ultrapassa esse ponto e empurrará para além do paralelo 22 um reconhecimento
desesperado.
A costa
africana, a partir dali, apresenta para o visitante, apenas perfis áridos e
estende-se para Sul sem parar.
A
ilusão que os nautas tiveram dois
anos antes (Setembro 1483), deveu-se aos seguintes factos:
- O ponto
de convergência dos dois oceanos ( Atlântico e Indico ) é visível, no grande
mapa-múndi executado em 1459 pelo monge veneziano Mauro, a pedido de D. Afonso
V. ,situa-se a 15º de latitude sul, muito mais a norte do que na realidade.
-
Devido
ao mau tempo que nessa altura do ano
ali se fazia e faz sentir (Bruma/ névoa
ou nevoeiro cerrado), os nautas não obtiveram a necessária visão da baía.
A notícia,
divulgada por Vasco Fernandes de Lucena (sem porém, indicar o nome do capitão),
e que depois se revelou errada, teria causado a desilusão do monarca, e o
consequente desaparecimento de Diogo Cão da cena dos descobrimentos?
Compreende-se
a desilusão do rei D. João II, ele que tanta confiança depositara
O
desaparecimento de Diogo Cão, deve-se exclusivamente ao facto de não ter
regressado da 2ª viagem.
É
imperioso ter em conta a legenda do
"Insulário", de Henricus Martellus, e também uma afirmação contida
nos pareceres da Junta de Badajoz, em que menciona o falecimento de Diogo Cão
na região da serra Parda.
Com efeito, é mais plausível considerar o desaparecimento do navegador da cena dos descobrimentos, como devida à sua morte por terras africanas, depois da viagem iniciada em Setembro de 1485, do que como consequência da vingança do rei D. João II por causa de uma hipotética errada informação.
O
facto do navegador ter desaparecido de cena, é sustentada, apoiada e
consubstanciada pela política de
Segredo de Estado - confidencialidade, do reinado de D. João II.
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O rei não fizera o
recebimento nos Paços de Alcáçova, em Lisboa, dos sobreviventes agora
chegados, como desejava, a peste
ainda matava na capital e não podia correr riscos e, ali no Alentejo, embora as
casas fossem menos imponentes, o ar era mais saudável.
Recebeu
no Paço real o capitão substituto de Diogo Cão, Pero Anes, que detalhadamente
descreveu os acontecimentos.
Embora
consternado, não demonstrou qualquer atitude de desagrado.
Ouviu-o
atentamente e o seu pensamento logo se virou para Bartolomeu Dias de Novais, peça
fundamental de uma próxima exploração.
Como
o objectivo ainda não fora cumprido, a tão desejada ligação dos dois oceanos
(Atlântico e Índico ), contornando
a África pelo extremo Sul e
contactar o reino cristão do Preste
João situado algures na Etiópia, para uma futura base
na luta contra os inimigos da Fé Cristã, haveria que dar continuidade
à exploração da costa até que o mesmo fosse definitivamente
alcançado.
Apesar
das vicissitudes, a “Oração de obediência ao Papa Alexandre VII”,
proferida por Vasco Fernandes de Lucena (11
de Dezembro de 1485), em Roma, continuaria de pé. A frase chave utilizada por
D. João II “....mais vale
torcer do que ceder....”
Os
serviços de espionagem dos reinos da Europa gozavam de uma certa autonomia.
Espalhados por terras lusas, procuravam a todo o custo informações
preciosas das descobertas
portuguesas.
João
II, conhecedor desta saga de espiões,
não se deixava atormentar.
Rui Pina refere
«...Foi
príncipe mui justo e mui amigo de justiça e nas execuções dela mais rigoroso
e severo que piedoso, porque, sem alguma excepção de pessoas de baixa e alta
condições, foi dela mui inteiro executor, cuja vara e leis nunca tirou de sua
própria seda, para assentar nela sua vontade nem apetites, porque as leis que a
seus vassalos condenavam nunca quis que a si mesmo absolvessem.»
Gravuras de D. João II, rei
de Portugal (1481 – 1495)
Dizia
o Rei D. João II:
“
... lembrai-vos
de que o nosso embaixador Vasco Fernandes de Lucena o afirmou em público, no
ano passado, em Roma, diante do Papa Inocêncio VIII. Se Diogo Cão errou e não
encontrou a passagem, vamos ser motivo de zombaria para toda a Europa.
E
saía, de rompante, deixando os astrónomos consternados, a olhar com reprovação
para Mestre Vizinho que teria feito melhor em guardar para si as suas suspeitas
e maus agoiros,
em vez de os partilhar com Sua Alteza.
D.
João II, a sós na sua câmara, passeava de um lado para o outro, para dominar
os impulsos, temendo o malogro e o desfrute, sabia que não podia apresentar
pontos fracos na sua governação! O seu poder aumentara, com ele cresciam
igualmente os inimigos e os descontentes, sobretudo entre os poderosos do Reino
e os mais próximos da família.
Não
hesitara em cortar o mal pela raiz. Mandara prender por traição e condenar à
morte no cepo, o primo D. Fernando, 3º duque de Bragança, confiscando-lhe os
bens imensos em favor da Coroa.
Justiça
que manda fazer el-rei nosso Senhor – fora o pregão do rei de armas e dos
seus dois pregoeiros: - manda degolar D. Fernando, 3º duque que foi de Bragança
por cometer e tratar traição e perdição de seus Reinos de sua pessoa Real.
A
morte do duque revoltara os nobres e pouco tempo depois descobrira nova conspiração,
dessa vez para o assassinarem, mas ele adiantara-se de novo, apunhalando com a
sua própria mão o cunhado D. Diogo, duque de Viseu ( a Rainha D. Leonor ainda
lhe não perdoara a morte do irmão!).
Um
a um caçara
os restantes conspiradores e a todos mandara degolar em público, com pregão de
seu crime, excepto ao Bispo de Évora, o mais odioso dos seus inimigos, a quem
fez encerrar numa cisterna sem
água,
onde depressa morreu..... envenenado. Os que lograram fugir e esconder-se em
Castela, foram descobertos e apanhados por Pêro da Covilhã, o seu espião mais
eficaz.
Assim,
os seus aterrorizados opositores (se é que ainda restavam alguns depois da
limpeza que fizera), perderam o ânimo e converteram-se em vassalos submissos.
O
Reino e a Coroa ganharam finalmente a força e o poder que seu pai, o sonhador e
generoso D. Afonso V, conhecido por “O Africano”, havia deixado fugir para
as mãos gananciosas dos nobres, em mercês e privilégios.
“
Há tempos de coruja e tempos de falcão” costumava dizer e durante muito
tempo fora a coruja nocturna, dissimulada, observando e atacando em segredo, até
se sentir seguro no seu trono. Agora era tempo para os voos do falcão, cada vez
mais velozes e amplos, à conquista de céus longínquos e de outros terrenos de
caça. No entanto, para guardar esse poder, não podia cometer erros.
Tudo
seria esclarecido numa próxima exploração a enviar brevemente.
Para
além de novos recrutas fariam parte desta armada antigos marinheiros, de preferência
os melhores das viagens de Diogo Cão, tais como João de Santiago piloto
da naveta de mantimentos e tantos outros.
A
“oração de obediência” proferida pelo embaixador Vasco de Lucena, junto
da Stª Sé, manter-se-ia, deste modo o alarme dum pressuposto
sucesso já anunciado e não alcançado, era altamente prejudicial à política
seguida por D. João II
O
Rei classificara aquela
viagem de muito secreta.
Toda
a documentação:
mapas, roteiros, registos, foram sigilosamente guardados ou até levado
descaminho, (não existem documentos, quer na Torre de Tombo, quer em qualquer
outra parte),
para não comprometer o bom nome e a glória dos portugueses.
A
frota de Bartolomeu Dias larga o Tejo (Porto de Povos) em finais
de Agosto 1487, cinco meses depois, tinham ultrapassado o Cabo de Boa Esperança,
sem darem por isso.
Zarpando
para norte, a 3 de Fevereiro de 1488 chegam a uma angra a que dão o nome de S.
Brás, Mossel Bay de hoje.
Estavam
Ninguém
suspeitava que a pequena frota ( 2 caravelas) realizara
uma das maiores proezas navais de todos os tempos.
A
meados de Dezembro de 1488, arribam a Portugal.
D.
João II prudente, satisfeito com a notícia, logo mandou chamar ao Cabo das
tormentas, o Cabo de Boa Esperança.
Os
portugueses contornaram o extremo sul de África ligando os dois oceanos (Atlântico
versus Índico), abrindo definitivamente as
portas do caminho marítimo para a Índia.
O
Mapa de Fra Mauro, acabara de cair no esquecimento.
Conclusão:
Martelus
em (1489), limitou-se a registar um facto, a morte de Diogo Cão, e não em que
circunstâncias a morte se deu, assinalando que o navegador morrera ao
atingir a Serra Parda, depois de ter colocado um último padrão
no Cabo da Serra, actual
Cape Cross.
Esta
legenda foi muito contestada por vários autores, afirmando que a viagem aí
teria terminado, e não que Diogo Cão tivesse
morrido.
Consideram,
que o navegador regressou ao reino e dele nunca mais houve notícia, por
ter sido ostracisado por D. João II, pelo malogro da expedição.
Não
é certa a vinda do navegador para Portugal e muito menos
ostracisado pelo monarca português, pois os acontecimentos marítimos
desse tempo mantinham-se em segredo de estado.
Então
o que acontecera ao célebre Navegador?
Não
há dúvidas que os tripulantes sobreviventes dessa viagem regressaram ao reino,
antes de Bartolomeu Dias partir para a arrojada missão, da descoberta do célebre
Cabo da Boa Esperança”.
Como
se sabe, a viagem terminou
Assim,
a legenda constitui o documento chave e preponderante de toda a verdade. Diogo Cão
morrera no termo daquela viagem, ou por doença, ou por ter-se embrenhado por
terra a dentro e nunca mais aparecer.
Em
Portugal, não existem provas
do insigne navegador se encontrar sepultado em mosteiro, convento ou
igreja, bem como outras referências que justifiquem a tese de ter regressado
dessa viagem.
Porque
razão, em Portugal, não há conhecimento oficial da morte do navegador.
Parece
muito estranho.
Diogo
Cão deu tantas
alegrias ao Rei
de Portugal D. João II.
Os
seus actos heróicos assim o demonstram, (apresamento de navios espanhóis no
Golfo da Guiné, a descoberta de mais de
A
notícia divulgada pelos tripulantes ao regressar desta viagem atribulada, ter
Diogo Cão “embrenhando-se
por terra a dentro e nunca mais aparecer”, parece reunir o melhor consenso
para a explicação de tão insólito mistério.
O
que terá levado Diogo Cão a deixar a armada e decidido embrenhar-se por terra
a dentro?
Crê-se
não haver outra explicação, a não ser, por uma questão de Honra, o
sentimento que leva o homem a procurar a consideração pública pelo
cumprimento do dever da prática de boas acções e demonstrações de respeito
e dignidade.
Vir
de tão longe, chegar onde chegou e diante dele uma costa deserta sem o fim à
vista.
Acabava
de atravessar a costa mais deserta e traiçoeira alguma vez vista, (a actual
costa dos esqueletos), onde ao longo dos tempos por ali vão deambulando
carcaças de barcos desfeitos pelo mar bravio nos areais sem fim.
Costa
dos Esqueletos - Namíbia
A
sagrada esperança do continente africano inflectir para Oriente ou Norte,
sentimento à muito procurado, desde a Baía de Moçâmedes, não chegara ao seu
termo.
Os
nautas encontravam-se perante uma grande colónia de focas e leões marinhos,
que em toda a extensão do cabo da Serra ocupavam ordeiramente as suas
posições.
Junto
ao cabo, desembarcaram na praia onde o mar é mais sereno e durante algum
tempo folgaram erguendo
o último Padrão, conhecido pelo Padrão do Cabo da Serra.
Diogo
Cão, entendeu não avançar mais.
A
costa inóspita e deserta onde se encontravam não oferecia aos visitantes
quaisquer meios de subsistência. (a não ser pescado em abundância e em último
recurso a colónia de focas).
Dunas do deserto do Calaári
- Namíbia
Talvez,
com o intuito de observar lá do cimo,
a linha da costa mais para sul, decidiu embrenhar-se por terra a dentro
em direcção à Serra. Do alto, o campo de visão torna-se mais amplo. Observação
directa, que pode resultar na esperança de observar in
loco uma abrangência mais definida e ampla
da costa a inflectir para oriente
ou norte?
Ninguém
o seguiu, nem a sua guarda pessoal,
pois o mestre não o consentira.
Enquanto
se embrenhava, deixou de ser visto por aquelas elevações de terreno, que ora
aqui e ali o encobriam dos olhares atentos dos marinheiros.
Perto
da Serra ou já de regresso foi atacado
por um grupo de leões famintos.... ou na encarniçada caminhada, sob um calor
ardente,
se esvaneceram as suas forças, ficou
inanimado para sempre longe dos olhares dos marinheiros?!....
Nas
aturadas buscas para o interior, os nautas observaram grandes dunas do deserto,
orvalho matinal aninhado na vegetação rasteira, e falésias como que a
indicarem leitos de rios que outrora por ali passaram.
Falésias do deserto do Calaári
Diogo
Cão acabara de desaparecer sem deixar rasto.
Os
nautas seguiram até à ponta dos Farilhões (última etapa conhecida no mapa de
Martellus), as caravelas retrocederam.
A
adversidade da costa desértica e o mar bravio não permitia aos mareantes
permanecer por ali por mais tempo.
Naquela
costa traiçoeira, de dia
referenciaram cabos e angras, à noite
ancoragem em alto mar de velas desfraldadas, a costa não oferecia
enseadas e portos seguros, para protecção das caravelas.
A
aproximação à costa tinha como
prevenção a medição constante da fundura (braças), para os barcos não
encalharem.
O
espaços a partir do deserto do Namibe ( Moçâmedes) e
deserto do Calaári,
são ocupados por vegetação
rasteira onde abunda a Welwitchia
Mirabilis, as acácias e outras espécies
espinhosas.

.
Welwitchia
Mirabilis - Planta que só existe no deserto de Namibe
( Moçâmedes) e
deserto do Calaári

(Acácias
O
Mapa de Henricus Martelus , tem sido interpretado ao longo dos tempos como sendo
uma alusão
que a 2ª viagem teve o seu “términus” – fim – morte, por
alturas da Serra Parda- Namíbia, e não que o navegador aí tivesse morrido.
Parece
que os apologistas desta teoria, lendo e relendo as Décadas da Ásia
de João de Barros, sempre acreditaram (acreditam) que Diogo Cão depois
de ter atingido a latitude da Serra Parda, o Cabo do Padrão da Serra hoje Cape
Cross, voltou para trás e terá subido o Rio Zaire à procura do Manicongo –
Rei do Congo na sua residência (M’Banza), e que depois disto volveu ao reino
e dele (navegador) nunca mais houve notícia.
Diogo
Cão comprometera-se demasiado, também por culpa dos melhores da frota,
ao anunciar a D. João II, em Abril de
À
luz dos documentos daquele tempo, considerando “O Mapa de Fra Mauro”, e a
“Oração de Obediência ao Papa”, os portugueses estavam a alguns dias de
navegar pelo
golfo arábico.
Esta
notícia terá provocado um espanto geral na corte do Papa? Jamais alguém teria
ido tão longe por mar, como os portugueses.
Nessa
2ª viagem, Diogo Cão e os nautas convencidos e animados que estavam,
depois de terem dobrado o cabo Saco, ficaram perplexos (desiludidos) ao
verem diante de si uma grande baía e a linha da costa a indicar o sul.
Depois
desse cabo, uma larga angra a perder-se vista,
descrevendo uma tranjectória (arco de
A
terra continuava sem qualquer espécie de arvoredo, estendendo-se o areal sem
fim.
Tamanha
desilusão, terá provocado a apreensão geral da tripulação.
Seguindo
a direcção do sul, dão com um cabo, onde implantaram o Padrão do Cabo Negro.
Depois
entram numa angra, onde observam duas aldeias.
Os
habitantes locais viviam miseravelmente da pesca e moravam em sebas (construídas
à base de esqueletos dos cetáceos), cobertas da própria areia da praia.
Os
nautas não
sabiam que a partir dali a vida das tripulações iria tornar-se
hora a hora mais dura e o esforço de continuar a navegação corresponderia
porventura a perdas importantes de entre a gente que as compunha.
Sem
recursos
(víveres e escassez de água), a viagem não podia ir mais além,
onde
chegaram.
Diogo
Cão, cedendo à forças da natureza, porque não era de fácil contentamento,
decidiu explorar aquela zona interior da Serra Parda, talvez com o intuito de
avistar lá do cimo, uma amplitude mais vasta do horizonte da costa para sul?!
Envolto
no mistério, seguiu em frente e desapareceu, deixando de ser visto pela bruma (névoa)
do deserto ou pelas grandes dunas.
A
caminho da Índia (frota de Pedro Álvares Cabral),
Vasco
da Gama, o primeiro europeu a atingir a Índia por mar, 20 de Maio de 1498,
morreu em Cochim (Índia) 24 de Dezembro de 1524.
Transladado em 1539
para a Vidigueira aí permaneceu até 1889. Hoje, os seus
restos mortais
repousam no mosteiro dos Jerónimos (Lisboa).
Pedro
Álvares Cabral, foi
sepultado em Santarém, igreja de Nª Srª da Graça.