Pelo
Dr. João Emanuel Moniz Campos
Décimo
quarto neto descendente de João Vaz Corte Real
Sociedade
de Geografia de Lisboa, Portugal
Aqui estou, inesperadamente,
na vossa presença! Conduzido pelo Exmo. Sr. Dr. Manuel Luciano da Silva, médico
e historiador distintíssimos, que há mais de quarenta anos, se vem dedicando a
profundas e frutuosas pesquisas históricas, relacionadas com a Epopeia dos
Descobrimentos Portugueses, defendendo que foram os Corte Reais os descobridores
da América.
O ilustríssimo fundador
desta Comissão, Almirante Gago Coutinho, partilhava desta mesma certeza, ao
afirmar peremptoriamente: ”Baseado na minha experiência náutica e técnica,
acho que os Corte Reais são os descobridores irrefutáveis da América.”
Há
mais de quarenta anos, ao ler o seu livro: “Os Pioneiros Portugueses e a Pedra
de Dighton”, considerado pela imprensa americana como importante contribuição
para a História da América, fiquei a conhecer o Ilustríssimo Dr.
Penso com sinceridade, ter
Portugal uma grande dívida de gratidão, para com este português de fibra, que
mesmo longe da Mãe Pátria, se desdobra para tornar justamente conhecida, num
grande país como são os Estados Unidos da América, a Gesta dos Descobrimentos
Portugueses.
A minha presença aqui tem
como objectivo oferecer à Comissão de Estudos Corte Reais da Sociedade de
Geografia, por sugestão do meu ilustríssimo amigo Sr. Dr.
Desde que me conheço
encantam-me os estudos no campo da investigação e ciência histórica. Sempre
que me é possível, leio as melhores obras que nesse campo vão aparecendo.
Se na realidade me encanta
toda a temática histórica, de modo muito particular, desperta a minha atenção,
tudo o que diga respeito à família Moniz Corte Real, visto que sou trineto de
João Moniz de Sá Corte Real, 11º Morgado Moniz Corte Real, e de sua mulher D.
Ana Augusta de Bettencourt. Neto portanto em 14ª geração de Henrique Moniz,
Alcaide Mór de Silves, e de sua mulher D. Ignêz de Meneses Barreto, filha do
Alcaide Mór de Faro. O filho destes, Guilherme Moniz Barreto, casa com D. Joana
Vaz Corte Real, meus avós em 13ª geração, e vão fixar-se em Angra do Heroísmo,
onde residia João Vaz Corte Real, grande Navegador da Gesta dos Descobrimentos,
Donatário de Angra e Ilha de S. Jorge, pai de D. Joana Vaz Corte Real, e como
tal meu avô em 14ª geração. Desde Guilherme Moniz Barreto e D. Joana Vaz
Corte Real, até meu trisavô João Moniz de Sá Corte Real, 11º Morgado Moniz
Corte Real, sucederam-se 11 gerações. Como eles nasci em Angra do Heroísmo,
na Ilha Terceira, Arquipélago dos Açôres. Como meu pai era funcionário das
Finanças, por conveniência de serviço foi transferido para Portugal
Continental, para onde vim com três anos de idade.
Na Vila de Sintra vivi
grande parte da minha infância e toda a juventude. Aqui inicialmente senti
inclinação para a carreira das armas, onde tinha todo o apoio familiar, pois
meu primo por parte de minha avó, o General Adolfo do Amaral Abranches Pinto
era então Ministro do Exército, e por fim Embaixador de Portugal em Londres.
Porém, a esta inclinação
natural para a carreira das armas, sobrepôs-se uma vocação religiosa, que
meus pais respeitaram. Motivado por essa vocação religiosa frequentei, para além
do Externato Académico de Sintra, os Seminários do Patriarcado de Lisboa:
Santarém, Almada, Olivais e Universidade
Católica. Nos Seminários do Patriarcado de Lisboa pertenci ao Curso de São
Pio X, onde fui colega de D. José da Cruz Policarpo, actual Cardeal Patriarca
de Lisboa. Não cheguei a ser ordenado Sacerdote por motivos de saúde. Acometeu-me
um esgotamento cerebral já nos Olivais, onde então cursava Teologia.
Completamente restabelecido, tendo faltado meu pai, fiquei à frente de minha
família, cabendo-me o dever de criar e educar meus irmãos muito mais novos.
Presentemente estou aposentado como Verificador Especialista da Direcção Geral
das Alfândegas. Estes meus trabalhos, a leitura de livros antigos, a consulta
de arquivos históricos, têm sido uma boa ocupação dos meus poucos tempos
livres.
Antigamente evitava abordar
estes temas receando, por deformação, que tal fosse pecado de vaidade. Hoje não
penso assim, considero até muito saudável contemplar os feitos gloriosos dos
nossos antepassados, e sentir a alegria e o dever de sermos, por dádiva
gratuita de Deus, seus dignos continuadores, claro está, cada um dentro das
suas próprias limitações.
Tenho alguns trabalhos com a
sucessão de gerações de pais para filhos, e seu enquadramento na época em
que viveram, e suas ligações laterais. Junto ao meu trabalho ofereço, quatro
desdobráveis: O 1º com a genealogia de Henrique Moniz, Alcaide Mór de Silves,
e de sua mulher D. Ignêz de Meneses Barreto, meus avós em 14ª geração; o 2º
com a genealogia de Sebastião Moniz Barreto, 2º Morgado Moniz Corte Real em
Angra do Heroísmo, e de sua mulher D. Joana Meneses da Silva, meus avós em 12ª
geração, onde consta a sua ascendência e descendência nas linhas dos Reis de
Portugal, Reis de Oviedo, Leão, Astúrias e Galiza, pelos costados Meneses e
Silva. No 3º desdobrável consta a ligação das famílias Moniz Corte Real com
os Bettencourt, pelo casamento de Manoel Diogo Moniz Barreto Corte Real, 9º
Morgado Moniz Corte Real, com D. Joana Luísa de Meneses, filha de António de
Sousa Meneses, e de D. Luiza Rosa de Bettencourt. Neste desdobrável está ainda
patente a ligação com os Silveiras e com os Pamplonas. Os Silveiras são
descendentes de Willem van der Haghe ou Haagen, ou Guilherme da Silveira, como
em Portugal ficou sendo conhecido, fidalgo vindo da Flandres a quando do
povoamento dos Açores. No 4º, e último desdobrável, podemos constatar a ligação
da família Moniz Corte Real com os Zarco, que na Madeira tomaram o sobrenome de
Câmara, ligação esta que se concretizou pelo casamento de D. Maria Josepha da
Câmara de Sá Salazar, com António Moniz Barreto Corte Real, 7º Morgado Moniz
Corte Real.
Nestes quatro desdobráveis
genealógicos, analisando a sucessão de casamentos e gerações, visualizados
em simultâneo e com sequência, é evidente que nestes “ Moniz “
descendentes de Henrique Moniz, Alcaide Mór de Silves, e de sua mulher D. Ignêz
de Meneses Barreto, filha do Alcaide Mór de Faro, corre ainda o sangue de D.
Afonso Henriques, e de D. Sancho I, Reis de Portugal, visto que D. Sancha Moniz,
avó destes Moniz, é irmã de D. Teresa Afonso, mãe do primeiro Rei de
Portugal, e ambas filhas de D. Ximena Moniz.
D. Sancha Moniz, filha do
primeiro casamento de D. Ximena Moniz com D. Moninho Fernandes, filho natural de
D. Fernando Magno, Rei de Castela Leão e Astúrias; D. Teresa Afonso, filha de
D. Ximena Moniz, e de D. Afonso VI, Rei de Leão e Castela, e irmão de seu
falecido primeiro marido D. Moninho Fernandes.
Netos de D. Sancho I, Rei de
Portugal, visto que D. Teresa Sanches, avó destes “ Moniz,“ é filha de D.
Sancho I, e de D. Maria Paes de Ribeiro, tetraneta de D. Fernando Magno, Rei de
Castela, Leão e Astúrias.
Estes de apelido Moniz são
ainda netos de D. Diniz, 6º Rei de Portugal, visto que sua bisneta, D. Maria
Afonso de Albuquerque é neta de D. Afonso Sanches, filho predilecto de D.
Diniz, e casou esta D. Maria Afonso de Albuquerque, com D. Gonçallo Telles de
Meneses, 1º Conde de Neiva e Faria, avô destes “ Moniz, “ e irmão da
Rainha D. Leonor Telles de Meneses, casada com El Rei D.Fernando, deste modo
tios avós destes “Moniz.”
Nestes
“ Moniz “ corre ainda o sangue de D. Fernando Magno, Rei de Castela, Leão e
Astúrias, visto que D. Sancha Moniz, sua avó, é filha de D. Moninho
Fernandes, filho Del Rei D. Fernando Magno, e casou ainda com seu primo direito,
o Conde D. Osório de Cabreira e Ribeira, filho da Infanta D. Elvira, e neto,
como sua mulher e prima, de D. Fernando Magno, Rei de Castela, Leão e Astúrias.
Na
sucessão de casamentos e gerações mais próximas de Henrique Moniz, constata-se
que é filho de Vasco Martins Moniz, fidalgo da Casa de D. João I, Rei de
Portugal, e de D. Brites Pereira, filha de Payo Pereira e de D. Leonor Fermosa,
e sobrinha de D. Nuno Álvares Pereira, Condestável do Reino de Portugal.
Henrique Moniz, sobrinho neto de D. Nuno Álvares Pereira, é irmão de Vasco
Martins Moniz, que casou com D. Aldonça Cabral, filha de Fernando Álvares
Cabral, avô de Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil. Este irmão de
Henrique Moniz, é avô dos Duques de Cadaval, pois sua filha D. Joana Pereira,
sobrinha de Henrique Moniz, casou com D. Francisco de Almeida, 1º Vice Rei da
Índia, e a filha destes, D. Leonor de Almeida casada com D. Rodrigo de Mello, 1º
Conde de Tentúgal e Marquês de Ferreira, vem a ser avó dos Duques de Cadaval.
Diogo Moniz, filho de
Henrique Moniz, é cunhado de Vasco da Gama, pois casou com D. Madalena de Ataíde,
irmã de Catarina de Ataíde, mulher de Vasco da Gama. Este Diogo Moniz, Alcaide
Mór de Silves e sua mulher D. Madalena de Ataíde, são avós em 15ª geração
da minha sobrinha Adelaide Moniz Corte Real Gomes, e como tal, ela é, por
afinidade, sobrinha neta em 15ª geração do Navegador Vasco da Gama, patrono
do Colégio que presentemente frequenta. Abrindo o 1º desdobrável: Genealogia
de Henrique Moniz, Alcaide Mór de Silves e de sua mulher D. Ignêz de Meneses
Barreto…, que junto, visualiza-se em simultâneo e com sequência o que fica
dito.
Vasco Martins Moniz, filho 3º
de Henrique Moniz, casou com D. Brites, e sua filha D. Isabel Moniz, casou com
Bartolomeu Perestrelo, Donatário de Porto Santo, cuja filha D. Filipa Moniz,
casou com o Navegador Cristóvão Cólon (Colombo). Seu filho Diogo Cólon
(Colombo) Y Moniz casou em Espanha com D. Maria Toledo, filha de Fernando
Toledo, sobrinha do Duque de Alba, e são origem dos Duques de Verágua.
Guilherme Moniz Barreto,
filho 2º de Henrique Moniz, casou com D. Joana Vaz Corte Real, filha de João
Vaz Corte Real, Navegador e Donatário de Angra e Ilha de S. Jorge, de quem é
neto em 10ª geração João Moniz de Sá Corte Real, 11º Morgado Moniz Corte
Real, meu trisavô.
Existe ainda em Espanha, um
outro ramo da família Moniz Corte Real, descendentes de D. Margarida Corte Real
e de seu marido Cristóvão de Moura, 1º Marquês de Castelo Rodrigo. Seu filho
Manoel de Moura Corte Real, 1º Conde de Lumiares, 2º Marquês de Castelo
Rodrigo, 6º Donatário de Angra, casou com D. Leonor de Mello, filha de Nuno Álvares
Pereira de Mello, 3º Conde de Tentúgal, e portanto tetraneta de Vasco Martins
Moniz, irmão de Henrique Moniz, Alcaide Mór de Silves, meu avô em 14ª geração,
e avô em 5ª geração do 1º Duque de Cadaval. Este ramo constituído por
Manoel de Moura Corte Real, 1º Conde de Lumiares, e 2º Marquês de Castelo
Rodrigo e D. Leonor de Mello, após a restauração de Portugal em 1640, viu
serem-lhes confiscados em Portugal seus bens, incluindo a quinta do actual Palácio
de Queluz. Este ramo radicou-se em Espanha. D. Manoel de Moura Corte Real foi
Vedor da Fazenda de Filipe IV, Rei de Castela, e deixou geração ilustre em
Espanha.
No segundo desdobrável
genealógico que ofereço, consta a ascendência e descendência de Sebastião
Moniz Barreto, 2º Morgado Moniz Corte Real em Angra, e de sua mulher D. Joana
Meneses da Silva, nas linhas dos Reis de Portugal, Reis de Oviedo, Leão, Astúrias
e Galiza, pelos costados Meneses e Silva. A observação destes desdobráveis dá-me
espiritualmente uma certa alegria constatar que sou sobrinho neto em 16ª geração
do Beato D. Nuno Álvares Pereira, e primo em 2º grau e em 16ª geração de
Santa Beatriz da Silva e de seu irmão o Beato Amadeu. O pai destes dois Santos,
Ruy Gomes da Silva, Alcaide Mór de Campo Maior, é meu primo direito em 17ª
geração.
Ayres Gomes da Silva, e D.
Brites de Meneses, meus avós em 16ª geração, foram com os monges de S. Jerónimo
os fundadores do Mosteiro de São Marcos, sito na Diocese de Coimbra. O Convento
de São Marcos teve origem na instituição, feita em 1441 por João Gomes da
Silva, de uma capela na sua quinta de São Marcos, em S. Silvestre, termo de
Tentúgal, à satisfação de cujos encargos obrigou aquela sua quinta e outras
propriedades de que nomeou administrador seu filho Ayres Gomes da Silva. D.
Fernando Coutinho, Bispo de Lamego e depois de Silves, é meu tio avô em 14ª
geração, visto que é irmão de Gonçallo Gomes da Silva, Alcaide e Senhor de
Abiul, meu avô em 14ª geração e ambos são filhos de João Gomes da Silva,
Alcaide Mór de Montemor O Velho e de D. Branca Coutinho.
Este João Gomes da Silva,
Alcaide Mór de Montemor O Velho, Alcaide de Sintra desde 1461, e sua mulher D.
Branca Coutinho, meus avós em 15ª geração, têm uma filha D. Brites da Silva
que casou com D. Manoel de Mello, Alcaide Mór de Olivença, portanto meus tios
avós em 14ª geração, e são também progenitores dos Condes de S. Lourenço,
dos Marqueses de Sabugosa e dos Condes do Cartaxo.
D. Isabel de Meneses da
Silva, irmã de João Gomes da Silva, Alcaide Mór de Montemor O Velho, meu avô
em 15ª geração, casou com D. Rodrigo de Mello, 1º Conde de Olivença, por
mercê de D. Afonso V, de quem foi Aio e Guarda Mór, como tal meus tios avós
em 15ª geração e também progenitores dos Duques de Cadaval. Analisemos pois
a sua descendência:
Sua filha D. Filipa de
Mello, casou com D. Álvaro de Portugal, filho de D. Fernando, 2º Duque de
Bragança, e de sua mulher D. Joana de Castro;
Deste matrimónio entre
outros nasceu D. Rodrigo de Mello, 1º Conde de Tentúgal, que casou com D.
Leonor de Almeida, filha de D. Francisco de Almeida, 1º Vice Rei da Índia, e
de sua mulher D. Joana Pereira, filha de Vasco Martins Moniz, sobrinha do irmão
de seu pai, Henrique Moniz, Alcaide Mór de Silves, e de sua mulher, D. Ignêz
de Meneses Barreto, filha do Alcaide Mór de Faro;
Sucedeu a seu pai, como 2º
Conde de Tentúgal e 1ºMarquês de Ferreira, D. Francisco de Mello, que casou
com D. Eugénia de Mendonça, filha de D. Jaime, 4º Duque de Bragança e de D.
Jerónima de Mendonça;
D. Nuno Álvares Pereira de
Mello, 3ºConde de Tentúgal, 2º Marquês de Ferreira, casou com D. Mariana de
Castro, filha de D. Rodrigo Osório de Muscoso, Conde de Altamira e de D. Isabel
de Castro, filha de D. Fernando, Conde de Lemos;
D. Francisco de Mello, 4º
Conde de Tentúgal e 3º Marquês de Ferreira, do Conselho de D. João IV, casou
com sua prima D. Maria de Muscoso, filha de D. Lopo Osório de Muscoso, 4º
Conde de Altamira;
D. Nuno Álvares Pereira de
Mello, 5º Conde de Tentúgal, 4º Marquês de Ferreira, e 1º Duque de Cadaval.
O Infante D. Henrique, ao
falecer na sua Vila de Sagres, a 13 de Novembro de 1460, por testamento deixou:
a conquista de novas terras à Coroa Portuguesa, então cingida por El Rei D.
Afonso V, seu sobrinho, filho Del Rei D. Duarte; a outro sobrinho, o Infante D.
Fernando, filho do mesmo Rei D. Duarte, casado com a Infanta D. Brites ou D.
Beatriz, a quem o Infante D. Henrique adoptou e, no dizer de escritores antigos,
amava com excessos de pai, deixou o Mestrado da Ordem de Cristo, com as Ilhas da
Madeira, Porto Santo, Cabo Verde, S. Tomé , e Açores.
O Infante D. Fernando embora
muito ocupado, bem como El Rei seu irmão com a guerra de Ceuta, não descurou o
povoamento da Ilha Terceira e para lá enviou Álvaro Martins Homem, fidalgo de
sua casa. Este apenas chegou, começou a empossar-se da parte de Angra,
construindo as suas casas, fazendo nestas obras um gasto considerável, que
depois lhe pagou João Vaz Corte Real. Vaga a Capitania por desaparecimento de Jácome
Bruges, sucederam-lhe João Vaz Corte Real e Álvaro Martins Homem como
recompensa dos seus serviços á Coroa Portuguesa. Por morte do Infante D.
Fernando, passou o governo dos Açôres à sua esposa Infanta D. Brites, na
menoridade do Duque de Viseu, D. Diogo seu filho.
A
Infanta D. Brites dividiu a Ilha Terceira
João
Vaz Corte Real, na qualidade de 1° Capitão Donatário de Angra, e sua mulher
D. Maria Abarca, acompanhados de grande comitiva, desembarcaram em Angra no ano
de 1474.
Em Angra nasceram seus filhos, excepto Vasco Annes Corte Real, que é natural de Tavira.
Gaspar
Corte Real foi o primeiro filho a nascer em Angra “ saiu no ano de 1500 do
Tejo, num navio segundo Damião de Goês e Jerónimo Osório, ou partiu da Ilha
Terceira, com dois navios armados à sua custa no dizer de António Galvão, em
direcção ao Norte, chegando a uma região do Continente Americano, que
descobriu e a que os escritores antigos chamaram de Terra Verde, ora de Terra
Nova" ou ainda Terra de Lavrador, ou Terra do Bacalhau. Gaspar Corte Real
voltou a Portugal em 1501, e partindo novamente para aquelas paragens, nunca
mais se soube dele, nem dos navios de que se compunha a sua armada. A 3 de
Janeiro de 1488, 9 de Junho de 1493, 2 de Janeiro de 1497 e 23 de Março de 1499
estava Gaspar Corte Real em Angra, como o comprovam as cartas de sesmaria, que têm
as mencionadas datas, e pelas quais Gaspar Corte Real, como lugar tenente de seu
pai, fez doação de várias terras a diferentes colonos da Ilha Terceira.
Gaspar Corte Real não casou, e não existe hoje descendência sua.
Miguel
Corte Real, nasceu na Ilha Terceira, e como seu irmão foi arrojado navegador.
Partiu de Lisboa em 10 de Maio de 1502, com navios armados à sua custa, à
procura do seu irmão Gaspar Corte Real, e como ele, não voltou ao Reino de
Portugal.
Foi
casado com D. Izabel de Castro, filha de D. Garcia de Castro, do seu 2°
casamento com D. Catharina da Costa. Este D. Garcia de Castro é irmão do 1°
Conde de Monsanto. Deste casamento de Miguel Corte Real com D. Izabel de Castro,
nasceram duas filhas: D. Catharina de Castro Corte Real, que casou com D. Diogo
de Mello da Silva, veador da Rainha D. Catharina, mulher de D. João III, e
deles nasceram: D. Christóvão de Mello, que casou com D. Catharina de Barros,
com geração; Garcia de Mello que casou com D. Felipa Soares, e tiveram: Pedro
de Mello; Ignácio de Mello, ambos sem geração; D. Maria, freira na Esperança
de Lisboa, e Diogo de Mello, sem geração.
Na
Ilha Terceira, ainda nasceram três filhas, a João Vaz Corte Real e sua mulher
D. Maria Abarca. Foram elas: D. Joana Vaz Corte Real; D. Iria Corte Real; e D.
Izabel Corte Real.
D.
Joana Vaz Corte Real, casou com Guilherme Moniz Barreto, filho de Henrique
Moniz, Alcaide Mór de Silves, e de D. Ignêz de Meneses Barreto, filha do
Alcaide Mór de Faro. Guilherme Moniz Barreto e D. Joana Vaz Corte Real, são
meus avós em 13ª geração, como se vê nos quadros e desdobráveis genealógicos
que junto, e onde consta sua descendência até aos nossos dias. Desde Guilherme
Moniz Barreto e D. Joana Vaz Corte Real, até meu trisavô João Moniz de Sá
Corte Real e sua mulher D. Anna Augusta Bethencourt, 11º Morgados Moniz Corte
Real sucederam-se mais 10 gerações. D. Adelaide Moniz de Sá Corte Real, minha
bisavó, filha de João Moniz de Sá Corte Real, e de D. Anna Augusta de
Bethencourt, casou com Joaquim Borges de Lemos Fagundes, neto em 11ª geração
de Rodrigo Affonso Fagundes, fidalgos de Merufe, no extinto julgado da Feira,
pagem do Infante D. Henrique, seu mestre na astrologia judiciária, segundo
autores antigos. Rodrigo Affonso Fagundes, já viúvo, após a morte do Infante
D. Henrique, passou à Ilha Terceira, trazendo consigo as suas duas filhas: D.
Izabel Rodrigues Fagundes, avó em 10ª geração de Joaquim Borges de Lemos
Fagundes; e D. Ignêz Rodrigues Fagundes, que casou com Affonso Gonçalves de
Antona Baldaya.
Olympio Moniz Borges de Lemos, meu avô,
é filho de Adelaide Moniz de Sá Corte Real e de Joaquim Borges de Lemos
Fagundes, neto de João Moniz de Sá Corte Real, 11º Morgado
Moniz Corte Real e
de D. Anna Augusta de
Bettencourt, casou com D. Maria das Mercês Pinto Campos, filha de Alfredo Luís
Campos, autor da Memória da
Visita Régia Á Ilha
Terceira, e de sua mulher D. Carlota Augusta de Sousa Pinto. Alfredo Luís
Campos, meu bisavô por parte de minha avó, é filho de Frederico Ferreira
Campos, nascido a 21 de Janeiro de 1809, na Freguesia de
Nossa Senhora do Amparo, Benfica, em Lisboa, e que fez a sua carreira literária
Frederico Ferreira de
Campos, meu trisavô, é filho de João Ferreira de Campos, nascido na 2ª
metade do século XVIII, na cidade de Lisboa, na Freguesia de São Julião. Em
1809 temos notícia que residia na sua Casa de Alfarrobeira, sita em Benfica,
Freguesia de Nossa Senhora do Amparo, com sua mulher D. Victorine de Couvreur,
nascida a 10 de Janeiro de 1775, na Freguesia das Mercês, em Lisboa, filha de
Diegue Louis Le Couvreur e de Geneviève Anne Françoise.
Deste casamento procede
numerosa e ilustre geração que no continente se ligou a antigas casas
titulares, designadamente à dos Marqueses de Belas, Condes de Pombeiro e
Viscondes de Villa Mayor, e na Ilha Terceira com as ilustres famílias: Moniz,
Borges, Fourniers, Pereiras, Sieuves e Teixeiras de Sampaio.
Além de Frederico Ferreira
de Campos, nasceram deste matrimónio mais dois filhos, João Ferreira de Campos
e D. Emília Ferreira de Campos.
João Ferreira de Campos,
General, Professor de Matemática, formado na Universidade de Coimbra, Oficial
de Marinha e depois do Exército. Marechal de Campo, Lente da Real Academia da
Marinha, Professor de Matemática dos Reis D. Pedro V e de D. Luís I,
Comendador da Ordem de Avis.
D. Emília Ferreira de
Campos, foi Viscondessa de Cartaxo pelo seu casamento com Luís Teixeira de
Sampaio, 1º Visconde de Cartaxo. Sua sobrinha, D. Maria Luiza de Noronha e
Sampaio, filha de seu cunhado, Henrique Teixeira de Sampaio, Barão de Teixeira
e Conde da Póvoa, foi Duquesa de Palmela pelo seu casamento com Domingos António
Maria Pedro de Sousa Holstein, 2º Duque de Palmela.
Foi esta sobrinha de D. Emília
Ferreira de Campos, que herdou pela morte de seu pai, Henrique Teixeira de
Sampaio, Barão de Teixeira e Conde da Póvoa, o Palácio, hoje conhecido como
Palácio de Palmela, onde está instalada a Procuradoria Geral da República.
Este Palácio só passou a chamar-se Palácio de Palmela, após o casamento de
D. Maria Luiza de Noronha e Sampaio com o 2º Duque de Palmela.
Do
matrimónio de Olympio
Moniz Borges de Lemos, neto
de João Moniz de Sá Corte Real,11º Morgado Moniz Corte Real, com D. Maria das
Mercês Pinto Campos, foi filho primogénito, minha mãe, D. Nívea Moniz Campos
de Lemos, bisneta portanto de
João Moniz
de Sá Corte Real,11º Morgado Moniz Corte Real e de sua mulher D.Anna
Augusta de Bettencourt, que casou com João de Deus da Silveira Gomes, filho de
José Maria Gomes, e de D. Ana Etelvina da Silveira Borges. Deste matrimónio,
sou eu, João Emanuel Moniz Campos Gomes, filho primogénito vivo, portanto
trineto primogénito vivo de João Moniz de Sá Corte Real, e de D. Anna Augusta
de Bethencourt, 11º Morgados Moniz Corte Real.
D.
Iria Corte Real, 2ª filha de João Vaz Corte Real, casou com Pedro Goês da
Silva, que em 1526, por ciúmes, ao que parece infundados, " a assassinou
mal e como não devia", segundo rezam as crónicas. Não me consta que
tenha havido descendência deste matrimónio.
D.
Izabel Corte Real, 3ª filha de João Vaz Corte Real, foi casada com Józ D'Utra,
2° Capitão Donatário das Ilhas do Faial e Pico, por carta régia de 31 de
Maio de 1509, confirmado por outra de 22 de Outrubro de 1528. Tiveram: Manoel
D'Utra Corte Real, 3° Capitão Donatário das Ilhas do Faial e Pico, por carta
régia de 1550. Casou com D. Maria Vicente, e tiveram: Gaspar d'Utra Corte Real,
casado em Lisboa com D. Elisa ou Helena Nunes Homem, que por sua vez tiveram uma
única filha, que veio a falecer sem geração, e de seu nome D. Luiza d'Utra
Corte Real; Jerónymo d' Utra Corte Real, 6° Capitão Dontário das Ilhas do
Faial e Pico, por confirmação régia de 15 de Junho de 1582 (o 4° e 5° Capitães
Donatários foram D. Álvaro de Castro e D. Francisco de Mascarenhas, estranhos
a esta família), casou em Lisboa com D. Margarida de Azevedo, de quem teve uma
única filha, D. Luiza d'Utra Corte Real, que casou com Pedro Coelho da Silva,
que por sua vez tiveram um filho único, que faleceu na Índia, sem geração;
Manoel d'Utra Corte Real, 3° Capitão Donatário das Ilhas do Faial e Pico,
tinha uma única irmã, D. Francisca D'Utra Corte Real, fundadora da Capela do
Anjo Custódio, na Igreja de S. Francisco, na Horta, casada com Heitor
Rodrigues, mas de quem não houve geração.
Falta-nos
falar só da descendência de Vasco Annes Corte Real, filho primogénito de João
Vaz Corte Real, e de D. Maria Abarca, o único filho que não nasceu em Angra,
mas sim em Tavira.
Vasco
Annes Corte Real, além de Alcaide Mór de Tavira, foi veador DeI Rei Dom Manoel.
Morava em Lisboa, ao longo do rio, defronte da freguesia de São Paulo, ao cais,
que do seu nome se chama o Cais do Veador, onde se erguia um rico aposento, onde
moraram também seus descendentes. Casou com D. Joana da Silva, filha de D.
Garcia de Mello, e de D.Filipa Pereira da Silva e tiveram: Miguel Corte Real,
que foi clérigo; Jerónymo Corte Real, Morgado de Val de Palma, sem geração;
Gaspar Corte Real, que faleceu criança; Bernardo Corte Real, Alcaide Mór de
Tavira, casou com D. Maria de Menezes de Brito de quem teve:
D.
Joana de Menezes Corte Real, que casou com Martim Correia da Silva, Capitão de
Diu;
D.
Maria de Menezes Corte Real, Dama da Rainha D. Catharina, e 1ª mulher de D. João
Tello.
Vasco
Annes Corte Real e D. Joana da Silva, tiveram ainda D. Manoel Corte Real, que
sucedeu a seu pai, e que casou com D. Brites de Mendonça, Dama da Rainha D.
Catharina, e era filha de D. lnigo Lopes de Mendonça, e de sua mulher D. Maria
Baçam, tiveram:
Vasco
Annes Corte Real, 4° Capitão Donatário de Angra e da Ilha de S. Jorge, por
carta d'eI Rei D. Henrique, de 28 de Novembro de 1578, e Senhor da Terra Nova,
em que foi confirmado por carta do dito Rei, de 26 de Maio de 1579, faleceu em
Novembro de 1581, tendo casado com D. Catharina da Silva, filha de D. João de
Mascarenhas, Capitão de Ginetes e Comendador de Mértola, e de sua mulher D.
Margarida da Silva Coutinho, tiveram:
Manoel
Corte Real, que morreu na Batalha de Alcácer Quivir, a 4 de Agosto de 1578, com
EI Rei D. Sebastião, sem geração;
D.
Margarida Corte Real, que por morte de seu irmão primogénito, foi sucessora de
seu pai. Casou com D. Christóvão de Moura, 1 ° Marquês de Castelo Rodrigo,
veador de D. Filipe I de Portugal, Vice Rei de Portugal, e pelo casamento com D.
Margarida Corte Real, 5° Capitão Donatário de Angra e Ilha de S. Jorge, por
carta régia de 27 de Junho de 1582. Tiveram:
D.
Vasco e D. Luiz, que faleceram crianças;
D.
Manoel de Moura Corte Real, 1° Conde de Lumiares, em vida de seu pai, 2° Marquês
de Castelo Rodrigo, por morte deste, Mordomo Mór e Veador da Fazenda de D.
Filipe IV de Castela, 6° Capitão Donatário de Angra, Praia e Ilha de S.
Jorge, casou com D. Leonor de Mello, filha de D. Nuno Álvares Pereira, 3°
Conde de Tentúgal, e de D. Mariana de Castro Osório Moscozo, após a Revolução
de 1640, os seus bens em Portugal, incluindo a quinta do actual Palácio de
Queluz, foram confiscados. D. Manoel de Moura Corte Real deixou geração
ilustre em Espanha;
D.
Maria de Moura Corte Real, filha de D. Margarida Corte Real e de D. Christóvão
de Moura, foi Condessa de Vimioso e Marquesa de Aguiar pelo seu casamento com D.
Afonso de Portugal, 5° Conde de Vimioso e 1° Marquês de Aguiar, Capitão
Donatário de Machico na Ilha da Madeira. Tiveram: D. Luiz de Portugal, 6°
Conde de Vimioso, que casou duas vezes, mas sempre sem geração; D. Christóvão
de Portugal, que faleceu solteiro e sem geração; D. Miguel de Portugal, 7°
Conde de Vimioso, Capitão Donatário de Machico na Madeira, casou com D. Maria
Margarida de Castro e Albuquerque, sem geração legítima; D. Joana de Mendonça,
freira
No
território de Portugal continental, existem várias famílias, cujos membros
usam, como apelido, ou sobrenome: Corte Real.
Todas
as famílias que usam Corte Real nos nomes dos seus membros, se são
verdadeiramente descendentes de João Vaz Corte Real, e de sua mulher D. Maria
Abarca, têm que descender forçosamente de um dos seus filhos, ou filhas.
Já
encontrei pessoas que usam este apelido, mas não sabem se são ou não
descendentes da nobre família dos Navegadores da Epopeia dos Descobrimentos.
Outros pensam que serão, mas não sabem propriamente de que filho ou filha dos
Corte Reais descendem. Penso que seria importante conseguir descobrir e
enquadrar todos os ramos existentes desta família.
Junto
fotocópias de dois quadros genealógicos, cujos originais têm todos os motivos
decorativos pintados a óleo, e neles podemos de modo sinóptico analisar a
sucessão de gerações.
No
I quadro temos a genealogia dos Monizes Alcaides Mores de Silves, sua aliança
com os Corte Reais pelo casamento de Guilherme Moniz Barreto com D. Joana Vaz
Corte Real. Este quadro abrange o período do ano 800 até ao ano de 1500.
No
II quadro temos a genealogia de João Moniz de Sá Corte Real, 11º Morgado
Moniz Corte Real e minha, seu trineto primogénito vivo, bem como de meus irmãos
e sobrinhos. Este quadro abrange o período entre o ano 1500 até ao presente
ano de 2005. Deste II quadro ofereço ainda duas fotocópias, uma incluindo os
nossos primos Pamplonas, e outra abrangendo os costados Campos e Pinto.
Junto
ainda uma cópia dum artigo escrito em forma de entrevista pelo Dr.
Termino
agradecendo a atenção dispensada.
Lisboa, 8 de Setembro de 200
E-mail:
joaomoniz936@hotmail.com