ENIGMA COLOMBO!
Pelo Engenheiro Carlos Calado  
Presidente do Núcleo de Amigos da Cuba  

www.amigosdacuba.no.sapo.pt

Nov. 2004

Certamente não foi por coincidência que o Canal Discovery  da TV por cabo emitiu no passado dia 12 de Outubro, em simultâneo para Portugal e para Espanha, o documentário intitulado “Enigma Colombo / Enigma Colón”, dedicado às mais recentes investigações sobre a controversa origem de um dos personagens mais célebres da História mundial.

12 de Outubro é o Dia da Hispanidade, destinado a celebrar não só em Espanha, mas um pouco por todo o mundo hispano-americano, precisamente o herói dos descobrimentos castelhanos: Cristobal Colón, esse mesmo, o Cristoforo Colombo da história mundial, considerado genovês de origem.

Pois esse documentário “Enigma Colombo”, cuja emissão foi repetida por mais de uma vez ao longo do mês de Outubro, começa precisamente por levantar a questão da nacionalidade de Colombo, mas fá-lo de uma forma falaciosa, limitativa e tendenciosa: seria Italiano ou Espanhol?

Certamente não é coincidência a apresentação de provas que deitam por terra a versão até agora oficialmente vigente do Colombo italiano e a tentativa, muito tosca e frágil diga-se, de canalizar as alternativas apenas para a probabilidade do descobridor ser de origem catalã, e portanto espanhol.

Enquanto as entidades oficiais portuguesas continuam a desprezar a fortíssima probabilidade de Colombo ser português, Espanha tudo tenta para fazer seu o descobridor da América.

O RELATO

O documentário relata que em 1476, a 10 km da costa de Portugal, 5 navios mercantes genoveses são atacados por uma frota de piratas. Ao lançar-se à água durante os combates, e conseguindo chegar a nado até à costa portuguesa, um homem inicia uma vida nova com outra identidade.

Para a Drª Anunciada Colón de Carvajal, historiadora e descendente do navegador, esse homem poderia não ser tripulante dos navios genoveses, mas sim um pirata que lutava do lado oposto aos Reis Católicos que mais tarde viriam a financiar a expedição de Colombo, ou seria um judeu que ocultava a sua identidade para escapar à Inquisição, ou ainda, alguém que queria manter as suas origens em segredo para evitar o estigma duma origem bastarda. Mas a teoria que prevaleceu até agora diz que Colombo provinha duma humilde família de tecelões de Génova.

O casamento de Colombo, em Portugal, com Dª Filipa Moniz Perestrelo, duma família nobre portuguesa, seria completamente impossível se Colombo não pertencesse, ele próprio, a uma família nobre.

As investigações desenrolam-se em várias vertentes, cujos resultados são compilados pelo Prof. Charles Merrill da Universidade Mount St. Mary’s, nos EUA, na procura de confirmação para uma teoria do Colombo catalão.

Entre as pesquisas científicas salientam-se as análises ao ADN e os exames antropomórficos sobre os restos mortais do navegador, recolhidos no seu túmulo da catedral de Sevilha, e de seus familiares.

Para o Prof. Charles Merrill, poderá ter havido um Cristoforo Colombo em Génova, mas não era o mesmo que descobriu a América. Os livros de História de todo o mundo e de todas as épocas afirmam que Colombo era genovês, mas podem existir erros nesta teoria. Ao examinar minuciosamente uma carta escrita pelo descobridor, guardada no Museu Naval de Génova, C. Merrill descobre que na frase traduzida como “Ainda que o meu corpo esteja aqui, o meu coração está em Génova”, a palavra Génova não está explicitamente mencionada.

Segundo a História, Colombo deixou Génova e começou a navegar por volta dos seus 20 anos, mas os escritos do próprio navegador o contradizem: “Desde tenra idade no mar, a navegar”

Para a investigadora Drª Guadalupe Chocano, havia uma intenção de Colombo em ocultar o passado. Durante a sua vida Colombo nunca deu detalhes da sua infância, nem sequer aos seus filhos, e mesmo a única vez em que ele teria falado da sua origem: “De Génova saí e nela nasci” surge num cópia cujo original foi perdido e de duvidosa autenticidade, a qual foi apresentada num litígio, um século após a sua morte. Provavelmente foi este o início da teoria genovesa. O seu filho Fernando chegou a viajar para Itália para investigar a origem de seu pai, mas nunca encontrou um único parente.

Após a morte de sua esposa, Colombo vai para Castela e quando se apresenta na corte dos Reis Católicos, é um homem educado, versado em astronomia e cartografia e possui uma imensa ambição.

Segundo a historiadora Drª Consuelo Varela, do CSIC de Sevilha,  Colombo tentava ocultar a vergonha das suas origens humildes porque não lhe convinha que isso se soubesse no ambiente em que queria mover-se.

Mas o Dr. Harold J. Bursztain, perito no traço de perfis psicológicos da Faculdade de Medicina de Harvard, afirma que isto é pouco provável, por uma razão essencial: Colombo não escondeu a sua família! Manteve os seus irmãos por perto ao longo de toda a sua vida.

O investigador francês Francesc Albardaner, membro do Centro de Estudos Colombinos, defende a teoria catalã, segundo a qual, Colombo pertenceria a uma família nobre de Barcelona. Era uma família forte de patrícios, banqueiros e comerciantes que enviavam os seus navios por todo o Mediterrâneo. Em Espanha o navegador nunca se chamou Colombo. Alguns dos seus biógrafos chamaram-lhe Colom, que é uma palavra de origem catalã.

Segundo a teoria catalã, Colombo participou numa batalha naval frente à costa de Portugal, integrado numa frota de corsários comandada pelo almirante Guillaume de Caseneuve Coulom, que era seu parente. Nos seus próprios escritos, Colombo parece reconhecer este parentesco: “Não sou o primeiro almirante da minha família”

Não há nenhuma prova de que Colombo tivesse navegado com os mercadores genoveses, e na lista de tripulantes das cinco naves que sofreram o ataque dos corsários não figurava nenhum Cristoforo Colombo.

No entanto, também não existe qualquer registo de um Cristobal Colom na Catalunha, conforme salienta C. Merrill ao apontar lacunas para esta teoria, embora isso possa indicar tratar-se de um filho ilegítimo.

O Padre Gabriel Roura, professor de Paleologia na Universidade de Gerona comparou a escrita de Colombo com textos catalães do século XV que estão guardados nos seus arquivos e concluiu que os escritos de Colombo apresentam o último tipo de escrita gótica cursiva, com alguma influência catalã e permitem deduzir que Colombo tinha uma certa educação e cultura, provindo portanto duma família nobre, pois a educação só era acessível às classes altas.

C. Merrill verifica que, surpreendentemente, Colombo nunca escreveu em italiano. Inclusivamente, as cartas para os seus irmãos estão escritas em castelhano, embora com muitos termos alheios a esta língua.

Não parece possível que tivesse esquecido a sua língua materna, pois teria saído de Génova já com 20 anos de idade.

A confirmação científica desta conclusão é apresentada pelo Prof. Dr. Luís de Yzaguirre, especialista em Engenharia Linguística da Universidade Pompeu Fabra. Utilizando uma ciência chamada Lexicometria detecta, com o seu computador, os erros linguísticos nos textos de Colombo, e afirma que as vacilações de Colombo nos seus textos castelhanos poderão dever-se ao facto do catalão ser a sua língua materna.

O Prof. Miguel C. Botella, perito em Antropologia Forense da Universidade de Granada já tem algumas conclusões dos seus estudos sobre os restos mortais de Colombo e seus familiares: conseguiu determinar a idade que teria Diogo, irmão de Cristóvão Colombo, quando morreu. Teria entre 52 e 58 anos, mais provavelmente 56 anos de idade, o que não coincide com documentos apresentados pela cidade de Génova, segundo os quais ele morreu com 48 anos ou menos. Portanto, este Diogo não poderia pertencer à família do tecelão de Génova.

A observação dos ossos de Cristóvão Colombo permitiu verificar que o corpo foi sujeito a descarnação, um processo destinado a permitir a trasladação das ossadas em longas viagens e apenas acessível a membros das classes mais nobres.

O Prof. José Antonio Llorente, da Universidade de Granada dedicou-se aos testes de ADN extraído pelo Cientista Carlos Alvarez nos restos mortais mas não conseguiu alcançar todos os resultados procurados. Para provar que os restos pertencem a Colombo há que comparar o seu ADN com o de parentes próximos do descobridor. Para estabelecer o vínculo genético, extraiu-se ADN dos restos de seu irmão Diogo e de seu filho Fernando.

As provas de ADN sobre os ossos de Colombo não tiveram êxito pois os cientistas não conseguiram extrair uma amostra. Como tal, decidiram recorrer ao laboratório Orchid BioSciences em Dallas, no Texas, onde a Drª Jeanine M. Baisch aplica as mais recentes técnicas, desenvolvidas na sequência dos atentados do 11 de Setembro, para identificação das vítimas.

Os restos de Fernando, dos quais se tem a certeza de serem verdadeiros, revelaram à equipa o tipo de ADN de Colombo. Conseguiram extrair o cromossoma Y que se transmite por via paterna, e através deste, conhecer as características únicas do ADN de Colombo.

Entretanto o Prof. Llorente explica que apenas se encontrou uma curta sequência de ADN mitocondrial, transmitido pela mãe, nos restos que se acredita serem de Colombo, mas não é pura. Não é possível então demonstrar que Cristóvão e Diogo eram irmãos. Continua assim a ser um mistério se os restos da catedral de Sevilha são realmente os de Cristóvão Colombo, e vamos ter de aguardar por novos desenvolvimentos tecnológicos para encontrar certezas.

CATALÃO?! PORQUÊ?

As provas  e exames apresentados deitam claramente por terra a tese, até agora vigente, de que o navegador Colombo era italiano, mas não acrescentam nada de novo ao que já tinha sido escrito nas teses de defesa do Colombo português (vd. Mascarenhas Barreto – “Colombo português, Provas documentais”)

Começa o documentário pela afirmação “um homem inicia uma vida nova com outra identidade”

Isto significa que Colombo não era Colombo, tinha outro nome anteriormente. Nesse caso, este “Colombo” nunca poderia ser o Cristoforo Colombo de Génova, pois, segundo a documentação apresentada pelos italianos, esse foi baptizado como tal, e sempre manteve esse nome.

Pelo casamento, em Portugal, com Dª Filipa Moniz Perestrelo conclui-se que Colombo pertenceria a uma família nobre. Portanto, não poderia ser filho dos tecelões de Génova.

Como ele próprio afirmou “desde tenra idade no mar, a navegar” confirma-se que não poderia ter começado a vida de navegador depois dos 20 anos, conforme a história apresentada pelos italianos.  

Mas, em simultâneo com a desacreditação da tese genovesa, vislumbra-se aqui a tentativa de urdir um um Colombo catalão, apesar de não haver qualquer base minimamente sólida:

FORA DE TEMPO

Em 1476 teria participado numa batalha naval frente à costa de Portugal, integrado numa frota de corsários comandada pelo almirante Guillaume de Caseneuve Coulom, que era seu parente, e na sequência do naufrágio nadou até à costa de Portugal.

Ora, a biografia de Colombo apresentada por seu filho Fernando, inclui cartas trocadas entre o cosmógrafo e geógrafo florentino Toscanelli e o navegador residindo em Lisboa, datadas do ano de 1474.

Se residia em Lisboa no ano de 1474, não poderia ser o tal corsário catalão que só chegou a nado a Portugal dois anos depois.

10 A 1

A frase de Colombo “Não sou o primeiro almirante da minha família” tem um sentido demasiadamente lato para se concluir que era parente do almirante Guillaume de Caseneuve Coulom. Aliás, a tese portuguesa identifica o nosso Colom tendo não apenas um, mas dez almirantes na sua família.

ESCRITA ALHEIA

A possibilidade de Colombo ser catalão, aduzida pelo facto da sua escrita gótica cursiva ser semelhante aos textos catalães do séc. XV, também é muito incipiente e, mais do que isso, será um erro grosseiro pois a carta que se vê no documentário a ser examinada pelo Padre Roura é uma carta de Colombo dirigida ao seu filho Diogo, datada de 29 de Abril de 1498, não escrita pelo seu próprio punho,  mas sim ditada ao seu escrivão. O seu conteúdo é duvidoso e tem a sigla mal traçada. Ora se a carta foi escrita pelo punho do escrivão, não pode servir para se concluir que a caligrafia de Colombo era semelhante à dos textos catalães. Quanto muito, serviria para concluir que o escrivão seria catalão.

PALAVRAS ESTRANHAS

As vacilações de Colombo nos seus textos castelhanos são absolutamente naturais, pois Colombo não era castelhano. Isso não significa que fosse catalão. Como português que se fixou em Castela, Colombo apreendeu a língua castelhana com enorme facilidade na compreensão e na expressão oral, mas com mais dificuldades na escrita (tal como se verifica actualmente com a grande maioria dos portugueses apenas numa simples deslocação a Espanha). Além do mais, o português arcaico dessa época era ainda mais parecido com o castelhano do que é hoje o português moderno.

As cartas para os seus irmãos eram escritas em castelhano, mas com muitos termos alheios a essa língua.

A verdade é que, nas cartas de Colombo se encontram mais de uma centena de palavras genuinamente portuguesas, e muitas mais palavras portuguesas espanholizadas (vd. Mascarenhas Barreto – “Colombo português, Provas documentais”).

Não consta que o Prof. Dr. Luís de Yzaguirre tenha identificado muitas (ou mesmo poucas) palavras catalãs nos escritos de Colombo.

MARTELADA NA HISTÓRIA

As conclusões científicas do Prof. Miguel Botella sobre a impossibilidade de Diogo, irmão de Colombo, pertencer à família do tecelão de Génova apenas vêm confirmar as conclusões documentais já conhecidas (vd. Mascarenhas Barreto). É que nas actas apresentadas pelos genoveses, Cristoforo Colombo não tinha nenhum irmão chamado Diogo. Os seus irmãos eram Bartolomeu e Jacob, para além de Biancheta e Giovani. Para tentar encaixar os personagens genoveses na realidade histórica, os italianos transformaram depois este Jacob em Diogo. Obviamente que a idade de Diogo só muito dificilmente coincidiria com a idade de Jacob.

SUFICIENTE MENOS

No que respeita aos exames de ADN, diz-se que a curta sequência do ADN mitocondrial de Colombo, transmitido pela mãe, não permitiu concluir que Diogo era seu irmão. Ou seja, como não foi encontrada coincidência entre o ADN de Colombo e de Diogo, entendeu-se que a sequência obtida era insuficiente. A realidade é que, mesmo com uma sequência mais longa, os cientistas não irão encontrar coincidências pois Colombo e Diogo eram apenas meio-irmãos, e pela parte do pai, sendo filhos de mães diferentes. A tese portuguesa demonstra claramente que Colombo (na verdade Salvador Fernandes Zarco) era filho de D. Fernando – duque de Beja e de Dª Isabel Sciarra da Câmara (Zarco) e que Diogo (tal como Bartolomeu) era filho de Dª Isabel de Mello.

O PORTUGUÊS CRISTÓVÃO COLOM

Quando analisamos todos os aspectos, avançados no documentário pelos diversos investigadores, para justificar que  o descobridor das Américas poderia ser catalão, encontramos as seguintes características:

- Ocultou as suas origens e transformou-se numa pessoa diferente

- Era originário de uma família nobre catalã (reino de Aragão)

- Teria sangue judeu

- Escrevia castelhano com termos alheios

- Não era o primeiro almirante da família

Olhando para o português Cristóvão Colom (aliás Salvador Fernandes Zarco), encontramos o seguinte:

- Ocultou as suas origens e mudou de nome, transformando-se numa pessoa diferente

- Tinha ascendência nobre aragonesa (sua avó paterna era D. Leonor de Aragão), conjuntamente com ascendência nobre portuguesa (seu avô paterno era o Rei D. Duarte)

- Tinha sangue judeu, pelo lado materno, dos Zarcos (seu avô era João Gonçalves Zarco, navegador português dos descobrimentos)

- Os termos alheios da sua escrita eram portugueses

- Tinha, de facto, dez almirantes na sua família

Portanto, as justificações apresentadas para a possibilidade de ser catalão, servem também para que possa ser português.

Há depois vários aspectos que não são focados no documentário:

As bulas papais com o nome Christofõm Cólon

A misteriosa sigla, que usava para assinar

O monograma em algumas cartas

A bênção em hebraico, em cartas para o seu filho

E o estudo destes outros aspectos conduz, unicamente, ao personagem português

CONFIRMAR QUE ERA PORTUGUÊS!

É extremamente positivo que se tenha já a certeza sobre os restos de Fernando, filho de Colombo, e se conheçam as características únicas do ADN de Colombo obtidas a partir do cromossoma Y, transmitido por via paterna.

Sabendo-se hoje que se perderam os restos mortais de D. Fernando - Duque de Beja, é chegado o momento do Governo português tomar a iniciativa para que se efectuem exames ao ADN do Rei D. Duarte, avô do navegador, ou a algum outro dos seus antepassados identificados na sua árvore genealógica portuguesa. O descobridor que ficou na história com o nome de Colombo, usava o pseudónimo de Cristóvão Colom e era na realidade o português Salvador Fernandes Zarco, que nasceu em Cuba, no Alentejo.

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Nota do Dr. Luciano da Silva:  

Não  compreendemos porque é que o Dr. Lorente ainda não publicou uma fotografia do ADN do filho Fernando Colon. Assim todo o mundo ficaria a saber que a equipa  que ele chefiou encontraram relamente o ADN do Fernando.

Uma vez  que esta foto seja publicada poderemos então fazer  os estudos do ADN em quaquer descendente do Rei D. João I  ou nas famílias  Zarco que já temos no Continente português, em São Miguel, Açores  e no Brasil,  descendetes directos de João Gonsalves Zarcos e que estão prontos a cooperar nos estudos do ADN! 

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