Gaspar e Miguel Corte Real são açorianos!
 Nasceram em Angra do Heroísmo.
Porque é  que os açorianos são tão invejosos entre si?
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

 

Todos os grande descobridores portugueses nasceram no Continente português – Vasco da Gama, Fernão de Magalhães, Pedro Alvares Cabral, etc. --  com excepção de dois  famosos navegadores, Gaspar Corte Real e Miguel Corte Real. Ambos nasceram em Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, Açores.  

O pai deles era João Vaz da Costa Corte Real,  que nasceu em Tavira, Algarve e foi o descobridor da Terra Nova, em 1472,  também chamada  Terra dos Bacalhaus ou Terras dos Corte Reais. Por causa desta descoberta gloriosa  a Coroa Real Portuguesa deu-lhe,  em 1474, a metade sul da Ilha da Terceira onde ele construiu a “Casa do Capitão” em Angra do Heroísmo. Ali todos os filhos e filhas nasceram, com excepção do filho mais velho, Vasqueanes Corte Real, que nasceu no Continente.  

Casa do Capitão João Vaz Corte Real em Angra do Heroismo vendo-se ao fundo a ponta do Monumento da Memória.  Em vez de ser um Museu,  esta casa funcionou  como sede do Partido Socialista e agora parece que é um armazém de não sei quê. O abandono desta casa tão histórica revela bem o  desprezo que as autoridades camarárias de Angra têm pelos valores históricos da Cidade Museu.

 

Porque é que a “Casa do Capitão” está presentemente abandonada, em vez de ser um monumento nacional português?

 

Existem Cartas  Reais na Torre do Tombo em Lisboa  atestando de que Gaspar Corte Real fez em 1500 e 1501 viagens para a América do Norte, mas  nunca  mais regressou  a Portugal.

Existe também  outra Carta Real  na Torre do Tombo informando  que Miguel Corte Real,  que era o Porteiro Mor da Casa Real do Rei Dom Manuel I, partiu de Lisboa no dia 10 de Maio de 1502 , para a América do Norte, à procura do irmão Gaspar Corte Real, mas também nunca mais voltou  a Portugal.

 

Pedra de Dighton

Desde 1918, os cientistas  descobriram gravados na face da Pedra de Dighton o nome de Miguel Corte Real assim como os símbolos nacionais portugueses e quatro  Cruzes da Ordem de Cristo.

Porque a Epigrafia é uma ciência exacta, estes achados epigráficos gravados na Pedra de Dighton são a prova irrefutável de que Miguel Corte Real chegou à Nova Inglaterra e viveu, pelo menos nove anos, entre os Índios Wampanoags.

Felizmente que hoje existe o Museu da Pedra de Dighton, em Berkley, Massachusetts,  onde este monumento – que pesa 40 toneladas e tem uma face com 55 pés quadrados contendo as inscrições – está muito  bem  preservado  dentro de uma redoma octogonal. 

 

Novo livro de poesia

Ainda antes do Natal de 2003, vai sair do prelo, na cidade de  Fall River,  Estado de Massachusetts, E. U. A. ,  um novo livro de poemas, escrito pelo Poeta Popular, Daniel Amaral, intitulado:  “Pérolas Poéticas Açorianas – Rosário da Saudade”. Este livro tem 216 páginas e 38 fotografias.  Todos os poemas são uma descrição em verso rimado da vivência do Poeta na Povoação, São Miguel, Açores mas também a sua vida  de emigrante em East Providence, Rhode Island, há mais de 46 anos.

Muitos dos seus poemas têm como temas principais os patriotismos português  e também americano. Como melhor exemplo, escolhemos o poema do  Daniel Amaral dedicado ao significado histórico da Pedra de Dighton e aos malogrados navegadores portugueses, Gaspar e Miguel Corte Real. Aqui está o poema original tirado da página 211:

 

Poeta Popular 
Daniel Amaral 

 

 

A Pedra de Dighton e os Navegadores 

Gaspar e Miguel Corte Real

Por Daniel Amaral

 

“Os Pioneiros Portugueses “  já  li.

 A Pedra de Dighton também vi.

 Nela vi um nome, data e sinais!...

- Graças ao Dr. Manuel Luciano,

Um distinto Luso-Americano

Que glorifica os Corte-Reais.

 

Miguel e Gaspar Corte-Real

Mandados por El-Rei de Portugal

Navegaram há quinhentos anos!..

Nas suas longínquas viagens

Abordaram nestas paragens

Em Territórios Americanos.

 

Os Corte-Reais aqui atracaram

Ou com os temporais naufragaram

As caravelas foram destruídas!...

A Portugal não puderam voltar

Com os Índios tiveram que ficar

Até finalizar as suas vidas.

 

A Pedra de Dighton foi achada

E nela muita coisa gravada!...

E o nome de Miguel Corte-Real

Com inscrições da Cruz de Cristo

- Ficou provado que tudo isto

É da Epopeia de Portugal...

 

Se nessa Pedra está bem visto

Sinais do Ordem  da Cruz de Cristo

E Quinas da Bandeira de Portugal!..

Foram os símbolos originais

Que glorificaram os Corte-Reais

No famoso Museu Estadual.  

 

 

 

Miguel e Gaspar navegaram

Portugal eles glorificaram

Chegando às Terras Americanas!...

- Esses Portugueses Navegadores

Nascidos nas  ilhas dos Açores,

Nas Lindas “Pérolas Açorianas”.  

 

 

 

Daniel Amaral  no centro do Museu da Pedra de Dighton 

 

 

Verdade nua e crua

É uma verdade nua e crua, como acima diz o nosso poeta Amaral,  que os navegadores Gaspar e Miguel Corte Real  nasceram nos Açores, portanto  são açorianos. Ambos nasceram em  Angra, na Ilha da Terceira!

Sendo a comunidade  de língua portuguesa na Nova Inglaterra  mais de 85 por cento açoriana era de esperar que os portugueses açor-americanos  tivessem  muito orgulho  pelo significado histórico da Pedra de Dighton, mas isso infelizmente não  acontece. 

Muitas vezes tenho feito essa  mesma pergunta   e  a resposta que tenho obtido é de que os açorianos são muito invejosos uns dos outros,   entre si, são cheios dum  bairrismo doentio que só tem prejudicado o progresso  de todo o grupo étnico português  à adaptação nas sociedades americanos onde vivemos.

Os emigrantes açorianos continuam,  principalmente nas cidades de  New Bedford e Fall River a viver como se estivessem AINDA nas ilhas. Há até indivíduos -- que por razões românticas--   chamam ao conjunto emigrado açoriano a “Décima Ilha”. Isto é  uma afirmação retrógrada e até estúpida. 

Isso é a continuação da filosofia fascista de Salazar em querer  preservar colónias portuguesas espalhadas pelo mundo inteiro. Isso já está fora de moda no século XXI.  Os "srs. Scholars"  que acabem com essa porcaria que só serve para atrasar a nossa gente que vive aqui na América!  

Já tenho dito e escrito que os portugueses de New Bedford e de Fall River,  POLITICAMENTE, são os mais atrasados de toda a América.

Os resultados das últimas eleições para Mayors (presidentes das câmaras de ambas as cidades)  há pouco mais de um  mês, provam as minhas palavras.

Um bom observador  já me disse que os emigrantes que vêm  dos Açores para viver em  New Bedford  e Fall River, CONTINUAM  A VIVER NOS AÇORES.  

Só depois de passarem a Ponte de Braga para OESTE  é que entram na América!...

Um outro  profissional até me disse que para se triunfar na América  uma pessoa TEM QUE SAIR de Fall River e New Bedford!.... se não ficará sempre na cepa torta...Há muito exemplos disso: O cozinheiro  nacional Emeril, o Musicólogo  Joe Raposo, criador do programa da TV  Sesame Street e 'Papanicoloaunãosei' quê, que foi Conselheiro do Presidente Clinton.

Outro observador  ainda vai  mais longe, afirmando que tanto os portugueses que vivem em New Bedford e Fall River, só se irão desenvolver e progredir  na vida americana quando DEIXAR DE HAVER jornais portugueses, programas de rádio  em português e televisão em português.  Este pensamento  é mesmo para matar!  Mas uma verdade é certa! Nas comunidades onde não  existem  meios de comunicação em Português – parece um paradoxo –  é onde  os nomes  luso-americanos de representativos federais são eleitos, como já está a acontecer na Califórnia.  

Os lidadores que temos na Nova Inglaterra à frente da comunidade açoriana são  muito pobrezinhos... Muitos deles não falam correctamente, nem a língua inglesa, nem  a portuguesa!... 

Todos querem ser presidentes  de pequenas  organizações e depois  são como os carrapatos: nunca mais querem largar as suas altas posições!   Para impressionar os indígenas...

 Mas voltemos à Pedra de Dighton  para reexaminarmos o comportamento dos açorianos:

 (1)     Primeiro não têm respeito pelos seus dois  patrícios, Gaspar e Miguel Corte Real. 

 (2)     Não sabem, nem querem saber as características únicas  da Bandeira de Portugal, nem da Cruz da Ordem de Cristo.

(3)     Temos até os  chamados membros da nossa comunicação social --  que nunca visitaram a Pedra de Dighton !...--  mas atrevem-se a emitir as suas “doutas” opiniões  --  usando  o seu adjectivo favorito “controverso” para cobrir a sua ignorância ou velhacaria.

(4)     Mas  também temos os chamados “professores universitários” que também nunca examinaram no LOCAL  a Pedra de Dighton  e armam-se em espertos  para revelar a sua "sapiência"  vazia ....  Hão-de ter um lindo enterro!

(5)     É  para mim inconcebível, -- estando QUATRO AÇORIANOS ligados à História da Pedra de Dighton --   os açorianos da Nova Inglaterra não prestar NENHUMA atenção, nem revelarem NENHUM   PATRIOTISMO  pelo significado deste monumento!? 

        (6)     Os quatro açorianos ligados à  Pedra de Dighton           são:                                                                                        

(1) Um  é o Gaspar, o (2) dois  é Miguel e temos que lhes juntar mais dois: o (3)  terceiro é  o Edmundo Dinis, que nasceu em Ponta Delgada, e  que conseguiu a aprovação da proposta de Lei para a criação do Parque Estadual da Pedra de Dighton em 1954  e  o  (4) quarto açoriano,  nascido na Lagoa, São Miguel,  foi José Dâmaso Fragoso,  que foi leitor de Português na Universidade de Nova Iorque  e  que descobriu três Cruzes da Ordem de Cristo gravadas na face da Pedra de Dighton. 

E para não fugir a regra  dos açorianos não se gramarem, se invejarem  uns aos outros  -- o Dinis e o Fragoso criaram entre si uma polémica  tremenda alimentada  por um  ódio de morte que mantiveram durante  muitos anos!

O meu interesse  pela Pedra de Dighton  foi sempre  única e simplesmente  pelo seu significado histórico  e não por interesses políticos ou monetários.  Nunca me meti  na polémica do Dinis com o  Fragoso, porque sempre entendi que isso  só  prejudicou o avanço  da nossa comunidade na Nova Inglaterra. 

Tenho feito muito mais sozinho do que com a ajuda deles. Parece-me que  finalmente os efeitos desta guerra fratricida estão a desaparecer.  Mas só vão desaparecer completamente  quando deixar de  haver ainda  “beija cus”  para defender o seus tachos... Também vão  ter um bom enterro...

Ainda bem que os americanos -- representativos estaduais e senadores --  têm prestado mais atenção ao significado deste monumento americano que é a Pedra de Dighton,  doutra maneira  eu não tinha conseguido a aprovação  de  tantos milhares de dólares para a construção do Museu da Pedra de Dighton. Se não fossem esses lidadores americanos em me ajudar a preservar a Pedra de Dighton,  a Pedra ainda  HOJE continuaria metida na lama e banhada  de  mixórdia  da cidade de Taunton.   Continuaria  ainda exposta ao vandalismo na  margem esquerda do Rio Taunton!

 

Comportamento  obnóxio

Mas o que ainda continua a ser obnóxio é o facto  de quase todos os anos  os Mayors  de Taunton  e  os Presidentes da Câmara de Angra do Heroísmo se visitarem mutuamente por causa destas cidades serem “Cidades Irmãs”,  mas  nem um nem outro, nem os respectivos membros luso-americanos que fazem parte das “Comichões de recepção”, se lembram  de visitar o Museu da Pedra de Dighton   e prestar homenagem aos Primeiros Açorianos que vieram viver na área da Cidade de Taunton – há mais de QUINHENTOS ANOS!!!  Este comportamento,  de parte a parte,  prova que "esta coisa de cidade Irmãs"  é  mesmo só para comes,  bebes e passeatas e mais nada!... Porca Miséria!!!

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