Primeiro Brasã
dos Corte Reais 

História Genealógica dos Corte Reais,
Nobres Cavaleiros e Navegadores

 

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Ruínas do Palácio dos Corte Reais,  junto
  à  Torre do Castelo,  em Tavira 

Diálogo entre Dr. Luciano da Silva  e o Dr. João Moniz,  neto em 13ª geração de Guilherme Moniz Barreto e de D. Joana Vaz Corte Real, filha de João Vaz Corte Real.

Foto do Dr. Joao Moniz dum lado e foto do Dr. Luciano da Silva  do outro 

 

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Brasão de JoãoMoniz Corte Real 

 

(1) Dr.L.S. – Qual foi o primeiro nome de família dos Corte Reais?

J.M. - O nome de família originário dos Corte Reais é Costa.              

 O primeiro membro desta família, citado pelos escritores antigos, foi Vasco Annes da Costa.         

(2) Dr.L.S. - Quem era Vasco Annes da Costa?              

J.M. - Vasco Annes da Costa, Cavaleiro honrado de Tavira, no tempo dos reis D. Fernando e D. João I, notabilizou-se como auxiliar do Mestre d' Aviz, na defesa do reino contra as investidas do rei de Castela. 

Vasco Annes da Costa foi o primeiro a usar o apelido Corte Real, que lhe foi conferido pelo rei D. Duarte, ao dizer que sua Corte era real, quando Vasco Annes da Costa estava nela.            

Mereceu ainda o apelido Corte Real, por fazer parte dos Doze de Inglaterra, e pelo seu heróico comportamento no cerco e tomada de Ceuta.                    

(3) Dr.L.S. - Quem eram, e donde vieram, os antepassados da Família Corte Real?                

J.M. - A família Corte Real nasceu com Vasco Annes Corte Real. Notabilizou-se nele e sucessivamente nos seus descendentes, tais como João Vaz Corte Real, Miguel e Gaspar Corte Real, e tantos outros que lhes sucederam ao longo dos séculos.              

Anteriormente a Vasco Annes Corte Real, não existem muitas fontes históricas, que nos permitam estabelecer, pormenorizadamente, e com segurança, a sua ascendência.            

Consta, todavia, que os Corte Reais descendem de D. Raymão da Costa, fidalgo francês, dos Frotier, ramo da Casa de Borgonha, como nos relata no séc. XVI o Doutor Gaspar Frutuoso, no capítulo nono das "Saudades da Terra" Livro VI.               

D. Raymão da Costa veio a Portugal, como muitos outros fidalgos, e ajudaram D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa aos Mouros. Seus sucessores foram fronteiros mores do Algarve.                     

(4) Dr.L.S. - Qual era a ligação da família Corte Real com os Reis?                           

J.M. – Desde os seus primórdios houve sempre um relacionamento muito próximo com vários Reis, nomeadamente: D. Fernando, D. João I, D. Duarte, D. Afonso V, D. Manoel I, e D. Sebastião. Á medida que falarmos das sucessivas gerações de Corte Reais, veremos que, como dextros cavaleiros e impetuosos guerreiros, prestaram relevantes serviços à Coroa Portuguesa, na conquista e defesa do Reino dos Algarves. Distinguiram-se: como partidários do Mestre d’Aviz; nas lutas contra as investidas de Castela; no cerco e conquista de Ceuta; nas viagens marítimas para Ocidente, que levaram à descoberta da América, Terra dos Corte Reais.     

Os descendentes de João Vaz Corte Real, nascidos de sua filha D. Joana Vaz Corte Real, casada com o fidalgo Guilherme Moniz Barreto, filho de Henrique Moniz, Alcaide Mór de Silves e de D. Ignêz de Meneses Barreto, tornam-se mesmo, em sucessivas gerações, netos dos Reis de Portugal e Castela, pelos costados Moniz, Meneses e Silva. Designadamente netos de D. Fernando Magno, Rei de Leão Castela e Astúrias, netos de D. Sancho I, D. Afonso Henriques e de D. Diniz.                   

Analisaremos em pormenor estas ligações familiares, quando falarmos das famílias nobres, com quem os Corte Reais se consorciaram pelos laços do matrimónio ao longo de sucessivas gerações.

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Do lado esquerdo: Palácio dos Corte Reais com as quatro torre,  na Praça da Ribeira. Do lado direito, o Palácio Real, também Casa da India

 Dr.L.S. – Os Corte Reais primeiro notabilizaram-se como cavaleiros e guerreiros, quando e aonde?               

J.M. -  O seu progenitor D. Raymão da Costa, ajudou D. Afonso Henriques na conquista de Lisboa aos mouros.              

Vasco Annes Corte Real, o primeiro que usou apelido Corte Real, distinguiu-se na conquista e defesa do Algarve, pelo que el-rei D. Duarte fê-lo Alcaide Mór de Tavira e Silves. A sua Bravura e impetuosidade nas batalhas, está patente na descrição do cerco e conquista de Ceuta, feita pelos cronistas da época, que o enaltecem dizendo que foi “o primeiro home que foi dentro”.           

João Vaz Corte Real, ou seu filho Vasco Annes Corte Real, ainda em África, venceu o valentíssimo e famosíssimo Capitão Barraxo, senhor de vinte e dois mil mouros de cavalo, seus súbditos.   

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Tavira está na parte inferior direita 

(6) Dr. L.S. – Vasco Annes Corte Real foi o primeiro a usar o apelido Corte Real, Quantos e quem são os seus filhos?                

J.M. – Vasco Annes Corte Real, o primeiro dos Corte Reais a usar este apelido, Alcaide Mór de Tavira e de Silves, Fronteiro Mór do Algarve, deputado às Cortes de Lisboa, que proclamaram Rei de Portugal D. João I, o Mestre de Aviz, teve três filhos: Fernão Vaz Corte Real, de quem não há geração; João Vaz Corte Real, Navegador da Epopeia dos Descobrimentos, Donatário de Angra e Ilha de S. Jorge nos Açôres, que por sua vez teve seis filhos, seus dignos continuadores; Foi ainda filha de Vasco Annes Corte Real, D. Izabel Vaz Corte Real, 1ª mulher de Henrique Moniz, que pelo seu casamento foi Alcaide Mór de Silves.   

Deste matrimónio nasceu uma filha, a quem deram o nome de Grimaneza Pereira. O apelido Pereira foi-lhe posto em homenagem a D. Nuno Álvares Pereira, tio avô de Henrique Moniz, seu pai. Esta D. Grimaneza Pereira casou com o seu parente Afonso Telles Barreto, e veio a ser avó de António Moniz Barreto, Vice-Rei da Índia. 

Henrique Moniz, Alcaide Mór de Silves, viúvo pela morte D. Izabel Vaz Corte Real, casou 2ª vez com D. Ignêz de Meneses Barreto, filha de Gonçalo Nunes Barreto, Alcaide Mór de Faro, e de sua mulher D. Izabel Pereira, filha de Diogo Pereira, Comendador Mór de S. Tiago Mayor e Governador da Casa do Infante D. João.            

(7) Dr. L.S. – Quando é que os Corte Reais se tornaram navegadores?             

J.M. – Os Corte Reais até João Vaz Corte Real tinham-se notabilizado como cavaleiros e guerreiros. Premiando seus feitos como guerreiros, segundo Gaspar Frutuoso, escritor antigo do séc. XVI, “el-rei de Portugal lhe deu aposento e vivenda no Algarve, a este João Vaz Corte Real e a seu filho Vasqueanes Corte Real, por serem muito bons cavaleiros, pêra poder sustentar aquele reino do Algarve, que era muito perigoso e dificultoso, por causa dos belicosos mouros que nele moravam”.          

Foi com João Vaz Corte Real, que os Corte Reais se voltaram para o mar e iniciaram as suas viagens em busca de novas terras.

No séc. XVI, diz-nos o Doutor Gaspar Frutuoso na sua obra “Saudades da Terra”:

“ e, vindo João Vaz Corte Real do descobrimento da Terra Nova dos Bacalhaus, que por mandado de el-rei foi fazer, lhe foi dada a Capitania de Angra, da Ilha Terceira, e da ilha de São Jorge”. Diz ainda: “ Foi este João Vaz tão esforçado cavaleiro e temido capitão, que nunca deu batalha no mar, nem na terra, que não vencesse, e tão afortunado, que sempre tomou aos castelhanos as maiores presas que neste reino de Portugal se tomaram deles”.  

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Panorama actural da cidade de Angra. Notar o Monte Brasil que protege o porto de Angra dos ventos vindo do oeste, originando um porto natural para a navegação

 

(8) Dr.L.S. – Como e quando é que João Vaz Corte Real foi feito Donatário de Angra e Ilha de São Jorge nos Açores?     

J.M. – O Infante D. Henrique, grande impulsionador dos Descobrimentos Marítimos Portugueses, ao falecer na sua Vila de Sagres, a 13 de Novembro de 1460, por testamento deixou: A conquista de novas terras à Coroa Portuguesa, então cingida por El – Rei D. Afonso V, seu sobrinho, filho Del Rei D. Duarte; A outro sobrinho, o Infante D. Fernando, filho do mesmo Rei D. Duarte, casado com a infanta D. Brites ou Beatriz, a quem o Infante D. Henrique adoptou e amava com carinho de pai, no dizer de escritores antigos, deixou em testamento o Mestrado da Ordem de Cristo, com as llhas da Madeira, Porto Santo, Cabo Verde, S. Tomé, e Açôres. 

Nesse tempo era Capitão Donatário da Ilha Terceira Jácome Bruges. O Infante D. Fernando embora muito ocupado, bem como El Rei seu irmão com a guerra de Ceuta, não descurou o povoamento da Ilha Terceira, e para lá mandou Álvaro Martins Homem, fidalgo de sua Casa. Este apenas chegou começou a empossar-se da parte de Angra, construindo as suas casas, fazendo nestas obras um gasto considerável, que depois lhe pagou João Vaz Corte Real. 

Por morte do Infante D. Fernando, passou o governo dos Açôres à Infanta D. Brites, sua esposa, na menoridade de seu filho, o Duque D. Diogo.   Após o desaparecimento de Jácome Bruges, A Infanta D. Brites dividiu a Ilha Terceira em duas Capitanias independentes, tendo João Vaz Corte Real escolhido a parte de Angra. A carta de Doação da Infanta D. Brites a João Vaz Corte Real foi feita a 2 de Abril do ano de 1474. Esta mercê foi concedida a João Vaz Corte Real, premiando os seus altos serviços à Coroa Portuguesa, quando regressava do descobrimento da Terra Nova dos Bacalhaus, que por mandado de el rei fora fazer.

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Casa do Capitão João Vaz Corte Real em Angra, na Terceira 

(9) Dr.L.S. – Quando é que João Vaz Corte Real se estabeleceu em Angra? 

J.M. – João Vaz Corte Real, na qualidade de 1º Capitão Donatário de Angra, e sua mulher D. Maria Abarca, acompanhados de grande comitiva, desembarcaram em Angra no ano de 1474. 

Em Angra nasceram seus filhos, excepto Vasco Annes Corte Real, que é natural de Tavira.  

O seu grande prestígio atraiu à Ilha Terceira muitas pessoas nobres, que se transportaram do reino, Ilha da Madeira, e ainda de países estrangeiros. A estes, João Vaz Corte Real deu terras de sesmaria, promovendo assim o progresso da agricultura e o aumento da povoação. Dedicou-se ao comércio, e às grandes obras, que em seu tempo se começaram: Nas estruturas básicas destaca-se o completo encanamento da ribeira que atravessa a cidade de Angra; a construção do Castelo dos Moinhos, edificado conforme o plano do provedor de fortificações Pedro Annes Rebello, e do qual veio a ser Alcaide Mór; Construção das muralhas, e Casa da Alfândega na baía de Angra; Construção da Capela Mór do Mosteiro de S. Francisco, de que foi padroeiro e onde ele e sua mulher estão sepultados; Construção do Hospital de Santo Espírito, criado por alvará de 15 de Março de 1492.    

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Tabuleta na Casa  dos Corte Reais em Angra:  "Casa do Capitão  ou dos Corte-Reais onde residiram os Capitães de Angra, a partir da segunda metade do século XV

 

(10)  Dr.L.S. – Quantos filhos teve João Vaz Corte Real, e quem foram esses seus continuadores?             

J.M. – João Vaz Corte Real e sua mulher D. Maria Abarca, tiveram seis filhos. Por ordem de nascimento: Vasco Annes Corte Real; Gaspar Corte Real; Miguel Corte Real; D. Joana Vaz Corte Real; D. Iria Corte Real; e D. Izabel Corte Real. Nasceram em Angra, excepto Vasco Annes Corte Real, o único que nasceu em Tavira.       

Como acabámos de dizer Vasco Annes Corte Real, foi o único dos

filhos de João Vaz Corte Real, que não nasceu em Angra, mas sim em Tavira. Foi Alcaide Mór de Tavira, e desempenhava na corte o cargo de Vèdor ou Veador do Paço, no tempo Del Rei D.Manoel I. 

Conforme descreve Gaspar Frutuoso, no seu livro Saudades da Terra, morava em Lisboa “ ao longo do rio, defronte da Freguesia de S. Paulo, ao Cais, que do seu nome se chama, Cais do Veador, onde se erguia um rico aposento, onde moraram também seus descendentes, onde tinha seu sítio grande e campo cercado, que entestava com suas casas e que, por mercê de El-Rei, era couto.”  

Vasco Annes Corte Real casou com D.Joana da Silva, filha de D.Garcia de Mello, Alcaide Mór de Serpa, trineta de Vasco Martins de Mello, progenitor dos Duques de Cadaval.

O Palácio de Vasco Annes Corte Real, como dissemos, sito junto ao Paço da Ribeira, foi passando sucessivamente aos seus descendentes até sua bisneta, D. Margarida Corte Real, visto que seu irmão primogénito Manoel Corte Real, morreu com D. Sebastião em Alcácer Quibir.            

D. Margarida Corte Real era então uma das mais ricas herdeiras de Portugal. Morgada e Donatária de Angra e Ilha de S. Jorge.

O Rei Filipe II dos Castelhanos e I de Portugal escolheu, como homem da sua confiança, a D. Christóvão de Moura, português ao serviço de Castela, membro do seu conselho de estado e vèdor ou veador da sua Fazenda.

O desempenho de D. Christóvão de Moura, até Vice-Rei de Portugal, agradou de tal modo a Filipe I de Portugal, que o cumulou de benesses.

Porém, Christóvão de Moura, entre as muitas honras e mercês do seu real amo, nenhuma recebeu mais valiosa do que a riquíssima herdeira, D. Margarida Corte Real, em casamento, apenas com a obrigação de usar o apelido Corte Real de sua mulher.

Já D. Margarida Corte Real estava casada com D. Christóvão de Moura, que só teve o título de Conde de Castelo Rodrigo em 1594, e o de Marquês de Castelo Rodrigo em 1598, quando El Rei Filipe lhe passou alvará para tomar posse das capitanias da Ilhas Terceira e S. Jorge.

O Palácio do Corte Real, também conhecido pela Corte Real, foi confiscado a quando da Restauração da Independência de Portugal em 1640. Este Palácio depois de confiscado veio a ser moradia de D. Pedro II, tendo aí sido urdido o torpe episódio da abdicação e anulação do casamento do infeliz D. Afonso VI. Mais tarde o palácio voltou à posse dos descendentes de Christóvão de Moura Corte Real, que o venderam a D. Pedro III, tio e marido da pobre louca D. Maria I.

Por fim em 1781 um enorme e voraz incêndio destruiu quási por completo este palácio, consumindo em menos de quatro horas, 185 aposentos em que se contavam 18 salas reais, com todo o seu recheio de sumptuoso mobiliário, e os quatro majestosos torreões dos cantos.

 (11) Dr.L.S. -  Antes de passarmos à descendência de Vasco Annes Corte  Real, vejamos quem foram os outros filhos de João Vaz Corte Real?

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Carta do Rei  D. Manuel a Gaspar Corte Real  autorizando-o a partir em 1500 para a America do Norte.  Notar o nome de Gaspar Corte Real  sublinhado a vermelho. 

Gaspar Corte Real

Estátua de Gaspar Corte Real em São João da Terra Nova em frente  o Edifício do Governo da Província. Notar  que o barrete dele é bicudo, um símbolo da Nobreza Portuguesa.

 

 

  J.M. -  Gaspar Corte Real, segundo filho de João Vaz Corte Real e de sua mulher D. Maria Abarca, foi   o primeiro a nascer em Angra.  No ano de 15OO saiu do Tejo num navio segundo Damião sde Góis e Jerónimo Osório, ou partiu da Ilha Terceira, com dois navios armados à sua custa no dizer de António Galvão, em direcção ao Norte, chegando a uma região do Continente Americano, que descobriu e a que os escritores antigos chamaram de Terra Verde, ou ainda Terra de Lavrador, ouTerra do Bacalhau.

Gaspar Corte Real voltou a Portugal em 1501, e partindo novamente para aquelas paragens, nunca mais se soube dele, nem dos navios de que se compunha a sua armada. A 3 de Janeiro de1488, 9 de Junho de1493, 2 de Janeiro de 1497 e 23 de Março de 1499 estava Gaspar Corte Real em Angra, como o comprovam as cartas de sesmaria, que têm as mencionadas datas e pelas quais Gaspar Corte Real, como lugar tenente de seu pai, fez doação de várias terras a diferentes povoadores da Ilha Terceira. Gaspar Corte Real não casou e não existe hoje descendência sua.  Vimos quem foi Gaspar Corte Real, agora vamos falar de Miguel Corte Real, terceiro filho de João Vaz Corte Real e de D. Maria Abarca. 

Para descrição física e intelectural clique aqui:   Retrato de Miguel Corte Real  

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Carta do Rei D. Manuel a Miguel Corte Real  autorizando-o  a sair de Lisboa  em 1502,  a procura do irmao Gaspar Corte Real,  que nao tinha regressado a Lisboa da sua  viagem em 1501.

Recibo assinado por Miguel Corte Real para pagar os biscoitos e bolachas para a longa viagem 

 

Miguel Corte Real, nasceu na Ilha Terceira em Angra, e como seu irmão Gaspar, foi arrojado Navegador da Epopeia dos Descobrimentos. Foi Porteiro Mór do rei D. Manoel I. Partiu de Lisboa  em 10 de Maio de 1502, com navios armados à sua custa, à procura de seu irmão Gaspar Corte Real, e como ele não voltou ao Reino de Portugal. Casou com D. Izabel de Castro, filha de D. Garcia de Castro, do seu 2º casamento com D. Catharina da Costa.  Este D. Garcia de Castro é  irmão do 1º Conde de Monsanto. Deste casamento de Miguel Corte Real com D. Izabel de Castro, nasceram duas filhas.

 

 D. Catharina de Castro Corte Real, a primeira filha de Miguel Corte Real, e de D. Izabel de Castro, casou com D. Diogo de Mello da Silva, Veador da Rainha D. Catharina, mulher de D. João III, e deles nasceram: D. Christóvão de Mello, que casou com D. Catharina de   Barros, com geração; Garcia de Mello que casou com D. Filipa Soares, e tiveram: Pedro de Mello; Ignácio de Mello, ambos sem geração.              

 

D. Joana de Castro Corte Real, 2ª filha de Miguel Corte Real e de D. Izabel de Castro, casou com Leonel de Sousa de Lima, senhor da Ericeira. Não tiveram geração.

 

 D. Joana Vaz Corte Real, foi o quarto filho de João Vaz Corte Real e de sua mulher D. Maria Abarca. Será para mim particularmente grato falar dela, visto que é minha avó em 13ªgeração. Nasceu D. Joana Vaz Corte Real em Angra, na Ilha Terceira, onde casou com Guilherme Moniz Barreto, filho de Henrique Moniz,Alcaide Mór de Silves, e de D.I gnêz de Menezes Barreto, filha de Gonçallo Nunes Barreto, Alcaide Mór de Faro e Morgado da Quarteira

 

Não esqeçamos que o 1ºcasamento de Henrique Moniz, foi com D. Izabel Vaz Corte Real, irmã de João Vaz Corte Real. Agora um filho de Henrique Moniz, do seu 2º casamento com D. Ignêz de Menezes Barreto, Guilherme Moniz Barreto, protagoniza a segunda aliança dos Monizes com os Corte Reais. Fruto deste casamento surge a família Moniz Corte Real. Estabelece-se  ainda  uma  ligação  familiar com os Pereiras, visto que Henrique Moniz, Alcaide Mór de Silves é sobrinho neto de D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável do Reino.

 

 A quando do casamento de D.Joana Vaz Corte Real com Guilherme Moniz Barreto, seu pai João Vaz Corte Real, Donatário de Angra deu-lhes abundantes terras e bens com que constituíram o Morgadio Moniz Corte Real.

 

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Foto da Igreja de São Francisco em Angra, considerada o Panteão Açoriano, pois nela repousam no altar mór os restos mortais de João Vaz Corte Real e de sua mulher D. Maria Abarca, no altar lateral de S. Luís Rei de França, está sepultada sua filha D. Joana Vaz Corte Real e seu marido Guilherme Moniz Barreto. Nesta Igreja está ainda sepultado Paulo da Gama, irmão de Vasco da Gama, que faleceu no regresso da viagem do descobrimento do caminho marítimo da Índia.

Estatua  de João  Vaz Corte Real,  com a lápide  dentro da Igreja de São Francisco

 

(12) Dr.L.S. – Com que famílias se ligaram os Corte Reais na sequência do casamento de D. Joana Vaz Corte Real com Guilherme Moniz Barreto?

J.M. – Ligaram-se inicialmente Os Corte Reais aos Monizes e aos  Barretos. Guilherme Moniz Barreto com quem D. Joana Vaz Corte Real casou, é filho de Henrique Moniz, Alcaide Mór de Silves, irmão de Vasco Martins Moniz, e ambos filhos de Vasco Martins Moniz, fidalgo da Casa de D. João I, Vedor da Fazenda do Infante D. Henrique, e de sua   mulher D.Brites Pereira, por sua vez filha de Payo Pereira e D.Leonor Fermosa, sobrinha de D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável do Reino.

 Vasco Martins Moniz, Comendador de Panoyas e Garvão, irmão de Henrique Moniz, Alcaide Mór de Silves, é progenitor dos Duques de Cadaval. Visto que sua filha, D. Joana Pereira, sobrinha de Henrique Moniz, casou com D. Francisco de Almeida, 1º Vice – Rei da Índia, e a filha destes, D.Leonor de Almeida, casou com D.Rodrigo de Mello,1º Conde de Tentúgal, e são origem dos Duques de Cadaval.

 Portanto recuando nos tempos vemos que os Duques de Cadaval são netos de Vasco Martins Moniz, e sobrinhos netos de Henrique Moniz, Alcaide Mór de Silves.

 (13) Dr.L.S. – Vimos  a  aliança dos Monizes com os Corte Reais,  como se  deu a aliança dos Barretos com os Corte Reais?        

J.M. – Guilherme Moniz Barreto, marido de D. Joana Vaz Corte Real, é filho de Henrique Moniz, Alcaide Mór de Silves e de D. Ignêz de Menezes Barreto.

D. Ignêz  de Menezes Barreto é filha de Goçallo Nunes Barreto, Alcaide Mór de Faro, e de D.Izabel Pereira, filha de Diogo Pereira, Comendador Mór de São Tiago Mayor.

Esta D. Ignêz de Menezes Barreto é neta em 6ª geração de Fernão Gomes Barreto e   de sua   mulher D. Sancha Pires, trineta de Egas Moniz, Barão, como se lhe dirige por carta o Papa Pascoal II,Príncipe Colimbriense, Ayo de D. Afonso Henriques.

(14) Dr.L.S. – Como é que D. Sancha Pires é trineta de Egas Moniz ?

J.M. – D. Sancha Pires é filha de D. Payo Viegas de Alvarenga e de D. Teresa Annes, neta de D. Egas Afonso de Alvarenga e de D. Sancha Paes, bisneta do filho de D. Egas Moniz, D. Moço Viegas, “Dom Afonso Viegas que chamarom  por sobrenome Dom Moço Viegas”, e de D. Aldara Peres.                      

(15) Dr.L.S – Qual a origem destes Barretos que  se  notabilizaram  na  conquista e defesa do Algarve?          

J.M. – Segundo os escritores antigos  e principais nobiliários, os Barretos são descendentes de D.Arnaldo de Bayão, filho 3º do Imperdor Guido, 27º Duque de Spoleto, 32º Conde da Toscana e de sua mulher D. Ermezenda, filha de D. Ero Fernandes, Conde de Lugo.  

D. Arnaldo de Bayão é neto paterno de Lamberto II, 26º Duque de Spoleto,31º Conde da Toscana, e de sua mulher a Princesa Adelayde, filha de Pepino, Rei de Itália (781-810),neta de Carlos Magno, Rei dos Francos, 1º Imperador Cristão do Ocidente, coroado pelo Papa Leão III, na noite de natal do ano 800 da era Cristã.

D.Arnaldo de Bayão, pelo lado paterno é ainda bisneto de Guido,O Velho, 25º Duque de Spoleto, 30º Conde da Toscana, e de sua mulher a  Princesa  Rita,   filha  de  Seiómio, Príncipe de Benevento do sangue real de França.          

(16) Dr.L.S. - Quem foram os filhos de Guilherme Moniz Barreto e de D.Joana Vaz Corte Real?       

   J.M. –Como Guilherme Moniz Barreto e sua mulher D. Joana Vaz Corte Real são meus avós em 13ª geração, tenho elementos  que me  permitem  enumerar  as  suas  sucessivas  gerações até aos nossos dias.

Foram seus filhos: Sebastião Moniz Barreto; Balthazar  Moniz  Corte Real; D. Ignêz Moniz Barreto; D. Francisca Moniz Barreto. Passo a fazer um pequeno apontamento sobre cada um dos filhos, falando em último lugar do filho primogénito que dá continuidade à família Moniz Corte Real.             

Balthazar Moniz Corte Real, segundo filho de Guilherme Moniz Barreto e de D. Joana Vaz Corte Real, casou duas vezes: Primeiro com D. Violante e pela segunda vez com D.Maria Paes da Cunha. Deste segundo matrimónio nasceu D. Maria da Cunha, que veio a ser mulher de Diogo de Mendonça, Governador do Brasil e de quem teve D. Joana de Mendonça, casada com Manoel de Sousa da Silva, Cavaleiro e Comendador da Ordem d’Aviz e da Ordem de Cristo, que por sua vez tiveram:

D.Luiza Maria de Mendonça e Eça, Marqueza de Monte Bello, pelo seu casamento com António Félix Machado, 2ºMarquês de Monte Bello, Alcaide Mór de Mourão, realizado em 10 de Fevereiro de1676, com geração; D. Madalena  de Mendonça de Sousa da Silva, Condessa  de  Val dos Reis pelo seu casamento com Lourenço de Mendonça de Moura e Sousa, 3º Conde de Val dos Reis, realizado em 15 de Janeiro de 1669, com geração. 

D. Ignêz Moniz Barreto, terceiro filho de Guilherme Moniz Barreto e de D. Joana Vaz Corte Real, casou com Ruy Gomes da Grã, de quem não houve geração.

Feito um resumido apontamento sobre os filhos   de  Guilherme  Moniz Barreto e D. Joana Vaz Corte Real, falta-nos falar do filho primógenito.

Sebastião Moniz Barreto,2º Morgado Moniz Corte Real, casou com sua prima D. Joana  Menezes da Silva, descendente  da  mais alta nobreza de  Portugal e Castela, filha  de  Henrique Moniz, segundo deste nome, Alcaide Mór de Silves, e de sua mulher D. Francisca Menezes da Silva. Pelo lado paterno é descendente da família Moniz  Corte  Real, pelo lado materno dos Menezes da Silva .

D. Joana Menezes da Silva é: Trineta  de  Ayres Gomes da Silva, Alcaide Mór de Montemor O Velho e de sua mulher D. Brites de Menezes;

Neta em 5ª geração de D. Gonçallo Telles de Menezes, 1º Conde  de Neiva e Faria, e de sua mulher D.Maria Afonso de Albuquerque, bis- neta Del Rei D. Diniz; Neta em 8ª geração  Del  Rei  D. Diniz;

Neta em 10ª geração de D. Teresa Sanches, filha Del Rei D. Sancho I, e de seu marido D. Afonso Telles de Menezes, 1º Senhor de Menezes; Neta em 11ª geração de D.Sancho I, 2º Rei de Portugal;

Neta em 12ª geração de D. Afonso Henriques, 1º Rei de Portugal; Neta em 14ª geração  de  D. Sancha Moniz, irmã da Rainha D.Teresa Afonso, e de seu marido e primo o Conde D. Osório de Cabrera, filho da Infanta D. Elvira; Neta em 15ª geração de D. Bermudo II, Rei de Leão e de D. Velasquita; Neta 15ª geração de Fruela II, Rei de Leão e Astúrias, e de D. Nunilo Ximena, infanta de Navarra; Neta em 16ª geração  de  Affonso III, duodécimo entre os Reis de Oviedo, Astúrias e Galiza, e da Rainha D. Ximena; Neta em 16ª geração de  D. Fernando Magno, Rei de Castela, Leão  e Astúrias, e da Rainha D. Sancha.                 

Deste matrimónio nasceu Guilherme Moniz Barreto, 3º Morgado Moniz Corte Real, que casou com D. Simôa Alvares de Carvalho. Para  abreviar  vou citar as sucessivas gerações dos Morgados Moniz Corte Realaté aos nossos tempos:      

Diogo Moniz Barreto, 4º Morgado Moniz Corte Real, casou com D. Izabel Abarca Pinheiro de Barcelos, filha de Constantino Machado de Barcelos e de D. Catharina Pacheco de Lima Corte Real;

    Diogo Moniz Barreto, 5º Morgado Moniz Corte Real, casou com D.Margarida da Silveira  Pamplona  de Miranda, filha do primeiro casamento de João Álvares Pamplona de Miranda,Senhor da Casa e Morgado dos Pamplonas, com D. Mécia da Silveira Borges; João Moniz Barreto, 6º Morgado Moniz Corte Real, casou com D.Maria Fagundes Terra;               

António Moniz Barreto Corte Real,7º Morgado Moniz Corte Real, casou com  D. Maria Josepha da Câmara de Sá Salazar, neta em 6ª geração de Ruy Gonçalves da Câmara Donatário da Ilha de S. Miguel em 1474, neta em 7ª geração de João Gonçalves Zarco, descobridor da Madeira, e 1º Donatário do Funchal desde 1419, e  de  sua mulher D. Constança Rodrigues de Sá, neta em 8ª geração de Jhean IV de Bethencourt, Barão de Saint-Martin - de Gailhard, Rei das Ilhas Canárias;

 Francisco Moniz Barreto Corte Real, 8º Morgado Moniz Corte Real, casou com D. Clara Sophia Pacheco de Mello;    Manoel Diogo Moniz Barreto Corte Real, 9º Morgado Moniz Corte Real, casou com D. Joana Luísa de Menezes, filha de António de Sousa Menezes  e de D.Luísa Rosa de Bettencourt, neta em 9ª geração de Henri de Bettencourt e de sua mulher e prima  D. Margueritte  de  Bethencourt, filha de Jhean IV de Bethencourt, Senhor de Bethencourt, Barão de Saint – Martin – de – Gailhard, Rei das Canárias, e de sua 2ª mulher D. Lerize Guardateme, Princesa das Ilhas Canárias, Senhora da Ilha de Lançarote, filha de Fernando Guardateme, Rei das Ilhas Canárias;

João Moniz Barreto Corte Real, 10º Morgado Moniz Corte Real, casou com D. Marianna Izabel de Sá,filha de Manoel Leandro de Sá, Cavaleiro da Casa Real e de D. Joana Rita Camello;

João Moniz de Sá Corte Real, 11º e último Morgado Moniz Corte Real, pois em sua vida em 19/05/1863 foi abolida a lei dos Morgadios, casou duas vezes, a primeira com D.Guilhermina Borges do Canto,e a segunda com D. Anna Augusta de Bettencourt.

João Moniz de Sá Corte Real,11º Morgado Moniz Corte Real e D Anna Augusta Bettencourt são trisavós de João Emanuel Moniz Campos Gomes que convosco dialoga. 

D. Adelaide Moniz de Sá  Corte Real, minha bisavó, filha de João Moniz de Sá Corte Real, casou com Joaquim Borges de Lemos Fagundes, filho de Jacinto Borges da Costa e de D. Ludovina  Cândida  Borges da Costa, irmão de D. Maria Emília Borges de Lemos, casada com António

Germano da Costa, bisavós de minha estimada prima D. Maria Margarida Areias Mendes Pereira, casada  com o  Engº Manuel Henrique Coelho Gil.                 

Joaquim Borges de Lemos Fagundes é neto em11ª geração de Rodrigo Affonso Fagundes, descendente dos antigos Fagundes, fidalgos de Merufe, no extinto julgado  da  Feira, pagem  do  Infante  D. Henrique, seu mestre na astrologia judiciária, segundo autores antigos. Rodrigo Affonso Fagundes, já viúvo, após a morte do Infante D. Henrique, passou à Ilha Terceira, trazendo consigo as suas duas filhas: D. Izabel Rodrigues Fagundes,avó em10ª geração de Joaquim Borges de Lemos Fagundes; e D. Ignêz Rodrigues Fagundes, que casou com Affonso Gonçalves de  Antona Baldaya.         

Olympio Moniz Borges de Lemos, meu avô, é filho de Adelaide Moniz de Sá Corte Real e de Joaquim  Borges de Lemos  Fagundes, neto de João Moniz de Sá Corte Real, 11º Morgado  Moniz Corte Real  e  de  D. Anna Augusta de Bettencourt, casou com D. Maria das Mercês Pinto Campos, filha de Alfredo Luís Campos, autor da Memória  da  Visita  Régia Á IlhaTerceira, e de sua mulher D. Carlota Augusta de Sousa Pinto.         

Do matrimónio  de  Olympio  Moniz  Borges de Lemos com D. Maria das Mercês Pinto Campos, foi filho primogénito, minha mãe D. Nívea Moniz Campos  de  Lemos, bisneta portanto de João  Moniz  de Sá Corte Real,11º Morgado Moniz Corte Real e de sua mulher D.Anna Augusta de Bettencourt, que casou com João de Deus da Silveira Gomes, filho de José Maria Gomes, e de D. Ana Etelvina da Silveira Borges. 

Além de mim, João Emanuel Moniz Campos Gomes, seu filho primogénito vivo, meus pais tiveram mais três filhos e três filhas de quem irei falar. 

 

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Dr. João Emanuel Moniz  Campos Gomes, com o Brasão da Familia 

 

Eu, João Emanuel Moniz Campos Gomes trineto primogénito vivo de João Moniz de Sá Corte Real,11º Morgado Moniz Corte Real e de D. Anna Augusta de Bettencourt, pelos meus onze, doze anos, motivado por vocação religiosa frequentei, para  além  do  Colégio Académico de Sintra, onde iniciei o curso Liceal, os Seminários do Patriarcado de Lisboa,Santarém, Almada, Olivais e Universidade Católica.

Nos Seminários do Patriarcado pertenci ao Curso de S. Pio X, onde tive a honra de ser colega de D. José da Cruz Policarpo, actual  Cardeal  Patriarca  de Lisboa. Não cheguei a ser  ordenado  Sacerdote  por motivos de saúde. Um esgotamento cerebral acometeu-me  já nos  Olivais, onde então cursava Teologia.  

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Brasão Moniz Corte Real

Tendo faltado meu pai, fiquei à frente de minha família, cabendo-me o dever de criar e educar meus irmãos muito mais novos.

Tendo em conta a minha formação Filosófica e Teológica, o então Director da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, Professor Doutor Freitas Ferreira, passou-me certificado de Equivalência a Licenciatura para todos os efeitos profissionais.

Presentemente  estou  aposentado como Verificador Especialista da Direcção Geral das Alfândegas.           

Tendo  falecido  minha  irmã,  Nívea Maria Moniz Campos Gomes, de 49 anos de idade, em 1998,  satisfazendo o seu pedido, feito na hora da sua morte, fiquei  como tutor e pai adoptivo pelo coração, de minha sobrinha Adelaide Maria Alves Moniz Corte Real Gomes, nessa altura apenas com cinco anos de idade, a quem por testamento nomeei   herdeira universal de meus bens e direitos, tal como se fosse minha filha biológica.   

    

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Brasão da Aliança Moniz Corte Real        

Em relação aos Corte Reais, eu sou neto em 14ª geração, e  a Adelaide em 15ª geração, de João  Vaz  Corte  Real, Donatário de Angra e de sua Mulher D. Maria Abarca.                

Meu irmão Jorge Alberto  da  Trindade  Moniz  Campos  Gomes, faleceu com 22 meses de idade. Paulo Henrique Moniz Campos Gomes, faleceu também com 6 anos de idade.        

Minha irmã Maria de Fátima Moniz Campos Gomes, trineta de João Moniz de Sá Corte Real, 11º Morgado Moniz Corte Real, e de  D. Anna  Augusta de Bettencourt, casou com João Manuel de Oliveira Carreira de quem teve: João  Pedro  Moniz  Campos Carreira, tetraneto  de  João  Moniz  de Sá Corte Real,11ºMorgado Moniz Corte Real, e de D.Anna Augusta de Bettencourt, Director Bancário, casou  com  Cristina  Alexandra FernandesQuintans Vaz. Deste matrimónio nasceram:       Pedro Diogo Moniz Vaz Carreira, de 16 anos de idade; Bernardo Pedro Moniz Vaz Carreira, de 10 anos de idade; Mariana Moniz Vaz Carreira, de 7 anos de idade;

Duarte Nuno Moniz Campos Carreira, tetraneto de João  Moniz  de  Sá Corte Real, e de D. Anna Augusta de Bettencourt, de 34 anos de idade, Engenheiro Agrónomo, com Mestrado feito em  Engenharia  da  Rega e Recursos Agrícolas, solteiro sem geração;  Paulo Manuel Moniz Campos Carreira, tetraneto de João  Moniz  de  Corte Real, de 32 anos de idade, licenciado em Marketing e Publicidade, casou com Ana Cristina Costa Santos, Engenheira Química, de quem teve Ana Francisca Moniz Corte Real Santos Carreira, de 2 anos de idade.          

 Minha irmã Nívea Maria Moniz Campos Gomes, trineta de João Moniz Sá Corte Real, 11º Morgado Moniz Corte Real, e de D. Ana Augusta de Bettencourt, casou com António Fernandes Alves, falecido em 1995, e de quem teve em 1992 sua filha Adelaide Maria Alves Moniz Corte Real.

Tendo  falecido  minha  irmã aos 49 anos de idade em 1998, adoptei minha sobrinha, satisfazendo seu pedido, feito na hora da sua morte. 

 Lourdes da Assunção Pinto Campos Gomes, das irmãs a mais nova, trineta de João Moniz de Sá Corte Real, 11º Morgado Moniz Corte Real, e de D. Anna Augusta de Bettencourt, casou com Vítor Manuel Nogueira Duarte Silva. Deste matrimónio nasceram: Sofia Alexandra  Moniz Duarte Silva, de 28 anos de idade, licenciada  em  Administração  e  Gestão de Empresas, pela Universidade Católica Portuguesa, solteira;    Paula Cristina Moniz Duarte Silva, de 24 anos de idade, a acabar também a sua licenciatura em Administração e Gestão de Empresas no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, solteira;                                                                                                                                                                                                                                                                       

Falta falar de meu irmão mais novo de todos,José Olímpio Pinto de Lemos Gomes, falecido aos 31 anos de idade, sem geração.          

Termina aqui a enumeração dos descendentes de D.Joana Vaz Corte, Real, e de seu marido Guilherme Moniz Barreto. Falta-nos fazer referência à 5ª e 6ª filhas de João Vaz Corte Real e de D. Maria Abarca.        

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Entrada principal da Casa Residencial de minha Bisavó, Adelaide Moniz de Sá  Corte Real, onde vivia com sua filha, Maria Ludovina Moniz Borges Pamplona e seu genro Rufino Martins Pamplona.  Neste Solar de Santa Catarina, actualmente  propriedade da Diocese de Angra, almoçou e descançou o Papa João  Paulo II, aquando da sua visita aos Açores. 

 

 D. Iria Corte Real, quinto filho de João Vaz Corte Real e de D. Maria Abarca, casou com Pedro Góis da Silva, que  em  1526,  por ciúmes, ao que parece infundados, “a assassinou mal e como não devia”, segundo    rezam  as crónicas  antigas. Não  me  consta que tenha havido descendência deste matrimónio.          

 D. Izabel Corte Real, 6º filho de João Vaz Corte Real e de D. Maria Abarca, casou com Józ D’Utra, 2º Capitão Donatário das Ilhas do Faial e Pico, por carta régia de 31 de Maio de 1509, confirmado por outra carta de 22 de Outubro de 1528. Deste matrimónio nasceram: Manoel D’ Utra Corte Real, primogénito de quem falaremos depois de sua única irmã; D. Francisca D’ Utra Corte Real, que casou com Heitor Rodrigues, sem geração.     

 

 

   

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Nau "São Gabriel"  usada por Vasco da Gama na sua primeira viagem a India em 1497 .

Notar as Cruzes da Ordem de Cristo nas velas com as extremidades terminando em 45 graus.  

 Manoel D’ Utra Corte Real,3º Capitão Donatário das Ilhas do Faial e Pico, casou com D. Maria Vicente, e tiveram:  Gaspar D’Utra Corte Real, casado em Lisboa com D. Elisa ou Helena  Nunes  Homem, que por sua vez tiveram uma única  filha, que veio a falecer sem geração, e  de seu  nome  D. Luiza D’ Utra Corte Real;   Jerónymo D’ Utra Corte Real, 6º Capitão Donatário das Ilhas do Faial e Pico, ( o 4º e 5º Capitães Donatários foram D. Álvaro de Castro e D. Francisco de Mascarenhas, estranhos a esta família),   casou em Lisboa com D. Margarida de Azevedo. Tiveram  uma  única filha, D.Luiza D’Utra Corte Real, que casou com Pedro Coelho da Silva, que por sua vez tiveram  um  único filho, que faleceu na Índia, sem geração;  Salvador e D. Antónia D’Utra Corte Real  faleceram sem deixar descendência;  D. Catharina de S.Salvador, fundadora do Convento da Glória, na Horta; D. Barbara  Corte  Real, fundadora da capela de Nossa Senhora  doRosário, na igreja de S. Francisco.

Tendo já falado de todos os filhos de João  Vaz  Corte  Real e sua desdência, falta-nos fazer referência à descendência de Vasco Annes Corte Real, seu filho primogénito.

 (17)  Dr.L.S.– Quem foram então, os filhos de Vasco Annes Corte Real, filho primogénito de João Vaz Corte Real, e de D. Maria Abarca?              

 J.M. –Vasco Annes Corte Real, Primeiro filho de João Vaz Corte Real,  teve de D. Joana da Silva oito filhos. A saber:   Manoel Corte Real, filho primogénito,foi senhor das saboarias das Ilhas Terceira e São Jorge, conforme carta d’el-rei D. Manoel I, 2 de Abril de 1518; 3º Capitão Donatário de Angra e Ilha de São Jorge, confirmado por carta régia de 3 de Agosto de 1538; Senhor da Terra Nova, por carta de 6 de Agosto de 1538; Alcaide Mór do Castelo de S. Sebastião de Angra, por carta de 25 de Outubro de 1576.  Dicidiu em 1567, mandar à Terra Nova uma expedição de três navios com povoadores da Ilha Terceira, para lá se estabelecerem, tendo obtido d’el-rei D. Sebastião o auxílio solicitado como consta da carta de 4 de Maio de 1567 transcrita a pag. 537 do IV volume do Arquivo dos Açôres.     

Manoel Corte Real casou com D. Brites de Mendonça, Dama da Rainha D. Catharina, filha de D. Inigo Lopes de Mendonça, fidalgo Castelhano de Valhadolid, e de sua mulher D. Maria de Baçam. Deste matrimónio nasceram seis filhos.  Ao primogénito foi-lhe dado o nome de seu avô chamando-lhe Vasco Annes Corte Real.Foi 4ºCapitão Donatário de Angra e Ilha de São Jorge, conforme carta de el-rei o Cardeal D. Henri   que, datada de 28 de Novembro de 1578, e senhor da Terra Nova, em que foi confirmado por carta do mesmo rei, datada de 26 de Maio de 1579. Casou com D. Catharina da Silva, filha de D. João de Mascarenhas, Capitão de Ginetes e Comendador de Mértola e de sua mulher D. Margarida da Silva Coutinho, filha de D. Vasco Coutinho, Conde de Borba, e de D. Catharina da Silva, filha de D. João de Menezes, senhor de Cantanhede, e de D. Leonor da Silva, filha de D. Martim Pires da Charneca, Arcebispo de Braga. Vasco Annes Corte Real e D. Catharina da Silva tiveram cinco filhos: Manoel Corte Real, filho primogénito de Vasco Annes Corte Real e de D. Catharina da Silva, morreu na batalha de Alcácer Quivir a 4 de Agosto de 1578, acompanhando el-rei D. Sebastião.                      

Sucedeu-lhe sua irmã D.Margarida Corte Real, herdeira de seu pai, Vasco Annes Corte Real, pela morte de seu irmão primogénito Manoel Corte Real.      

 D. Margarida Corte Real foi Marquesa de Castelo Rodrigo pelo seu casamento com D.Cristóvão de Moura,1º Marquês de Castelo Rodrigo, membro do Conselho de Estado, Vedor da Fazenda e Gentil

 Homem da câmara d’el - rei D. Filipe II de Castela e I de Portugal, Comendador de Alcântara, Grande de Espanha e Vice-Rei de Portugal. Pelo seu casamento com D.Margarida Corte Real foi 5º Capitão Donatário de Angra e Ilha de São Jorge,por carta régia de 27 de Junho de 1582.

 Deste matrimónio nasceram três filhos e quatro filhas: D. Vasco e D.Luiz, que faleceram crianças; D.Manoel de Moura Corte Real, de quem falaremos a seguir; D.Maria de Moura Corte Real, Condessa de Vimioso;  D. Brites de Moura Corte Real, Duquesa de Alcalá; D. Margarida de Moura Corte Real, Condessa de Portalegre; D. Catharina de Moura Corte Real, que faleceu criança.  

D. Manoel de Moura Corte Real, 1º Conde de Lumiares, em vida  de seu pai, foi 2º Marquês de Castelo Rodrigo, por morte deste. Foi Mordomo Mór e Veador da Fazenda de D. Filipe IV de Castela, 6º   Capitão Donatário de Angra, Praia e Ilha de São Jorge. Casou com D. Leonor de Mello, Dama da Infanta D. Ana d’Aústria, e filha de D. Nuno Álvares Pereira, 3º Conde de Tentúgal, e da Condessa D. Mariana de Castro Osório Moscozo, avós de D. Nuno Álvares Pereira de Mello, que veio a ser 5º Conde de Tentúgal e 1º Duque de Cadaval.  Após a Revolução de 1640, os seus bens em Portugal, incluindo a Quinta do actual Palácio de Queluz, foram-lhes confiscados.  D.Manoel de Moura Corte Real deixou geração ilustre em Espanha. D. Maria de Moura Corte Real, filha de D. Margarida Corte Real e de D.Cristóvão de Moura, foi Condessa de Vimioso e Marquesa de Aguiar, pelo seu casamento com D. Afonso de Portugal, 5º Conde de Vimioso,1º Marquês de Aguiar e Capitão Donatário de Machico na Madeira.  Por este matrimónio estabelece-se a ligação dos Corte Reais com os Condes de Vimioso, Marqueses de Aguiar. D. Afonso de Portugal, 5º Conde de Vimioso,1º Marquês de Aguiar, e sua mulher D. Maria de Moura Corte Real, filha de D. Margarida Corte Real e de D. Christóvão de Moura, tiveram:  D. Luiz de Portugal, 6º Conde de Vimioso, que casou duas vezes, mas sempre sem geração;   Christóvão de Portugal, que faleceu solteiro e sem geração;  D.Miguel de Portugal, 7º Conde de Vimioso, Capitão, Donatário de Machico na Madeira, casou com D. Maria Margarida de Castro e Albuquerque, sem geração legítima; D. Joana de Mendonça, freira em Santa Catarina de Évora; D. Margarida e D. Brites, freiras do Convento do Sacramento em Lisboa;   D. Brites de Moura Corte Real, filha de D. Christóvão de Moura, e de D.Margarida Corte Real, casada com D. Hermano Henriquez de Ribera, 3º Duque de Alcalá, com geração em Espanha, estabelece a ligação dos Corte Reais com os Duques de Alcalá; D. Margarida de Moura Corte Real, 1ª mulher de D. Henrique da Silva, 6º Conde de Portalegre e 1º Marquês de Gouveia, sem geração, une os Corte Reais aos Condes de Portalegre e Marqueses de Gouveia; D. Catharina de Moura Corte Real, que faleceu criança. 

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Sr. Ivo Azevedo, Presidente da Academia do Bacalhau de Toronto, Canadá, junto do sinal da estrada, indicando o local chamado Canadá  , perto de Tavira,  no Algarve,  que foi  propriedade de  João  Vaz Corte Real.  

Encosta da "Canada", no Algarve, perto de Tavira, nas terras pertencentes ao João Vaz Corte Real. 

Caminho  ligando a "Canada" nas terras dos Corte Reais perto de Tavira. 

 

Foi este local chamado "Canada" que deu origem a todas as "Canadas"  nos Açores e tambem 
o nome do pais da America do Norte denominado
 ainda hoje  Canada,  ou Terra dos Corte Reais 

 (18) Dr.L.S. -  Falámos já de dois filhos de Vasco Annes Corte Real e de D. Catharina da Silva, quem são os três que faltam?

  J.M. – Falta-nos citar:   D. Joana da Silva Corte Real, casada com D. Luiz Coutinho, Comenda- dor d’Almourol e da Golegã. Com geração nos Coutinhos. D. Brites Corte Real, 2ª mulher de D. João de Azevedo, 17º Almirante  de Portugal, com geração nos Azevedos.

 D. Maria da Silva Corte Real, que faleceu solteira.                  

 (19) Dr.L.S. – Vimos a descendência de Vasco Annes Corte Real e de   D.Catharina da Silva, mas quem foram os outros seus filhos de Manoel Corte Real e de D. Brites de Mendonça?  

 J.M. – Os outros filhos de Manoel Corte Real, e de D.Brites de Mendonça  são:          

 Jeronymo Corte Real, Capitão Mór duma armada da Índia, homem   culto de seu tempo, distinguiu-se na pintura, música e poesia, sendo de destacar o Cerco de Diu e o “Naufrágio e lastimoso sucesso da perdição” de Manoel de Sousa de Sepúlveda, etc.

Almeida Garrett, na sua “ História da língua e da poesia portuguesa, apreciou estes dois poemas escrevendo: “…Já no Cerco de Diu há muito boas descripções; mas no Naufrágio de Sepúlveda, há d’ellas sublimes. Entre muitos devaneios de imaginação e de mau gosto, entre aquelles insípidos requebros de Pan e de Protheyu, aparece todavia a morte de Leonor, que é um trecho da mais bela poesia, da mais fina sensibilidade que se tem composto”.

Jerónymo Corte Real nasceu em 1540, segundo uns em Lisboa,e segundo outros em Évora, onde faleceu em 1596. Casou com D. Luiza da Silva de quem não teve geração. Fora do matrimónio teve duas filhas: D. Brites Corte Real, que casou com António de Sousa; D. Antónia Corte Real, freira no Salvador.  João Vaz Corte Real, sucedeu a seu tio Jerónymo Corte Real no morgadio de Vale de Palma, sem geração. D. Filipa de Mendonça, que casou com João Nunes da Cunha, filho de Nuno da Cunha, Governador da Índia, tiveram:D.Luiza de Vilhena de Mendonça, que casou com Manoel de Vasconcellos, herdeiro dos morgadios  de  Esporão  e  Vila Nova de Foscôa, filho de João Mendes de Vasconcellos e de D. Ana de Atayde, filha dos primeiros Condes de Castanheira. Deste matrimónio nasceram: Francisco Vasconcellos, 1º Conde de Figueiró, casou com D. Ana de Vasconcellos e Menezes, sem geração; D. Filipa de Mendonça, casou com D. Francisco Luiz de Lencastre, 3º Comendador- Mór de Aviz, de quem teve: D. Pedro Luiz de Lencastre, que sucedeu a seu tio como 2º Conde de Figueiró, e casou com D. Madalena da Silveira, filha herdeira dos terceiros Condes de Sortelha, com geração extinta: D. Maria de Mendonça Corte Real, 5º filho de Manoel Corte Real e de D. Brites de Mendonça, casou três vezes: primeiro com D. Manoel de Lima, Capitão de Ormuz;  segunda vez com D. Francisco Faro; e por fim com João Gomes da Silva. Desconheço se houve descêndencia de qualquer destes três casamentos.    D. Margarida da Silva Corte Real, 6º filho de Manoel Corte Real e de D. Brites de Mendonça, foi 2ª mulher de D. Manoel de Portugal, filho de D. Francisco de Portugal,1º Conde de Vimioso, por mercê de D. João III. Não houve geração do seu matrimónio. D. Beatriz de Mendonça, última filha de Manoel Corte Real e de D. Brites de Mendonça, casou com D. João Tello, em segundas núpcias deste.