5 de Setembro de 2001
Homenagem ao
primeiro europeu
que pisou Fall
River
Por Manuel Estrela
Uma das teorias sobre as inscrições da tão falada famosa Pedra de Dighton, talvez a mais coerente, é a que se refere às Cruzes da Ordem de Cristo, ao Escudo Português, à data de 1511 e ao nome de Miguel Corte Real.
Muita e muita gente acredita que estas inscrições são mesmo portuguesas, e foi um Professor da Brown University, que não era português, o primeiro que as atribuiu aos nossos antepassados. Até o deputado do Partido Socialista à Assembleia da República, Dr. Manuel Alegre, escreveu poesia sobre o importante monumento.
Outros estão no seu direito
de não acreditar... mas a realidade é que ninguém, em boa verdade e com
recta intenção,
pode “julgar” a Pedra sem a ver, sem
a apalpar, pois corre
o risco de imitar os papagaios...
Vem isto a propósito da
sugestão do Sr. Dr. Manuel Luciano da Silva de dar o nome de Miguel Corte Real
à
nova ponte de Fall River, que vai ligar esta cidade à vila de Somerset, precisamente para homenagear o
homem de “pele pálida,” que alegadamente pisou terrenos que mais tarde
seriam
parte de Fall River ou subiu Rio Taunton, à
procura do irmão.
Sabe-se que esta sugestão
vai encontrar muitos e muitos adeptos, mas também, obviamente, contestação,
como acontece com Cristovão Colon e com tantas façanhas históricas.
De
qualquer rnaneira, a Ponte Miguel Corte Real seria acima de tudo uma (mais uma)
honra para Portugal e para todos os portugueses.
Não
será fácil, sabemos, mas unidos podemos
vencer mais este desafio.
Tudo
seria mais fácil, em todos os sentidos, se Angra do Heroísmo, tão ciosa do
seu passado histórico, se livrasse de alguns complexos, semeados por quem, com
receios de perder algum prestígio a favor de amadores, como se isso fosse uma
raridade no mundo das descobertas históricas, tivesse manifestado interesse
pela Pedra de Dighton, tão relacionada com a Terceira, a fazer fé nas suas
inscrições.
Existe em Angra do Heroísmo um local chamado “Largo Migvel (com o v em vez do u) Corte Real,” que poderia receber também, com o orgulho terceirense, uma réplica da Pedra de Dighton, ou no Jardim dos Corte Real. É que a teoria portuguesa da Pedra de Dighton torna mais famoso o navegador Miguel Corte Real, que foi porteiro-mor de D. Manuel I, um cargo importante.
Se as inscrições são
falsas, talvez nem se justifique tal Largo na cidade açoriana Património
Mundial. É que há um
jardim para todos os Corte Real e um Largo só para o Miguel...
Pelo menos os
terceirenses e todos os portugueses interessados aqui radicados poderiam
influenciar ou até mesmo provocar encontros com o fim de esclarecimento. Por
exemplo convidando historiadores e investigadores a visitarem a Pedra com o Dr.
Manuel Luciano da Silva.
Estamo-nos a lembrar dos Amigos da Terceira... que
poderiam juntar mais esta causa nobre a tantas outras já realizadas nesta
comunidade, a favor da História dos Estados Unidos e de Portugal, porque a
Pedra, como diz o Dr. Silva é um
monumento americano, relacionado
com Portugal.