The example that the house where I 
was born can give to the new generations!

I am preparing the translation of the article that already is written in Portuguese below.  

 

 

Photo album of the house where I was born

         Álbum da casa onde eu nasci

Eastern view with flags

Vista nascente com as bandeiras

Small entrance

Portalzito

My parent's bed, where I was born

Cama dos meus pais, onde eu nasci

The bed where I  slept

A cama onde eu  dormia

The kitchen   

A cozinha 

Linen   Linho 
Flax ripple   Ripanço 
Distaff and  spindle   Roca e fuso 

 


 

  O exemplo que a casa onde eu nasci pode dar às novas gerações! 

 

  Por Manuel Luciano da Silva

 

Eu nasci numa casa de lavoura, propriedade de meu pai, na aldeia de Cavião, Vale de Cambra, no norte de Portugal.  A minha mãe era de Merlães outra aldeia,  a 6 quilómetros a nascente de Cavião.   A casa de habitação era feita  de pedra, com paredes grossas, um pavimento de ladrilhos  avermelhados e possuia 3 divisões:

 

(1) Cozinha com lareira, forno, massaeira e armário da louça,  cadeiras, banquitos, os utensílios de cozinha  típicos daquele  tempo  e algumas alfaias da lavoura.

 

(2) O quarto de dormir dos meus  pais,  onde eu nasci no domingo 5 de Setembro de 1926, num dia  de muito calor, como dizia minha mãe, possuia uma cama de ferro,  com um  colchão de palha, lençóis de linho e  mantas de retalhos. Tinha também  tapetes feitos de retalhos, um lavatório, um penico, um baú e uma imagem de Nossa Senhora  da Saúde da Serra,  em  moldura  dependurada na parede do quarto. Não tinha porta. Dava directamente para o corredor. Possui duas janelas pequenas, uma virada para o norte e  outra para  sul. 

 

(3) O quarto onde eu e meu irmão Hermínio dormíamos  estava situado entre o quarto dos nossos pais e a cozinha.  Possui também um janelo pequeno virado ao norte. Tinha   penico, colchão de palha, lençóis de linho e  mantas de farapos. 

 

Quando eu  tinha sete anitos tive o sarampo e fui forçado a  estar fechado neste  quarto durante uma semana, com panos  vermelhos, para afastar o mau olhado... deixando-me uma memória desagradável...  Mas,  apesar disto eu não queria sair da minha aldeia e  tornar-me emigrante, mas foi meu destino sê-lo!  Tive sempre muitas saudades do maravilhoso pôr do sol visto da casinha onde eu nasci, lá no alto, na encosta  montanha do Arestal, virada para aquele   enorme Oceano Atlântico que eu, quis o meu fado,  até agora (Junho de 2001),  já atravessasse  78 vezes! 

 

Restauração

 

Houve muito cuidado na restauração da casa onde eu nasci para manter  as características da sua construção e  também ser fiel ao seu conteúdo. Para isto houve muita gente envolvida. O Patrono de toda a obra, Sr. Álvaro Pinho da Costa Leite, o  Director das Obras,  Sr. Samuel Quental,  o Arquitecto Mário Pessegueiro,  o Empreiteiro Isaías, o meu primo José Martins de Pinho, também deu os seus pareceres, assim como a nossa bondosa prima Gracinda de Pinho.   Várias pessoas,  ainda vivas do tempo de meus pais,  foram ouvidas com muita atenção.

 

Na aquisição  do recheio da casa onde eu nasci, empenharam-se  muito a minha mulher Sílvia, a nossa prima Manuela Campos Jorge  de Merlães e a sua mãe Ermelinda e do marido, David,  de Casal de Arão. 

 

Até o Sr. Manuel do Barreiro, de Cavião, agora com 90 anos,  que chegou a trabalhar na lavoura para  a minha mãe,  ofereceu um ancinho, talvez que ele  tivesse mesmo  usado naquele tempo nas nossas terras...  

 

Perseverança e entusiasmo

 

Sendo eu emigrante há mais de meio século, tenho encontrado muitos emigrantes portugueses que têm vergonha de dizer ou  de mostrar  onde nasceram e portanto revelarem  que as  suas origens são de gente humilde! Eu tenho dito várias vezes na rádio e na televisão  aos nossos emigrantes que nunca devemos esquecer  o local onde nascemos nem  o que lá aprendermos.  A vida  dura da aldeia é sempre uma experiência  que nos deve ser útil pela vida fora.  É por isso que eu tenho dito muitas vezes que tenho três cursos universitários:  Um diploma da Universidade de Nova Iorque em Biologia, um diploma em Medicina pela Universidade de Coimbra e um Diploma  da  Experiência da Minha Aldeia.  

 

Penso que todo o Homem ou Mulher é muito mais feliz tendo começado do nada e triunfado na vida do que ao  contrário:  ter nascido com uma colher de prata na boca e não  ter disposição para enfrentar a vida  para alcançar uma vida melhor. 

 

Oxalá a simplicidade desta casa sirva de exemplo às futuras gerações.  Se eu triunfei na vida,  foi porque segui sempre como meu lema duas palavras: perseverança e entusiasmo.  Quando decido conseguir  uma coisa, nunca mais a largo.  Mas faço-a  com  entusiasmo. Porquê?  Porque a palavra entusiasmo é composta por  en que quer dizer dentro, mais theos,  que quer dizer Deus, mais asmo  que significa  acção.  Portanto dedico-me a esse objectivo de alma e coração.   Nunca desisto, leve o tempo que levar!  

 

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