Dos 111 Imperadores Romanos, 
80 morreram  de morte violenta.

 73 assassinados:  21 pelos soldados e 52 por outros indivíduos Apenas 31 tiveram morte natural.

Obtive esta informação do magnífico livro  sobre o Museu Numismático  de Vila Real intitulado “Imperadores e Reis”, escrito pelo Padre João Parente, Director do mesmo Museu.  

Tive a felicidade de  visitar este Museu Numismático que possui um arquivo de moedas dos Imperadores Romanos colecionado e estudado pelo Padre João Parente.   A colecção total tem mais de trinta mil moedas!

No tempo do Império Romano não havia rádio, nem televisão,  nem jornais para que os Imperadores –como todos os políticos--  se pudessem  tornar  conhecidos por todos  os cidadãos do Império Romano. A única maneira dos Imperadores serem conhecidos era através das  moedas  cunhadas  com a sua esfinge e o seu nome. 

A região do Douro em  Portugal era naquele tempo muito rica em ouro e prata. É por isso que o rio  passou a chamar-se Douro que quer dizer “Rio do Ouro”. Ainda  hoje aquela região tem muito ouro e prata. Para estes metais serem extraídos  agora isso iria requerer um gasto muito grande  mesmo com as técnicas modernas.

Para melhor comprendermos o significado histórico das moedas  dos Imperadores Romanos  que fazem parte da colectânea  numismática do Museu de Vila Real, vamos ler, com atenção,  a introdução escrita pelo Padre João Parente  no  respectivo Catálogo.

Manuel Luciano da Silva

 

 

 

Capa do Catálogo Numismático  publicado pelo Padre João Parente, Director do Museu de Vila Real, Portugal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pelo Padre João Parente

Na colecção de Numismática exposta no Museu de Vila Real, estão representados: 1 imperador grego, 111 imperadores romanos, 4 bizantinos e 7 reis visigodos, incluindo nestes números algumas das respectivas cônjuges em cujo nome foram cunhadas moedas.

A sua distribuição por séculos é e seguin­te: 1 do século quarto a.C., 16 do século primeiro d.C., 13 do século segundo, 49 do século terceiro, 32 do século quarto, 2 do século quinto, 2 do século sexto, 7 do século sétimo e 1 do século oitavo.

Nos quadros que apresentamos nas páginas seguintes, ressalta claramente a precarie­dade dos governos, cuja média é de quase 10 anos, atingindo no século terceiro os 6 / 7 anos, e a impressionante quantidade de mortes violentas infligidas aos imperadores, uma vez que 70 % morreram assassinados.

Tornou-se banal, principalmente no século terceiro, que as tropas elegessem os imperadores e quase de seguida os matassem. Deste modo, vinte imperadores foram mortos pelos próprios soldados, enquanto cinquenta morreram às mãos dos respectivos sucessores ou por ordem destes.

O lugar de governante máximo do lmpério Romano era incomparavel­mente honroso e devia trazer com ele as maiores benesses; mas, sem dúvida, tornava-se logo um risco de modo iminente. A vanglória daquele poder imenso cegava de tal sorte os hipotéticos candidatos que os não deixava ver o perigo em que se metiam, ou os levava a concluir que as suas pessoas eram diferentes, talvez divinas e, por isso, imunes ao punhal e ao veneno

O   lmpério tornou-se um bem leiloado entre as legiões. 0 general que mais prometesse em donativos era proclamado pelas tropas. Mas, se outro acenava com maior soldo, era o eleito e assassinava-se o anterior. Desta maneira, quem realmente governava eram as legiões, que faziam dos imperadores seus joguetes. 0 próprio Senado perdeu toda a autoridade, sendo tratado de forma humilhante pelos militares. Neste ambiente de instabilidade política, em que, por vezes, as governos só sucediam ao ritmo de um ou dois anos e até de alguns meses, o lmpério ia-se miraculosamente aguentando, apesar da sofreguidão com que as Bárbaros espreitavam à volta, à espera de ensejo para transpor as imensas fronteiras e matar a fome de bens materiais e de cultura.

A corrupção era geral. Os desmandos de sucessivos governantes davam notório mau exemplo: matavam as seus antecessores, divorcia­vam-se constantemente, desfaziam-se dos próprios familiares através de crimes hediondos, sempre impunes, desfalcavam o erário público em extravagâncias, em completo desinteresse pela governação.

As guerras civis, com o subsequente enfraquecimento militar e a pre­visível oportunidade concedida e aproveitada pelos povos bárbaros, para cada vez mais atrevidas invasões, tinham que causar inevitavelmente o descalabro económico. Habituados às mais caras especiarias arábicas, indianas e chinesas, mas sem ouro nem prata que amoedassem para pagá-las à beira da bancarrota, a Império cunhou rnoeda falsa, de bronze, com um banho superficial de prata. Assim apareceram os antoninianos, no século III, e as folles, no IV, principalmente estes cunhados em quantidades inflacionárias, quer no valor, quer na arte. Apesar de todos estes sinais evi­dentes de fraqueza interna, e perante a crescente agressividade dos Bárbaros, a Império foi sobrevivendo durante os dois séculos do Baixo lmpério, devido à férrea estrutura militar e à impressionante organização administrativa, herdadas da República e do Alto Império.

No conjunto dos 111 imperadores romanos representados nesta colecção, houve esplêndidos governantes. No Alto Império, isto é, nos séculos primeiro e segundo, sobressaíram, positivamente, Augusto, Trajano, Antonino Pio e Marco Aurélio; no Baixo Império, isto é, nos sécu­los terceiro o quarto, Cláudio II, Diocleciano, Constantino I e Teodósio I. Foram os bons governos destes alto imperadores que aguentaram o Império, como fortes colunas espaçadas no tempo, perante as cala­midades administrativas do Nero, Domiciano, Cómodo, Caracata, Heliogábalo, Maximino, Galieno e outros.

Nos princípios de século V, eram imperadores dois filhos do Teodósio I, o Grande, que tinha unificado e fortalecido todo a Império, através de uma governação do alto nível militar e económico. Não assim os seus dois filhos: Honório, que governou o Ocidente; e Arcádio, que recebeu em herança todo a Oriente. Jovens hedonistas e indecisos, desinteressaram-se dos afazeres do Estado, mandaram assassinar as seus melhores generais por motivos fúteis de intrigas palacianas e, sem energia pessoal para se oporem aos invasores, permitiram que estes transpusessem livremente as fronteiras, deram-lhes sociedade na governação e entregaram-lhes a império.

Deste modo, no principio do século V, todo o Ocidente foi assolado pelas hordas bárbaras, sem que ninguém se Ihes opusesse, e, logo após a morte de Honório, Roma foi saqueada pelos Hérulos, em 476.  O Ocidente sobreviveu cerca de mil anos, atingindo, por vezes grande esplendor, para ser absorvido pelos Turcos, com a tomada de Constantinopla, em 1453.

Na Península Ibérica, instalaram-se os Visigodos, formando um reino corn a capital em Toledo. Eram cristãos arianos, mas converteram-se ao Catolicismo no reinado de Recaredo, nos fins do século sexto. Apesar de terem sido quase completamente dominados pelos Árabes a partir do ano 711, começaram a reagir  no século IX e conseguiram reconquistar toda a Península, nos fins do século XV .

 

As duas nações peninsulares, Portugal e Espanha, descendem  dos reinos cristãos formados pelos Visigodos.

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