Título:

"A História das viagens e morte de Diogo Cão no contexto dos descobrimentos portugueses"

Autor: Amadeu Fontoura Mata

 

Coordenação de Colecção:
Tiago Filipe Ceriz Mata

Correcção:
Eduardo Fontoura Mata
Felisberto do Nascimento Fontoura Mata

Data:
Julho de 2005

Catalogação
Mata, Amadeu Fontoura

A história das viagens e morte de Diogo Cão no contexto dos descobrimentos portugueses
Amadeu Fontoura Mata – Bragança – Trás –os- Montes - Portugal.
E-mail do Autor: 

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Índice

Autor:Amadeu Fontoura Mata

A história das viagens e morte de Diogo Cão  no contexto dos descobrimentos portugueses 

JULHO 2005

A história das viagens de Diogo Cão no contexto dos descobrimentos Portugueses 1

Catalogação - 2

O encontro com o rei do Congo Nzinga a Kuvu - 69

António Galvão( Tratado dos descobrimentos),

Referências Bibliográficas-  5

Para sul do Rio Zaire - 71

- Sigundo Günther – A época dos descobrimentos

Prefácio - 7

A Oração de obediência ao Papa-  72

- António Sérgio – História de Portugal

A ciência náutica peninsular-  9

1486 - O Padrão do Cabo Negro-  73

- O Globo de Martim Behaim

A construção naval - 10

O Padrão do Cabo da Serra - 80

- Luciano Cordeiro – Descobertas e descobridores, Diogo Cão

A navegação astronómica - 13

Réplica do Padrão do Cabo da Serra - 83

- Raventain, As viagens de Diogo Cão e Bartolomeu Dias

A geografia física - meteorologia e hidrografia - 14

O litoral da costa ocidental da Namíbia-  84

- Filipo Pigafeta - Relatione del Reame di Congo et delle Circonvicine Contrade

A cartografia - 15

O mapa mundi de Henricus Germanus Martellus-  87

-Axelson, Eric – professor catedrático da Universidade de Cape Town

Curiosidades - 16

A confidencialidade – reinado de D. João II-  90

- Henrique Galvão –Outras Terras, Outras gentes

Diogo Cão, poema de Fernando Pessoa - 24

Viagens, datas e duração-  91

- Fontoura da Costa, Ás Portas da Índia e A marinharia dos descobrimentos

Notas introdutórias - 25

Notícias e circunstâncias da morte do Navegador - 95

- Oração de obediência ao papa Inocêncio VIII

Continente Africano - 27

Votação ao ostracismo por el- D. João II - 97

- Navarrete ( Coleccion de los viages Y descubrimientos, tomo IV, pág. 343 a 355

A costa ocidental de África a Sul do Equador - 28

Desaparecimento dos roteiros de bordo - 100

- Mapa de Cristóforo Soligo - 1486

Em busca de Diogo Cão - 29

Conclusão 102

- Mapa de Henricus Martellus Germanus - 1489

Súmula dos factos conhecidos - 1ª Viagem a Sul do equador-  33

Comentários sobre o reino do Congo - 110

Gravações das pedras de Ielala - 67

1483 - Chegada ao Rio Zaire
(Congo ) - 36

Converção e catolização - 113

- Jaime Cortesão – A expansão dos portugueses na história da civilização

O Padrão de S. Jorge - 40

Crise congolesa: Mbwila e a fragmentação política - 118

A 170 km da foz do rio Zaire (cataratas de Ielala) 66

O mito de Diogo Cão -  42

Kimpa Vita e a ressurreição imaginária - 120

O mito de Diogo Cão 65

Para sul do Rio Zaire - 44

Um importante Estado feudal - 122

João de Barros (Décadas da Ásia liv. 3º Cap.III), Duarte Pacheco Pereira (Esmeraldo de Situ Orbis

O Padrão de Stº Agostinho - 51

Notas e referências - 127

- Gastão de Sousa Dias, História da expansão portuguesa no mundo

O retorno - 56

Referências bibliográficas:

- Mapas - imagens reais da www. Fallingrain.com

Análise ao mapa de Cristóforo Soligo 59

1484 – Chegada ao reino de Portugal - 57

- Fernando Pessoa – Mensagem

1485 -2ª viagem a Sul do Equador-  64

- Os cronistas: Rui de Pina (Crónica de D. João II- Cap.62º, Garcia de Resende(Crónica D. João II, cap. CLV),

- Edgar Prestage, Descobrimentos dos Portugueses

 


 

Bibliografia sobre "O Mito de Diogo Cão":

ABRANCHES, Henrique - Comentário à tradição Nezinga, in Revista Internacional de Estudos Africanos, nº. 1, 1981, Lisboa.

COSTA, José da (informante de terreno) - Mambu mampa. Mvila a Nezinga - (manuscrito), Pinda, 1963

HILTON, Anne - The Kingdom of Kongo - Clarendon Press, Oxford, 1987

Sobre os basolongo - arqueologia da tradição oral, Ed. Fina Petróleos de Angola, Luanda. 1991

MVEMBA, André (informante de terreno) - Lutoma vina e Mvila a Nezinga (manuscrito), Ngande Soyo.

JADIN, L. - Le Congo et la scecte des Antoniens - Restauration du Royaume sous Pedro IV et la "Sant Antoine" congolaise (1694-1718) - Bulletin de L'Institut Historique Belge de Rome, T. XXXIII, pgs 411 a 614, Bruxelles, 1961.

BONCTINK, F. - Les Panzelungos, ancêtres des solongo - Annales Equatoria, T.I, V.I, 1980.

FELGAS, Helio E. - História do Congo português - Carmona 1958

LUCCA, Lourenzo da - Relations sur le Congo, 1700-1717- in Jadin, 1961

BRASIO, António - O problema da eleição e coroação dos Reis do Kongo, Fac. Letras, Coimbra, 1969.

GALLO, Bernardo da - Relations (1694-1718) - in Jadin, 1961

MARCHAL, P. Gilles, s.sp. - Sur l'origine des basolongo - in "Equatoria", Revue des sciences congolaises, n-4 ano 11, 1948, pgs 121 e ss.

CALLEWART, R.P.E. - Les moussorongos - in Bulletin de la Societé Royale Belge de Geographie, T.29, Bruxelles, 1905

GONÇALVES, António Custódio - Kongo, le lignage contre l'Etat - I.I.C.T., Univ. Évora, Évora, 1985

RAVENSTEIN, e.g. - The strange adventures os Andrew Battell of leight, in Angola and adjoining regions, 1950.

CAVAZZI DE MONTECUCCOLO, J. A. - Descrição histórica dos três reinos, Congo, Matambe e Angola - (2volumes), Junta de Investigação do Ultramar, Lisboa, 1965

THORTON, J. - The development of un african catholic churc in the kingdam os Kongo, 1491- 1750 - in JOURNAL OF AFRICAN HISTORY, 25, n.2 (1984

Prefácio

No séc. XV, os portugueses foram pioneiros nas viagens que permitiram explorar a costa africana, descobrir a rota marítima para a Índia e chegar ao Novo Mundo.

Os principais motivos foram o comércio de sedas e especiarias do Oriente, mas também o espírito de combate ao infiel e o desejo de divulgar a doutrina Cristã.

A descoberta do caminho marítimo para a Índia foi o mais extraordinário feito dos tempos modernos e teve múltiplas consequências:

A viagem de Vasco da Gama, reconhecendo grande parte da costa oriental africana e abrindo ao mundo ocidental o ignoto e vasto Oriente, uniu numa larga relacionação os três grandes continentes do Velho Mundo – Europa, Ásia e África

Operou uma grande revolução material no comércio das riquezas, mudando o eixo da actividade comercial do Mediterrânico para o Atlântico.

No campo religioso, enfraqueceu o poderio do islamismo e abriu o Globo à expansão da Cristandade.

Trouxe uma profunda transformação espiritual no campo dos conhecimentos humanos contribuindo para a formação do novo espírito científico, com base no lema de que a "experiência é a madre de todas as coisas"

Por tudo isto foi sem dúvida Portugal o maior obreiro da civilização moderna.

Graças ao desenvolvimento das embarcações (caravela e nau) e aos avançados instrumentos de navegação (astrolábio e quadrante), os portugueses investiram na expansão por mar e o Infante D. Henrique, "o Navegador", foi nomeado por D. João I para organizar as expedições.

A primeira etapa foi o reconhecimento das ilhas atlânticas – Madeira (1419) e Açores (1427).

Em seguida, percorreu-se a costa africana, sob o exclusivo e orientação do Infante D. Henrique.

Em 1460, o impulsionador, Infante D. Henrique morre, dando continuidade às navegações o rei D. João II.

Em meados de 1482, Diogo Cão partindo de Portugal, foi além do Cabo de Stª Catarina (actual Gabão), etapa alcançada em 1475.

Chegou à foz do rio Zaire, (rio Poderoso), em Abril de 1483.

Deambulando pelo rio, durante algum tempo, mandou dois emissários à residência do imperador da terra, que ficava para o interior na M’Banza Congo.

Depois seguiu para sul, e a Setembro de 1483 chega à actual baía de Moçâmedes – Angola.

Numa segunda viagem, ano de 1485, depois de ter subido o Rio Zaire até às cataratas de Ielala (160 Km da foz), mandou gravar nuns rochedos próximos, as quinas de Portugal, a Cruz de Cristo e o nome de alguns nautas que o acompanhavam.

Como não pode ir mais além, devido às muitas cachoeiras das cataratas de Ielala, decide viajar para sul.

Para além da baía de Moçâmedes, percorreu mais de 1000 milhas de costa atingindo a latitude 22º 10’ sul, Cabo do Padrão da Serra, actual Cape Cross - Namíbia.

Em finais de Janeiro de 1488, Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança sem o avistar e vai ter à Baía de S. Brás em 3FEV1488.

O oriente estava cada vez mais próximo, em 20 de Maio de 1498, Vasco da Gama chegou à Índia.

Dois anos depois, 22 de Abril de 1500, Pedro Álvares Cabral, descobre o Brasil, seguindo depois para a Índia.

Em 1415, os Portugueses iniciaram a moderna expansão da Europa, ao tomarem uma praça forte na África do Norte (Ceuta).

No espaço dum século, tinham descoberto as costas ocidental, meridional da África, chegado à Índia, às Índias Orientais, ao Brasil, além das Antilhas verdadeiras, América do Norte.

Pouco depois penetrariam na China (1513) e no Japão (1543).

E ainda ao serviço da coroa espanhola, os portugueses: Cristóvão Cólon, descobriu as Caraíbas (1492), a frota de Fernão de Magalhães, deu volta ao mundo navegando pelo estreito de Magalhães, oceano pacífico até às Filipinas (1519-1522). A costa ocidental americana (Califórnia) descoberta por João Rodrigues Cabrilho, (1542).

As suas façanhas e empreendimentos não tinham precedentes.

De todos os navegadores portugueses, poucos são dignos de fama como Diogo Cão, Bartolomeu Dias, (sul de África ocidental), Vasco da Gama (Índia) e os navegadores Cortes Reais (América do Norte).

Sem recear os mistérios da natureza nem as dores humanas da sua aventura, atingiram o Sul da África com o destemor próprio dos que sofrem para vencer, porque são portadores de um grande ideal de civilização.

Homens de cepa humilde, como o foram os outros nautas, pilotos e cartógrafos da empresa dos descobrimentos, os reveladores da costa africana a sul do Equador para além do Cabo da Boa Esperança, pertencem à estirpe dos heróis que ajudaram Portugal a abrir os caminhos da modernidade.


A CIÊNCIA NÁUTICA PENINSULAR

As origens

Os árabes cultivaram intensamente as ciências geográficas, traduzindo as principais obras de geografia e astronomia dos autores gregos.

Fixados na Península, aqui introduzem essa cultura geográfica e astronómica, à qual se dedicam particularmente os judeus peninsulares e depois os cristãos.

Toledo passou a ser, nos séc. XII e XIII, o principal centro cultural peninsular e na "escola de Toledo" foram traduzidos para latim os textos árabes, divulgando-se assim as principais obras de Aristóteles, Ptolomeu e outros autores antigos.

De todas as obras da Antiguidade, foi a Geografia (Almagesto) de Ptolomeu a que maior influência exerceu na ciência náutica, pois relacionava a Terra com a esfera celeste.

Entre as obras da escola de Toledo distinguem-se as Libros del Saber de Astronomia, de Afonso X, o Sábio (fins do séc. XIII), que constituíram o ponto de partida da aplicação pratica da astronomia à navegação.

Na Catalunha, grande centro de navegação medieval, Barcelona e Maiorca tornam-se os mais antigos focos de arte de navegar, e dali veio Jaime de Maiorca para mestre dos primeiros cartógrafos do nosso infante D. Henrique.

De Espanha, veio também, para astrónomo de D. João II, o judeu Abraão Zacuto autor do Almanach Perpetuum.

A ciência náutica portuguesa teve, assim, as suas primeiras raízes na cultura astronómica e geográfica dos astrólogos peninsulares e na arte de navegar dos povos mediterrâneos durante a Idade Média.

Em Portugal, já nos princípios do séc. XIV, eram estudadas a astronomia e a cosmografia como o prova a existência do Almanaque Perdurável e outros Almanaques (1321-1339) com tábuas astronómicas e uma tábua de longitudes e latitudes – longuras e ladezas – num códice português da Biblioteca Nacional de Madrid.

Com a " escola de Sagres, do infante D. Henrique e, depois, com a Junta dos Cosmógrafos de D. João II, a ciência náutica toma em Portugal um desenvolvimento inigualável, em todas os seus vários aspectos, de harmonia com as exigências da nossa expansão marítima. Esta implicava a resolução de uma série de problemas:

A Construção naval

As primeiras explorações africanas (até 1436) foram realizadas em pequenos navios denominados barca ou barinel, de velas quadrangulares ( pano redondo)

Porém, com o alargamento das viagens para o sul do Bojador e as dificuldades de regresso contra os ventos alísios de NE, reconheceu-se a necessidade de adoptar um tipo de navio mais apropriado – a caravela, que tinha dois ou três mastros, todos com velas triangulares (velame latino) o que facilitava a navegação com ventos desfavoráveis.

Depois da viagem de Bartolomeu Dias, os longos percursos vieram mostrar que as caravelas não tinham suficiente robustez para vencer os mares procelosos, e, por isso, com a expedição de Vasco da Gama, começaram a construir-se " navios mais fortes" com velame redondo, denominados naus.

À popa e à proa das naus alteavam-se castelos, para abrigo da tripulação e das guarnições militares.

Foi em caravelas que a técnica de navegar no Atlântico começou a ser desenvolvida, lenta e empiricamente pelos marinheiros de Sagres, de Lagos e de Lisboa.

O aperfeiçoamento da navegação astronómica iria dar à Europa a hegemonia sobre o mundo durante vários séculos.

Foi em caravelas que os Portugueses estudaram o regime dos ventos e correntes do Atlântico, o que veio permitir aos navios à vela escolherem as rotas apropriadas, que ainda hoje são seguidas.

Foi devido às caravelas que o ouro do Alto Senegal e do Níger, em vez de seguir em caravanas para Norte de África, passou a ser desviado para a costa, embarcado nos navios portugueses e transformado em moedas de ouro, na casa da Moeda de Lisboa.

Foi em caravelas que os Portugueses passaram do Atlântico ao Índico e procederam ao levantamento das costas, com que os cartógrafos traçariam as cartas e planisférios, que ainda hoje causam a admiração do mundo, pela exacta perfeição com que foram elaborados.

Foi com os diversos tipos de caravelas que os construtores navais portugueses conseguiram atingir um nível técnico, que as outras nações civilizadas invejavam.

A vida a bordo das caravelas dos descobrimentos era extremamente dura.

As tripulações, mal abrigadas do tempo, dormiam quase sempre no convés.

Só os principais dispunham de um pequeno cubículo no castelo da popa. Dormia-se vestido e andava-se descalço.

A navegação em costas desconhecidas fazia-se de dia e sempre com grandes cautelas. O batel era usado com frequência para indicar o caminho e, por vezes, recorria-se aos remos da própria caravela.

As grandes velas latinas, em vergas que excediam o comprimento do navio, requeriam uma atenção constante, eram de difícil manobra com ventos fortes e, quando molhadas, eram muito pesadas.

Com intervalos de alguns meses, a caravela tinha de ser carenada numa praia. A madeira do forro do casco era limpa dos limos que reduziam a velocidade e era protegida contra o teredo, molusco que perfura as madeiras imersas, muito activo em águas quentes.

O calafeto também era reparado e beneficiavam-se o massame, as velas e a mastreação.

No convés, que por ser de madeira tinha de ser molhado diariamente para se manter estanque, além do batel, dos remos, vergas e sobressalentes e alguns abastecimentos, muitas vezes havia galinhas e outros animais vivos para consumo durante a viagem, tudo isto bem amarrado e em locais que não estorvavam a manobra

Quando as caravelas eram utilizadas no comércio, a carga era arrumada no convés e no porão.

Por baixo do convés, além do lastro de pedras, guardavam-se os barris com água e vinho, os abastecimentos, velas, cabos e outros sobressalentes.

A água das infiltrações do forro e do convés acumulava-se no fundo e tinha de ser esgotada, apesar de ajudar a manter o calafeto. Os barris, mesmo os mais bem construídos, com os balanços acabavam por derramar.

Os mantimentos embarcados em Portugal, à base de pão, biscoitos, carne salgada e peixe seco, azeite, mel e frutos secos, depressa se estragavam, no ambiente quente e húmido. E os roedores sempre presentes foram hóspedes indesejáveis a bordo dos navios de todos os tempos.

A água doce, em barris de madeira, era um bem precioso que se tinha de poupar e racionar. Após algumas semanas, sobretudo em climas quentes, inquinava, constituindo com frequência o impedimento à continuação das viagens.

Quando o tempo permitia, cozinhava-se uma refeição quente no convés, num local abrigado do vento. O lume era de carvão ou lenha e ardia sobre terra ou areia.

A pesca, mesmo a navegar, era uma ocupação frequente e das raras distracções.

Logo que se chegava a terra procurava-se água, alimentos frescos e lenha.

O frio, o calor e a humidade eram suportados sem equipamento nem vestuário mais convenientes.

As doenças causadas pela má alimentação e as doenças tropicais eram rudimentarmente tratadas.

A bordo não se podia adoecer. Os ferimentos com veneno eram lavados e untados com triaga, que era então uma espécie de panaceia para todas as feridas.

Sem comunicação com o exterior e sem apoios em terra, as tripulações estavam entregues a si próprias e à protecção divina, durante meses e até anos, e sempre na dependência do vento.

Eram muitos os que não regressavam, mas a maioria dos que voltavam, tornava novamente a partir.

A navegação astronómica

Nas primeiras descobertas, ao longo da costa, foi usado o processo mediterrânico de navegação, que consistia em seguir determinado rumo e calcular a distância percorrida – navegação por estimativa.

Mas, como tal processo não servia para navegar no mar largo, houve necessidade de recorrer a navegação astronómica para resolver o problema do " ponto" ou lugar do navio, em qualquer altura do percurso – o que se fez determinação da latitude geográfica ou altura do pólo, que têm o mesmo valor.

De começo, mediu-se a altura do pólo (latitude) pela estrela Polar; como, porém, tal medição só se podia fazer de noite, e como a Polar se tornou invisível quando ultrapassámos o equador, foi necessário recorrer à altura meridiana do Sol e a uma " tábua de declinações" – processo ainda hoje usado por toda a navegação.

Para a medição da altura da Polar e do Sol empregavam-se o " quadrante náutico e o astrolábio (e, mais tarde, também a balestilha).

Astrolábio Dundee 1555 O Quadrante
(Dundee, Art Galleries and Museums)

Os portugueses foram os primeiros a usar esta arte de navegar pela altura dos astros sendo assim os verdadeiros criadores da ciência astronómica.

A prova irrefutável da nossa propriedade, neste ramo da ciência, está nas obras da especialidade, entre as quais: - O regimento do Astrolábio e do Quadrante ( edição Munique); o Esmerado de Situ Orbis, de Duarte Pacheco Pereira; o Livro da Marinharia, de João de Lisboa, o Tratado da Spera (edição de Évora; o Tratado da Sphera e outros Tratados, de Pedro Nunes; os Roteiros, de D. João de Castro – todos da primeira metade do Séc. XVI.

A geografia Física : meteorologia e hidrografia

Encontrado o tipo de navio e criados os cálculos para navegarem com segurança e certeza, os Portugueses estudaram o regime dos ventos (direcção, força, variações), o curso das correntes marítimas, sondaram os mares, dando assim notável incremento aos estudos meteorológicos e oceanográficos e seu aproveitamento para a ciência das derrotas.

A nossa prioridade e superioridade, neste campo, estão igualmente comprovadas na série notável e única de Roteiros, elaborados por navegadores portugueses, culminando entre todas as suas observações náuticas, magnéticas, meteorológicas e hidrográficas, diários minuciosos que contêm, incontestavelmente, o maior e mais valioso tesouro de tal espécie (Helman, na sua época.

Rota de Vasco da Gama, no Atlântico. Carta desenhada por Gago Coutinho – As setas indicam a direcção dos ventos; as linhas tracejadas indicam as rotas provavelmente seguidas pelos navios de Vasco da Gama. A rota sugerida por Gago Coutinho é a que mais se aproxima da costa do Brasil.

A Cartografia

A fim de fixar, com exactidão, nas cartas, as terras sucessivamente descobertas, os nossos nautas aperfeiçoaram extraordinariamente a cartografia, sendo as cartas portuguesas as primeiras em que se empregou o meridiano graduado, e sendo um português, Duarte Pacheco Pereira, quem, pela primeira vez, avaliou com notável aproximação a medida do grau do meridiano terrestre.

Além das terras, estas cartas representavam também, em preciosas miniaturas, os navios, as plantas e animais, e, por vezes, até os homens, as cidades e seus monumentos, constituindo verdadeiras obras-primas.

A cartografia foi largamente cultivada em Portugal e muitos monumentos cartográficos portugueses se encontram espalhados por países estrangeiros.

No séc. XVI possuímos, como nenhuma outra nação, um numeroso escol de cartógrafos, distinguindo-se entre outros: Pedro Reinel e Jorge Reinel, Lopo Homem, Diogo Ribeiro, Fernão Vaz Dourado e muitos mais ( ver Armando Cortesão – Cartografia e cartógrafos dos séc. XV e XVI ).

Toda esta prodigiosa actividade científica desenvolvida pelos Portugueses, nos séc. XV e XVI mostra:

Que, tanto ou mais do que à energia individual e à disciplina colectiva, as Descobertas se devem aos instrumentos náuticos e aos Regimentos de bordo;

Que, a arte de navegar dos tempos modernos é uma criação Portuguesa e foi Portugal que então, se tornou mestre e guia das nações europeias, fornecendo-lhes os indispensáveis meios para o total conhecimento e domínio do nosso planeta.

Sobre a importância da obra científica dos Portugueses, nesta época, é elucidativo o testemunho de investigadores estrangeiros, como D. Gernez, que depois de mostrar a influência que a cartografia portuguesa exerceu nos cartógrafos espanhóis, franceses e holandeses, declara justamente:

" A constatação de uma tão grande importância dos trabalhos hidrográficos e cartográficos portugueses do 15º e 16º séculos deve pois levar os marinheiros de todas as nações a admirar sem reservas estes demarcáveis trabalhos dos marinheiros e dos cartógrafos de Portugal que têm sido os primeiros de tantos outros e nos traçaram e escalonaram as grandes rotas do comércio mundial".

CURIOSIDADES:

A CARAVELA

É opinião corrente que o termo «caravela» proveio de «cáravo» (aportuguesamento do grego karabos ou do árabe qârib). Durante o séc. XV foi o barco ideal para as explorações do Atlântico e costa africana. O regime de correntes e ventos contrários obrigou ao desenvolvimento de um barco que bolinasse com mais eficácia e que calasse pouco para se aventurar nas explorações costeiras. Assim nasce a caravela que desde 1441 até à data da passagem do Cabo das Tormentas ou Boa Esperança atingiu o seu apogeu.

Não chegou até nós qualquer desenho ou informação detalhada deste tipo de barcos e apenas a partir de pinturas e algumas descrições podemos hoje em dia calcular como eram na época. Durante esse período houve vários tipos de caravelas. O carvalho - aqui o ão funciona como diminutivo - de dois mastros até à caravela redonda de quatro mastros.
Tinham uma coberta e um castelo de popa. Envergava nos mastros pano latino decrescendo de tamanho da proa para a popa. Não tinham cesto da gávea já que a manobra de mudar as vergas com este tipo de pano não o permitia. A tripulação variava entre os 6 e 100 homens consoante o tipo de barco e a duração da viagem.

O caravelão (as réplicas "Bartolomeu Dias" e "Boa Esperança" são caravelões!), de 2 mastros, teria uns 20 metros de comprimento, 6 de boca e 40/50 toneis. A caravela, de 3 mastros, variava dos 20 aos 30 metros de comprimento e dos 6 aos 8 metros de boca podendo chegar até 80 tonéis. A partir do final do séc. XV e princípios do séc. XVI nasce a caravela redonda com 4 mastros com pano redondo no traquete - mastro de vante. Teriam chegado até aos 150 tonéis. É este tipo de barco que vai dar origem aos famosos galeões portugueses.

A partir do reinado de D.João II passaram a ser artilhadas com canhões no convés em vez das armas de pouco calibre (falconetas, bombardas) que até então levavam. Também era tradicional trazerem dois olhos pintados à proa pois existia na época a crença de que assim vêem o caminho, tradição que perdurou até aos nossos dias como se comprova nos actuais barcos de pesca.

Para evitar que outros países tivessem acesso aos novos conhecimentos técnicos e inovações que a caravela possuía, esta foi alvo de rigorosas medidas de protecção que não permitiam a venda daquela a estrangeiros nem o acesso aos carpinteiros que as construíam.

As penalizações iam, entre outras, até à expropriação de todos os bens de quem o fizesse.

PILOTOS, CARTÓGRAFOS E LUGARES DOS FINAIS DO SÉC. XV

Pero Escobar

Piloto de caravela capitânea de Diogo Cão da 2ª viagem de 1485/86/87,

Subiu o Rio Zaire, navegou por águas fluviais de fortes correntes. (92 milhas náuticas a montante da foz do Rio Zaire).

Nas gravações das rochas de Ielala, o seu nome está registado em quinto lugar.

Assistiu à implantação dos Padrões do Cabo Negro e do Cabo do Padrão (Cape Cross), e regressou ao reino.

Era um piloto muito experiente.

Atribui-se-lhe a descoberta da ilha de São Tomé a 21 de Dezembro de 1471 e 17 de Janeiro de 1472 para a Ilha do Príncipe, juntamente com João de Santarém

A 19 de Dezembro de 1490, parte do Tejo em direcção ao Congo, sendo o capitão Gonçalo de Sousa e embaixador de el- Rei D. João II .

Foi piloto da Bérrio em que era capitão Nicolau Coelho, na armada sob o comando de Vasco Da Gama (1497 ) a caminho da Índia.

Chega a Portugal em Agosto de 1499.

A 18.02.1500, é – lhe concedida uma tença anual de 4000 reais, enquanto for mercê del- Rei, em recompensa dos serviços prestados na Guiné e no descobrimento da Índia (carta de mercê de ) ( Chanc. De D. Manuel , 1º - 13 flXVº e 4º Dip.)

Pouco depois, embarca na armada de Pedro Alvares Cabral a 9 de Março de 1500 e participa na descoberta do Brasil, sendo piloto da nau de Sancho de Tovar, imediato da frota

Por estranho que pareça, o piloto desaparece da cena dos descobrimentos.

JOÃO DE SANTIAGO

Fez parte da armada de Diogo Cão na 2ª viagem de 1485/86/87. Seu nome está gravado nas pedras de Ielala.

Era o piloto de uma das caravelas

Também foi piloto da naveta de Bartolomeu Dias que levava os mantimentos, e da qual também foi mestre João Álvares;

João Álvares

Há um enigma por decifrar.

Terá este nauta, viajado com Diogo Cão, na 2ª viagem?

Nos rochedos de Ielala encontra-se o nome de um nauta que parece ser João (ou Gonçalo) Álvares, eis a dúvida, precedido do sinal de uma cruz, seguido " da doença ", o que quer dizer, que o nauta morrera por doença.

( ┼ da doença), seguido da letra "J ou G Álvares" são caracteres (letras) diferentes de todas as outras, isto é o estilo de letra (epigrafia) é diferente.

A ser verdade que aquele registo, foi gravado posteriormente (anos mais tarde, depois de Agosto de 1499, data da chegada da Índia- Gonçalo Álvares foi mestre de um dos navios de Vasco da Gama), julga-se que, "morto por doença", seguida de "J ou G Álvares", se refere a Gonçalo Álvares.

Na verdade, o nome Gonçalo Álvares encontra-se registado e posicionado por baixo daquela gravação, dando a entender que foi este nauta que morrera.

Nestes termos, a inscrição " morto por doença", seguida do nome do nauta, refere-se a Gonçalo Álvares, terá sido efectuada depois de 1499, numa visita efectuada pelos nossos marinheiros às pedras de Ielala, depois da morte daquele marinheiro.

Assim sendo, João Álvares, não fez parte da frota de Diogo Cão.

Foi mestre da naveta de mantimentos da frota de Bartolomeu Dias (1487-1488), sendo piloto João de Santiago, que ao chegar ao reino após a descoberta do Cabo da Boa Esperança foi nomeado em 12.12.1488 almoxarife do armazém dos tratos e casa da Guiné, com os mantimentos anuais de 10000 reais. Escudeiro del –Rei ( carta de mercê) ( Chanc. De D. João II, 1º 14, fl 88 – 2 dipl.,

Gonçalo Álvares

O seu nome consta nos rochedos de Ielala (Out/Nov 1485) Fez parte da 2ª expedição de Diogo Cão.

Foi mestre de marinhagem, comandava os marinheiros profissionais, repartidos em quatro grupos, cada um dos quais responsável por um quarto do navio, o bombeamento e outras tarefas.

Esteve na Índia com Vasco da Gama e regressou em Agosto de 1499 ao Reino.

A inscrição nos rochedos de Ielala (Rio Zaire) " morto por doença ", refere-se a Gonçalo Álvares. Esta inscrição foi efectuada depois de Agosto de 1499, numa possível visita efectuada pelos portugueses àquelas paragens. Nesse tempo as relações com o reino do Congo eram cada vez mais amistosas.

Pêro Anes

O seu nome está gravado, nos rochedos de Ielala.

Viajou com Diogo na 2ª viagem

Era o Guanchinho, piloto muito antigo, quando em 1505 chegou à Índia, nomeado por D. Manuel " patrão da navegação da Índia e mar oceano", em atenção aos seus largos serviços. Veio a morrer como piloto-mor da armada de D. Lourenço de Almeida em Chaúl, em Janeiro de 1508 - A marinharia dos descobrimentos, Fontoura da Costa, pág. 118

Em 1507 com João de Lisboa iria dentro em pouco elaborar o " Regimento do Cruzeiro do Sul"

Pêro da Costa –

Capitão de outra caravela?

Jorge do Rosário

Frade dominicano embarcado na expedição de Diogo Cão de 1485/1486/1487.

Atacado de doença morreu a bordo de uma das caravelas, quando a expedição regressava ao reino.

"......A narração "portuguesa" da história tem a forma de um diário de bordo de Jorge do Rosário, frade dominicano embarcado na expedição de Diogo Cão de 1485/1486. O próprio frade narrador é mestiço, filho de negra forra de Lisboa, e nele coincidem duas memórias e duas histórias: a da mãe, da família Nsanda, e a dos frades portugueses que o educaram e cuja religião adoptou. As cantigas e as histórias que lhe contava a mãe, e que constituem a sua herança negra, criam nele o desejo de regressar às raízes, de conhecer esse outro povo que também é o seu. A bordo, Jorge do Rosário tem um lugar ambíguo - como é comum nas personagens mestiças -, gozando da autoridade do seu papel de religioso, mas sendo, por outro lado, olhado com desconfiança e desfavor pelos outros frades. As treze entradas do diário estão datadas entre 29 de Outubro e 17 de Novembro de 1486, durante a viagem de regresso a Lisboa, depois da tentativa falhada para dobrar o Cabo das Tormentas.

No entanto a narração do frade - que está com febre, na qual o leitor adivinha a morte próxima - é, na verdade, feita essencialmente da memória da viagem para Sul, quando as paragens ao longo da costa para aguadas haviam possibilitado o encontro de Jorge com o "seu" povo. E é este encontro que é o centro da história: da história pessoal de Jorge, que nos jovens Nsanda Kabasa e Nsanda Kakulo, descobre dois sobrinhos e a família Nsanda; e da história do Império, fundado na crioulização....".

Terá Diogo Cão passado pela Mazanga (ilha de Luanda e Mussulo)? e pela barra do Kwanza, cujas correntes estão na origem da formação daquela língua de terra? Um dominicano mestiço proveniente da Confraria do Rosário, em Lisboa, acompanha o navegador na sua segunda viagem em 1485, e acredita ir ao encontro da família remota perdida no Kongo. Mas o acaso leva-o mais para sul, ao reino do Ngola Kiluanji Kya Samba, que se prepara para recuperar o domínio das ilhas ocidentais por Mazanga onde, na exploração do zimbo (conchas) rivalizam três grupos migratórios vindos do Kongo: o do Mwani Korimba, da linhagem Nlaza, o do Kanzi a Pakala, do Soyo, cujo chefe é o Mwani Mussulo, e finalmente aquele cujo percurso se revela o mais dramático de todos, o dos Nsanda.

Mestre Rodrigo e José Vizinho

Observavam os céus da Guiné e elaboravam as regras da navegação pelos astros para além do equador. Verteu do hebraico para latim o Almanach Perpetuum, obra de seu mestre Abraão Zacuto, que era revista de quatro em quatro anos.

O Regimento da Estrela Polar, ficou ultrapassado depois de os navegadores portugueses terem perdido os pontos de orientação ao penetrarem no mar equatorial.

A partir daí guiavam-se pelas tabelas do Regimento do Sol, estabelecidas antes de 1485 por mestre José Vizinho, medindo a altura daquele astro ao meio dia e observando depois a sua inclinação até se pôr.

Martim Behaim

Negociante alemão que conhece bem Lisboa, inspira-se no planisfério de Martelus para construir o primeiro globo terrestre (1492). Fez parte da 1ª viagem que Diogo Cão efectuou ao sul do Equador? Diz-nos: " Quando Começava o ano de 1484?, o ilustríssimo rei D. João II de Portugal mandou dois navios chamados caravelas tripulados, fornecidos e armados para três anos, além das Colunas de Hércules, em África, sempre para o meio-dia e contra o nascer do Sol, enquanto lhas fosse possível…."

Martim Afonso e Fernão Martins

Intérpretes, talvez mouros convertidos que falavam correctamente o árabe, ou portugueses que o tinham aprendido por terem sido escravos em Marrocos.

Foram enviados em Maio de 1483, por Diogo Cão, como emissários, a sondar o interior onde se encontrava o Rei do Congo da sua residência ( M’Banza Congo).

Recuperados em Outubro de 1485, nas imediações de Nóqui, regressaram às caravelas.

Em 10.12.1493, Martim Afonso, ensina a ler e escrever a 6 negros e três mestiços que tinham recibo vestuários, roupas e calçado vindos do reino do Congo.

Conhecedor da língua do Congo, na angra de S. Brás, a 25 de Novembro de 1497, é enviado a terra por Vasco da Gama a negociar a troca de um boi por pulseiras. Estava em presença da língua hotentote. Estes pegaram-lhe na mão e levaram-no à aguada, onde lhe indicaram que a água não podia ser levada.

A 10 de Janeiro de 1498, é enviado por Vasco da Gama a terra num bote acompanhado por outro, num sítio chamado do país de Boa Gente, junto a um rio chamado de rio do Cobre, hoje Inharrime (Moçambique). Para surpresa do interprete, um dos idiomas que aprendera no Congo é ali compreendido. Os interlocutores são bantos, cujas línguas são faladas na maior parte da África Austral, do Zaire ao Zimbábue. Martim Afonso não conhece a geografia do interior do continente negro mas maravilha-se por encontrar aqui os mesmos homens que encontrara num local que lhe parece situar-se no outro extremo da terra.

Apresentados ao chefe local, ofereceram uma pulseira, um casacão de marinheiro e meias e barrete vermelhos, com que ele se enfarpela, após o que acompanha os visitantes à aldeia. No caminho, pára por diversas vezes para se pavonear com os seus novos tesouros, exclamando " vejam o que eles me deram !". Na aldeia, vai de cabana em cabana com o mesmo discurso. Os portugueses são instalados num recinto, onde lhes oferecem uma galinha e uma marmita de milho miúdo. A multidão, desejosa de os ver. Desfila toda a noite. No dia seguinte, o chefe acompanha-os aos navios com um carregamento de galinhas para o capitão-mor.

Caçuta

Um dos 4 negros feitos reféns no Soyo. Veio com Diogo Cão para Portugal em Abril de 1484.

Regressou ao reino do Congo em Outubro de 1485. Serviu de intérprete nas relações com o Mani Congo, rei do Congo, Nzinga-a-kuvu

Voltou a Portugal em Dezembro de 1488 com Bartolomeu Dias. De regresso ao Zaire a 19 de Dezembro de 1490, morre nas ilhas de Cabo Verde de doença.

São Jorge da Mina

Entreposto comercial marítimo, localizado no actual país Gana (África).

Os astrólogos confrontavam os seus cálculos com os testemunhos dos pilotos que aí faziam escala, nomeadamente Álvaro Pires, João de Santiago, Pêro Escobar e Pêro de Alenquer

M´PINDA –

Residência do Manisoyo , tio do Manicongo,

Em M´’Pinda existe uma missão Católica. Está a 8 Km da cidade do Soyo.

SOYO –

Ex- Stº António do Zaire – Sazaire – a 5 Km da foz do Rio Zaire, está localizada na margem esquerda do rio Zaire. Actualmente existe um porto fluvial na cidade do Soyo, a 2/3km da Ponta do Padrão. O porto serve de terminal de carga. Foi construído na década de 1980 para dar vasão à prospecção petrolífera.

RIO DE FERNÃO VAZ

Actual Rio Dande em Angola, a norte de Luanda.

Porque deram este nome ao rio "Fernão Vaz " – julga-se que foi um dos primeiros tripulantes a desembarcar nesse Rio.

Foi o piloto da caravela capitania da 1ª viagem de Diogo Cão?.

ANGRA GRANDE

Actual Baía do rio Bengo – Esta baía fica a norte da cidade de Luanda e a sul da Barra do Dande.

É uma das maiores baías da costa angolana.

Os nautas abasteceram-se de água no actual rio Bengo.

RIO DO PAUL

Actualmente rio Catumbela, desagua a 10 Km a sul da cidade do Lobito.

O nome Paul, significa "molhes", arbustos, capim (ervas) à mistura.

RIO PODEROSO

Rio do Padrão, actualmente rio Zaire ou Congo – o nome surge pelo enorme caudal e volume de águas que transporta.

É o 2º maior rio do mundo em volumes de águas, a seguir ao Amazonas , 80.000 m3 de água por segundo, são despejadas para o mar.

A foz tem 20 Km de largura e o comprimento 4 700 Km.

Nasce nos planaltos do Catanga, no Congo Zaire. Navegável da foz às cataratas de Ielala (92 milhas náuticas) . Na região de Kinshasa, o rio torna a ser navegável. Os navios cruzam as margens de Kinshasa para Brazaville.

ILHA DAS CABRAS

Ilha de Luanda – O nome sugere a quantidade de rebanhos de cabras que os nautas viram naquela ilha. Naquele tempo não estava ligada à actual cidade de Luanda. Por ali deambulavam homens na apanha do Zimbo (concha que servia de moeda de troca no reino do Congo)

IELALA ( YELALA ) – RIO ZAIRE – a 170 Km da Foz – 92 Milhas Náuticas

RIO ZAIRE a montante de Matádi. Cachoeiras perto das cataratas de Ielala

RIO ZAIRE, a montante de Matádi

RIO ZAIRE, junto às Pedras de Ielala

Decalque das Inscrições de IELALA (Reprodução de: Fontoura da Costa, às portas da Índia em 1484).

O estilo de letra acima reproduzido corresponde:

Ao estilo GÓTICO, com excepção (┼ da doença G Alvares) de estilo UNCIAL.

O Dr Manuel Luciano da Silva , no seu livro "Os Pioneiros Portugueses da Pedra de Dighon" , descreve com pormenor rigor o estilo de letra utilizado nas inscrições da Pedra de Dighton (ROMANO, GÓTICO e UNCIAL).

No decalque acima reproduzido, verifica-se que o escudo Nacional Português tem a posição dos escudetes apontados para baixo.

Tal facto deve-se às modificações nele introduzidas por D. João II, depois de Março de 1485.

Embora esteja perdido o livro da Chancelaria relativo ao ano de 1485, existem elementos de arquivo (Câmara Municipal do Porto, Vereações vol. 5º fol. 83-84) que permitem asseverar que o rei D. João II não estava em Beja antes de Março de 1485, data em que decretou a modificação do Escudo.

Com efeito, os cronistas Garcia de Resende (Crónica de D. João II, cap. 55 e 56 e João de Barros (Crónica de D. João II, cap. 18 e 19) afirmam ter sido em Beja, em 1485, que o monarca decretou as modificações do escudo nacional.

Supressão da flor-de-lis (Cruz de Avis), redução do número de castelos a sete, modificação da posição dos escudetes laterais, que deixam de ser apontados ao centro, para o serem para baixo.

Tendo início a 2º viagem de Diogo Cão na 1ª quinzena de Setembro de 1485, as inscrições nas pedras de Ielala foram efectuadas em Novembro de 1485.

 

Here goes a photo

Gravações nas Pedras ( Rochedos ) de Ielala (Yelala)

Cinco séculos depois, continua legível o testemunho de Diogo Cão em IELALA.

QUADRO RESUMO DAS VIAGENS DE DIOGO CÃO E BARTOLOMEU DIAS

DIOGO CÃO -1482/1484 – 1ª Viagem

20 MESES = 1 ANO e 8 MESES

1482 (Lisboa)

DE ABRIL DE 1484 a AGOSTO DE 1485 , INTERREGNO – 1 ANO e 4 MESES

DIOGO CÃO -1485/1486/1487 – 2ª Viagem

18 MESES = 1 ANO e 6 MESES ?