João Gonçalves Zarco, o primeiro
herói dos descobrimentos portugueses!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico
30 Julho 2005 

 

Sobrevoando a Ilha de Porto Santo vendo-se na parte central o aeroporto um dos mais compridos  da NATO

Estátua ao navegador João Gonçalves Zarco no centro da cidade de Funchal, Madeira

Quem era João Gonçalves Zarco?

Era um judeu português convertido ao catolicismo, membro da Casa do Infante D. Henrique, quando este passou a ser o Administrador da Ordem de Cristo, em Tomar, no centro de Portugal. Zarco distinguiu-se como um militar muito valente nas campanhas de Ceuta e Tanger e tornou-se também um marinheiro perito nas navegações no sul de Portugal e nas costas nortenhas ocidentais do continente africano. Por esta razão o Infante D. Henrique incumbiu-o e ao Tristão Vaz Teixeira de irem à procura de “algumas ilhas em frente à costa africana que já apareciam em mapas antigos”.   

Ilha do Porto Santo de origem vulcânica
com o seu Pico como os primeiros 
descobridores o viram em 1418.

A minha esposa, Sílvia, junto à praia
do Porto Santo com a areia muito fina.

 

No hotel junto à praia, comemos uma deliciosa espetada, acompanhada dum
 copo de cerveja, tudo por dez euros! 

Eu e minha esposa na extremidade
sul da ilha de Porto Santo com o ilhéu deserto à distância. 

Em 1418, navegaram ao longo da costa norte  ocidental de Africa, mas a sua caravela foi apanhada por mau tempo, andando à deriva vários dias, até que aportaram a uma nova ilha à qual deram o nome de Espírito Santo que depois mudaram para Porto Santo por a considerar um porto de salvamento!

Regressaram a Portugal para darem a boa nova ao Infante D. Henrique   que ficou  deveras muito entusiasmado com tal descoberta  e por isso enviou-os novamente para o Porto Santo  com a finalidade de a começarem a colonizar, no ano seguinte, ou seja 1419.  Mas desta vez seguiu  na mesma viagem um outro membro da Casa do Infante D. Henrique chamado Bartolomeu  Perestrelo.  Levaram com eles  também uma coelha que pariu vários coelhinhos durante a viagem e  depois  os novos colonos largaram a família completa  em terra na Ilha de Porto Santo, para  se amarem e se multiplicarem… E foi o que os coelhos fizeram. Em pouco tempo tinham uma família numerosíssima comendo todas as pastagens da ilha!...

Da ilha de Porto Santo observaram que para sudoeste “havia no horizonte  grandes nuvens escuras, mas  constantes,  que os  marinheiros pensavam ser o inferno mostrando o fumo das almas penadas a arder… ou o sítio onde os barcos cairiam num abismo, para fora do mundo!”

No princípio do Verão de 1419, num dia mais límpido,  João Goalves Zarco encheu-se de coragem e foi ver o que seriam aquelas “nuvens escuras” e ficou deslumbrado, maravilhado,  porque encontrou um paraíso,  uma ilha de sonho! Com tanta arborização decidiu pôr-lhe o nome de Madeira!

Onde nasceu?

Os historiadores variam na terra onde o João Gonçalves Zarco teria nascido. Uns dizem Tomar, outros apontam para Lisboa e ainda outros para Matosinhos ou o Porto. Há quem diga que a família dos Zarcos vem do século XII mesmo antes da nacionalidade de Portugal. Além disso há documentos legais no reinado de D. Dinis  que atestam que o nome Zarco já existia em Portugal  naquela altura, portanto não foi o João Gonsalves Zarco que inventou o seu próprio nome!  

Era Zarco ou Zargo?

Outra batalha que tem preocupado os historiadores tem sido concluir-se  se o nome do navegador era Zarco, com C de cão ou K  ou Zargo com G de gato.

Os historiadores antigos praticamente coevos do tempo do  navegador,  tais como Gomes Eanes de Azurara, João de Barros e Damião de Góis  usaram  sempre o nome de Zarco, com C. Há quem diga que o nome  Zarco é uma alcunha derivada do nome de um mouro muito valente, nas campanhas no norte de África,  que só o  João  Gonsalves Zarco foi capaz de matar. Eu nunca vi um vencedor adoptar o nome do vencido em qualquer batalha. Esta lenda é verdadeiramente estúpida.

Uma coisa muito simples que historiadores não revelam ou não sabem é que o nome Zarco é judaico, mas também pode ter derivação do árabe. E porque não? Os judeus viveram na península Ibérica, mais de dois mil anos, no território  onde se  veio a estabelecer   Portugal e ainda hoje mais de cinquenta por cinquenta por cento  dos portugueses têm sangue judaico. Por outro lado os árabes viveram na península Ibérica desde 711  até à  conquista de Granada em 1492, isto é 781 anos.  Em Portugal os árabes viveram  até 1249 quando o Rei Afonso III conquistou o Algarve.  Portanto estiveram na Lusitânia 538 anos e deixaram uma influência muito grande não só nos nomes, nos topónimos, mas também na nossa linguagem. Curioso que o nome  Algarve é  derivado do árabe = “Al-Gharb” que quer dizer “Ocidental”. Os  judeus também usam um termo para “Ocidental” que é “sefárdico”. Mas foram os gregos quem primeiro nos começaram a chamar “ocidentais”,   usando o termo “iberos” ou “ibérico”. Devemos notar que o judaico e o árabe são de certa maneira línguas semelhantes, talvez como o português e o espanhol.

Se consultarmos o dicionário judaico verificamos que existem as palavras “Zakhar” que quer dizer “órgão masculino” e “Zarkor” que significa  “projectar” ou “ejacular”. É por isso que “Zarkor” tem o mesmo significado que “Colon” em grego!  Esta afirmação é muito importante na análise da verdadeira Sigla do navegador Cristovão Colon.

Zargo é escaravelho!

Com respeito ao nome  Zargo com G  devemos esclarecer  que  existe na Ilha da Madeira um parasita, um insecto  da fauna madeirense,  chamado zargo e que pertence ao  género dos coleópteros entre os quais,  o escaravelho é o melhor exemplo.   “Coleópteros”  é uma palavra científica composta por dois termos  gregos  “Koleos” = “vagina”, mais “pteron” = “asa”, porque as larvas dos escaravelhos parecem-se com uma “vagina com asas”…  Depois desta explicação  científica, não me parece justo, nem decente chamarmos ao grande navegador  Zargo com G de gato !!!

Mas  mais importante ainda  será  analisarmos a assinatura Zarco, com C de cão,  feita pelo punho do próprio navegador, onde podemos  notar que a letra que se  parece  um  G  de gato  é,  no alfabeto judeu a letra K, portanto com o valor  sonoro  de um C de cão.  Se fosse  a  letra hebraica de um G,  de gato, teria  o formato de um Y invertido!  Portanto o nome correcto  do navegador  TEM QUE SER   Zarco com um C de cão!  Espero que os madeirense deixem,  de uma vez para sempre, de considerar   que o herói João Gonsalves Zarco, era um escaravelho!...

Porque foi um herói dos descobrimentos?

João Gonçalves Zarco foi o primeiro herói dos descobrimentos portugueses. Foi ele que fez a primeira  e mais importante descoberta marítima: Porto Santo e Madeira, representando a primeira grande conquista dos navegadores no domínio de todos os mares.   É pena que a História de Portugal não lhe tenha dado o relevo que ele realmente merece. O Zarco foi para os descobrimentos marítimos mundiais  o que o Yuriy Gagarin, russo e John Glenn, americano, fizeram   para a exploração do Espaço Exterior! Infelizmente nem o Governo Central de Lisboa, nem o Governo Regional da Madeira  têm colocado João Gonsalves Zarco no pedestal  de que ele  é digno  para ser transmitido às gerações actuais e futuras. 

Onde está a  obra de Zarco em Porto Santo?

A minha mulher e eu fomos visitar Porto Santo em Maio de 2005.  Ilha deslumbrante!  Praia magnífica!  Perguntamos onde estava a casa de João Gonsalves Zarco, mas ninguém  nos soube dizer se tal coisa existe  na ilha. Visitamos a Casa do Colombo, mas não apresenta absolutamente nada sobre a descoberta da ilha nem sobre os seus descobridores. É uma pena!  Os responsáveis histórico-culturais do arquipélago deviam usar a Casa do Colombo para exporem, numa forma didáctica para os visitantes,  em inglês e português,  seis  dioramas:

(1) Primeiro sobre a Escola de Navegação em Sagres demonstrando o objectivo principal da descoberta do caminho marítimo para a índia;

(2) Segundo a chegada dos navegadores à Ilha de Porto Santo com um modelo da praia e da caravela e salientar o significado de primeira descoberta;

(3) Terceiro o princípio da colonização com os coelhos, com os cereais e com  os homens; 

(4)  A descoberta da Madeira e a chegada ao ilhéu hoje de São José e a história do nome de  Madeira e seu futuro desenvolvimento;

(5) Comparação dos descobrimentos portugueses com as explorações do Espaço Exterior, demonstrando com cartografia e fotos que as explorações do Espaço Exterior são a continuação do espírito descobridor da Humanidade que inspirou os portugueses nos séculos XV e XVI  e que Portugal foi  a primeira nação no mundo a iniciar a globalização que agora está tanto em moda!;

(6)  E finalmente um diorama sobre as relações históricas do Colombo com os seus familiares nas ilhas de Porto Santo e  da Madeira. 

Mas infelizmente a exposição que existe agora na Casa de Colombo menospreza a história marítima portuguesa e glorifica apenas que Colombo nasceu em Génova!...  

"Casa do Colombo" na Ilha do Porto Santo,  Museu dedicado ao navegador onde, infelizmente, informam que ele nasceu em Génova!...

 

Contra a vontade da "menina" que estava a tomar conta da "Casa do Colombo" ainda consegui obter esta foto para todos verem  que esta Sigla está INCORRECTA quando  comparada com a Sigla verdadeira.

Esta é a Firma  ou Sigla VERDADEIRA de Cristovão Colon. Reparem nos pontos e nas vírgulas  porque todos têm os seus significados e têm que ser lidos revelando o nome  Cristovão Colon  

A Casa de Colombo não salienta referência relevante à Escola Náutica de Navegação de Sagres fundada pelo Infante D. Henrique, da qual resultou a força motriz que deu o  primeiro impulso para os descobrimentos  do Porto Santo e da Madeira. É ali em Porto Santo que devia existir um Grande Museu da Epopeia dos Descobrimentos Portugueses como há um Museu do Espaço Exterior no Cabo Kennedy,  na Flórida,  a explicar e a honrar todos os  astronautas  americanos que  dali partiram para as suas viagens no espaço até chegarem e voltarem da superfície da lua. Pelo contrário os painéis da Casa de Colombo em Porto Santo só servem para confundir os visitantes, não têm sequência cronológica e falta-lhes uma mensagem simples, mas verdadeira, sobre o que Portugal fez para a Humanidade descobrindo dois terço do globo e afirmar convictamente que foi ali com o descobrimento da Ilha do Porto Santo que a grande odisseia portuguesa teve o seu começo!  A Casa do Colombo querendo ser escolástica, não tem nada de didáctico para o grande público e não revela nenhum patriotismo histórico português. Os visitantes que entram naquela Casa  do Colombo com grande expectativa saem de lá com uma  sensação amarga e  de vazio. É deveras lamentável! As Autoridades locais e regionais poderiam fazer muito melhor e com pouca despesa.

Onde está a obra  de Zarco na Madeira?

 

Deveras impressionante sobrevoar Funchal  e arredores antes de aterrar no aeroporto Internacional

Em Maio de 2005,  a  minha mulher e eu passamos seis dias deslumbrantes na ilha da Madeira. Ficamos encantados com o seu povo, com as suas paisagens, com tantos milhares de flores variadas, com os seus monumentos e as suas obras de arte maravilhosas.

No último dia da nossa estadia, visitamos o lugar mais sacrossanto da Ilha da Madeira: no porto marítimo do Funchal fomos ver  o pequeno ilhéu a sudoeste, actualmente chamado Forte ou Praça de São José da Pontinha.

Foi nosso cicerone o professor liceal Renato Barros, proprietário legal deste ilhéu, que nos apontou do alto patamar do mesmo ilhéu a pedra  triangular banhada pelas águas das marés do Atlântico onde  João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira puseram os seus  pés pela primeira vez,  quando desembarcaram na Ilha  Madeira, no dia Primeiro de Julho de 1419! 

Devido à densidade da floresta da Ilha da Madeira, com receio do que pudessem encontrar no seu interior, foi neste pequeno ilhéu  que estes primeiros colonos e os seus marinheiros fizeram uma fortaleza construindo degraus e até um refúgio dentro da rocha.  Durante muitos anos foi este ilhéu que passou a funcionar como o porto de entrada e saída  dos produtos do Funchal, incluindo imigrantes e  turistas. 

Ao contemplar este ilhéu de João Gonçalves Zarco e de Tristão Vaz Teixeira, imediatamente, o meu cérebro deu a volta ao mundo para me relembrar de outros ilhéus e lugares históricos famosos e semelhantes onde o Homem pôs o pé:

(1)               - 550 anos depois dos  navegadores portugueses, João Gonçalves Zarco e Vaz Teixeira, o  astronauta americano Neil Armstrong pôs o seu pé na superfície da lua, no dia 20 de Julho de 1969 e disse: “Este é um pequeno passo para o Homem, mas um salto gigante para a Humanidade!”

(2) - 79 anos mais tarde, em 20 de Maio de 1498,  Vasco da Gama pôs os pés em Calcutá na Índia, realizando, finalmente,  o sonho do Infante  D. Henrique de ligar por via marítima Portugal à Índia.

(3) –  81 anos mais tarde, em 1500, Pedro Alvares Cabral pôs os seus  pés  em Porto Seguro, a 14 graus de latitude sul, quando descobriu oficialmente o Brasil. 

(4) – 92 anos mais tarde, em 1511, o navegador Miguel Corte Real gravou na Pedra de Dighton localizada na Nova Inglaterra, E. U. A., o seu nome e os Escudos Nacionais Portugueses assim como  quatro Cruzes da Ordem de Cristo iguais à que aparece na parte central da  Bandeira actual da Madeira. 

 (5) –  201 anos depois, os Pioneiros Ingleses, puseram os seus pés em 1620,  na  Pedra de Plymouth, no Estado de  Massachusetts, E. U. A.,  cujo significado originou o maior feriado dos Estados Unidos, chamado “Thanksgiving”  ou Dia  de Graças. 

(6) – Mas outros ilhéus são famosos devidos ás suas edificações  históricas tais como o Castelo de Almoural construído  numa ilha  no meio do rio Tejo, depois de 1160  pelos Templários Portugueses.

(7) – A Torre de Belém, monumento nacional,  construída num ilhéu na Baía do Tejo  entre 1516-1521, rendilhada de Cruzes da Ordem de Cristo com as extremidades em 45 graus.

(8) – A ilha de Bedloe na grande  Baía de Nova Iorque  onde foi colocada a famosa  e mundialmente admirada Estátua da Liberdade em 1886.

(9) – As Pedras de Yellala gravadas pelo Diogo Cão, nas margens do Rio Congo em 1488. As Pedras de São Lourenço em Sri-Lanka gravadas pelos portugueses em 1518. Os Padrões de Diogo Cão nas costas ocidentais da Africa setentrional. E tantos outros monumentos por esse mundo  fora a marcar  os descobrimentos portugueses!

(10) – Na  Ilha da Cidade, em Paris, na capital francesa, onde foi construída a famosa Catedral Norte Dame, existe na sua frente no pavimento uma circunferência de cobre, com 3 pés de diâmetro,  a marcar o epicentro de toda a França. É a partir daquele local que se medem todas as distâncias geográficas em  França.  

No patamar do Forte de São José, no porto do Funchal, o professor Renato Barros proprietário do forte e  minha esposa Sílvia,  no dia 20 de Maio de 2005

Na rocha do ilhéu os  primeiros navegadores cavaram uma caverna grande onde se protegiam. Aqui está o  o Prof. Renato Barros à entrada do portal 

 


Dentro da caverna é preciso usar lampiões. 

 

        O Epicentro da Madeira 


Aqui está a âncora  triangular construída na rocha marina por
João Gonçalves Zarco e as sua tripulação, depois 1 de Julho de 1419.

Em Conclusão:

 O triângulo de pedra no Ilhéu de São José  que o João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira construíram  há 586 anos, para servir  de âncora às suas caravelas, devia  tornar-se agora o SÍMBOLO DO EPICENTRO GEOGRÁFICO DA MADEIRA , à semelhança da Notre Dame de Paris.

Segundo o matemático Buckminster Fuller, inventor da cúpula geodésica,  o TRIÂNGULO  é a figura geométrica mais forte que existe na terra.  Os madeirenses não podiam arranjar melhor  ícone  e mais próprio para simbolizar as suas qualidades excelentes de determinação  e de vivência!

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