Primeira Biblioteca-Museu em Portugal com o nome dum emigrante  luso-americano! 
Por Manuel Luciano da Silva, Médico 

Biblioteca-Museu da Diáspora Portuguesa.

Biblioteca-Museu  dedicada aos  emigrantes portugueses.  Servirá de arquivo,  especialmente aos emigrantes portugueses da América do Norte.   A nossa história  de emigrantes, feita com sangue,  suor e lágrimas, deve ser bem  guardada antes que se perca toda com o andar dos tempos! 

Eu apelo a todas as Institutições Luso-Americanas  (tais como Igrejas, Clubes, etc.),  e a todos os emigrantes portugueses e seus descendentes, assim como aos directores das  várias  orgnizações para enviarem  cópias dos objectivos e do  funcionamento das mesmas intituições,  para ficarem arquivadas, para sempre,  na Biblioteca-Museu em Portugal. Aqui está o endereço para onde devem mandar cópias dos vossos arquivos.   

Biblioteca-Museu /Ao Cuidado da
Associação Dr. Manuel Luciano da Silva
São Pedro de Castelões
3730-901  Vale de Cambra
Portugal

 Descrição da Biblioteca-Museu

Biblioteca é uma palavra  composta por : ‘biblio’, Bíblia,  que quer dizer ‘livro’, mais ‘theke’ que significa ‘cofre’. Portanto uma biblioteca  é uma ‘Casa Forte’ onde se guardam  as obras primas da humanidade!

Foi no dia 18 de Maio de 1988,  que o Sr. Álvaro Pinho da Costa Leite, (proprietário das grandes fábricas Vicama e Jomar e ainda Presidente do FINIBANCO),  conjuntamente com mais  26 valecambrenses ilustres outorgaram a Associação Dr. Manuel Luciano da Silva, com a finalidade de restaurarem a  pequena casa onde eu nasci em Cavião, Vale de Cambra,  e construirem  também  no quintal  contíguo uma biblioteca moderna, envidraçada com dois andares,  para receber todo o meu espólio de emigrante luso-americano, nos Estados Unidos da América,  há mais de meio século!

Esta Biblioteca-Museu será  a primeira  em Portugal, Açores e Madeira  com o nome de um emigrante luso-americano durante o  período de 500 anos de emigração  portuguesa para a América do Norte!

 Felizmente que já temos em Ossela, Oliveira de Azeméis, a seis quilómetros de distância a oeste  da minha, a Biblioteca-Museu do Escritor Ferreira  de Castro.   Ele foi emigrante  luso-brasileiro. Ele emigrou para a Floresta do Amazonas  e  eu emigrei para ‘Floresta  de Cimento’, a Cidade de Nova Iorque!  Em nós ambos existem  denominadores  comuns que são  a  defesa dos nossos emigrantes, o bom nome de Portugal no mundo  e a  melhoria  social e salutar dos seres humanos em geral! 

É  com emocionante alegria que vamos  inaugurar este complexo Biblioteca-Museu,  na quarta-feira, 13 de Junho de 2001, Dia de Santo António, o Santo Mais Popular Português e também Feriado Municipal  de Vale de Cambra.  Este acto tão festivo,  cultural e patriótico vai ter  início às  4 horas da tarde

O complexo da  Biblioteca-Museu  com o meu nome é composto:  (1)  pela pequena casa de pedra onde eu nasci  a qual foi restaurada com muito cuidado para se manter tudo tal qual existia na altura em que eu nasci, em 5 e Setembro de 1926;  (2)   por  um suite contíguo para o Director da Biblioteca-Museu  e  (3)  pela Biblioteca  propriamente  dita, com uma  frente envidraçada de vinte pés de altura e dividida em  dois andares. 

A Biblioteca-Museu Dr. Manuel Luciano da Silva  é dedicada à : (1) Ciência Médica; (2) Descobrimentos Portugueses; (3) Historiadores Amadores  e (4) Emigrantes Portugueses.

Espólio da Biblioteca-Museu 

Na secção da Ciência Médica  temos a colecção de centenas  de livros médicos que usei, assim como vários  artigos médicos que escrevi em revistas e ainda centenas de cassetes dos programas médicos que fiz na rádio e  centenas de vídeos  sobre programas  que realizei na televisão na Nova Inglaterra com a  finalidade de informar e  esclarecer,  principalmente  a comunidade de língua portuguesa.

Na secção Descobrimentos Portugueses encontrarão muitos livros em inglês e português  principalmente tratando da primasia  dos descobrimentos  portugueses   nas costas, do Atlântico e do Pacífico,  da América do Norte.

           (1) Informação completa, em inglês e português,  sobre o estudo das inscrições portuguesas gravadas na Pedra de Dighton e uma réplica,  de tamanho natural,  da face da mesma, feita em fibra de vidro. 

                  (2)  Documentação primária e secundária  sobre as viagens dos navegadores Corte Reais para a América do Norte nos séculos XV e XVI.

           (3)  Demostração dos topónimos portugueses existentes desde o tempo dos descobrimentos  nas costas do Canadá e da Nova Inglaterra, afirmando que a primeira colónia europeia nestas paragens foi a portuguesa e que houve mistura  genética com os índios americanos. 

           (4)  Que foram os marinheiros portugueses que construiram, no princípio do século XVI,   a Torre Octogonal de Newport, Rhode Island.

            (5)  Que foram os portugueses quem primeiro introduziram animais domésticos na América do Norte,  tais como gado bovino, porcos e  ovelhas e que  estabeleceram também  a primeira indústria da pesca do bacalhau  no Canadá e na Nova Inglaterra. 

            (6)  Descoberta original das linhas de latitude na Carta Náutica de 1424, demonstrando que a Terra Nova , Nova Escócia e a Ilha do Príncipe Eduardo,  no Canadá,  são  as “Verdadeiras Antilhas” e não  as ilhas existentes a duas mil mil de distância  ao sul,   no Mar das Caraibas,  na América Central, como o mundo inteiro tem vindo, erradamente,  a acreditar.  Está em exposição o mapa onde fiz a descoberta  original das linhas de latitude. 

            (7) Demonstração,  analizando os documentos coevos,  de que o navegador,   erradamente  conhecido por Colombo,  era 100% Português, Cristovão Colon! 

             (8)   Análise directa da Sigla do navegador,  concluindo que o nome dele era  na realidade Cristóvão Colon e não Colombo! 

              (9)   Descoberta  em quinze documentos  assinados pelo navegador e interpretação original do  Monograma do seu nome de baptismo: Salvador Fernandes Zarco. 

             (10)  Descoberta original do nome português de Cristofõm (Cristóvão) Colon ,  nas Bulas Papais  de Alexandre VI,   de 3  e 4 de Maio de 1493. Cópias destas Bulas estão patentes na Biblioteca-Museu. 

             (11)  Documentação, com a Benção, -“Deus te abencoe”,-  nas  últimas doze  cartas que o navegador Cristovão Colon  escreveu ao seu filho legítimo Diogo Colon. Em todas estas cartas podemos ver as três cifras:  (1)  a Benção, (2) o Monograma e (3)  a Sigla do navegador Cristovão Colon. 

Na Secção Historiadores Amadores.   Demonstramos que muitas das descoberta originais da História e da Arquelologia foram feitos por amadores ou delitantes.

Investigadores que nunca ensinaram nos liceus ou universidades,  mas que fizeram descobertas originais e muito importantes para o  desenvolvimento  da civilização mundial. Exemplos: Heinrich  Schliemann que era merceiro e descobriu  a cidade de Troia;  Jean Francois Champollion que era militar e descobriu o segredo da Pedra de Roseta;  Michel Ventris que era arquitecto e descobriu o segredo da Minóica na Ilha de Creta; Copérnico que era médico,  descobriu que a terra anda àvolta do sol;  Anton Van Leewenhoek que era  empregado numa câmara e descobriu o microscópio.

Em Portugal temos muitos exemplos de historiadores amadores que fizeram descobertas originais:   Gago Coutinho, Oliveira Martins, Luciano Cordeiro, Alexandre Herculano, etc. Esta secção é  o  melhor exemplo daquilo que esta Biblioteca-Museu pretende para o futuro: estar aberta a todas as ideias positivas, a todos as iniciativas com a finalidade de se descobrirem coisas novas, sem requisitos de diplomas ou canudos de especialidade!

Na secção Emigrantes Portugueses apresento  o meu espólio de emigrante português nos Estados Unidos da América durante  mais de meio século. Artigos nos jornais americanos e luso-americanos, cartas aos editores  e troca de correspondência com  as  mais variadas personalidades americanas e portuguesas.  Cópias dos alvarás das catorze organizacões em que fui sócio  fundador.  Centenas de cassetes e vídeos de programas na televião em inglês e português sobre as actividades históricas e sociais que tomei parte activa.

 Cópias de artigos nos jornais americanos  a defender a história portuguesa tais como:  “The New York Times”, “Boston Globe”, “Boston Herald”,  “The Christian  Science Monitor”, “The New York Daily News”, “The Providence Journal”, “The Fall River Herald News”,  “The New Bedford Standard Times”, “The Taunton Gazette”, “Bristol Phoenix”,  “Philadelphia Enquire”, “The Columbus Dispatch”, “The Pittsburgh Press”, the “National Geographic Magazine” etc. 

Cópias dos meus artigos nos  jornais luso-americanos:  “Luso-Americano”, “Portuguese Times”, “Portuguese Post”,   ” O Jornal”  de Fall river, “Azorean Times” de Bristol, RI. , “O Jornal Português”  da Califórnia e nas  reivistas ”A Chama”  e ”Mundo Português”. E ainda na “Comunidade Lusíada” dos jornais “Phoenix Times” de Brsitol, Rhode Island. 

Livros escritos por emigrantes luso-americanos em inglês e português a descreverem os vários factores de adpatação à vida Americana nos Estados Unidos e Canadá.

Informação variada sobre as organizações portuguesas, clubes,  igrejas luso-americanas, sinagogas portuguesas,  bandas, grupos foclóricos, comerciantes, cantores, fadistas, guitarristas, professores liceais e universitários, profissionais e políticos luso-americanos.

“Portuguese Merdagate é o arquivo completo dos Tribunais  Superior e Supremo do Estado de Rhode Island, descrevendo a questão judicial de dois milhões de dólares que tive, em Fevereiro-Março de 1977,  com o cônsul honorário de Providence, por ele ser engajador de emigrantes em vez de os proteger.   Foi uma luta tremenda da qual eu saí  vencedor!   Nesto  caso judicial estiveram  também envolvidos os Tribunais da Ribeira Grande,  o Tribunal da Relação de Lisboa e o Supremo Tribunal da Justiça Portuguesa.

Este julgamento foi  o primeiro em toda a América que chegou ao Supremo Tribunal de Justiça, no qual  a matéria em questão foi escrita numa língua  diferente da inglesa, neste caso em português. 

Este caso de tribunal  é também um exemplo flagrante que demonstra duas coisas bem claras: (1)  toda a podridão que existiu durante  muitos anos no corpo diplomático português em não dar a proteção devida aos emigrantes portugueses espalhados  pelo mundo;  e (2) a coragem dum emigrante, em lutar  denodamente  para defender os emigrantes portugueses e fazer triunfar acima de tudo a verdade  e a justiça!

Abolição dos vistos nos passaportes americanos para  se visitar os Açores.

Foi uma luta tremenda mas vencemos ao fim de seis anos o Governo Português cedeu à nossa campanha!  

Miscelânea.    Esta Biblioteca-Museu contém também  fotografias minhas desde a minha infância, da minha família, dos meus colegas do liceu e do meu curso médico. Os  meus diplomas, as placas  honoríficas e outras homenagens que tenho recebido.

Exemplares dos livros que escrevi em inglês e em português assim como as minhas monografias e artigos médicos em jornais e revistas escritos numa linguagem popular. 

Livros sobre literatura portuguesa, brasileira e americana. Livros sobre sexualidade humana. Livros sobre arte e sobre  o Vaticano e outras religões,  incluido vários sobre a história dos judeus. Muitos milhares de diapositivos ou slides coloridos sobre a América, Portugal e outros países. Livros sobre fotografia.  Livros  sobre Geologia, Antropolgia, e  sobre cartografia incluindo a Monumenta Cartográfica  Henriquina e ainda   as colectâneas de livros  oferecidas pelo Governo dos Açores (115 livros)   e do  Governo da Madeira. ( 102).

Colectânea da grande  revista “National Geographic Magazine”  desde 1963 até 2001.  

Uma variedade de enciclopédias tais como: “The World Book”, “Britannica”, de Medicina, de Antropologia, da Masonaria, etc. 

Informação sobre as aldeias e Cavião, de Merlães, e das freguesias de Castelões e de Cepelos e das cidades onde tenho vivido em Portugal e na América.

Informação sobre Bristol,  Rhode Island, onde tenho vivido desde 1963. Uma colectânea  de 1566 exemplares da página portuguesa, “Comunidade Lusíada”,  que se publica, semanalmente,  há 28 anos  na cadeia dos quatro   jornais do “ Phoenix Times”. 

Fotografias  e recortes dos jornais portugueses e americanos das pessoas (maioria  luso- amerianos),   que me ajudaram na campanha de proteção  à Pedra de Dighton, na abolição dos vistos nos passaportes amerianos para se visitar os Açores, no ensido do Português no Rhode Island  College, etc. 

E finalmente uma colectânea de vários livros, sobre vários assuntos,  oferecidos por pessoas amigas,  em memória dos seus antepassados. 

Informação sobre os Sócios Fundadores da Associação com o meu nome. 

Informação sobre os 50 Estados Americanos. 

Biblioteca  para o futuro

Porque tenho vivido nos Estados Unidos há mais de 55 anos, é natural que  a grande maioria  dos meus livros (85 por cento)  sejam  em inglês.  Por isso  podem  perguntar:  Qual será a utilidade  de tantos livros em inglês numa Biblioteca-Museu  na aldeia em Cavião, Vale de Cambra?

É que todas as pessoas,  em Portugal, jovens ou já mais maduras,  que  venham a consultar o espólio da Biblioteca-Museu certamente saberão suficientemente inglês, para poderem usar a mesma biblioteca. Além disso o inglês será a língua internacional do futuro,  quer queiramos  quer não, por influência da  Internet, etc.  Portanto esta Biblioteca Museu está preparada para as gerações futuras  de Portugal! 

No que diz repeito a  guardarmos na Biblioteca-Museu  a  documentação variada das organizações, igrejas, etc.,  luso-americanas,  se as  não  colhermos agora, num futuro muito próximo, --  porque a emigração para a América  do Norte terminou, --  o nosso grupo rácico vai desaparacer, como tem acontecido  aos  outros grupos:  franceses, italianos, gregos, etc. e depois não fica  nada arquivado, de nós emigrantes,  em lado nenhum. Eis a razão, agora,  do meu apelo. 

Espero que esta Biblioteca-Museu – Biblioteca da Diáspora Portuguesa --seja um elo de ligação permanente  entre Portugal e América e que, lá no alto do vale, se venha a tornar  a Lusa-Atenas do mavilhoso Conselho de Vale de Cambra! 

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