Museu da Pedra de Dighton
Por Manuel Luciano
da Silva, Médico
Fotografia do
Museu, para ser colocada
Pedra de Dighton até 1963
Descrição Física
A Pedra de Dighton pesa 40 toneladas. É uma pedra solta. Está virada de pernas para o ar. Emigrou algures da América do Norte quando há dez mil anos a carapaça de gelo derreteu (Último Período Glacial) e rolou até parar na margem esquerda do Rio Taunton. Em quanto a Pedra de Dighton esteve no rio a água das marés cobriam-na durante vinte e quatro horas por dia. Quando a maré estava cheia o cimo da pedra chegava a ser coberto por 3 ou 4 pés de água. Durante o inverno quando o rio Taunton congelava a Pedra de Dighton ficava debaixo duma carapaça de gelo. Por muito estranho que pareça estas condições adversas protegeram as inscrições de serem mais vandalizadas.
A Pedra de Dighton é composta por granito arenoso, com uma densidade média, rico em mica e apresenta uma cor acastanhada rubra. Tem o formato de um paralelepípedo, com 5 pés de altura, 9,5 de largura e 11 de comprimento. A face das inscrições tem o feitio de um trapézio e está inclinada 70 graus virada para o Noroeste.
Parque Estadual e Museu
Em 1954, a Pedra de Dighton e a área de terreno contíguo, com 50 hectares (101 acres), foram oficializados Parque Estadual. Em 1963, a Pedra de Dighton foi retirada da água, elevada 11 pés e colocada num paredão, mas mantendo a orientação original. Passou a ser cercada por um gradeamento de rede de arame.
Em 1973, o Governo de Massachusetts construiu o pavilhão octogonal de cimento e ferro e a Pedra passou a estar protegida por uma vitrina também octogonal.
Em 1974, a Assembleia de Massachusetts aprovou uma Lei (Chapter 501, House Bill No. 5475) para que se construísse o Museu da Pedra de Dighton. Eis o conteúdo dessa Lei:
"O Departamento de Recursos Naturais é autorizado e ordenado a construir um edifício no Parque Estadual da Pedra de Dighton, na Vila de Berkley, com o propósito de expor objectos associados com a história da Pedra de Dighton e com a história das navegações portuguesas e de outras nações, incluindo explorações e colonizações na região".
O Museu ficou assim completo com dois edifícios octagonais contíguos: o Pavilhão contendo a Pedra de Dighton e o Museu com os painéis e os artefactos.
Dentro do Museu encontram-se os seguintes artefactos:
(1) "Nau São Gabriel" - Modelo usado por Vasco da Gama, na primeira viagem à Índia em 1498. (Oferta do Primeiro Ministro Português, Pinheiro de Azevedo).
(2) "Caravela Victória" - Modelo usado pelo Fernão de Magalhães na primeira viagem de circum-navegação - 1519-1522 [três anos menos 11 dias]. (Oferta do Rei de Espanha, Dom Juan Carlos).
(3) Padrão dos Descobrimentos Portugueses em mármore branco. (Oferta da Fundação Gulbenkian, Lisboa, Portugal).
(4) Litocolagem dos Indios Americanos, pela escultora Chipi Tegu, Providence, Rhode Island).
As 4 teorias
A Pedra de Dighton e as suas gravações têm sido objecto de muita curiosidade e controvérsia durante mais de 300 anos. Durante séculos enquanto a Pedra esteve na margem do rio, com a sua face exposta, vários indivíduos aproveitaram a oportunidade para adicionarem as suas iniciais e desenhos.
Até ao presente já foram apresentadas várias teorias. Todavia, baseado em desenhos, fotos das gravações e cotações dos vários historiadores, os painéis no Museu explicam as quatro teorias mais populares:
(1) Índios Americanos, (2) Fenícios, (3) Nórdicos ou Vikings e (4) Portugueses.
Explicação das 4 teorias na ordem cronológica como foram apresentadas ao público.
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Século 17- Indios Americanos
Esta teoria foi apresentada pelo Reverendo John Danforth em 1680. Depois de desenhar a metade superior das inscrições que eram visíveis, concluir que elas relatavam o episódio de estrangeiros terem vindo para conquistar os Índios.
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O primeiro desenho das inscrições da Pedra de Dighton foi feito pelo Reverendo John Danforth em 1680. Danforth desenhou apenas a metade superior das inscrições, talvez por a Pedra estar coberta pela água das marés vinte horas por dia. Danforth atribuiu as gravações aos Índios Americanos Wampanoag que viviam na parte do sudeste de Massachusetts.
" ...de acordo com a tradição dos velhos índios veio uma casa de madeira pelo rio acima ( com homens doutro país) navegando no rio Assonet e chegaram a matar o chefe índio. Alguns historiadores interpretaram os desenhos como sendo hieroglíficos ou egípcios. A primeira figura representa um navio sem mastros, apenas um casco dum barco. A segunda figura representa uma ponta de terra, com uma península e um golfo."
Em 1732, a Sociedade Histórica de Londres (Inglaterra) pediu e recebeu uma cópia do desenho da Pedra de Dighton feito por Danforth, o qual foi mais tarde oferecido ao Museu Britânico onde ainda se encontra.
Danforth concluiu a interpretação do seu desenho assim:
(1) Navio sem mastros
(2) Cabo e península com um golfo
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Século 18 - Fenícios
Em 1781, Antone Court de Gebelin propôs a Teoria Fenícia. Ele interpretou as gravações como descrevendo o passado, o presente e o futuro da história dos antigos fenícios.
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Em 1781, Antone Court de Gebelin, um historiador francês, propôs a Teoria Fenícia. A interpretação de Gebelin é baseada no desenho feito por Steven Sewall. De Gebelin nunca visitou pessoalmente a Pedra de Dighton. De Gebelin baseou a sua teoria na mitologia fenícia. Eis as palavras dele:
"Este monumento pode ser dividido em 3 cenas representando o futuro, o presente e o passado".
Futuro
"Esta cena relativamente vazia representa a solidão do futuro. A figura maior representa um busto colossal, o Oráculo, que acabou de ser consultado; o traço por cima da cabeça representa um véu. No braço direito do Oráculo está uma borboleta, símbolo da Ressurreição. Do lado direito está uma pequena estátua ou padre."
Presente
"Esta cena representa o presente e por essa razão está colocada no meio. As figuras essenciais são dois animais um em frente do outro. Um representa uma nação estrangeira, o outro a América. A primeira figura é um cavalo a descansar na posição ajoelhada; a outra é um castor identificado pela sua longa cauda"
Passado
"No lado direito estão 4 figuras. Todas elas estão relacionadas com um evento passado. A figura na extremidade direita é o Priapo (Pénis), deus da fecundidade, pai dos frutos. Não pode ser confundido. A próxima figura do lado esquerdo é um mocho, símbolo de Minerva, deusa da ciência e das artes. A figura ao lado, um pouco à esquerda e abaixo é um pardal com uma espécie de manto sobre os ombros. A quarta figura, a mais à esquerda do grupo é, indubitavelmente, o pequeno Telesforo, divindade do feliz acontecimento".
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Século 19 - Nórdicos ou Vikings
Esta teoria foi desenvolvida em 1837, por Carl Christian Rafn. Segundo ele as inscrições relatavam as viagens de Thorfinn Kalsefni, um navegador nórdico que veio à procura duma nova terra chamada Vinland.
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Em 1937, Carl Christian Rafn, um investigador dinamarquês, que nunca visitou a Pedra de Dighton, propôs a Teoria Nórdica ou dos Vikings, baseado no desenho que a Sociedade Histórica de Rhode Island lhe enviou em 1835.
Rafn, juntamente com o seu assistente, Finn Magnusen, interpretaram as gravações relacionadas com os protagonistas mencionados nas "Sagas da Vinlândia". Nelas um dos personagens é chamado Thorfinn Kalsefni, um lidador nórdico, que tentou colonizar a chamada Vinlândia pelos exploradores nórdicos.
Todavia na Dinamarca Rafn alterou o desenho que recebeu. Ele adicionou-lhe as letras FINS para adaptar com a Teoria de Thorfin!
No seu livro " Antiquates Americanae" publicado em Copenhaga (1837) Rafn descreveu a sua versão da Teoria Viking desta maneira:
(I) Os caracteres numéricos CXXXI (131) correspondem exactamente com o número da tripulação de Thorfinn.
(II) Depois do número CXXXI existe um sinal latino-gótico semelhante a um M. Esta letra em islandês quer dizer "território ocupado por nós".
(III) A baixo existe um O em forma de diamante, seguido da letra R que fazem parte de ORFINS do nome Thorfinn.
Antes de nos dar a sua conclusão Rafn ainda explica mais:
"Devemos notar que C em islandês é chamado a "grande centena" e tem por isso o valor de 120 em vez de 100. Portanto CXXXI deve ser lido como 151 para coincidir com o número dos 151 marinheiros que vieram com Thorfinn".
Depois desta estranha explicação Rafn apresenta a sua Teoria Nórdica que ele leu assim:
CXXXI, NAM, ORFINS
"Thorfinn e os seus 151 companheiros tomaram posse desta terra."
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Século 20 - Teoria Portuguesa
Em 1918, Edmund Burke Delabarre detectou o nome de Miguel Corte Real e a data de 1511 gravados na Pedra de Dighton. Em 1951 José Dâmaso Fragoso descobriu três Cruzes da Ordem de Cristo .
Em 1960 Manuel Luciano da Silva apresentou no Primeiro Congresso Internacional dos Descobrimentos em Lisboa, Portugal, toda a documentação sobre a Teoria Portuguesa.
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Esta foto foi obtida, no dia 2 de Novembro de 1959, pelos médicos Dr. Manuel Luciano da Silva e Dr. Luis Charles Dupont.
Pedra de Dighton com as inscrições decalcadas a giz para melhor didática.
Bandeira no. 1 - Escudo Português em forma de "U"
Bandeira no. 2 - Cruz da Ordem de Cristo
Bandeira no. 3 - Escudo Portugues em forma de um "V"
Ao centro - O nome do Capitão. Miguel Corte Real
Data de 1511, com o algarismo 5 em forma de S maiúsculo.
A Teoria Portuguesa foi concebida em 1918 por Edmund Burke Delabarre, psicologista na Universidade de Brown, em Providence, Rhode Island, quando descobriu a data de 1511. "Eu vi-a, clara e induvitavelmente, a data de 1511. Ninguém até à data a viu ou detectou na pedra ou em fotografia, mas uma vez vista a sua presença genuína não pode ser negada". (2 de Dezembro de 1918).
Com o conhecimento da data de 1511, Delabarre pesquisou a História da Europa e verificou que existem em Lisboa, Portugal, Cartas Reais afirmando o facto do navegador Corte Real ter feito uma segunda viagem à América do Norte em 1501 e nunca regressou a Portugal. Delabarre descobriu também o facto de Miguel Corte Real ter deixado Lisboa em 10 de Maio de 1502, à procura do irmão Gaspar, mas Miguel teve a mesma sorte e nunca mais voltou a Portugal.
Em posse dos conhecimentos da História Portuguesa, Delabarre reveu todos os desenhos, pinturas e fotografias feitos por vários pesquisadores desde 1680 e afirmou que estavam gravados na Pedra de Dighton:
(1) Data 1511
(2) Nome do Capitão - Miguel Corte Real
(3) Escudo Português em forma de "V"
Em 1951, José Dâmaso Fragoso (natural de São Miguel, Açores) e professor de Português na Universidade de Nova Iorque, escreveu um artigo revelando: (1) a descoberta de três Cruzes da Ordem de Cristo, com as extremidades em 45 graus, e (2) o Escudo Português em forma de "U".
Em 1960, depois de uma análise profunda das pesquisas feitas por Delabarre e Fragoso, Manuel Luciano da Silva, médico em Bristol, Rhode Island, fez uma comunicação no Primeiro Congresso Internacional dos Descobrimentos, realizado em Lisboa, Portugal, onde revelou a sua descoberta da quarta Cruz da Ordem de Cristo e afirmou convictamente a Teoria Portuguesa. Da Silva fez uma análise comparativa das inscrições da Pedra de Dighton na América, com as inscrições irrefutavelmente portuguesas de outros Padrões Portugueses como a Pedra de Yelala, no Congo, África e como a Pedra de São Lourenço em Seri-Lank, na Ásia. Da Silva concluiu a sua apresentação no Congresso Internacional assim:
"A semelhança entre estes padrões portugueses tantos milhares de milhas afastados uns dos outros é deveras impressionante. Todos têm gravações com o mesmo escudo das armas portuguesas, com a mesma Cruz da Ordem de Cristo e com o mesmo estilo de algarismo".
"Todos estes padrões foram gravados por navegadores que receberam o mesmo treino e instrução na Escola Náutica do Infante D. Henrique, em Sagres, Portugal."
Delabarre, Fragoso e Da Silva, cada um dedicou mais de trinta anos das suas vidas a investigar e a acertar a Teoria Portuguesa. Eles próprios examinaram, no local, muitas vezes a face da Pedra de Dighton, em alturas diferentes das marés, quer de dia quer de noite, com luz razante.
CONCLUSÃO
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Autoridades Oficiais do
Departamento do Meio Ambiente
Brian Shanahan, Director Regional do Departamento do Meio Ambiente.
Dighton Rock State Park
Steven Bates, Supervisor
John Roberts, Director do Parque
Tel. (508) 822-7537
Para visitar o Museu fora da época, chamar : (508) 644-5522
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Amigos do Museu da Pedra de
Dighton, Inc.
Presidente - Raul Benevides
Vice-Pres - Manuel L. da Silva, M. D.
Secretário - Walter Fraze Jr., Advogado
Tesoureiro - Richard A. Vasconcellos
345 N. Main Street, Fall River, MA 02720
Tel. (508) 675-1104
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Como se vai para o Parque da Pedra de Dighton?
Usar qualquer auto-estrada que ligue com a 24. Dez milhas ao norte da cidade de Fall River, usar a saída No. 10. Depois seguir para oeste duas milhas até ao Museu.