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NEM
A IGREJA SE SALVA DA POLÍTICA! |
Quando eu era miúdo, e ia à missa e à catequese, acreditava em tudo o que os
senhores padres diziam. Aliás, até hoje, nunca nenhum me disse uma coisa má,
nem uma mentira, que eu saiba. Portanto, não tenho qualquer razão de nenhum
padre. Directamente, claro.
Com o passar dos anos, comecei por ver que na Igreja também havia política. E da grossa. Ou seja, há políticos, que se envolvem em questões religiosas, como há padres, que se comprometem com problemas políticos. Assim numa espécie de hoje sirvo-te eu, amanhã serves-me tu. Ou melhor: hoje, dou-te um jeito; amanhã, dás-me tu.
Tanto quanto me foi dado saber, aqui há um bom par de anos, o relacionamento entre ambas as partes assumiu proporções bem mais inquietantes. Garantem-me que não se podia fazer a coisa de outra maneira.
Mas eu não me refiro à forma de "colocar" os Papas em Roma. Nada disso. Refiro-me mais aos grupos e grupinhos de influência que se formam, para tentar colocar o Papa, que melhor sirva determinados interesses, que muitas vezes desconhecemos.
Quase toda a gente sabe que o Papa é o Chefe da Igreja que tem um bilhão de fiéis. E isso é muito importante. Tem uma força incalculável.
E, como tudo, mesmo tudo, mais cedo ou mais tarde, se vem a saber, o melhor é ir-se sabendo, aos poucos, para, depois, não se ter alguma congestão. Disse o padre Silvestre, pároco da Igreja da Conceição da Horta, Ilha do Faial, parece-me que numa sessão geral de catequese: também tivemos um Papa que foi um "autêntico diabinho". Eu não tinha dez anos e estou a chegar aos setenta e um. Mas...recordo-me...
Uma das coisas que deveria ser alterada, nesta ocasião, liga-se à idade e/ou condições físicas ou mentais com que o Papa deveria deixar o lugar. Aguentar-se até ficar caduco ou fisicamente incapaz é uma tortura. E deveria competir ao colégio cardinalício ter competência para resolver uma situação invulgar, não deixando que ela ocorresse. Ou, evitando que ela se mantivesse.
Há muita gente a contestar certas "antiguidades," que julgam ser preciso alterar, na Igreja Católica. Do outro lado, há os que preferem não tocar em nenhuma "pedra", pois que o "edifício" poderá desmoronar-se.
Na realidade, só se pode e deve tocar em determinadas coisas, já que, se se tocar noutras, há o perigo de uma certa confusão. O que muita gente pretende, com tudo isto, é ver uma Igreja avançar, como as outras, liberta das políticas e das politiquices, e voltada para o progresso, com verdadeiro respeito pelos valores morais. Claro que isto não seria assim tão simples, já que se trata de uma questão muito sensível, que suporta uma instituição multissecular. Porém, parece-me que era tempo de ir deixando saber que há gente interessada em fazer avançar a instituição que menos tem progredido.