A Pedra de Dighton e o Dr. Luciano
da Silva
O Monólito de Dighton
Pelo Jornalista-Historiador
Basílio José Dias
Publicado no "Atlântico Expresso", 28 de Fevereiro de 2005
O Monólito de DIGHTON, como inquestionável «testemunho ou Padrão», ocupa lugar não confundível com os previamente trabalhados com destinos de localização mais ou menos previstos. Ou mesmo dos manufacturados de improviso para marcar «posse» ou ponto de importância estratégica.
(Quinto artigo desta série sobre Miguel Corte Real e a Pedra de Dighton)
Encontramo-nos numa fase destas crónicas em que para nos obrigarmos a ir mais adiante temos de fazer abordagens, tropeçar em repetições e colar acrescentos ao que já foi referido. Para nós, faz parte das leituras, bisa-leituras e extra-leituras que nos habituamos, para chegar ao ponto que pensamos ser o certo. O leitor, porventura, não estará muito de acordo connosco.
Atente, porém, que demasiada ligeireza abre muitas roturas a informação e que mesmo novas colheradas de conhecimentos nem sempre fecham as falhas resultantes do iletrismo dos personagens que viveram os êxitos, os fracassos e as canseiras, de há centenas de anos.
Sabíamos que, em passageiras lições históricas, Miguel Corte Real tinha ido procurar o irmão nos mares da Terra Nova e que por lá ficara por mor da má sorte, de gelos, dos nevoeiros. A certeza, era que não regressara.
No Século XX, porém, um seixo de mais de 40 toneladas, com gravações no seu dorso, que desde 1680 seduzira o Rev. John Danforth, e mais outros pelos anos adiante, era afinal o «recado» para o porvir, gravado por Miguel Corte Real e companhia, a narrar o sucedido. Cinco Séculos sem notícias. Quinhentos anos de explicações provisórias...
Atendendo que no Novo Mundo foi o primeiro a saber gramática, desenho, heráldica e escrever mensagens, o «Monólito ou Pedra de DIGHTON» merece que Ihe seja atribuída a faculdade de descrever os acontecimentos principais de que fez parte, após a sua colocação para o cargo no ensino público que diariamente exerce a todos os visitantes. Porque o pavilhão, propositadamente construído para o resguardar da erosão ao ar livre, é, por isso mesmo, um recinto escolar. De grande valor docente.
O Monólito de DIGHTON, como inquestionável «testemunho ou Padrão», ocupa lugar não confundível com os previamente trabalhados com destinos de localização mais ou menos previstos. Ou mesmo dos manufacturados de improviso, para marcar «posse» ou ponto de importância estratégica. Possui características diferentes.
Transcende a sensibilidade. Há um chamamento ao passado, para trazer a presença de factos ensombrados pela tragédia, demasiado vincados para simples «borracha de aluno aprendiz» os apagar.
Ao GRANDE HOMEM, de 1500, o amimado adulto-menino do Século XXI, de telemóvel no ouvido a comunicar com interlocutor a poucos metros de distância, deve sentir-se obrigado a prestar veneração à coragem, confiança, à vontade indómita de unir a família e empenhamento de executar funções da grei.
Estátua de Gaspar Corte Real na Praça do Parlamento em São João da Terra Nova. Esta Estátua foi oferta do Governo Português em 1960 como agradecimento ao povo canadiano por receber tão bem a frota portuguesa da pesca do bacalhau naquelas paragens.
A «Pedra de Dighton», é um monumento. Devia ter outro ao lado, da altura de uma igreja majestosa - a estátua de Miguel Corte Real. Não se sugere, todavia, a imponência merecida. Não se sobe ao óptimo. Suficiente, uma personagem que fale e diga que ao desembarcar, por determinação do seu Rei, a lei vigente de então, chamou sua propriedade a esta terra, onde muito sofreu. E que, privado do transporte para dar conta do que Ihe acontecera e regressar aos familiares, naquele «Calhau», numa das suas praias privativas, gravou todas as ansiedades que na parte final da vida o amarguraram, sem meios de as amenizar.
Se em vida Ihe não foi enxugado o pranto, na morte, conquanto 500 anos sejam passados, se afigure a compreensão do feito que, a par de outros que estavam a ocorrer pare os lados Sul do equador, se destinava ao desenvolvimento da humanidade, por esforço dos Portugueses e neste caso concreto, ao Novo Mundo, tendo um açoriano corno Homem ilustre, intimorato e de Paz. E, como já foi dito, Miguel Corte Real tem de passar de hipótese ou lenda para a História documentada de todos os tratados mundiais.
Alguém terá de insistir.
As Casas de Cultura devem debruçar-se sobre «esta questão sem parar à primeira contrariedade. Esclarecer indagar, por a verdade no seu devido lugar. A Região não deve deixar-se empobrecer, por delegar a outrém, que se não sabe quem, nem quando, a defesa do que Ihe pertence por herança e direito. Mais ainda, pelo vinculo afectivo às Nove Ilhas, em especial, a Terceira. Se a palavra «Arquipélago» já juntava as nove, no melhor e no menos bem, a substituta «Região» não Ihe fica atrás.
As naus portuguesas revelaram Mundos Novos ao Mundo que se julgava Único... o Europeu. Tão único, que os autóctones que chegaram nas duas naus que se salvaram do comando de Gaspar Corte Real, que nunca mais foi visto, incorreram na interrogação se eram ou não «humanos». Os de pigmentação escura, vindos da África, também se encontravam ainda na bitola de quanto pesavam de «humano» e quantas gramas Ihe faltariam para o ser. Foi essa diferença de classificação que os colocaram no lugar distintivo de bons «escravos».
O homem dos nossos dias, falte-lhe ou não pundonor de «juiz», supera a sua inabilidade, taxando de retrógrados os espíritos de então. Deve, porém, ter cautela. Coloque-se no tempo, antes dos Séculos XVIII, XIX e XX, que Ihe puseram à mesa a ciência, a técnica, a filosofia, para uma lata escolha dos cómodos caseiros e do pensamento. Goze o que Ihe e agora facultado com o menor esforço, mas não acuse os seus avós.
O Piloto Veneziano Sebastião CABOT, (1474-1557), compartilhava a suposição de Colombo (Colon), na certeza de que havia uma rota que permitia ligar a Europa, rumando a oeste, directamente à Índia. Seu Pai, John Cabot, já o havia experimentado, em 1496 a 1498, sem sucesso, até porque da última viagem nunca mais regressou.
Em 1508, Sebastião abalou da cidade de Bristol, na costa ocidental da Inglaterra, dispondo de dois barcos, tomando a Direcção noroeste. O gelo, contudo, obrigou-o a rumar ao sul e voltar a cidade donde partira...
Ademais, parece que só os Reis portugueses sabiam (como o demonstraram ante as propostas de Colombo (Colon), Cabot) que para chegar a Índia era indispensável contornar as costas ocidental e oriental da Africa.
Julgavam os Pilotos, como Cabot e os filhos (assim como Colombo-Colon), que as proas dos barcos ao rumarem ao ocidente batiam nas costas da Ásia e só a partir de 1520 e que se começaram a convencer que a América era um Continente, o Novo Continente. E que era precise atravessá-lo a pé para alcançar outro mar e escolher outra embarcação para, em realidade, avistar as Índias e descer no Cipango.
Foram as viagens do Navegador italiano Giovanni Verrazzano (1485-1528) que desanimaram a crença que o continente americano não era costa asiática nem tinha aberturas para lá chegar.
A acomodada ignorância do Rei de França, Francisco I, fez aceitar a proposta de Verrazzano para encontrar a tão desejada passagem para o Oceano Pacífico entre a Terra Nova e a Flórida. Fez duas viagens, em 1523 e 1528. Viajou nas costas dos Corte Real, para cima e para baixo e por seu mérito de estudo minucioso, deu forte contributo para acabar com a doutrina fantasiosa colombiana.
Proa ao ignoto, os navegadores portugueses construíram faróis em todos os promontórios do Mundo.
Desenvolvendo-se nas terras descobertas, as diferentes civiliza9oes encontraram-se também. Dai o conhecimento do HOMEM, oferta incluída na iniciativa do Infante D. Henrique.
Colombo chamou Índia, onde o acaso Ihe permitiu desembarcar, nada semelhante, nem próximo, do País asiático. Colombo pensava vir a ser missionário de raças disformes e sub-humanas, todavia negociáveis para escravidão.
Colombo viveu e parece que morreu com a convicção de poder viajar até à Ásia, pelo ocidente.
Colombo aprendeu em Portugal a arte de navegar e praticou durante anos. Casou com Filipa Moniz, filha de Bartolomeu Perestrelo, descobridor da ilha do Porto Santo, onde viveu algum tempo. Depois da morte do sogro e obter os portulanos herdados e que avançou para descobrir a Índia, por caminho mais curto que o delineado pelos Reis Portugueses.
Colombo insistiu para cumprir a missão impossível de levar uma carta da Rainha de Espanha para a entregar a Vasco da Gama, no hipotético encontro na Índia. Teve de a devolver no seu regresso a Espanha. A Rainha não gostou do desaire. Colombo foi considerado génio. Talvez haja exagero...