O Recheio do Museu da Pedra de Dighton!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico
Para mim o período mais doloroso da Pedra de Dighton foi entre 1963 e 1973. Em 1963 a Pedra foi retirada da água das marés do Rio Taunton, elevada onze pés e colocada num Paredão a seco, ficando protegida apenas por uma rede de capoeira, de seis pés de altura. Esteve quase dez anos exposta desta maneira a todas a variações de temperatura excessiva durante o Verão e frígidas durante o Inverno. Além disso esteve também exposta aos objectos atirados por cima da rede de capoeira, pelos vândalos, como pedras, garrafas de Coca-Cola, etc. danificando a face das inscrições.
Só tive tranquilidade espiritual quando o Pavilhão ficou acabado em 1975 e a Pedra passou a ser protegida por uma redoma octogonal de vidro. Agora sim, nunca mais ninguém poderá danificar a sua face. Passou da lama mal cheirosa a uma posição dignificada!
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As luzes e os quadros
O Estado de Massachusetts quando aprovou a verba de cinquenta mil dólares para a construção do Pavilhão não adicionou nenhum dinheiro para as luzes em frente da pedra nem para os quadros explicativos das quatro teorias. Tive que consultar a “Westinghouse Eléctrica Internacional Company” que nos ensinou, gratuitamente, o sistema de luz rasante e o que devíamos obter. As luzes custaram $820:00 e os quadros para as fotos das quatro teorias $445:00. A minha mulher Sílvia pagou metade e eu paguei a outra metade e assim não pedimos dinheiro a ninguém.
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A Lithocollage
Numa reunião da Direção dos Amigos do Museu da Pedra de Dighton eu sugeri a ideia de procurarmos arranjar uma pintura alegórica aos Índios Wampanoags da Nova Inglaterra para ser colocada dentro do Pavilhão. O Professor Tegu disse que ia falar com a filha Chipi Tegu, aluna de arte e desenho no Colégio Universitário de Rhode Island, para a entusiasmar a realizar a obra. Num fim de semana fomos todos visitar a zona da Rocha de Perfil, que fica a 4 milhas ao nascente da Pedra de Dighton, para a Chipi Tegu se inspirar no sítio e poder pintar um acampamento indiano. Porém passados duas semanas ela chamou-me a dizer que gostaria de criar um monumento com perfis de índios americanos, mas em três dimensões. Depois de me dar mais explicações eu fui com o Professor Tegu visitar a tribo dos Índios americanos em Mashpee, no Cabo dos Bacalhaus, onde colhemos uma série de fotografias coloridas de faces de índios que vieram a servir de modelos para a obra de arte que a Chipi Tegu criou.
Entretanto ela mobilizou os irmãos Peter e Steven Tegu para colherem uma variedade grande de ardósias de várias cores no Estado de Massachusetts e durante mais de um ano, usando mais de cinquenta mil pedacinhos de lascas de lousas, ela CRIOU uma autêntica maravilha e por ser tão original tivemos que lhe dar um nome científico: “Lithocollage” [ Lithos = pedra + collage = colagem ]. O Dr. Nelson Martins ficou tão entusiasmado com a obra da Chipi, que lhe deu um boa gratificação, mas eu nunca soube quanto foi. Só esta peça única no mundo merece uma visita ao Museu da Pedra de Dighton.
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Os seis painéis
Foi a obra mais trabalhosa para os Amigos do Museu da Pedra de Dighton. No seu texto trabalharam o Professor Tegu, minha mulher Sílvia, o Dr. Nelson Martins, o Sr. Roswell Bosworth Jr, proprietário do jornal “Bristol Phoenix” e eu. A feitura das “folhas” dos painéis, foi trabalho realizado, gratuitamente, na oficina do “Bristol Phoenix” por cortesia do Sr. Bosworth. Todas as fotos nos painéis fui eu que as preparei no meu quarto escuro em minha casa. Todo o trabalho de carpintaria foi feito pelo Sr. José Sousa (Gaspar) e a montagem de todos os painéis foi coadjuvada pelos Srs. Humberto Carreiro e Henrique Medeiros. Todos trabalharam pró bono. Todo o outro material usado nos painéis como madeiras, pregos, vidros, cordas, letras, etc., a minha mulher pagou metade e eu paguei a outra metade. Porque a organização “Os Amigos do Museu da Pedra de Dighton” tem a classificação não lucrativa de 501 (C 3), a minha mulher e eu poderíamos submeter os nossos gastos como nossas dádivas, mas preferimos não o fazer para não criar nenhuns problemas à Organização dos Amigos do Museu. Assim temos a nossa consciência tranquila.
O Modelo da Nau São Gabriel
O mesmo sucedeu com os cinquenta mil dólares para a construção do Museu, o Estado de Massachusetts não aprovou um centavo extra para custear o recheio do Museu. Assim foram os Amigos do Museu da Pedra de Dighton que tiveram que se mexer e custear. Como a Lei que criou o Museu ORDENA que devem estar dentro artefactos de Portugal e de outras nações, nós Depois de muitos esforços diplomáticos conseguimos que o Primeiro Ministro de Portugal, o Almirante Pinheiro de Azevedo, nos oferecesse o Modelo da “Nau São Gabriel” que esteve exposto no Museu da Marinha em Lisboa, Portugal, durante 27 anos. Foi uma oferta maravilhosa! Este barco foi capitaneado por Vasco da Gama na sua primeira viagem marítima de Lisboa a Calecut, Índia em 1497.
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O Modelo da Caravela Victória
Como a Lei que criou o Museu diz que “artefactos Portugueses e de outras nações devem estar dentro do Museu”, resolvemos pedir ao Rei de Espanha, Don Juan Carlos, uma oferta do Modelo da “Caravela Victória” capitaneada pelo navegador Fernão de Magalhães que deu a volta ao mundo pela primeira vez entre 1519- 1521.
Escrevemos uma carta ao Rei Espanhol de duas páginas em espanhol mas não deu resultado. Resolvemos então mandar a mesma carta em telegrama para ser entregue ao Rei numa salva de prata e obtivemos resultado. Este modelo é outra maravilha que está patente no Museu.
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O Padrão dos Descobrimentos
Pedi ao Sr. Francisco José Dias, desenhador de trabalhos de arquitectura, para nos fazer um desenho profissional de um Padrão dos Descobrimentos que coubesse exactamente no Museu e enviamo-lo ao Dr. Azeredo Perdigão, Presidente da Fundação Gulbenkian, em Lisboa, juntando um exemplar do nosso livro “Portuguese Pilgrims and Dighton Rock” e pedindo-lhe uma dádiva do Padrão, que fosse feito em Portugal por artistas especializados nessa arte. O Dr. Perdigão acedeu ao nosso pedido e enviou-nos uma obra prima feita de mármore português com todos os Símbolos Originais Nacionais Portugueses pesando 714 quilos o qual está exposto dentro do Museu. Passados três anos o Dr. Perdigão veio aos Estados Unidos com a Esposa e visitaram o nosso Museu ficando muito satisfeitos por verem que Padrão tem uma posição de destaque entre os vários artefactos.
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A Vitrina da Caravela Victória
A vitrina da “Nau São Gabriel” feita de corda marítima veio assim do Museu de Marinha de Lisboa. Procuramos adquirir uma vitrina semelhante em corda mas não conseguimos. Contratamos então o marceneiro José Silva para nos construir em madeira do Brasil uma vitrina muito bem torneada que guarda a Caravela Victória e ainda conseguimos que o Banco Espírito Santo de Portugal, com filial em East Providence, patrocinasse o custo da obra com $3,600 dólares.
O Modelo do Bacalhau ou Fiel Amigo
Todos os artefactos dentro do Museu da Pedra de Dighton estão todos relacionados com os descobrimentos marítimos. É obvio que os descobridores e colonizadores só poderiam ter chegado, com muito sacrifício, à zona da Nova Inglaterra por via marítima. Vieram à procura de matérias primas para a alimentação e também energéticas. Encontraram uma abundância enorme de bacalhau, excelente alimento e também uma grande fartura de pinheiros na Nova Inglaterra e na costa marítima do Canadá com troncos excelentes para a construção de barcos e de casas.
Durante muito tempo estas matérias primas – o bacalhau e o pinheiro -- foram as energias predominantes – até que apareceu o óleo da baleia vindo a ser destronado pelo petróleo a partir de 1860 o qual se tem mantido até agora como a energia primária mundial.
Como existe dependurado um modelo grande de um bacalhau na Casa dos Representativos no Capitólio em Boston – chamado o “Sacred Cod” ou “Bacalhau Sagrado” que foi oferecido pelo Representativo Estadual John Rowe em 1784 -- encomendamos também ao marceneiro José Silva a feitura de um modelo de um bacalhau ou “Fiel Amigo” em homenagem a este maravilhoso peixe que existe há 150 milhões de anos na Terra e ainda hoje é considerado, medicamente, o alimento mais completo e excelente para a nossa saúde.
![]() Novo Modelo do Bacalhau dependorado no centro do Museu da Pedra de Dighton. Obra Prima do artista José Silva |
![]() O Bacalhau Velho dependorado da Cúpula Dourada do Capitólio em Boston |
Este foi o último artefacto que foi admitido no Museu da Pedra de Dighton.
Consideramos assim que sob o ponto de vista das descobertas e da colonização o Museu da Pedra de Dighton está completo.
Só falta agora o povo americano apreciar o valor histórico deste Museu e compará-lo às conquistas fantásticas dos nossos astronautas no Espaço Exterior. Foi com este pensamento que eu queria dar ao primeiro livro que escrevi sobre a Pedra de Dighton o titulo de - “Da Pedra de Dighton à Lua”, para servir de mensagem estimulante aos nossos astronautas, mesmo antes deles iniciarem a Conquista do Espaço Exterior. Os nossos astronautas estão agora na fase terminal da Conquista do Espaço e o mesmo acontece com o Museu da Pedra de Dighton que também está na fase final! Foi bem combinado!
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