Os
abortos do Museu Português na Nova Inglaterra!
Por
Manuel Luciano da Silva, Médico
25 de Julho de 2004
Há
mais de 40 anos, quando eu me mudei
da Lahey Clinic em Boston,
para o Centro Médico do Condado de Bristol em Rhode Island, em poucas
semanas fiz contacto com o meu
saudoso e velho amigo,
Sr. Luis Raposo, que durante
mais de 30 anos foi
director e productor do programa radiofónico “Voz dos Açores” na
estação WADK da cidade de Newport, “à beira mar plantada”
como ele tantas vezes dizia.
Primeiro
aborto
Foi
o Sr. Raposo quem me informou que o Mr. Herbert Pell, pai do senador federal
Clairborne Pell, tinha sido embaixador americano em Portugal entre
1948-1949 e tinha trazido
para Newport, sua terra natal, uma
colecção de faiança portuguesa e muitos outros objectos com a finalidade de
os oferecer um dia a um futuro
Museu Português. Foi
este Mr. Herbert Pell quem primeiro pensou na possibilidade da Torre de Newport
ter sido construida por
portugueses porque ele enquanto foi embaixador em Portugal visitou a
Charola de Tomar e pode observar a comparação
arquitectónica entre as duas estructuras.
O
Sr. Raposo também me informou, que
a Liga Cívica de Rhode Island tinha até apropriado vários milhares de dólares
com destino à construção
desse Museu Português. Porém
como é característico da desunião entre os
portugueses e luso-americanos, nada se concretizou.
O Mr. Herbert Pell morreu e a
viúva acabou por oferecer as louças portuguesas
a um museu em Filadélfia. Deu-se assim o primeiro aborto dum Museu
Português na Nova Inglaterra!
Segundo
aborto
Entretanto apareceu um novo movimento na cidade de Fall River, em Massachusets, iniciado pelo bem intencionado Advogado Walter Fraze. Tudo parecia em boa ordem. Estableceu-se uma direcção e uma comissão para angariar fundos directamente ou por meio de promessas. A ideia era para se estabelecer o Museu Português no belo edífíco que ainda hoje existe em frente à parte sul da Câmara Municipal de Fall River. Eu fui aproximado para assinar uma promessa de cinco mil dólares, mas eu recusei porque estava ainda no começo da minha prática clínica e não tinha tal quantia para dispor. Mas eu sei que o Mr. Fernandes dos supermercados de Norton, com toda a sua boa vontade, deu para a criação do novo Museu Português vários milhares de dólares, assim como ainda outros benfeitores. Parecia que estava a correr tudo muito bem, quando surgiu uma crise económica coincidindo também com a vinda de Portugal do Professor Veiga Simão que tinha sido corrido por causa do 25 de Abril de 1974, ou a Revolução dos Cravos em Portugal. O Professor Simão tinha sido professor de física nuclear na Universidade de Coimbra, foi reitor da nova Universidade em Lourenço Marques e portanto tinha credenciais suficientes para se tornar administrador executivo da novel organização para a criação do Museu Português em Fall River.
Entretanto o Veiga Simão arranjou também maneira de
dar uns cursos no Rhode Island College, foi gastando os dinheiros, com o
seu ordenado e dos seus secretários, usando as massas que tinham sido
arranjadas por meio das
dádivas e quando os dólares estavam
a acabar ele safou-se para Portugal, abandonando
os estudantes no Rhode Island College que ficaram dependurados, sem terminarem o
curso e desprezando completamente os objectivos da criação
do Museu Português. Esteve
aqui a ganhar tempo para arranjar outro tacho em Portugal
e introduzir-se outra vez na política em Portugal. Os
iniciadores do projecto, com
toda a sua sinceridade, desanimaram completamente
e assim deu-se
inevitalvelmente mais um aborto do
Museu Português na
Nova Inglaterra.
Terceiro
Aborto
Em
1964, eu, juntamente
com Nelson Martins
e Robert Arruda, assumimos a
responsabilidade de fundarmos a
Federação Luso-Americana, organizando
o Primeiro Congresso Nacional,em
Bristol, no dia 5 de Julho de
1965. A Federação
foi crescendo com a
finalidade de assumir responsabilidades culturais e sociais
até mais americanas do que portuguesas. Mas
a Federação nunca chegou a “engravidar” com a ideia do Museu
Português. Todavia os
directores nos últimos cinco anos
tem estado a matar a Federação. Têm-se
preocupado mais com o seu ego do que com os objectivos da Federaçâo. É
realmente lamentável!
Depois
de se dar o aborto em Fall River apareceu um grupo
em Rhode Island – trazendo consigo o mau micróbio -- para
convencer o Senador Clairborne Pell
a apadrinhar
uma nova organização chamada
“Portuguese Cultural Fundation”. Eu
fui assistir à primeira reunião em
casa do Senador e logo me apercebi que
esta organização seria só para servir interesses pessoais e nunca para
beneficar, sem interesses monetários, a nossa comunidade.
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As
ruínas da "Casa Andrade" no Parque Colt ou dos Touros, em |
Estes
indivíduos com a sua persuasão diplomática
conseguiram umas largas massas do Governo Português e da Fundação
Gulbenkian e “até meteram uma lança
em Africa” quando trouxeram o Primeiro Ministro de Portugal,
Cavaco e Silva,
ao Parque Colt (Parque dos Touros), em
Bristol, a visitar as ruinas duma
casa chamada “Casa Andrade” onde
seria construído o futuro Museu
Português com caracteristas iguais à Torre de Belém, circundado
com muitas Cruzes da Ordem de Cristo!
Wow! Cavaco e Silva já
deixou o governo há muitos anos, as ruinas da “Casa Andrade“ ainda lá
estão no Colt Park e o terceiro aborto do Museu Português aconteceu e lá
foi pela retrete abaixo!..
O quarto aborto
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Edifício da antiga fábrica eléctrica da companhia Narragansett destinado a sede do "Heritage Museum", em Providence, Rhode Island |
O quarto aborto é muito mais sério porque envolve o desaparecimento de vários milhões de dólares!
Há
cerca de três anos surgiu em Providence, capital do Estado de Rhode Island, um
novo movimento, alargado, para se
criar um museu chamado “Heritage
Museum”, ou seja um museu onde se
juntassem várias
heranças, um museu étnico em que diversos
grupos, incluindo o português, parcipassem
o mais que pudessem. Vários dos
chamados lidadores da nossa comunidade acorreram logo a fazer parte deste
movimento e desta organização. As
instalações para o novo museu viriam a ser num
grande edífico abandonado
que funcionou durante muitos anos na
produção eléctrica da companhia Narragansett,
mas que necessita de muitas reparações
dispendiosas.
Os
directores da nova corporação começaram a lançar por todos os meios
uma publicidade tremenda que o novo museu iria ser o melhor da Nova
Inglaterra, que iria apresentar
exposições ao vivo de cooperação
com o Museu Nacional Smithsonian, em
Washington, D.C. , mas a parte mais importante
seria a secção marítima, para condizer com a própria história do Estado
de Rhode Island. Por esta razão nasceu
logo a ideia grandiosa,
entre o grupo luso-americano, da
oferta duma caravela portuguesa tipo
“Boa Esperança” que seria colocada no átrio principal da entrada do grande
museu. Para a concretização deste
sonho os nossos patrícios
membros da secção portuguesa
do futuro museu começaram num borborinho
de conversações, com viagens até Lisboa e daí resultou que o Governo
Português através do seu Ministro
dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama, acabou
por dar um cheque de quatro centos mil dólares para a construção da desejada
caravela. Esta cerimónia realizou-se na sede da Sociedade Histórica de Rhode
Island, em Providence. Eu estive lá e até filmei esta
cena. Mas como o custo da referida caravela
foi calculado em meio milhão de dólares a “Luso-American
Development Foundation” contribui com mais cem mil dólares para ficar assim a conta
certa.
Entretanto
o entusiasmo pelo novo museu continuou
de tal maneira
que a Bell Atlantic (companhia dos telefones)
deu para ajudar o custo da
obra dois milhões e cem mil dólares,
a Texon meio milhão e outras
mais juntaram-se à caravana. Os
milhões começaram a subir na cabeça dos directores de tal maneira que
chegaram a conseguir uma proposta, no
valor de cinquenta milhões de dólares, que
foi incluída nos boletins de
eleições para o povo de Rhode Island
aprovar esta enorme quantia de
dinheiro para os custos da criação e manutenção do
referido museu, mas a proposta foi rejeitada pelos votantes.
Desde
esta altura as coisas deixaram de decorrer
conforme os planos grandiosos e há dias o grande jornal deste estado “The
Providence Journal” gastou três páginas inteiras a explicar o escândalo
de milhões e também o "Portuguese Times" com um artigo
do jornalista Augusto Pessoa, porque
ninguém sabe para onde foram os dinheiros dados
para o novo museu, incluindo as centenas de milhares de dólares que
vieram de Portugal. A informação
que até este momento consegui
apurar é que o
meio milhão de dólares que
veio de Portugal foi todo gasto em
comes e bebes, em viagens e passeios e em ordenados para os dependurados!..
Ora
toma! Será que vai haver alguma investigação,
-- para o público e para Portugal? De
qualquer maneira parece que temos
mais um grande aborto do Museu Português
que foi lançado às águas da
enorme Baía de Narragansett!...
Quinto
aborto
Será que há um quinto aborto? O Museu da Baleia em New Bedford recebeu do Governo Português meio milhão de dólares para se construir naquele museu um quarto dedicado à epopeia que os tripulantes portugueses desempenharam no período histórico da caça à baleia, mas até à data ainda não vimos nada feito. Dizem-me que se está a fazer. É uma obra como a de Santa Engrácia. “Leva toda a vida e nunca acaba!...” Os directores do Museu da Baleia deviam informar o público, especialmente a comunidade portuguesa do que se está a passar com os dinheiros que receberam de Portugal. E já que estamos com a mão na massa, uma coisa estranha que venho a notar há muitos anos é que para se ser um dos directores do Museu da Baleia é preciso ter-se “sangue azul”. Os portugueses de New Bedford, pelos vistos, não tem categoria para isso...
O
Sexto aborto não vai acontecer!
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Igreja de St. Louis King construída em 1885, em tejolo, oferecida pelo Bispo de Fall River D. O'Malley para vir a ser o futuro Museu do Divino Espírito Santo. |
Anúncio sobre o futuro Museu do Divino |
É
do conhecimento geral,
não só nesta região da Nova Inglaterra,
mas em todo o mundo português, a
realização da Grandes Festas do Divino Espírito Santo na cidade de Fall
River, no último fim de semana de
Agosto. Estas festas têm sido as maiores que se têm feito no mundo português em
louvor do Divino Espírito Santo. Têm coordenado
o maior número de confrarias vindas
de várias localidades dos Estados Unidos, do Atlântico ao Pacífico, do
Canadá, Açores, Continente, Madeira e até do Brasil.
Isto são factos reais. Esta
iniciativa deve-se ao Sr. Heitor Sousa e a
muitos emigrantes, homens e mulheres, que com ele criaram
e tem mantido cada vez maior entusiasmo religioso e cívico destas grandes
festividades.
Jaime
Gama, Ministro dos Negócios Estrangeiros, já
prometeu em público meio milhão de
dólares para ajudar
a criação deste Museu do
Divino Espirito Santo. O então
Bispo de Fall River, Dom Sean
O’Malley cedeu a igreja de São Luiz,
localizada na Bradford Street, e esquina com a Eagle Street, (lado norte do Kennedy Park), em
Fall River para vir a ser a sede
do museu.
O
Primeiro Ministro Durão Barroso
prometeu vir a Fall River,
no domingo dia 19 de Setembro, 2004, para a arrancada
ou início da campanha de
angariação de fundos para o desenvolvimento do museu, mas entretanto ele foi
eleito presidente da Comissão
Europeira e agora Portugal tem um
novo Primeiro Ministro, Pedro
Santana Lopes. Como o dinheiro
para o Museu do Divino Espirto Santo
foi prometido pelo governo socialista, não há certeza se este governo
do PSD-PPCDS vai cumprir a palavra
governamental. Recentemente também
apareceu na nossa comunidade um
“judas” a levantar falsos
testemunhos a respeito das contas das festividades e isto tem criado um
saber amargo entre a nossa comunidade.
Os
directores das Grandes Festividades
têm que ter uma postura muito
corajosa para continuar, sem desânimo, com os mesmos objectivos das Festas e do
Museu. Parece que do Governo
Regional dos Açores não vai vir nenhum centavo!
Mas o Museu do Divino Espírito Santo não vai morrer porque é movido e
inspirado por grande fé ao Divino
Espírito Santo. Além disso o edifício onde vai ficar instalado é
grande, seguro e muito bom e
a localidade podemos dizer é a melhor na cidade
de Fall River. Estamos
convictos – quer venha ou não dinheiro de Portugal -- não vai haver aborto
com o
Museu do Divino Espírito Santo na cidade dos teares ou Fall
River, porque o sentimento religioso da
nossa gente é muito mais forte e
superior a quaisquer outros obstáculos.
Contraste
com o Museu da Pedra de Dighton
Felizmente
que o Museu da Pedra foi acabado de construir em 1976
e está completo. Todas as obras foram pagas
pelo Estado de Massachusetts. Construido em cimento e ferro tem um
pavilhão no qual a Pedra está
protegida por uma vitrine octagonal
e o museu propriamente dito possue seis
grandes painéis explicativos e vários artifactos,
tais como o modelo da Nau São
Gabriel de Vasco da Gama,(oferta do Museu de Marinha); o
modelo da Caravela Victória (oferta do Rei de Espanha), capitaneada por Fernão
de Magalhães; um
bonito Padrão dos Descobrimentos
feito de mármore (oferta da Fundação
Gulbenkian) e
ainda o original Litocollage de Chipi Tegu.
Mas
o Governo Português NUNCA deu um
centavo para o Museu da Pedra de Dighton. Tudo o que lá está dentro do museu,
além das dádivas dos artifactos, foi
pago por mim e pela minha mulher, pelo muito amor
patriótico que temos à
História Portugal.
Mário Soares, quando era presidente da República Portuguesa visitou este museu com a mulher e naquela ocasião peguntou-me de que modo é que Portugal poderia ajudar. Disse-lhe que não queríamos nenhum dinheiro de Portugal. Só pedíamos para nos enviar um epigrafista-historiador de Portugal para estudar e analisar no local as inscrições gravadas na Pedra de Dighton. Ainda estamos hoje à espera da promessa do Mário Soares.
Jaime
Gama, Ministro dos Negócios Estrangeiros, também visitou o Museu
da Pedra de Dighton e naquela ocasião peguntou-me
como é que Portugal poderia
ajudar. Disse-lhe que não queríamos
nenhum dinheiro de Portugal. Só pedíamos
para nos enviar um
epigrafista-historiador de Portugal para estudar e analisar no local as inscrições
gravadas na Pedra de Dighton. Ainda estamos
hoje à espera da promessa do Jaime Gama.
Convidei
mais de uma dúzia de Secretários de Estado das Comunidades Portuguesas para
visitar o Museu da Pedra de Dighton,
mas até à data NENHUM teve a cortesia, a gentileza
ou até a curiosidade histórica de visitar este museu tendo passado
todos eles na auto-estrada 24,
que fica apenas a duas milhas de
distância. As inscrições
portuguesas da Pedra de Dighton são o melhor ÍCONO da
descoberta, colonização e da
emigração actual portuguesa para a América do Norte e Canadá. Todos os
Secretários de Estado das Comunidades deviam usar a Pedra de Dighton como SÍMBOLO
dos seus objectivos para melhor servir
os emigrantes.
Réplicas
Nós
já temos três réplicas feitas de
fibra de vidro da face da Pedra de
Dighton em Portugal. Todas
elas vão durar um milhão de anos!
A primeira está em Belém junto ao Museu de Marinha. A segunda no Museu
de Oliveira de Azeméis onde
completei o meu liceu. E a terceira
no pátio da Biblioteca-Museu com o
meu nome em Cavião, Vale de Cambra.
Devo
esclarecer aqui que o Governo Português não gastou um centavo
na fabrição, nem no transporte
das 3 réplicas. Pelo contrário a
alfândega ainda nos levou mais de cem contos, por cada réplica, de impostos,
para que estas peças históricas
pudessem entrar em Portugal! Verdadeiramente
escandaloso! Os verdadeiros heróis
das 3 réplicas são o Sr. Eduardo Medeiros de Bristol e cerca de uma
dúzia de luso-americanos do
Estaleiro Pearson
que deram o seu trabalho e
suor, gratuitamente, para que as réplicas
fossem feitas. Por isso os nomes deles estão todos
expostos num quadro na
minha Biblioteca- Museu em Portugal.
Conclusão
No
Museu da Pedra de Dighton NUNCA houve ladrões, parasitas, nem dependurados!
O
Museu da Pedra é não só um monumento histórico
pelo valor intrínsico da Pedra de Dighton,
mas é tambem um monumento à dedicação
e amor de muita gente não só portugueses mas também americanos que me
têm ajudado, gratuitamente,
a criar aquela maravilhosa instituição
e que pertence ao povo americano.
É
com profunda emoção de
reconhecimento que recordo tantos
bons amigos que durante tantos anos
me ajudaram a criar o Museu da Pedra de Dighton.
Queria ter poder para gravar os seus nomes em ouro: José Sousa que fez e
colocou os painéis, com a ajuda de Henrique Medeiros e Humberto Carreiro;
Joseph Brum, Raul Benevides,
Mr. Roswell Bosworth Jr. e
Professor Tegu e Família; Gilberto
Costa, Frederico Pacheco, Afonso
da Silva, Nelson Martins, Padre Louis Diogo,
Almirante Tengarriha Pires e tantos,
tantos outros. E o meu braço
direito, a
minha dedicada esposa! Sim,
todos eles tem por direito um
pedaço do Museu da Pedra de Dighton
que de coração lhes pertence!
Porque
a emigração portuguesa
para os Estados Unidos acabou, dentro de duas ou três gerações, os
nossos filhos, netos e bisnetos vão ser assimilados pela sociedade americana e tudo
que agora é português e vemos
ainda com vida, como clubes, bandas,
igrejas, etc, vão, infelizmente, morrer,
desaparecer! Ficará
apenas o Museu da Pedra de Dighton – duradoiro! - porque é um Monumento
Estadual a marcar cada vez mais a primazia e a presença portuguesa na América
do Norte, não só dos Corte Reais, mas de todos nós emigrantes que viemos para
aqui trabalhar, lutar e contribuir para o desenvolvimento desta grande nação.
E assim com o desenrolar do tempo, por muito estranho que pareça, o significado
português da Pedra de Dighton cada vez se vai tormar mais elevado no conceito
da História Americana.
Conselhos
ao Governo Português
(1)
A
caravela portuguesa é sem dúvia a melhor peça representiva
da História de Portugal. Com as
suas três velas latinas ou triangulares desfraldando a Cruz
da Ordem de Cristo, foi o
barco por excelência que permitiu os navegadores portugueses dominar os altos
mares e escreverem as páginas mais
belas da História de Portugal. Por isso o Governo Português devia criar um
pequeno estaleiro em Portugal para
que artistas portugueses pudessem
construir modelos de caravelas desde um metro até três metros para
serem oferecidos às várias
intituições portuguesas e de outras nações por esse mundo fora. Os modelos
maiores poderão ser enviados em partes e depois
serem montados no local. Estes
modelos de caravela teriam um valor educativo muito grande
a favor de Portugal em qualquer parte.
(2)
As
centenas de milhares de dólares que
Portugal tem dado e vai continuar a dar, deviam ser empregados em material didático
para as Escolas Oficiais Portuguesas
que já existem em vários países
de emigração portuguesa e que
continuam a existir devido ao denodado
esforço dos emigrantes portugueses.
(3)
Portugal
devia abrir também mais as portas
das universidades nacionais (como faz a Espanha, a Inglaterra, etc.) aos filhos
qualificados dos emigrantes portugueses
para que possam frequentar vários cursos universitários, porque depois quando
regressarem aos países do seu nascimento
estes graduados virão
a ser os melhores embaixadores da cultura portuguesa.