Os fenícios não têm nada a ver com a Pedra de Dighton!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico
28 de Fevereiro de 2005

   

Qualquer pessoa pode apresentar uma teoria sobre as inscrições da Pedra de Dighton. Porém se não existirem  NENHUMAS inscrições  gravadas na face do Pedra de Dighton para testemunhar a sua  teoria, Você  não terá nenhuma teoria!  Você  terá que mostrar EVIDÊNCIA EPIGRÁFICA  que na face da pedra existem  gravações a ATESTAR  os símbolos ou as letras que definem a sua teoria, por que senão a sua teoria tem que ser considerada FALSA!  Cientificamente,  esta conclusão é muito  simples.

 

Em 1781, Antone Court Gebelin, de Paris, França, SEM NUNCA ter visto a Pedra de Dighton no local, baseando-se  apenas numa cópia das inscrições feita por Steven Seawall em 1768, -- e a uma distância de mais de três mil milhas da pedra, --  Gebelin  imaginou “ver”  nas gravações  um oráculo,  um padre, uma borboleta, um pardal,  um castor e um cavalo!   Mas disse ver ainda mais:  um pénis e testículos!  Sem dúvida que esta é a  interpretação  mais sexual de todas as teorias da Pedra de Dighton!...

 

O que realmente  acontece é que NENHUM dos símbolos  que o Monsieur Gebelin propôs faz parte dos ícones  nacionais dos fenícios.  O símbolo nacional  dos fenícios, ou seja dos libaneses actuais, foi e ainda é um pinheiro como aparece na bandeira nacional HOJE.

 

 

Bandeira antiga dos fenícios. Notar as cores vermelha e branca, com um pinheiro no centro. 

 

 

 

 

 

 

Primeira página no topo  central do grande "The New York Times", vista por todo o mundo,  mostra, entre a multidão, o caixão do antigo Primeiro Ministro do Líbano. Notar a bandeira com as cores branca e vermelha e o pinheiro ao centro. 

Não existe nenhum pinheiro fenício gravado na face da Pedra de Dighton!    

 

Os fenícios foram um grande povo

Os antigos gregos deram o nome de Fenícia à região costal compreendida pelos territórios actuais da Síria, do Líbano e de Israel. Os gregos chamaram aos povos desta zona fenícios por causa dos tecidos roxo-avermelhados que eles vendiam  aos quais os gregos chamaram “phoinix” que quer dizer “roxo-avermelhado”.

 

Eu tenho muita admiração pelo povo da Fenícia. Foram um povo muito engenhoso. Descobriram as consoantes que nós hoje usamos no nosso alfabeto. Os gregos descobriram as cinco vogais. Foram os fenícios o primeiro povo  a usar  moedas como dinheiro circulante.

 

Mas a sua maior  contribuição  para a humanidade foi a sua capacidade de construir barcos capazes de navegar  por todo o Mediterrâneo usando a madeira  dos pinheiros ou cedros que crescem com abundância nas montanhas do Líbano.  Foi baseado neste facto histórico que o Rei Dom Dinis de Portugal  mandou semear o Pinhal de Leiria. Os fénicos tornaram-se os primeiros navegadores e comerciantes de todo o Mediterrâneo. Eles criaram as primeiras colónias e empresas comerciais à volta do Mediterrâneo. Fizeram um grande negócio com as suas roupas roxo-avermelhadas  ou “phoinix” que vendiam por bom dinheiro à pessoas ricas  nas cidades à volta de todo o Mediterrâneo.

 

 

                Os fenícios descobriram as consonantes que nós usamos hoje

 

Painel dentro do Museu da Pedra de Dighton

Dentro do Museu da Pedra de Dighton existe um painel dedicado à teoria fenícia, conforme o Monsieur  Gebelin a idealizou.  Muitas pessoas quando  visitam o Museu  têm perguntado: “ Porque é que têm  exposta a teoria  fenícia, que não faz sentido nenhum?” A minha resposta tem sido esta: “Para que toda e qualquer pessoa possa fazer um diagnóstico diferencial com as outras teorias. Desta maneira provamos que não queremos esconder nada aos visitantes.  Os responsáveis pelo Museu respeitam a inteligência de todos os visitantes  para que cada possa  escolher, à sua vontade,  a teoria que preferir”.

 

 

Os fenícios foram o  primeiro povo da antiguidade
a extrair o sal da água do mar criando as salinas

 

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