Os
fenícios não têm nada a ver com a Pedra de Dighton!
Por Manuel
Luciano da Silva, Médico
Qualquer pessoa pode
apresentar uma teoria sobre as inscrições da Pedra de Dighton. Porém se não
existirem NENHUMAS inscrições
gravadas na face do Pedra de Dighton para testemunhar a sua
teoria, Você não terá
nenhuma teoria! Você
terá que mostrar EVIDÊNCIA EPIGRÁFICA
que na face da pedra existem gravações
a ATESTAR os símbolos ou as letras
que definem a sua teoria, por que senão a sua teoria tem que ser considerada
FALSA! Cientificamente,
esta conclusão é muito simples.
Em 1781, Antone Court Gebelin,
de Paris, França, SEM NUNCA ter visto a Pedra de Dighton no local, baseando-se
apenas numa cópia das inscrições feita por Steven Seawall em 1768, --
e a uma distância de mais de três mil milhas da pedra, --
Gebelin imaginou “ver”
nas gravações um oráculo,
um padre, uma borboleta, um pardal, um
castor e um cavalo! Mas disse
ver ainda mais: um pénis e testículos!
Sem dúvida que esta é a interpretação
mais sexual de todas as teorias da Pedra de Dighton!...
O que realmente acontece é
que NENHUM dos símbolos que o
Monsieur Gebelin propôs faz parte dos ícones
nacionais dos fenícios. O símbolo
nacional dos fenícios, ou seja dos
libaneses actuais, foi e ainda é um pinheiro como aparece na bandeira nacional HOJE.

Bandeira antiga dos fenícios. Notar as cores vermelha e branca, com um pinheiro no centro.

Primeira página no topo central do grande "The New York Times", vista por todo o mundo, mostra, entre a multidão, o caixão do antigo Primeiro Ministro do Líbano. Notar a bandeira com as cores branca e vermelha e o pinheiro ao centro.
Não existe nenhum pinheiro fenício gravado na face da Pedra de Dighton!
Os fenícios foram um grande povo
Os antigos gregos deram o nome de Fenícia à região costal compreendida pelos territórios actuais da Síria, do Líbano e de Israel. Os gregos chamaram aos povos desta zona fenícios por causa
dos tecidos roxo-avermelhados que eles vendiam aos
quais os gregos chamaram “phoinix” que quer dizer “roxo-avermelhado”.
Eu tenho muita admiração pelo povo da Fenícia. Foram um povo muito engenhoso. Descobriram as consoantes que nós hoje usamos no nosso alfabeto. Os gregos descobriram as cinco vogais. Foram os fenícios o primeiro povo a usar moedas como dinheiro circulante.
Mas a sua maior contribuição
para a humanidade foi a sua capacidade de construir barcos capazes de
navegar por todo o Mediterrâneo usando a madeira
dos pinheiros ou cedros que crescem com abundância nas montanhas do Líbano. Foi baseado neste facto
histórico que o Rei Dom Dinis de Portugal mandou
semear o Pinhal de Leiria. Os fénicos tornaram-se os primeiros navegadores e comerciantes de todo o Mediterrâneo.
Eles criaram as primeiras colónias e empresas comerciais à
volta do Mediterrâneo. Fizeram um grande negócio com as suas roupas roxo-avermelhadas ou “phoinix” que
vendiam por bom dinheiro à pessoas ricas nas
cidades à volta de todo o Mediterrâneo.

Os fenícios descobriram as consonantes que nós usamos hoje
Painel dentro do Museu da Pedra de Dighton
Dentro do Museu da Pedra de Dighton existe um painel dedicado à teoria fenícia, conforme o Monsieur Gebelin a idealizou. Muitas pessoas quando visitam o Museu têm perguntado: “ Porque é que têm exposta a teoria fenícia, que não faz sentido nenhum?” A minha resposta tem sido esta: “Para que toda e qualquer pessoa possa fazer um diagnóstico diferencial com as outras teorias. Desta maneira provamos que não queremos esconder nada aos visitantes. Os responsáveis pelo Museu respeitam a inteligência de todos os visitantes para que cada possa escolher, à sua vontade, a teoria que preferir”.

Os
fenícios foram o primeiro povo da antiguidade
a
extrair o sal da água do mar criando as salinas