Os  Meus “Impossíveis” com a Pedra de Dighton!

Por Manuel Luciano da Silva, Médico

(1)   Eu considero o meu primeiro “impossível” sobre a  Pedra de Dighton quando  era ainda aluno  no Colégio de Oliveira de Azeméis e o meu Professor de  História  João Santos (um excelente professor) me  disse na aula: “Luciano, tu quando fores para a América quero que vás ver a Pedra de Dighton onde o Miguel Corte Real  gravou o seu nome  e depois  me mandes uma fotografia daquela pedra”. 

Naquele tempo,  em 1943,  eu não queria  ser emigrante, nem  vir para a América, mas o meu pai mandou-me um ultimato: “Ou vens ou então governa-te aí sozinho em Portugal! “  E eu vim para Brooklyn,  New York, com  a minha mãe e  o meu irmão  para a nossa família passar a viver junta.  

A única coisa que eu sabia então dos Corte Reais era a existência  de uma família descendente deles  que morava em Cidacos, um bairro de Oliveira de Azeméis,  a cerca de duzentos metros na nossa casa.  A quinta desta família  dos Corte Reais estava cercada por um muro muito alto e  eles  viviam muito isolados. Eram pessoas consideradas de sangue azul!

(2)  O meu segundo “impossível” sobre a Pedra de Dighton foi quando eu já vivia em New York e quis saber onde é que  a Pedra de Dighton estava localizada.  Fiquei muito surpreendido em verificar que  a Pedra estava a mais de duzentas milhas ( 330 quilómetros)  da nossa residência na grande cidade.   Fui à grande Biblioteca de Nova Iorque  para obter informação histórica sobre a Pedra de Dighton e encontrei  lá o livro intitulado  “Dighton Rock”  publicado pelo Professor Edmund  Burke Delabarre,  em 1928. Foi para mim uma grande surpresa saber que a face das inscrições estava coberta vinte horas por dia pelas águas das marés do Rio Taunton e que a Pedra se encontrava  totalmente  abandonada e  desprotegida !

(3) Naquele tempo (1947)  foi “impossível” para mim visitar a Pedra de Dighton. Não consegui arranjar  ninguém que me  fizesse o favor de me levar lá – pagando eu a gasolina -  para  ver e fotografar a Pedra para mandar ao meu saudoso  Professor João  Santos. Não havia ainda  auto-estradas na América.   A maneira  mais certa seria ir de comboio de New York até  Providence, no Estado de Rhode Island,  e depois alugar um automóvel   e procurar  o local da Pedra que ainda ficava a uma distância  de cerca de 30 milhas.   

Mas eu ainda era menor.  Não tinha os 21 anos. Tive que esperar mais um ano para poder atingir a  idade e poder alugar um carro. 

(4)     Em Agosto de 1948, já de maior idade, num intervalo das  minhas férias do Verão da Universidade de New York onde eu já era aluno, com a ajuda monetária da minha mãe,  enchi-me de coragem e fui à procura do  meu  primeiro encontro com a  Pedra de Dighton.  Curioso!  Foi  numa quinta-feira, no dia 14 de Agosto, Dia da Batalha de Aljubarrota!

Apanhei o comboio muito cedo na Grande Central de Nova Iorque e cheguei à cidade de Providence ainda antes do meio dia. Sem dificuldade nenhuma aluguei um  automóvel e segui a estrada Número  6  em  direção à cidade de Fall River. Antes de atravessar o Rio Taunton desviei-me para norte pela estrada Número 138 até  à Vila de Dighton. Até aqui tudo muito bem porque eu tinha estudado em pormenor os mapas rodoviários. Em Dighton comecei a perguntar ONDE é  que estava  a Pedra de Dighton e NINGUÉM  me soube dizer! 

Resolvi então ir à Polícia de Dighton, apresentar-me como estudante da Universidade de Nova Iorque que andava a fazer um estudo sobre as inscrições da  Pedra  de Dighton  e fui aconselhado pelos polícias  que a Pedra estava do outro lado do rio e para isso teria que ir contactar a Polícia de Berkley.   Fizeram para mim um rascunho  rodoviário, chamaram a Polícia  de Berkley e quando eu lá cheguei já contavam comigo!  Um polícia de nome Makepeace  (Fazer Paz)   é que me acompanhou. Seguimos pela  Bay View Avenue, mas depois, tivemos que caminhar cerca de 400 metros onde era só mato!  E quando chegamos à margem esquerda do Rio  Taunton  não vimos pedra nenhuma  porque  ela estava totalmente coberta pelas águas das marés!!! 


14 de Agosto de 1948 quando vi a Pedra pela primeira vez coberta de água

Regressamos ao Posto da Polícia de Berkley para verificarmos ao outro dia quando é que seria a maré baixa. Tive que dormir numa pensão em  Fall River e regressar ao outro dia às  dez da manhã para  poder ver pela primeira vez a face da Pedra  que estava coberta de musgo e de  lama mantida pelos  esgotos da Cidade  de  Taunton! Foi “impossível” para mim  ver a Pedra!   Fiquei tão desgostoso que não tirei nenhuma fotografia para mandar ao meu Professor João Santos!

Quis comprar um exemplar do livro “Dighton Rock”  do Prof. Delabarre,  mas estava esgotado e naquele  tempo não havia máquinas para se tirar cópias dos livros. 

(5)      Outro “impossível”  que muito me admirou foi a ignorância do povo americano  em geral e até dos professores americanos nos liceus e nas universidades  sobre a História dos Descobrimentos Portugueses  e em particular sobre  da Pedra de Dighton.  Por isso foi para mim uma grande surpresa encontrar no corpo docente da Universidade de New York  um professor a ensinar  Português.  Naquela altura em 1948 a Universidade de New York era a universidade maior do mundo  em número  de alunos e publicava um catálogo  muito grande com a descrição dos cursos e dos  respectivos professores. Foi desta maneira  que vim a encontrar o Professor José Dâmaso Fragoso que era Leitor de Português na Universidade da grande cidade.  Fui ao terceiro andar, conhecemo-nos  e ficamos amigos.  Vim a saber que  Fragoso se interessava muito pelo estudo das inscrições  da Pedra de Dighton, chegando  a convidar  em 1928 o Professor Delabarre para  vir a New York fazer uma conferência sobre a  sua descoberta da Teoria Portuguesa. Mais tarde vim a saber também que o Professor Fragoso tinha descoberto  três Cruzes da Ordem de Cristo gravadas na face da Pedra de Dighton.

Com estes dados todos foi resolvido criar uma  organização no Estado de New York intitulada “Miguel Corte Real Memorial Society, Inc.”,  em 25 de Setembro de 1951, sendo incorporadores os seguintes luso-americanos: José Dâmaso Fragoso, Manuel Luciano da Silva,  Antone S. Pimental, Hermínio Martins da Silva e António S. Pires. O Fragoso ficou como Presidente e eu  fui escolhido para  Secretário-Tesoureiro. 

(6)     Outro meu “impossível” relacionado com a Pedra de Dighton foi a minha ida em 1952,  para Coimbra, Portugal, para obter o meu  Diploma de  Médico na Faculdade de Medicina.   Foi um interregno longo de seis  anos.  Entretanto várias coisas se passaram nos Estados Unidos  da América  relacionadas com a Pedra de Dighton.

(7)    Outro “impossível” desagradável  que eu tive ocasião de observar  durante os  anos que fui estudante na Universidade de Coimbra,  foi  o  desinteresse e até  antagonismo pela Teoria Portuguesa dos  professores de História emitindo a sua opinião  sem nunca terem examinado  a face da Pedra de Dighton. Uma coisa destas em Medicina seria emitir um diagnóstico sem examinar o doente.  Isto é um erro terrível que nunca deve  ser permitido!

(8)     Quando regressei à Nova Inglaterra, em 1959,   já como médico,  tive ocasião de observar que  vários “impossíveis”  tinham acontecido  relacionados com  a famosa Pedra de Dighton.

Primeiro - A “Miguel Corte Real Memorial Society, Inc”,  de New York  tinha comprado  em 1952,    cinquenta  hectares de terreno à volta da Pedra de Dighton para a criação dum parque.

Segundo - Dois anos mais  tarde por  uma Proposta de Lei  do Senador Estatal de Massachusetts,  Edmundo Dinis, o mesmo  terreno foi expropriado para ser criado o  Parque Estadual da Pedra de Dighton.

Terceiro - O Fragoso ficou tão raivoso  com esta decisão que deixou  a cidade de New York e veio viver para a cidade de  New Bedford  para apelar a questão   da aquisição do terreno  pela Legislatura do Estado de Massachusetts.  Porque   Fragoso perdeu a questão  passou a antagonizar tudo e todos. 

Quarto - Foi este ambiente desagradável que eu vim encontrar em 1959,  quando comecei o meu internato no Hospital de São Lucas na cidade de New Bedford.

Entretanto consegui  ser admitido  na famosa Lahey Clinic em Boston para obter ao minha  especialização em Medicina  Interna.

 Em Setembro  de 1960 fui a Portugal para  me casar e  também para  apresentar   a minha comunicação sobre as inscrições Pedra de Dighton com diapositivos  e um filme, no Primeiro Congresso Internacional  da História dos Descobrimentos Portugueses que se realizou na  Universidade de Lisboa, na segunda semana de Setembro de 1960.

Quinto. Numa  quarta-feira,  dia 14 de Dezembro de 1960, o Fragoso bateu à porta  do apartamento onde eu morava em Boston,  todo  furioso contra mim, a dizer-me que  ele é que devia ter ido  ao Congresso dos Descobrimentos em Lisboa, Portugal, que eu que estava do lado dos inimigos deles, etc.  Claro vi logo que o homem não estava bom mentalmente que apresentava  sintomas de paranóia,  disse-lhe  que lamentava muito,  mas nunca mais poderia trabalhar com ele a favor da Pedra de Dighton.  Despedi-me dele para sempre! Nunca mais falei com ele depois daquela data. Compreendi então que se eu quisesse fazer coisas positivas para proteger a Pedra de Dighton eu é que teria que  as mexer  à minha maneira. Foi isso  mesmo que vim a fazer!

Apesar de  eu cortar relações com o Fragoso SEMPRE lhe dei crédito nos meus livros tanto  em português como em inglês  pelas descobertas históricas que ele fez  das três Cruzes  da Ordem de Cristo e do Escudo Português em forma de um [ U ]  gravados na face da Pedra. 

(9)     O meu próximo “impossível”  aconteceu no dia 24 de Janeiro de 1961, quando na Discussão Pública da proposta de Lei no Capitólio de Boston  para se retirar a Pedra  de Dighton da água e da lama,  por objecção do Professor Francis Rogers da Universidade de Harvard, que ensinava Português,   a Proposta não chegou a entrar na  Casa dos Representativos.  No ano seguinte eu soube previamente quando seriam  as férias da Páscoa na  Universidade de Harvard e então  a nesse período a mesma  proposta foi submetida à Discussão Pública e passou. Só depois da Lei ter sido aprovada pela Casa dos Representantes, pelo Senado e assinada pelo Governador  Massachusetts é  que o Rogers ficou a saber, mas já era tarde de mais!

(10)     Quando a verba de cinquenta mil dólares foi aprovada para a elevação da Pedra onze  pés e a construção do Paredão,  os Engenheiros do Departamento de Recursos  Naturais  não  sabiam se a pedra seria solta ou se seria o vértice  duma montanha subterrânea. Tiveram que recorrer às técnicas Sonar do MIT, Instituto de Tecnologia  de Massachusetts,  para verificar que a Pedra de Dighton era realmente um pedra solta que pesava 40 toneladas.


A Pedra  mostrando a face  das inscrições a meia maré


A Pedra no paredão protegida
apenas
por uma rede de capoeira

(11)   Outro “impossível” foi fotografar a face da Pedra de noite. Tivemos que obter licença dos oficiais do Parque Estadual da Pedra de Dighton e alertar a Polícia de Berkley,  que na noite de 2 de Maio de 1971,  iríamos fazer bastante barulho por causa de um gerador eléctrico portátil.  O nosso  pedido foi aprovado. Assim com o Professor Steven Tegu, o Dr. Nelson Martins, Joseph Bum, electricista  e eu congregamos à volta da Pedra  de Dighton e obtivemos fotografias da face da pedra com luz tangencial  que se tornaram  as melhores fotos de contraste das inscrições. 

(12)   Quando eu informei os Oficiais do Departamento dos  Parques Estaduais de que  uma nova Lei  ia ser submetida para a construção dum Pavilhão para proteger a Pedra disseram-me :  “ Mas isso vai ser totalmente impossível!”    Quando mais 50 mil dólares foram  aprovados  pela Legislatura para a construção do Pavilhão,  eu é que  sugeri aos engenheiros e arquitectos  do Estado para que  a configuração do edifício fosse  octogonal! Aceitaram a minha ideia! 


Paredão e Pavilhão onde a Pedra ficou a ser preservada numa redoma


Pedra de Dighton salva  dentro  duma vitrina octogonal

(13)    Outro “impossível”  sugeriu quando eu pedi ao Representante  John Long de Fall River para apresentar uma nova proposta  de Lei para a construção dum  Museu anexo ao Pavilhão.  E quando outra verba de mais cinquenta mil dólares foi aprovada pela Legislatura, o formato do novo edifício  já foi ditado pela forma octogonal do Pavilhão. E pronto ficou assim  completo o Museu da Pedra de Dighton com a configuração dum oito!

(14)    Outra batalha que tive com os técnicos do Departamento dos Parques foi  porque eles queriam forrar  com madeira envernizada  o interior das paredes do Museu  e eu protestei para  deixarmos  a nu a madeira com os nós à mostra para imitar o interior das caravelas. Ganhei!


Pavilhão  com as Janelas e construção do próprio Museu


Pavilhão e Museu  acabados

(15)    Os técnicos do Departamento dos Parques quiseram deixar seis janelas  no Pavilhão e eu  sempre protestei  porque isso  iria permitir  a entrada de grande quantidade  de humidade do rio  dentro  do Pavilhão causando maior  oxidação da pedra.   Só ao fim de vários anos é que fecharam  com tijolos e cimento as mesmas  janelas resolvendo  finalmente este “impossível”.

(16)     Apesar disto a Pedra de Dighton continuava  a oxidar-se devido à alta percentagem de humidade  e para que esta situação fosse corrigida,   fui , há vários anos, fazer uma  exposição  ao Capitólio em Boston perante a Comissão de Meios e  Fins  para que aprovassem a instalação dum sistema de ar condicionando dentro do Museu   e o meu  pedido foi aprovado!  Lá está o ar condicionado há vários anos a funcionar.

(17)    Só há um “impossível”  que não consegui alcançar. Eu sugeri  aos oficiais do Estado para que o nome  “Dighton Rock Museum”  fosse  gravado no cimento na frente do edifício, por cima das portas  e que as letras fossem profundas e pintadas de preto. Indiquei que as letras deviam ser feitas como se usavam  há quinhentos anos,  porque até aquela altura o alfabeto ocidental não possuía ainda  as  letras  [ U ] e [ J ].   A letra [ V ] era usada em vez da letra [ U ]. Por esta razão científica eu sugeri aos oficiais  de Boston, que a forma  correcta do nome do museu devia ser com dois Vs  assim: DIGHTON   ROCK    MVSEVM.  Mas  infelizmente não os convenci!

(18)    Para mim, durante muitos anos, Boston tem sido igual a Bosta!  A palavra bosta em português quer dizer cow manure, ou  merda de vaca!  Sempre relacionei  duma forma cavalheiresca com os vários empregados  do Parque da Pedra de Dighton, aos quais quero exprimir aqui os meus agradecimentos. Mas com os oficiais  da alta Governação Estatal  em Boston   tem sido sempre uma verdadeira  bosta!

Calculem que TODOS os Governadores do Estado de Massachusetts - a quarenta milhas de distância - têm sido convidados a visitar a Pedra de Dighton e até à  data ( 2012)  NENHUM jamais visitou o Museu e têm passado na auto-estada  24  que fica apenas a  duas milhas do Museu. Mesmo  os Governadores que assinaram as Propostas de Lei   para os melhoramentos do parque e do Museu NUNCA  viram a Pedra! Nunca nenhum Secretário da Educação  jamais visitou o Museu.

Porque é que os grandes políticos de Massachusetts  nunca se têm interessado pelo valor histórico da Pedra de Dighton? Porque a Pedra de Dighton não vota,  nem dá  comes e bebes a ninguém !

(19)           Das centenas de  pessoas  que  se  têm interessado  pela  Pedra de Dighton,   apenas dois investigadores fizeram-no  com interesse  EXCLUSIVAMENTE   HISTÓRICO: o Professor Edmund Delabarre e o Dr. Luciano da Silva.

Todos os outros que se têm interessado pela Pedra de Dighton foi para vender artigos ou então por interesse político para tirarem vantagem nas suas próprias  eleições.  Até o próprio  Senador Edmundo Dinis  responsável pela criação do Parque Estadual do Parque da Pedra de Dighton, depois  tornou-se  dono da estação de rádio  WJFD-FM de New Bedford, Massachusetts,  com uma potência de cinquenta mil watts, mas devido à  inimizade  que tinha contra  o Fragoso,  NUNCA mais fez NADA para atrair os luso-americanos  para o significado patriótico das inscrições  portuguesas da Pedra de Dighton. O mesmo aconteceu com o  próprio  Fragoso quando passou a viver em New Bedford, serviu-se da Pedra de  Dighton para concorrer para vários cargos políticos em New Bedford, mas nunca chegou a ser eleito para nada. 

Todas estas politiquices e controvérsias  criaram para mim um ambiente muito difícil  para lidar com das autoridades de Massachusetts  porque pensavam que eu  “era  mais um” que queria tirar vantagem pessoal por  estar  ligado  à Pedra de Dighton!  Foram precisos muitos anos para verificarem que o meu interesse pela Pedra era afinal  EXCLUSIVAMENTE   histórico!

O Professor Delabarre era um cientista  sério. Foi especializar-se  em Psicologia na Universidade de Berlim e na Sorborne em Paris e quando regressou aos Estados Unidos  foi cobiçado   pela Universidade de  Harvard, mas ele escolheu a Universidade de Brown  na cidade de Providence, Estado de Rhode Island e em 1896  iniciou a Psicologia Experimental examinado os efeitos médicos  da Cannabis ou Marijuana. Era muito meticuloso.  Foi considerado  um perfeccionista pelos  outros cientistas.  Foram  os mesmos  métodos científicos  que  ele aplicou  nas suas investigações das inscrições da Pedra de Dighton descobrindo assim a Teoria  Portuguesa, em 1918. Em 1924 foi condecorado pelo Governo Português com  a Ordem da Cruz de Cristo.

Eu exerci a Medicina Interna durante 45 anos sem nunca ter um caso de “malpractice”. Tive que usar todos os dias também os métodos  científicos para obter  os diagnósticos nos meus doentes.  Passei a usar também  nas minhas investigações históricas  os mesmos métodos científicos  e por essa razão vim a descobrir  coisas originais que  escaparam aos chamados historiadores. NUNCA me servi da Pedra de Dighton para arranjar mais clientes, nem para tirar qualquer proveito político.  Tanto o Professor Delabarre como eu,  repito,  o nosso interesse pela Pedra de Dighton foi SEMPRE  pelo seu valor histórico. Tenho  pena de não ter conhecido o Professor Delabarre, mas ele morreu um ano antes de eu ter chegado à  América em 1946. 

(19)    Depois da descoberta sensacional da Teoria Portuguesa  de Miguel Corte Real pelo  Professor Delabarre  em 1918, os vários lidadores  luso-americanos  daquela época em Taunton, Fall River e New Bedford juntaram-se com o propósito de virem a organizar muitas coisas para preservar e valorizar o significado da Pedra de Dighton, mas não conseguiriam  fazer nada devido às suas  invejas, rixas  e vaidades pessoais  e a Pedra continuou  totalmente abandonada e coberta de lama!     Por outro lado o Professor Delabarre muito desgosto, comprou uma  pequena área  de  terreno à volta da pedra  e no seu   testamento deixou essa propriedade à  Sociedade Histórica de Taunton, mas esta organização   também NUNCA fez NADA de positivo para proteger a Pedra de Dighton.  O Professor Delabarre nunca teve  a ideia duma Proposta de Lei para que o Estado  de Massachusetts protegesse a Pedra.

(20) Esta experiência  desastrosa do Professor Delabarre  não conseguir NADA com os luso-americanos  para proteger a Pedra foi para mim um ALERTA. Devo confessar que em 1964 ainda incorporei a Organização “The Knights of the Corte Reais” =  “Os Cavaleiros dos Corte Reais”, mas nunca consegui entusiasmar os seus membros  para o significado histórico da Pedra de Dighton.  No ano a seguir 1965 criei  outra organização  a “Portuguese-American Federation, Inc.” = “Federação Luso-Americana”, mas sucedeu o mesmo.  Decidi então incorporar outra organização “The Friends  of Dighton Rock Museum, Inc”. = “Os Amigos do Museu  da Pedra de Dighton”, cujos Directores passaram  a ser Dr. Manuel Luciano da Silva, Sílvia Jorge da Silva, Professor  Steven T. Tegu, Dr. Nelson Dias Martins, Frederico  Pacheco e  Raul  Benevides.   Funcionamos como se fôssemos  uma família muito   forte e coesa e foi assim que conseguimos realizar o que está hoje  à  vista de toda a gente  no Museu  da Pedra de Dighton.  Começamos a escrever  boas cartas,  a realizar  boas estratégias  e fomos  muito bem sucedidos em conquistar  a cooperação de  muitas pessoas luso-americanas e até  americanas e desta maneira conseguimos atingir o nosso desiderato!  Foi mesmo bom!  Estamos  muito satisfeitos! Estamos de parabéns!

(21)           Os “impossíveis” de se conseguir  o recheio para o Pavilhão e Museu. Todas as propostas de Leis que foram aprovadas  e que garantiram as  três verbas  de cinquenta mil dólares cada, para a (a)  Retirada  da Pedra da água,  (b) a construção do Pavilhão  e do (c) e do Museu propriamente dito, não adicionaram dinheiro nenhum para  aquisição de artefactos e  painéis. 

A  Associação de “Os Amigos do Museu da Pedra de Dighton” é que tive de assumir a responsabilidade  de adquirir tudo à custa  de muito trabalho, persistência e despesa. Levou vários anos mas felizmente está tudo agora  completo dentro do Museu. Aqui esta a descrição das várias peças:

No Pavilhão  foi instalado um sistema de iluminação tangencial em frente à  face das inscrições para melhor contraste das inscrições.

 Foram colocados em frente da pedra quatro quadros com os diagramas das quatro teorias mais populares: (1) Índios Americanos, (2) Fenícios, (3) Vikings  and (4) Portuguesa.

E ainda a Lithocollage, obra  magnífica de arte, em três dimensões como uma alegoria aos Índios Wampanoags da Nova Inglaterra.

No Museu foram instalados  seis painéis ilustrando  a História  da  Pedra de Dighton e explicando as quatro teorias mais populares: Índios Americanos, Fenícios, Viking e Portuguesa.

O Padrão dos Descobrimentos em mármore, oferta da Fundação Gulbenkian de Lisboa, Portugal.

Modelo da  “Nau São Gabriel” de Vasco da Gama, oferta do Primeiro Ministro de Portugal,  Almirante Pinheiro de Azevedo.

Modelo da “Caravela Victória,” oferta do Rei de Espanha, Don Juan Carlos.

Modelo dum Bacalhau, ou Fiel Amigo, oferta da Academia do Bacalhau da Nova Inglaterra.

Há quinhentos anos os símbolos das energias na Nova Inglaterra  eram o bacalhau (comida) e as  madeiras  (pinheiros da Nova Inglaterra e do Canadá). Depois apareceu  símbolo do óleo  da baleia e em 1860 nasceu o petróleo até aos nossos dias.

Para  saber  todos os pormenores  dos artefactos que existem no  Museu da Pedra de Dighton veja este artigo:  O Recheio do Museu da Pedra de Dighton!

(21) O meu último “impossível”   sobre  Pedra de Dighton foi  eu poder organizar a continuação  dos Amigos do Museu  da Pedra Dighton mas com moradores da  Vila de Berkley. Esta organização  já está legalmente  incorporada  com alvará  no Departamento de Corporações  em Boston. Identificação Federal - 043269877

São assim os seguintes cargos:

Manuel  Luciano da Silva, Presidente

Doris Garcia, Vice Presidente

Catherine  Westgate, Tesoureira

Nancy Possinger, Secretária

Diretores:  John Possinger, Elsie Goldstein e Carole J. Johnson

Eu continuo ainda como Presidente, mas em qualquer altura  poderei ceder o meu lugar a outra pessoa de  Berkley.

Este novo grupo tem vindo  já a organizar festividades no Museu da Pedra de Dighton  todos os meses sobre vários  temas  históricos e culturais e têm demonstrado  bem claro serem  capazes  de seguir em  frente  defendendo com muito entusiasmo   o significado histórico  deste monumento o qual   virá a glorificar muito a História da Vila de Berkley.

Ainda tenho esperança que estes novos directores de “Os Amigos do Museu da Pedra de Dighton” façam num futuro próximo uma visita a Portugal Continental e à cidade de Angra do Heroísmo, na Ilha da Terceira,  Açores,  para se inteirarem  dos Símbolos  Originais Nacionais de Portugal para os  comparar  com os  que estão  gravados na face da Pedra de Dighton e também  para verem a casa  onde nasceu Miguel Corte Real  a qual  ainda está de pé.  

Para  se fazer um diagnóstico tranquilo  das inscrições da Pedra de Dighton uma pessoa deve visitar Portugal e a Ilha da Terceira.


Vista aérea do Pavilhão (com janelas)  e do Museu em frente.

Foto por Tony Ávila