Os nórdicos NUNCA tiveram
nada a ver com a Pedra de Dighton!

Por Manuel Luciano da Silva, Médico
Março 2, 2005

Quando nós falamos  dos nórdicos ou vikings referimo-nos aos habitantes que viveram nos territórios que são ocupados modernamente   pelos países da Dinamarca,  Noruega e da Suécia.  A Finlândia não  faz  parte do território dos  vikings.  

O período dos vikings começou por volta do século VIII e durou cerca de 300 anos. Os antropologistas dizem que os vikings são derivados dos celtas.  Na maior parte dos casos os nórdicos eram lavradores, mas alguns tornaram-se  artesãos e comerciantes. Chegaram a  construir  barcos compridos  e alguns tornaram-se até  piratas temerosos.  Chegaram   a estabelecer colónias nos terrenos  que hoje fazem parte da Inglaterra. Os seus sucessos históricos estão   relatados  nas chamadas “Sagas Nórdicas” que são um conjunto de factos verdadeiros e também fantasias ou lendas.

Alguns historiadores,  especialmente descendentes dos nórdicos que vivem  na América do Norte,  acreditam que foram os vikings que descobriram a América no ano 1000 da Era de Cristo—isto é, 500 anos antes de Cristóvão Colon , mais conhecido por Colombo – ter chegado à América Central.

Vou mostrar-lhes numa forma muito simples a razão porque é que os nórdicos NUNCA tiveram NADA a ver com as inscrições gravadas na Pedra de Dighton.

Qualquer pessoa pode apresentar uma teoria sobre as inscrições da Pedra de Dighton. Porém se não existir  NENHUMAS inscrições  gravadas na face do Pedra de Dighton para TESTEMUNHAR  a sua  teoria, Você  não terá nenhuma teoria!  Você  terá que mostrar EVIDÊNCIA EPIGRÁFICA  que na face da pedra existem  gravações a ATESTAR  os símbolos ou as letras que definem a sua teoria, por que senão a sua teoria tem que ser considerada FALSA!  Cientificamente, esta conclusão é muito simples.

A TEORIA NÓRDICA OU VIKING NA PEDRA DE DIGHTON

A teoria nórdica apareceu pela primeira vez em 1837. Foi apresentada  por Christian Rafn, um erudito dinamarquês, o qual NUNCA visitou a Pedra de Dighton no local.  De Copenhaga,   a  MAIS DE TRÊS MIL MILHAS DE DISTÂNCIA, ele baseou-se na sua  análise do desenho das inscrições que recebeu em 1835, enviado pela Sociedade Histórica de Rhode Island, em Providence, Rhode Island, Estados Unidos da América. 

Rafn,  juntamente com o seu assistente, Finn Magnusen,  interpretaram as inscrições como relatando uma  mensagem das “Sagas Nórdicas” que um marinheiro viking,  de nome Thorfinn Karlsefni,  tinha vindo para a América.  Mas eles cometeram um erro muito grande: ADICIONARAM   três letras FIN no centro do  desenho que receberam da América, para coincidir com o nome Thorfinn. ORA ISTO É UMA FRAUDE HISTÓRICA IMPERDOÁVEL!

(1) Não existem NENHUNS símbolos nacionais dos países nórdicos gravados na face da Pedra de Dighton.

(2) Se os nórdicos usaram o alfabeto rúnico,  NÃO EXISTE nenhuma letra rúnica gravada na face da Pedra de Dighton.  

            Aqui está uma cópia das letras do alfabeto rúnico:  

               Alfabeto  rúnico  dinamarquês

Alfabeto rúnico Sueco-norueguês 

Swedish-Norwegian / Short-twig / Rök Runes

Alfabeto rúnico norueguês

Norwegian Futhark

 

(3) Se repararmos bem nas bandeira dos três países nórdicos – Dinamarca, Noruega e Suécia --  todas três têm na parte central  uma cruz. Mas as extremidades destas três cruzes terminam todas  em linha recta. Nenhuma delas têm  as  suas extremidades em 45 graus, como acontece com a Cruz da Ordem de Cristo Portuguesa que está nitidamente  gravada na face da Pedra de Dighton!

As   bandeiras   da   Dinamarca,  Noruega  e   Suécia:

Dinamarca Noruega Suécia

Compare as extremidades destas três cruzes nórdicas com  os símbolos nacionais portugueses gravados na face da Pedra de Dighton: o Escudo Português em forma  triangular e a  Cruz da Ordem de Cristo com as extremidades em 45 graus. 

            Secção da Pedra de Dighton com os símbolos nacionais portugueses:

 

 

Face da Pedra de Dighton com o Brasão Português  em forma  de “V” e a Cruz da Ordem de Cristo com as extremidades em 45 graus.

            CORRENTES MARÍTIMAS E VENTOS

 Infelizmente, muitos chamados “historiadores”  continuam a escrever sobre os descobrimentos marítimos, sem  primeiro analisarem as duas FORÇAS  DOMINANTES  que movem os barcos à vela que são as correntes marítimas e os ventos.   Esta atitude é a mesma coisa que apreciar as explorações do espaço exterior  sem primeiro analisar os foguetões e as cápsulas que transportam os  astronautas. 

Se quisermos estudar as viagens marítimas dos nórdicos  há mil anos, temos que PRIMEIRO  analisar as correntes marítimas e os ventos na parte MAIS NORTE do Atlântico.

As correntes do Atlântico são hoje as mesmas que eram há milhões de anos! No Atlântico  Norte as correntes DOMINANTES das águas e dos ventos oceânicos são no SENTIDO DOS PONTEIROS DO RELÓGIO.   

No Atlântico Sul as correntes  DOMINANTES são no sentido CONTRA RELÓGIO.

No Atlântico norte  a corrente dominante chama-se CORRENTE DO GOLFO—de água quente – e corre DA América  PARA a Europa.  A Corrente  do Golfo é considerada a corrente oceânica mais  forte dos mares.

 

 

 

É ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIO compreender as correntes  DOMINANTES das águas e dos ventos do Atlântico ANTES  de se escrever sobre as navegações marítimas 

 

Mas na parte MAIS  NORTE  do Atlântico existe outra corrente  que corre DA Europa  PARA a América. Chama-se CORRENTE DA GRONELÂNDIA.  É  uma corrente de água fria, muito mais fraca que a Corrente do Golfo.  Foi a Corrente da Gronelândia que levou os primeiros vikings para a América do Norte.

 

 

 

AS MESMAS CONDIÇÕES LABORATORIAIS

Ainda hoje temos as mesmas condições  laboratoriais na parte MAIS a NORTE do Atlântico que   existiram há mil anos e há milhões de anos.

Portanto se temos as mesmas correntes marítimas e os mesmos ventos,  só temos que construir um barco igual  aos barcos nórdicos de há mil anos com uma vela QUADRADA  e observarmos cientificamente o que é que vai acontecer a este navio. Qual será a direcção que este barco viking vai seguir movido pela Corrente da Gronelândia?  Só tem um caminho a seguir: seguir para a parte EXTREMA da América  do Norte, isto é,  a parte extrema  norte da Terra Nova e da Terra do Labrador, no Canadá.   E não poderá  ir para mais lado nenhum!

 

 

 

 

Navio dos vikings SEM velas triangulares ou latinas 

É  totalmente  impossível  a um barco de vela do tipo viking apenas com uma vela QUADRADA  poder navegar CONTRA a  FORTE Corrente  do Golfo.

Só um barco com velas do  triangulares ou latinas, é que pode navegar contra a Corrente do Golfo. Os portugueses foram os primeiros europeus a usar a vela latina e portanto foram os primeiros  a navegar os  altos mares. 

Caravela portuguesas com as velas triangulares:

 

 

Caravela portuguesa com as três velas triangulares ou latinas. A caravela foi o primeiro barco capaz de navegar contra o vento. Não precisa de remos. É manobrada  por meio das velas. Notar a altura do casco em relação ao nível do mar. 

Caravela típica portuguesa com três velas triangulares ou latinas. Este foi o único barco que primeiro foi capaz de navegar  contra os ventos oceânicos,  Não precisa de remos para ser manobrado. A manobra do barco é feita por meio das velas latinas. Notar que as bordas da caravela em relação ao nível do mar  são muito mais altas que as dos barcos nórdicos.    

COMO É QUE UM BARCO SE MOVE CONTRA O VENTO?

O formato dum barco e a altura do seu casco são muito importantes para que se possa manobrar um barco à vela contra o vento,  por meio das velas latinas ou triangulares.    Há mil anos, portanto  no tempo  dos vikings, os barcos europeus  usavam as velas QUADRADAS.  Com a vela quadrada os barcos só podiam mover-se quando  o vento estava favorável  e NUNCA podiam navegar contra o sentido do vento.

“ A vela triangular permite a navegação contra o vento orientando o barco a 90 graus na direcção  do vento,  e mesmo em porto consegue-se manobrar o barco para sair para o alto mar e nessa altura o piloto  poder usar com mais vantagem a vela quadrada”.

É  por isso que os navios à vela usam velas triangulares à frente e à ré  para melhor poder manobrar  o barco quando   há necessidade de o retirar dum porto  para entrar no oceano onde depois se poderá usar os ventos  favoráveis com maior vantagem.

Quando um barco à vela necessita de navegar contra o vento as suas velas triangulares são reguladas a 90 graus contra o sentido do vento e nesta posição o navio faz ziguezagues contra o vento, o seu percurso será numa curva, mas desta maneira o barco anda para a frente.  Com a vela quadrada nenhum barco  é capaz de navegar contra o vento, como acontece com o tipo nórdico. 

  Colónia nórdica em A’Lanse aux Meadows, no Canadá

A “Sagas Nórdicas”descrevem que Leif  Eriksson, por altura do ano mil da Era de Cristo, numa viagem de regresso da Gronelândia PARA a Europa foi apanho por uma tempestade na Corrente da Gronelândia e o seu barco foi levado para OESTE pela Corrente da Gronelândia, porque ele não teve outra alternativa e por isso foi parar  à parte mais extrema do Atlântico Norte.

Este episódio marítimo foi confirmado pelos achados arqueológicos encontrados na  parte mais extrema norte da ilha  da Terra Nova, num lugar chamado L’Anse aux Meadows, no Canadá.  A  evidência arqueológica  foi confirmada pelo carvão radioactivo 14 como tratando-se do ano  900,  mais ou menos,   da Era Cristã. 

Nós aceitamos esta evidência de que os nórdicos chegaram à parte mais extrema da América do Norte em L’Anse aux Meadows, mas REFUTAMOS, VEEMENTEMENTE,   qualquer referência que os vikings foram capazes de navegar ABAIXO  da latitude de 50 graus,  porque com a sua vela QUADRADA  NUNCA seriam capazes de navegar contra a FORTE  CORRENTE DO GOLFO e portanto  NUNCA  poderiam ter atingido  a  Baía de Narrangansett,  em Rhode Island.

Quem disser que os vikings construíram a Torre de Newport na cidade de Newport  e que gravaram as inscrições na Pedra de Dighton, é um simplório,  um imbecil e um  indivíduo  que revela ideias preconcebidas  e também  que que não sabe nada da ciência de navegação marítima.

Devemos ser francos e dar o seu a seu dono. Os nórdicos tem direito ao L’Anse aux Meadows, mas os nórdicos não têm NADA  a ver com as inscrições gravadas na face da Pedra  de Dighton.  Chegou a altura dos chamados nordistas revelarem coragem para admitirem que não têm  direito  absolutamente nenhum, na feitura  nestes dois monumentos americanos: Torre de Newport e Pedra de Dighton.

PAINEL DENTRO DO MUSEU

Dentro do Museu da Pedra de Dighton  existe um painel dedicado  à teoria nórdica, conforme os Srs. Rafn e Magnusen  a idealizaram.  Muitas pessoas quando  visitam o Museu  têm perguntado: “ Porque é que têm  exposta a teoria  nórdica que é fraudulenta e  não faz sentido nenhum?” A minha resposta tem sido esta: “Para que toda e qualquer pessoa possa fazer um diagnóstico diferencial com as outras teorias. Desta maneira provamos que não queremos esconder nada aos visitantes. Os responsáveis pelo Museu respeitam a inteligência de todos os visitantes para que cada um possa  escolher, à sua vontade,  a teoria que preferir”.

O MITO NÓRDICO

           O Professor Edmundo Delabarre, que investigou as inscrições por  mais de 30 anos, e tinha até uma casa cerca de uma milha da Pedra, escreveu  no seu livro intitulado “Pedra de Dighton” (publicado em 1928 pela Walter Neale, Nova Iorque, na página  86:

A controvérsia nórdica esteve muito em voga  a  respeito da Pedra de Dighton, mas agora  (1928) podemos afirmar que este capítulo está  encerrado.  Todas as pessoas de bom senso afirmam que os nórdicos não têm dados nenhuns a seu favor no que diz respeito à Pedra de Dighton, ao esqueleto com armadura próximo de Fall River,   nem tão pouco em relação â Torre de Newport”.

Apesar desta afirmação  ter sido feita há mais de três quartos  de século pelo Professor Delabarre, o qual não tinha uma gota de sangue português a correr-lhe nas veias, os nordistas continuam a escrever e a falar em várias reuniões históricas  e arqueológicas,  insistindo  que os seus antepassados é que fizeram tudo nesta região da Nova Inglaterra.  Os nórdicos fazem o mesmo com o Mapa de Vindland, apesar das  técnicas super-modernas terem demonstrado que tal mapa é FALSO.   Quando é que os nordistas vão  deixar de ser ridículos?

Return