Os terceirenses e a Pedra de Dighton
Por Manuel Luciano da Silva, Médico
18 de Setembro de 2004

 

Foi para mim um grande prazer servir de cicerone, em 18 de Setembro de 2004,  aos “Amigos da Terceira” quando visitaram o Museu da Pedra de Dighton. Já há muito tempo que ansiava por esta oportunidade porque entendo que de todos os grupos de emigrantes portugueses que vivem na América os terceirenses são aqueles que têm mais direito de chamar a si o valor histórico das gravações  portuguesas deste monumento.   Além disso o  “Centro Comunitário do Grupo Amigos da Terceira, Inc.”, de Pawtucket, Rhode Island, chefiados pelo dinâmico Victor Santos têm demonstrado sobejamente  que são a organização social-caritativa-cultural e patriótica  mais activa na Nova Inglaterra!

Foi no  sábado, 18 de Setembro de 2004, quando chuvia torrencialmente na Nova Inglaterra,  que uma camioneta de passageiros chegou,  às 11 da manhã,  ao estacionamento  do Parque da Pedra de Dighton  com o Grupo de Jovens e com o Grupo de Cidadãos da Terceira  Idade,  todos membros  do “Centro Comunitário do Grupo Amigos da Terceira, Inc.”, de Pawtucket, Rhode Island, com a finalidade de visitarem o Museu e depois fazerem um piquenique no Parque Estadual. 

Como a chuva era bastante intensa  pedi ao Sr. Victor Santos, Chefe do Grupo,  para que o  bus levasse  os passageiros até  junto da entrada do museu, mas a camioneta ao dar a volta no parque de estacionamento meteu-se na berma e devido à grande quantidade de chuva, as rodas traseiras do bus enterraram-se na lama  e o veículo ficou encalhado.

Assim todos os passageiros, grandes e pequenos,  foram obrigados a caminhar à  chuva,  cerca de 300 metros,  até ao museu. Uma vez dentro do museu tudo decorreu normalmente.

Tive oportunidade, usando a língua  inglesa  e a  portuguesa de explicar os painéis, os artefactos e mostrar  as inscrições portuguesas  em frente da face da Pedra de Dighton a todos os visitantes.   Depois da minha explicação  dei a todos os jovens oportunidade de entrar dentro da vitrina que protege a pedra e tocar na pedra num gesto de boa sorte!  Mas alguns dos idosos também quiseram ter esse prazer!

Como este grupo  de visitantes  era composto por  emigrantes descendentes da Ilha da Terceira fiz-lhes saber enfaticamente que o significado histórico das inscrições portuguesas da Pedra de Dighton devia ter  muito mais valor para os terceirenses pelo facto dos navegadores Gaspar Corte Real e Miguel Corte Real terem nascido em Angra do Heroísmo.   Ainda mais,  que o Museu da Pedra de Dighton e o Parque Estadual deviam ser considerados, daqui para o futuro, localidades  que os membros do  “Centro Comunitário do Grupo Amigos da Terceira, Inc.”  deviam doravante usar  com frequência  para as suas festas e piqueniques, uma vez que a entrada no parque e do museu  são gratuitas.

Tirei algumas fotos que com o desenrolar dos anos se vão tornar históricas.  Foi pena que a chuva não permitisse a realização do piquenique no parque porque com as mesas e num dia soalheiro teria sido uma festa memorável para todo aquela boa gente.

 

Sr. Franscico Santos comparando o  desenho do Escudo Português  em forma  de "V" com o mesmo  gravado na Pedra

Sra. Maria Hermínia Santos com o Escudo em "V" do tempo do Rei D. Manuel I  comparando-o  com o gravado na Pedra 

Sr. Victor Santos comparando o Escudo em "V" com um  igual gravado na face da Pedra 

 

Um grupo de crianças dentro
 da vitrina para poderem tocar  na Pedra!... 

Outro grupo de crianças  
em frente ao painel português

 

 

 

O autocarro metido na lama a ser socorrido pelos bombeiros de Freetown.

 

Depois da visita ao Museu veio um bus fretado das escolas que levou toda a caravana para Fall River, para realizarem  o seu piquenique  com o farnel que trouxeram e os jovens divertirem-se no carrossel.

Entretanto foram chamados os bombeiros de Freetown  para ver se  conseguiam retirar  o autocarro da lama! 

Esta chuva intensa foi  devida aos  restos do terrível ciclone Ivan, mas   felizmente que ninguém do grupo se magoou.  Espero que  possam voltar ao Parque Estadual da Pedra de Dighton num dia cheio de sol para realmente apreciarem a beleza e o encanto  daquele lugar!

Qual é o significado da Pedra de Dighton?

A Pedra de Dighton é o símbolo concreto, gravado em pedra dura,  dos descobrimentos portugueses para a América do Norte, mas também  é o ícono  das raízes da emigração  do mundo da língua portuguesa para a América do Norte.

É  um monumento americano que agora está preservado dentro de uma vitrine octogonal num Museu Próprio, em Berkley , Massachusets, 40 milhas ao sul de Boston, ou 10 milhas ao norte de Fall River, na auto-estrada 24, saída no. 10. 

A Pedra de Dighton pesa 40 toneladas. Tem uma superfície lisa de 55 pés quadrados. Nesta área  tem gravadas inscrições que foram feitas pelo navegador Miguel Corte Real em 1511. Tem também gravados os dois símbolos portugueses, com os  formatos  em “V” e em “U”,  ambos com as Quinas de Portugal e apresenta também  4 Cruzes da Ordem de Cristo.

A Teoria Portuguesa foi descoberta em 2 de Dezembro de 1918,  pelo Professor Edmund Burke Delabarre da Universidade de Brown em Providence, RI.  Ele era  o Chefe  do Departamento de Psicologia. Há 86 anos que a Teoria Portugesa foi descoberta e desde essa altura nunca mais  foi contestada.

 

Datas relacionadas com a História da Pedra de Dighton:

(1) -à 10 de Maio, porque foi a data em que Miguel Corte Real saiu de Lisboa em 1502,  à procura do irmão Gaspar Corte Real que tinha vindo para a América do Norte no ano anterior – 1501 – e ainda não tinha  regressado a Portugal.

(2) à 10 de Junho, Dia de Portugal, Dia de Camões e Dia das Comunidades Portuguesas.

(3)               à 20 de Agosto. Esta data foi o dia marcado por  Miguel Corte Real, em 1502,  para os 3 barcos se juntarem no paralelo 42 que fica na Ponta do Cabo dos Bacalhaus,  no dia 20 de Agosto de 1502 e todos juntos regressarem  a Portugal. Dois barcos aparecem, voltaram a Portugal, mas o barco de Miguel nunca mais voltou.  O dia 20 de Agosto tem sido marcado como o “Dia da Saudade dos Portugueses”, que não têm podido voltar a Portugal...

Qualquer uma desta datas pode servir para que os alunos  das Escolas Oficiais Portuguesas, com os professores, pais, familiares e amigos,  confraternizarem no Parque Estadual da Pedra de  Dighton e em  frente ao Museu da Pedra de Dighton, numa cerimónia simples mas histórica, receberem os diplomas de passagem de classes.

Para mais informação recomendamos:

Ler o poema de Fernando Pessoa:   NOITE

Ver a página na Internet  www.Dightonrock.com

A Pedra de Dighton e os Açorianos

Quatro  açorianos estão intimamente ligados à história da Pedra de Dighton.

(1) Gaspar Corte Real nascido em Angra do Heroísmo, navegador.

(2) Miguel Corte Real nascido em Angra do Heroísmo, navegardor.

(3) José Dâmaso Fragoso,  professor,  nascido na Lagoa, descobriu a Cruz da Ordem de Cristo, em 1951.

(4) Edmund Dinis dono da WJFD,  nascido em Ponta Delgada, conseguiu a criação  do Parque Estadual da Pedra de Dighton em 1954. Porque é que os açorianos não ganham entusiasmo pelo significado da Pedra de Dighton?

Livro de visitas

Vários membros do grupo deixaram o seus nomes registados no livro de visitantes  e o Sr. Victor C. Santos escreveu esta mensagem:

“Centro Comunitário do Grupo Amigos da Terceira, Inc.”  

“Foi com prazer que se trouxe cá os nossos Grupos de Jovens e da Terceira Idade. em haja! Como Terceirenses sentimos verdadeiramente  honrados ver este monumento histórico.”

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