Se o planeta Terra está a aquecer a Pedra de Dighton dá-nos o alerta como devemos proceder para evitarmos a destruição da humanidade!
O Cabo dos Bacalhaus nasceu há dez mil anos com as enchurradas gigantescas glaciais que fizeram a Pedra de Dighton rolar até ao rio Taunton!
Aos domingos de tarde tenho por hábito ir até ao Museu da Pedra de Dighton. Da minha casa em Bristol, Rhode Island, ao Parque Estadual, são apenas vinte milhas ou sejam 32 quilómetros. É um passeio agradável ao longo da Baía de Narraganset, a qual é dez por cento maior do que o Estuário do Tejo, em Lisboa.
Sempre que chego ao Museu, encontro lá luso-americanos -- às vezes às dezenas – que me têm dado a oportunidade de lhes explicar os novos painéis, os artifactos histórico-marítimos e artísticos que fazem parte do recheio do museu. A seguir entramos no Pavilhão – iluminado a meia luz – que contém a Pedra de Dighton dentro de uma vitrine octagonal. Depois de lhes apontar, na face da Pedra, as inscrições gravadas em 1511 por Miguel Corte Real e os símbolos nacionais portugueses, concluo a minha exposição, afirmando que a Pedra de Dighton também é, como nós, IMIGRANTE!
(1) Foi no dia 22 de Maio de 1972, que o Professor Bruno Giletti, Chefe do Departametno de Ciências Geológicas da Universidade de Brown, em Providence, Rhode Island, ao examinar comigo, in loco, a Pedra de Dighton afirmou: “Pelas marcas de cama desta pedra verificamos que a Pedra de Dighton está de pernas para o ar!”
Há muitos pedregulhos ou blocos na Nova Inglaterra que rolaram grandes distâncias empurrados por avalanches gigantescas de gelo, ou glaciares, durante o Período Quartenário Glaciar que existiu há um milhão de anos! E a Pedra de Dighton, apesar das suas quarenta toneladas, também teve que rolar perante força tão gigante! E quem sabe? Poderia ter rolado até muitas centenas de milhas antes de parar na margem esquerda do Rio Taunton, vinda do Canadá. Foi assim que se formou também todo o Cabo dos Bacalhaus, à custa da enchurrada gacial, há dez mil anos!
(2) Outra prova geológica evidente de que a Pedra de Dighton realmente rolou é verificarmos que as arestas ou cantos da Pedra apresentam-se polidos e arredodados devido à grande viagem...
(3) Outra razão demonstrativa de que a Pedra de Dighton é imigrante, faz-se pela análise da sua composição geológica. A Pedra de Dighton é diferente das outras pedras que existem nas margens do Delta da Baía de Narraganset e que se deixam corroer pelas águas das marés devido à sua composição xistosa. Ao contrário, a Pedra de Dighton é formada por granito muito rico em quartzo, mineral composto por sílica, tornando-se assim resistente ao clima excessivo da Nova Inglaterra e aos efeitos nocivos das marés.
Se a Pedra de Dighton -- que até 1963 esteve mergulhada vinte horas por dia, entre a corrente pre-mar e da baixa-mar – tem composição diferente das pedras circumvizinhas, é porque emigrou, transportada como grande bloco errático, e parou de rolar na margem do Rio Taunton, arrastada pelos grandes galciares da América do Norte.
Todos nós sabemos que tanto o polo norte (Ártico) como o polo sul (Antártico) estão cobertos de gelo com uma espessura incrível de mais de três quilómetros!
Há dez mil anos a carapuça de gelo, ou calote glacial, no hemisféiro norte cobria todo o Canadá e os Estados Unidos até ao nível da cidade de Nova Iorque! Na Europa os glaciares ou camadas de gelo, cobriam todo o norte da Europa, a Inglaterra, a Europa Central, a França, Espanha e Portugal até ao nível da cidade de Lisboa, e a metade setentrional de toda a Russia!
Exemplos convincente, do derreter do gelo há dez mila anos, são os pedregulhos ou blocos enormes que existem na Alemanha vindos da Finlândia. Quem visitar o norte de Portugal fica espantado com a abundância de rochedos enormes colocados no cimo dos cabeços dos montes na Serra do Marão ou nas Serras da Beira Alta. Quem os pôs lá? As avalanches glaciares há dez mil anos! A Serra de Estrela – a mais alta de Portugal, com dois quilómetros de altura – possue um grande vale – Vale Glacial --formado pelo deslocamento de gigantes massas de gelo apenas há dez mil anos!
Os geologistas, ou cientistas que estudam a terra, calculam que ela já passou por cerca de trinta Períodos Glaciares, ou de gelo, e cada um durou centenas de milhões de anos! Os Períoos Glaciares mais importantes -- existiram há 600 milhões de anos (Paleozóico); 250 milhões (Mezóico) – foi neste período que se deu o extermínio dos dinossauros – e o mais recente (Pleistoceno) que começou há um milhão e quinhentos mil anos e que durou até aproximadamente dez mil anos!
Durante as épocas de glaciação a água evaporada dos oceanos foi-se acumulando nas zonas frias em forma de gelo, originando uma DESCIDA do nível dos mares cerca de 200 metros!
Todos os cientistas estão de acordo que teve de haver arrefecimentos da atmosfera para originar as épocas de glaciação da terra. Qualquer que seja as causas elas devem ter interferido com a chegada dos raios solares à terra. Uns dizem que os fenómenos de arrefecimento se devem: (1) variações da actividade solar; (2) poeiras cósmicas; (3) percentagem de gas carbónico e vapor de água na atmosfera.
Mas uma das teorias mais plausíveis foi aquela apresentada por Benjamim Franklin que diz que as erupções dos vulcões lançam muitos milhões de toneladas de cinzas para a atmosfera, criando uma nuvem gigantesca e espessa àvolta da terra que durou muitos anos interferindo com os raios do sol e portano a terra arrefeceu o suficiente para originar os períodos de glaciação.
Se está a aquecer, estamos mal amanhados! A Humanidade inteira vai começar a rolar como aconteceu à Pedra de Dighton há dez mil anos!
Hoje a calote gelada da Gronelândi já está a originar avalanches que lançam no Mar do Norte icebergs, montanhas de gelo, que são um constante perigo para a navegação marítima.
Será este fenómeno é um sinal de que a terra está de novo a aquecer? Se isso é verdade os calotes de gelo que existem nos polos norte e sul se se derreterem, o nível dos oceanos àvolta do mundo SUBIRÁ duzentos metros e isso quer dizer que todas as grandes cidades do mundo vão ficar submersas!!!
Quer dizer também que a Pedra de Dighton no Estado de Massachusets, a réplica em Lisboa (Belém) e a réplica em Oliveira de Azeméis vão também ficar de baixo de água... A única que ficará fora da água será a Réplica que está agora no pátio da minha Biblioteca-Museu em Cavião, Vale de Cambra, porque está a uma altitude de quinhentos metros acima do nível actual do Oceano Atlântico!
O nosso povo confunde muitas vezes os termos emigrante com e, e o imigrante com i. É muito fácil: emigrante com e é derivado da palavra ex + migrante. Ex quer dizer para fora. Portanto, nós quando saímos de Portugal, somos emigrantes com e. Quando entramos nos Estados Unidos somos imigrantes com i porque a palava é composta por in + migrantes, querendo dizer que migramos para dentro.
Em 1511, quando Miguel Corte Real gravou as suas inscrições na Pedra de Dighton, já a Pedra estaria coberta tantas horas diariamente pelas águas da marés? Julgo que sim! E ainda bem, pois foram as águas das marés que evitaram as inscrições de serem destruidas completamente pelos vandalismos humanos.
A Pedra de Dighton Imigrante – como nós imigrantes neste país -- tem passado por muitas intempérides. Tem sido insultada, ultrajada com toda a espécie de nomes derrogatórios, apedrejada, enlameada pelos esgotos – até lhe chegaram a urinar em cima ! – mas, resistiu com uma força indomável de imigrante e hoje está colocada dentro de uma redoma de vidro! A Pedra de Digthon não é mais uma pedra qualquer. Agora é uma pedra preciosa!
Nós imigrantes, que vivemos no epicentro da Pedra de Dighton, temos também rolado muito, apanhado inúmeros trambolhões e por isso não somos uns homens quaisquer. Pelo contrário, com a nossa experiência dura e glacial de imigrantes, sem receio absolutametne nenhum, podemos afirmar forte e valentemente: SOMOS MUITO MAIS HOMENS!