Politicamente os portugueses de New Bedford são os mais atrasados da América!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico

Li com muito interesse a entrevista que o médico madeirense, presidente da Assembleia Legislativa Regional da Madeira concedeu ao “Portuguese Times”, em 7 de Agosto de 2002.  Desejo comentar um parágrafo  pronunciado pelo Dr. José Miguel Jardim d’Olival de Mendonça:

“Eu gostaria de ver mais descendentes de madeirenses a intervir mais activamente na vida política dos Estados Unidos da América. São cidadãos de pleno direito. Gostaria de ver esta juventude com uma presença mais visível. Os açorianos, se bem que em maior número, têm uma presença mais activa na vida política”.

Em primeiro lugar quero afirmar respeitosamente que o meu colega Dr. Olival Mendonça quis ser diplomata para com os madeirenses e açorianos, mas  as suas afirmações  não coincidem com os factos reais!

Quero informá-lo que  temos, infelizmente, muitos emigrantes madeirenses e muito MAIS açorianos  que NÃO são cidadãos americanos! E se se naturalizaram, não estão registados e portanto não podem votar nas eleições americanas. Politicamente são igual a ZERO. Não os devemos até chamar cidadãos!  São muito egoístas! Não querem fazer sacrifício nenhum para bem político das nossas comunidades!  Continuam a ser  cidadãos portugueses – ‘por que é muito bonito’ --  mas aqui na América isso não vale NADA!

Há 56 anos, quando eu emigrei para Brooklyn, um bairro da grande cidade de   New York, trouxe  comigo um passaporte português, porque nasci em Portugal, e um passaporte americano porque o meu pai era cidadão americano antes de eu nascer. Mas quando atingi os 21 anos (naquele tempo a maior idade era aos 21),  fui fazer juramento para continuar a ser cidadão americano.

Na naquela altura eu já era amanuense no Consulado Geral de Nova  Iorque  e o cônsul geral, Bettencourt Ferreira,  aconselhou-me a não me tornar cidadão americano. Claro que eu não  liguei nada à estupidez do mesmo cônsul, registei-me e votei pela primeira vez na minha  vida,  pelo Presidente Truman.

Em 1963, quando me mudei para Bristol, Rhode Island, e visitei por cortesia o Monsenhor Henrique Rocha da Paroquia de Santa Isabel, ele disse-me que apesar de estar na América há mais de duas décadas, NUNCA se tornaria cidadão americano! Claro que pensei naquela altura: aqui está mais um infeliz a dar o mau exemplo aos infelizes dos paroquianos...

Foi preciso vir o 25 de Abril para os governantes portugueses e os políticos realizarem um facto real: os emigrantes portugueses devem tornar-se cidadãos naturalizados desses mesmos países, registarem-se e votarem. Precisam para isso de esclarecimentos e entusiasmo dos responsáveis de lá e dos de cá.

Os portugueses na América são  considerados boa gente, muito trabalhadores e muito respeitadores. Mas continuamos a ser os varredores e os lavadores dos outros grupos! Porquê? Porque, politicamente,  somos  tão ‘bonzinhos’ que somos iguais a  ZERO!

Caro Dr. Olival Mendonça, o Sr. sabe o que é os  americanos pensam, politicamente,   de nós, imigrantes portugueses?

Quanto maior for o número de cidadãos portugueses que vivam numa vila ou cidade americana, mais atrasados, politicamente, são os luso-americanos dessas localidades”.

E os factos reais CONFIRMAM este Teorema da Ignorância Política. 

A cidade de New Bedford, chamada a “capital dos portugueses na América”, com cem mil habitantes e mais de cinquenta por cento de portugueses,  é,  politicamente,  a terra mais atrasada da America!  Não são capazes de elegerem um Maior, (presidente da câmara)  luso-americano, e nunca elegeram sequer um Representativo, nem um Senador Federal, em duzentos anos!!!

Fall River, apenas a doze milhas  de distância de New Bedford, também tem  cem mil habitantes e mais de cinquenta por cento são  portugueses, embora um  pouco melhor politicamente, tem que ser  considerada  ainda  outra miséria.  É a  cidade na América que tem mais micaelenses do que  Ponta Delgada!  Quer dizer que os nossos imigrantes têm feito  “ilhas portuguesas”  nas comunidades americanas onde vivem e isso é um erro terrível, politicamente.

Se nós aplicarmos o Teorema da Ignorância  acima explícito, a qualquer vila ou cidade com grande percentagem de luso-americanos--  “ é igual ao litro”! Quer dizer que quanto mais Membros da Ignorância Política, ou MIPs,  uma comunidade luso-americana possuir, mais atrasada politicamente essa comunidade é na América!

O Estado de Rhode Island  tem uma população de um milhão de   habitantes e cerca de  duzentos mil são luso-americanos. Mas, vá lá,  já cá temos DEZASSEIS luso-americanos que  são representativos e senadores ESTADUAIS e temos um Tesoureiro do Estado que é luso-americano!

No Estado de Massachusetts com MUITO MAIS  luso-americanos, continuam muito  MAIS ATRASADOS  politicamente, condizendo com a definição contida no Teorema da Ignorância Política!

Isto é que são os factos reais, que temos que enfrentar e modificar. Temos que pegar os touros  pelos cornos!  Deixemo-nos de patriotismos hipócritas!

Homens de duas caras

Uma vez que o meu colega, Dr. José Miguel D’Olival de Mendonça,   veio aqui à Nova Inglaterra, quero que leve consigo um recado para os madeirenses:  parem de serem homens de duas caras!

Em 1992, realizaram-se em Funchal grandes festividades para comemorar  a descoberta da América. Para tomar parte nas cerimónias convidaram o Conde de Verágua,  Cristoval Colon, que mora no “Palácio Saudade” em Madrid e que é  o décimo oitavo descendente DIRECTO  do navegador  Cristóvão Colon. 

O Conde não pode ir por outros compromissos semelhantes e mandou a Esposa, a Señora Colon.

Eu tenho aqui em minha casa as gravações daquelas cerimónias  e é caricato os vários oradores dirigirem-se à Señora Colon, pelo nome de Colon e quando se referiam ao navegador chamavam-lhe Colombo!

Isto é um verdadeiro contra-senso! É ridículo, é estúpido! O navegador  casou-se com Filipa de Perestrelo, filha do Governador da Madeira  e  tiveram um filho, em Porto Santo, portanto madeirense,  a quem  deram o nome de  Diogo Colon  e não  Diogo Colombo e que mais tarde  acompanharia o pai na sua missão em Espanha!  Qual é  a razão porque os madeirenses continuam a chamar ao navegador  Colombo em vez de Colon? Porque se  sentem felizes em  mostrarem que têm duas  caras??? 

Bulas Papais

As  duas Bulas Papais que estão na Biblioteca do Vaticano, em Roma, datadas de 3 e 4 de Maio de 1493, passadas pelo Papa Alexandre VI, escritas TOTALMENTE  em latim, têm  ambas o nome do navegador em português  antigo à  Cristovõm  Colon.

Devemos notar que todo o texto das Bulas está escrito em  latim, mas  o nome  do navegador não está  escrito em latimà Christopher Columbus.

Também não está  escrito em italianoà Cristoforo Colombo, nem tão pouco  em espanhol à Cristoval Colon. 

Está sim,  escrito em português arcaico—> Cristovõm Colon!

Será que os madeirenses querem ser mais papistas que o Papa? 

Falso Colombo

Todos os documentos referentes à teoria do navegador ser genovês SÃO FALSOS! 

(1)   O Testamento Genovês  é falso, assim como o Codicílio Militar, não só no conteúdo, mas também na caligrafia.

(2)    O Colombo genovês saiu de Génova aos 24 anos. Mas ele nunca falou nem escreveu  nada em italiano! Os defensores da teoria genovesa dizem que “ele esqueceu a língua italiana”! Puxa! Ele devia ser muito burro, para depois dos  24 anos esquecer a língua nativa!

(3)   Se o navegador nasceu em Génova (e era italiano) porque é que ele NUNCA  deu nenhum nome italiano às  ilhas do  Mar  das Caraíbas, em honra das cidades famosas da Península Itálica tais como: Génova, a sua terra natal, Roma (sede da Igreja Católica), Veneza, Florença, Nápoles, Turim, Milão, etc.?  Porque é que em todos os  mapas  antigos depois das quatros viagens que o navegador fez á  América Central,  vemos  mais de quarenta nomes portugueses e nem  sequer um nome italiano? 

(4)   Porque é que na Itália há catorze localidades que reclamam serem  a terra natal do Colombo Italiano?

(5)   O pai do Colombo genovês era cardador de lã, os irmãos  também e o Colombo italiano também cardava ovelhas. Foi Joseph Moratori, arquivista de Génova, que transformou,    na sua biblioteca, o cardador de lã, no  navegador Colombo!

(6)   Uma das coisas que sempre deixou os historiadores  perplexos, incluindo o Samuel Eliot Morison da Universidade de Harvard na América, foi o cardador genovês casar com a Filipa de Perestrelo, filha de um dos nobres mais distintos de Portugal! Como é que um plebeu, um cardador de lã, foi casar com uma donzela de tal alta estirpe, quando naquele tempo as diferenças de classes – entre nobres e plebeus – eram enormes?!

(7)   Sabemos que o verdadeiro navegador, Cristovõm Colon,  sempre falou e escreveu em português e espanhol e sempre assinou os seus documentos com as suas 3  cifras:

(a)    Sigla,  (b)    Monograma,  (c)    Benção.

São estas três cifras que têm que ser analisadas ao lado das Bulas Papais de Alexandre VI,  para confirmarmos,  facilmente, que o verdadeiro navegador Cristofõm  Colon era cem por cento português!

Caro Colega Dr. Mendonça, nós,  como médicos temos enfrentado muitas vezes a morte, temos assistido a autópsias, temos assinado certidões de óbito, temos diagnosticado cancros malignos!

O que é que recomendamos quando detectamos um cancro maligno num doente? Recomendamos que se corte o mal pela raiz!  Os Srs. aí na Madeira chamarem ao navegador Colombo, genovês, estão a manter  um cancro maligno vivo!  Cortem o mal pela raiz! O nome verdadeiro do navegador é Cristóvão Colon!

Peço-lhe  que mande a Comissão Educacional da Assembleia Regional Madeirense  ordenar para que  as escolas primárias, secundárias e até a universidade da Madeira  páre,  duma vez para sempre,  de ensinar à  juventude  madeirense essa grande mentira histórica  de que o navegador era genovês! 

E o Presidente do Governo Regional  Autónomo da Madeira, Dr. Alberto  João Jardim,  sabe desta situação tão ultrajante para o povo da Madeira?  Penso que não, senão ele com o seu patriotismo  inabalável que tem pela Madeira e por Portugal iria bradar aos céus, sui generis, para que tamanha vergonha seja  eliminada duma vez para sempre.

Caro Colega, o bom mestre é aquele que faz rir ou  irrita os alunos. Este não é um assunto para rir. Não pretendo insultar ninguém, quero sim, irritar os madeirenses, para que possam todos reagir dinamicamente  a esta grande mentira histórica e se corrija o grande erro que só envergonha os madeirenses perante o mundo! 

Sempre que puder venha até à  Nova Inglaterra  porque será motivo de mais intercâmbio de ideias, porque ambos estamos interessados no bom do nome de Portugal  e dos imigrantes portugueses para que  possam  dignificar  MAIS  as comunidades luso-americanas onde vivem. 

Votos de boa viagem e continuação de grandes  sucessos.

Respeitosamente, 
Manuel Luciano da Silva.

P. S. Este artigo já está colocado na minha página na Internet para todo o mundo ver.

Ver também os meus artigos  sobre  o tema--  “Colombo era 100% Português”,--   na minha website 

Return Artigos sobre História Geral

Return ACTIVIDADES  SOCIAIS