Porque é que as pessoas não gostam da Pedra de Dighton?
Por Manuel Luciano da Silva, Médico.
As pessoas têm-se preocupado mais com as personalidades
do que propriamente com as inscrições gravadas na Pedra!
O meu primeiro desgosto com a Pedra de Dighton aconteceu no dia 14 de Agosto de 1948, quando eu fui propositadamente da Cidade de Nova Iorque para ver a Pedra de Dighton no seu local em Berkley, Massachusetts. Viajei de comboio da Grande Central até à estação ferroviária de Providence, depois aluguei um automóvel e segui a estrada número 6 até à Vila de Dighton. Naquela altura ainda não havia auto-estradas nos Estados Unidos. Foi uma distância de 230 milhas da casa onde eu vivia com a minha família em Brooklyn, na cidade de New York.
Quando cheguei ao que me pareceu o centro da Vila de Dighton, perguntei a três pessoas diferentes se me podiam indicar onde é que ficava a Pedra de Dighton e NINGUÉM me soube informar tal coisa!
Resolvi então ir à policia local. Apresentei-me como um estudante da Universidade de New York que andava a investigar a História da Pedra de Dighton para submeter um trabalho ao meu professor de História. Fui muito bem atendido pelos polícias que me disseram que a Pedra estava do outro lado do rio Taunton. Eu teria que ir à Policia de Berkley para ser guiado ao local porque doutra maneira eu nunca seria capaz de dar com a pedra porque não havia estrada para ela. Fizeram-me um desenho para eu chegar à Polícia de Berkley e quando eu cheguei lá já sabiam o que é que eu procurava. Fui muito gentilmente acompanhado pelo Polícia Makepeace que me levou até ao local onde a pedra estava. Mas quando chegamos lá a pedra estava toda coberta por 4-5 pés de água da maré alta. Não pude ver a face das inscrições. Regressamos à Estação da Polícia onde fui informado que a maré baixa seria ao outro dia cerca das dez da manhã. Tive que ir para a cidade de Fall River porque em Berkley não havia nenhuma pensão nem hotel. Ao outro dia de manhã voltei ao local onde estava a pedra, mas não consegui ver nenhumas inscrições porque a pedra estava toda coberta de musgo e de lama pegajosa resultante dos esgotos da cidade de Taunton (naquele tempo não havia ainda estações de tratamento).
No dia anterior ainda tive oportunidade de perguntar, ao polícia que me acompanhou, o que é que o povo de Berkley pensava sobre a Pedra de Dighton e ele foi muito franco em dizer-me que: “O consenso geral é que as inscrições são misteriosas e ninguém as entende! É por isso que a pedra tem sido dada ao abandono!”
Regressei à cidade de Providence muito desgostoso pelo insucesso da minha aventura, entreguei o automóvel que tinha alugado e tomei o comboio para New York. Durante toda a viagem, que durou mais de 3 horas, dei voltas ao miolo para ver se encontrava alguma maneira de vir a obter fotografias das inscrições, semelhantes às que o Professor Delabarre tinha publicado no seu livro “Dighton Rock” editado em 1928, que eu já tinha visto na grande Biblioteca da Cidade de Nova Iorque e que estava esgotado. Confesso que naquele tempo não antevi nenhumas possibilidades de realização do meu desiderato.
Indaguei dos luso-americanos que viviam em Brooklyn e em Manhattan ou New York propriamente dita e NINGUÉM sabia nada sobre a Pedra de Dighton. O mesmo aconteceu com os cidadãos americanos. Uma ignorância total!
O Professor Fragoso na New York University
Em 1948 a New York University, onde eu já era aluno na Faculdade de Ciências, era considerada uma das universidades maiores do mundo pelo número de alunos que comportava. A Universidade publicava um catálogo muito grande com a descrição de todos os cursos e informação sobre os professores. Foi para mim uma grande surpresa ver no catálogo que havia um Professor José Dâmaso Fragoso que ensinava Português na New York University. Fui ao terceiro andar para conhecer o mestre português e desde aquela altura desenvolvemos amizade e também vim a saber que o Fragoso já se tinha envolvido muito com a Pedra de Dighton, que já tinha convidado o Professor Delabarre para ir a New York fazer uma conferência depois da publicação do livro dele intitulado “Dighton Rock “ publicado em 1928. Quer dizer que até encontrar o Fragoso, só me tinham aparecido pela frente ignorantes a respeito da história da Pedra de Dighton! Com o Fragoso ganhei um novo entusiasmo pelo significado histórico do diabo da Pedra.
Verifiquei que Fragoso era um ferrenho patriota português, por vezes até excessivo, mas eu nunca o tentei controlar.
Para dar largas ao seu portuguesismo, o Fragoso decidiu publicar uma revista trimensal intitulada “O Mundo Lusíada” ou “The Portuguese World ” com artigos em português e inglês, arranjando um grupo de luso-americanos como colaboradores e directores. Eu fiquei de fora porque como estudante não tinha tempo livre nem dinheiro para tamanha aventura. Por causa de vender a revista e obter anúncios o Fragoso começou a fazer viagens para a Nova Inglaterra, isto é, pelos Estado de Connecticut, Rhode Island e Massachusetts e desta maneira teve oportunidade de visitar várias vezes a Pedra de Dighton e até organizar romarias ao local, convidando legisladores americanos e luso-americanos. Ele passou a visitar, de très em três meses, as cidades americanas que tinham maior percentagem de portugueses, como Danbury, Providence, East Providence, Fall River, Taunton e New Bedford.
Ele chegou a publicar 13 edições da revista e eu ainda o ajudei a rever provas de certos artigos, mas depois quando eu fui para Coimbra em Setembro de 1952, ele deixou de publicar a revista.
O Fragoso foi sempre um solteirão. Disse-me que tinha tido uma namorada na Vila da Lagoa, em São Miguel, Açores, mas por causa duma zanga, resolveu emigrar para os Estados Unidos onde já estava o irmão mais velho.
Só ao fim de dois anos de nos conhecermos é que eu visitei a residência do Fragoso, em Jamaica, porque ficava muito longe de Brooklyn. Foi numa altura relacionado com a preparação final dum número da revista e também num fim de semana em que estive mais livre.
Depois de terminarmos o trabalho da revista o Fragoso revelou-me um segredo que me surpreendeu. Mostrou-me como tinha descoberto três cruzes da Ordem de Cristo gravadas na Pedra de Dighton. Exibiu várias cópias das inscrições, apontando os lugares onde apareciam as extremidades das Cruzes de Cristo. Impressionante! Pediu-me para eu não revelar a descoberta original dele a ninguém porque desejava publicá-la num dos próximos números da revista dele. Eu assim fiz.
Miguel Corte Real Memorial Society, Inc.
Motivado pela reacção pública da Revista “O Mundo Lusíada”, Fragoso incitou um grupo de luso-americanos a incorporar no Estado de Nova Iorque uma organização não-lucrativa intitulada “Miguel Corte Real Memorial Society, Inc ”. Eu fui escolhido para Secretário-Tesoureiro. Entretanto as coisas desenvolveram-se de tal maneira que nas viagens que o Fragoso fazia à Nova Inglaterra relacionadas com a revista, ele veio a saber que o terreno, cerca de 50 acres, à volta da Pedra de Dighton estava à venda por cinco mil dólares.
A organização Miguel Corte Real não tinha esse dinheiro para comprar tal terreno. A única solução seria arranjar uma hipoteca sobre o terreno. Entretanto eu fui para Coimbra, Portugal, para tirar o meu curso de Medicina e o Fragoso ficou praticamente sozinho. Mas ele conseguiu que um industrial lhe emprestasse os cinco mil dólares porque o terreno valia o dinheiro. Com este estratagema o Fragoso, como presidente da “Miguel Corte Real Memorial Society, Inc.”, em Outubro de 1952, ficou senhor do terreno à volta da Pedra de Dighton com o objectivo de criar um parque!
Este acontecimento da compra do terreno tornou-se público e os vários jornais da região como o “Fall River Herald News,” “Taunton Gazette”, “New Bedford Standard Times” e até o “Providence Journal” publicaram editorais louvando o plano para se proteger a Pedra de Dighton e se criar um parque à sua volta.
Pedra de Dighton em Portugal
Quando eu regressei a Portugal, em Setembro de 1952, para obter o meu curso de Medicina na Universidade de Coimbra, tive oportunidade de verificar que só havia duas pessoas que demonstravam interesse pelo significado histórico das inscrições da Pedra de Dighton. Um era o meu antigo Professor de História, João Santos, e o outro era o famoso Almirante Gago Coutinho. No campo universitário de Coimbra verifiquei que os Professores Universitários da História de Portugal menosprezavam completamente a Pedra de Dighton, sem nunca a terem visto, nem examinado. Não gostavam NADA da Pedra de Dighton. Pensavam até que se tratava duma americanice! Achei tal atitude uma coisa estranha e velhaca!
Entretanto, sempre que tinha algum tempo livre das minhas responsabilidades médicas, procurei nas bibliotecas da universidade informação sobre os descobrimentos portugueses e foi durante este período que descobri a quarta Cruz da Ordem de Cristo gravada na face da Pedra de Dighton, mas também nunca disse nada ao Fragoso…
No período em que fui estudante na Universidade de Coimbra comprei um livro em inglês, editado pela própria universidade, (muito caro) intitulado “The Nautical Chart of 1424”, escrito pelo Professor Armando Cortesão e foi neste mapa que vim a descobrir, muito mais tarde, as linhas de LATITUDE que levaram à minha descoberta ORIGINAL de “As Verdadeiras Antilhas: Terra Nova e Nova Escócia”, na costa atlântica do Canadá. Tenho copyright datada de 12 de Janeiro de 1987.
Meu regresso á América em 1959
Depois de terminar o meu curso médico com distinção, de completar o meu internato no Hospital das Clínicas Médicas em Coimbra e de obter o meu diploma para exercer medicina, decidi voltar aos Estados Unidos para adquirir mais prática médica e se possível até uma especialidade. Concorri para fazer o meu internato nos hospitais de Brooklyn e também nas cidades da Nova Inglaterra onde havia uma boa percentagem de luso-americanos como em Bridgeport, Connecticut e em Fall River e New Bedford, Massachusetts, para poder vir a abrir consultório no futuro, se quisesse, porque eu era cidadão americano. Foi admitido em 3 hospitais, mas escolhi o Hospital de São Lucas na cidade de New Bedford por ser considerada a Capital dos Portugueses na América.
Foi para mim uma surpresa muito agradável verificar que a população de New Bedford era naquela altura mais de 50% portuguesa.
Meu internato no Hospital de São Lucas em New Bedford
Adaptei-me muito bem ao ambiente hospitalar não só técnico-médico mas também aos doentes porque mais de cinquenta por cento eram imigrantes portugueses oriundos das Ilhas dos Açores. Ficavam encantados ao verem um médico que falava português. Felizmente relacionei também muito bem com todos os médicos que faziam parte do Corpo Clínico do Hospital e posso dizer que por desempenhar muito bem as minhas responsabilidades médicas consegui obter cartas magníficas de recomendação para poder entrar como “Fellow” na famosa Lahey Clínica de Boston para conseguir a minha especialização em Medicina Interna.
Donald Cordeiro
Era um luso-americano nascido em New Bedford, técnico do Departamento de Patologia, que eu vim a conhecer muito bem pelas muitas visitas que fiz ao seu departamento por causa dos seguimentos de autópsias, etc., dando-me oportunidade para eu lhe pedir para ele me ensinar a fazer slides dos documentos que eu já possuía sobre as inscrições da Pedra de Dighton. Ele ficou muito entusiasmado, -- parece que foi para ele uma oportunidade de prestar homenagem às suas raízes portuguesas, -- e fez-me 80 slides coloridas e não me cobrou nada pelo seu trabalho nem pelos dois filme coloridos nem pela sua relevação! Foram estas 80 slides que eu passei a usar nas minhas conferências ilustradas sobre a História da Pedra de Dighton, sempre com muito sucesso. Nunca mais me poderei esquecer desta ajuda fantástica do Sr. Donald Cordeiro! Bem haja!
Meu Curso de Medicina em Coimbra, Portugal
Em Setembro de 1952 parti de Brooklyn, New York, num navio para ir para
Coimbra para ingressar na Faculdade de Medicina, o qual foi sempre o meu sonho.
Fui um bom aluno, agarrei-me com unhas e dentes as várias cadeiras e terminei o
meu curso médico com distinção.
Durante o período de seis anos que estive em Coimbra, confesso que não
acompanhei os vários acontecimentos que se passaram na América em relação à
Pedra de Dighton. De vez em quando lá me chegavam a Coimbra uns certos zuns
zuns que as coisas não estavam a decorrer bem, mas eu, tão longe, não podia
fazer nada e continuei a concentrar-me nas minhas responsabilidades médicas.
Mas quando cheguei a New Bedford em 1958 fiquei inteirado e surpreendido das várias coisas desagradáveis que se tinham passado nos seis anos da minha ausência.
Compra do terreno para o Parque da Pedra de Dighton
Apesar de eu ser Tesoureiro -Secretário da organização Miguel Corte Real Memorial Society, Inc. na minha ausência o Fragoso continuou a dispor e decidir coisas para bem da organização. Ele soube que o terreno à volta da Pedra de Dighton estava à venda e tratou de angariar fundos para comprar o terreno e assim criar um parque para a Pedra de Dighton. Conseguiu que um industrial luso-americano de Brooklyn, N. Y. emprestasse cinco mil dólares à Miguel Corte Real Memorial Society e em Novembro de 1952 comprou 50 acres de terreno adjacente à Pedra de Dighton. Foi uma boa compra porque o terreno valia o dinheiro. Esta compra mereceu a publicação de vários editoriais positivos dos jornais da região, de tal maneria que o então Senador Edmundo Dinis de New Bedford apresentou uma Proposta de Lei para que o Estado de Massachusetts expropriasse o terreno comprado pela Miguel Corte Real para ser criado o Parque Estadual da Pedra de Dighton. Em 1954 a Legislatura de Massachusetts aprovou esta Lei e adquiriu mais 50 acres e o Governador Christian Hearter assinou o documento legal.
O Fragoso que continuava a leccionar na Universidade de New York quando soube da aprovação da expropriação ficou muito furioso, deixou a universidade e veio morar para New Bedford para contestar a expropriação no Tribunal e começar uma luta terrível de ódio contra o Senador Edmund Dinis que durou muitos anos. O Fragoso perdeu a questão contra o Estado de Massachusetts. Mas continuou em guerra contra o Dinis e vice-versa.
O Fragoso decidiu concorrer para vereador da Câmara de New Bedford, para Representativo Estadual, mas nunca ganhou posição nenhuma. Continuou a antagonizar todos os oficiais relacionados com o Parque da Pedra de Dighton e revoltou-se também contra todos os meios de comunicação, de tal maneira que todos passaram a desprezá-lo totalmente e ele cada vez se tornou mais paranóico. Foi realmente uma pena depois de ele ter gasto tanto tempo e tanta energia para preservar a Pedra de Dighton. Na realidade o Fragoso sempre pensou que a Pedra de Dighton era um monumento português e portanto os emigrantes portugueses é que tinham direito a tomar conta da Pedra. Este foi o grande erro do Fragoso. A Pedra de Dighton é um Monumento Americano e devia ser protegida pelos cidadãos Americanos. Além disso a Comunidade Portuguesa do Estado de Massachusetts nunca teve posses monetárias para proteger e manter o Parque e muito menos o Museu da Pedra Dighton.
Por esta razão comecei em 1960 a dirigir os meus esforços para obter a cooperação legal do Estado de Massachusetts para proteger e salvar a Pedra de Dighton. E esta minha decisão produziu os resultados certos. Basta vermos agora o Museu da Pedra de Dighton COMPLETO!
Cortei relações com o Fragoso
Foi numa quarta-feira, 14 de Dezembro de 1960, que o Fragoso apareceu no meu apartamento em Boston para me insultar. Eu tinha ido a Portugal para me casar e também para apresentar uma Comunicação sobre a História da Pedra de Dighton no Primeiro Congresso Internacional da História dos Descobrimentos Portugueses que se realizou na Aula Magna da Universidade de Lisboa, onde no dia 8 de Setembro eu fiz a minha apresentação a qual “mereceu a maior salva de palmas do Congresso”, Diário de Noticias de Lisboa, Setembro 9, 1960.
O Fragoso com ar arrogante, começou por me dizer: “Eu é que devia ter ido ao Congresso em Lisboa; Agora estás do lado dos meus inimigos; ultimamente não me ligas nenhuma”, etc., de tal maneira que eu me apercebi imediatamente que ele estava paranóico e fui forçado a dizer-lhe que não poderia mais trabalhar com ele nos assuntos relacionados com da Pedra de Dighton.
Despedi-me dele desejando-lhe muita saúde e boa sorte. Nunca mais falei com o Fragoso desde o dia 14 de Dezembro de 1960. Ambos seguimos caminhos bem diferentes em relação à proteção da Pedra de Dighton. Os resultados estão bem à vista. Concentrei-me, sim, nas minhas responsabilidades médicas na Lahey Clinic como “Fellow” e na minha vida de casado.
O comportamento do Fragoso em antagonizar todas as autoridades do Departamento dos Parques dificultou a princípio as minhas actividades porque eles passaram a considerar-me como mais um “Fragoso” para lhes dar mais dores de cabeça. Levou anos para os oficiais estatais se convencessem que o meu interesse pela Pedra de Dighton era puramente histórico e que eu não tinha nenhuns motivos secundários para arranjar mais votos para ser eleito para qualquer cargo político.
O antagonismo geral contra a Pedra de Dighton!
Os americanos não gostam da Pedra de Dighton porque são uns ignorantes sobre os símbolos nacionais portugueses. Ainda hoje nenhumas das Enciclopédias Anglo-Saxónicas dão quaisquer informações sobre a Cruz da Ordem de Cristo ou sobre o símbolo nacional Português em forma de um “V”.
Mas com respeito à ignorância, os nossos imigrantes também são analfabetos sobre os símbolos nacionais portugueses e sobre a história dos descobrimentos portugueses.
É ainda mais lamentável os imigrantes açorianos que vivem no Estado de Massachusetts não se interessarem pelas inscrições gravadas na Pedra de Dighton feitas por um açoriano, um “ rabotorto”, nascido em Angra, Miguel Corte Real. É de facto deplorável a atitude dos imigrantes açorianos nos Estados Unidos e também nos Açores incluindo os governantes e os educadores lá! Ainda mais terrível é certos directores de jornais luso-americanos e até de programa radiofónicos NUNCA terem visitado o Museu da Pedra de Dighton para poder informar e esclarecer a nossa gente, mas preferem usar a palavra “controvérsia” para mostrar a sua “sapiência!” Autênticos anti-patriotas! Nós sabemos porquê! Porque a Pedra de Dighton não dá anúncios, nem banquetes, nem bebidas alcoólicas, nem medalhões! É curioso notarmos que os indivíduos que têm sido contra a Pedra de Dighton tem morrido de cancro! É uma coincidência extraordinária!
Desde 1960 temos convidado TODOS os Governadores de Massachusetts, incluindo até os que assinaram as várias leis para a criação do parque e dos vários edifícios do Museu, mas até à data ainda NENHUM teve o patriotismo de visitar este Monumento Americano.
Dos sessenta padres católicos luso-americanos que existem nos Estados Unidos, só apenas dois padres é que se têm interessado sinceramente pelo significado católico e histórico da Pedra de Dighton por possuir gravadas quatro Cruzes da Ordem de Cristo. O primeiro padre foi o Reverendo Louis Diogo que chegou a celebrar várias Missas Campais em frente ao Museu da Pedra de Dighton e o Reverendo Timothy Goldrick, Pastor da Igreja de São Bernado em Assonet, Massachusetts e agora pároco da Igreja de São Nicolau no Norte de Dighton. Em ambas as igrejas o Padre Timothy Goldrick adicionou os símbolos da Cruz da Ordem de Cristo, os ícones do Brasão dos Corte Reais e também os Brasões Nacionais Portugueses!
Dos nossos clubes muito poucos se têm interessado em fazerem romarias culturais ao Museu da Pedra de Dighton. Só se interessam pelos comes e pelos bebes. E o que é que resulta dos comes e dos bebes? Merda e urina!
À semelhança do que aconteceu com as igrejas e clubes dos outros grupos étnicos como franceses, polacos, alemães, gregos, italianos, etc. que já todos desapareceram, o mesmo vai acontecer ao grupo português, porque nós, velhotes, vamos morrer e os nossos filhos e netos vão ser assimilados pela sociedade americana. Quer queiramos, quer não, os Estados Unidos da América é que são a Pátria dos nossos filhos e dos nossos netos.
Mas o que ainda é mais vergonhoso e velhaco é vermos os professores e historiadores em Portugal e nos Estados Unidos da América, principalmente os que ensinam português, menosprezar o significado histórico português da Pedra de Dighton. Mas o cúmulo deste desprezo é vermos os embaixadores de Portugal e os cônsules portugueses nesta nação passarem aqui temporadas de pelo menos quatro anos e NUNCA terem a curiosidade de visitar o Museu da Pedra de Dighton. É uma atitude horrível e acima de tudo anti-patriótica! O Museu da Pedra de Dighton devia ser considerado por todos os portugueses, de cá e de lá, um Padrão dos Descobrimentos por excelência, da descoberta da América do Norte pelos navegadores Corte Reais desde 1472 até 1511.
Sempre Português! O Museu da Pedra de Dighton!
No domingo, 14 de Agosto de 2011 -- (Dia da Batalha da Aljubarrota, e dos meus 63 anos quando vi a Pedra de Dighton pela primeira vez), -- a Academia do Bacalhau da Nova Inglaterra ofereceu um modelo de um “Sacred Cod “ ou Fiel Amigo ao Museu da Pedra de Dighton que ficou dependurado no centro do Museu que já contem os maravilhosos artefactos: Padrão dos Descobrimentos, o modelo da Nau São Gabriel de Vasco da Gama e o modelo da Caravela Victória de Fernão de Magalhães, Porque o Museu e Parque da Pedra de Dighton pertencem ao Estado de Massachusetts, este Museu NUNCA mais vai morrer como vai acontecer aos clubes portugueses, às igrejas Portuguesas, aos jornais e programas de rádio e de televisão.
Ainda bem que as gerações vindouras dos descendente luso-americanos vão ter para sempre o Museu Português da Pedra de Dighton para se orgulharem das suas raízes portuguesas enquanto os Estados Unidos da América continuarem a existir! Sempre valeu a pena o esforço de todos aqueles que se empenharam na finalização do Museu agora completo! Para todos vós, meus amigos, um bem hajam!

Conclusão das inscricões portuguesas gravadas por Miguel Corte Real em 1511, faz agora 500 anos!