Quarto  artigo
A Pedra  de Dighton e o Dr. Luciano da Silva
Veja as fotas na parte terminal deste artigo 
Pelo Jornalista-historiador Basílio José Dias
Publicado no “Atlântico Expresso”,  7 de Fevereiro de 2005
 Ponta Delgada, São Miguel, Açores

Uma série de artigos intitulada “América- América”
 Do Século XV ao Século XX

A Família e a afeição que dela emerge, regem o encadeamento das atitudes temperamentais. Coragem e afeição Familiar, dois suportes da dignidade humana. Quem os possui, arrosta o triunfo, o insucesso, A coragem é uma das instáveis condicionantes da sorte. a contingência, a vicissitude, o inopinado, com o indicador a abrir caminho.  Não é Santo, nem herói. É um Homem. É uma mulher.

Nota do Dr. Luciano da Silva: Não tenho o prazer de  conhecer o escritor Basílio José Dias. Certamente que vou procurar o seu endereço para lhe agradecer a publicação desta série de artigos e dizer-lhe que esta é a primeira vez que ALGUÉM  publica  POSITIVAMENTE num jornal açoriano artigos sobre a veracidade Portuguesa das inscrições da Pedra de Dighton e  sobre os heróis navegadores Corte Reais. Bem haja).   

Eis o quarto artigo do Basílio José Dias:

A visita e a memória 

Estas nossas crónicas de turista aligeirado, de capital reduzido para requisitar ci­cerone diplomado e transporte rápido e ligeiro, para, saltitando, olhar de perto, para, então, rascunhar descrições dos pontos principais de uma nação começada a civilizar-se, apenas há 384 anos, não foram entusiasmadas para envaidecer a grandeza exposta para quem quiser sentir-se contaminado a prestar elogios a exemplos feitos. Nem aspiram a foguetear repisas já conhecidas.

Têrn como simples prioridade evocar o factor humano, o que começou, sola do pé endurecida nas andanças pela sobrevivência, destemendo a competição entre animais de força igual ou superior. Relembrar aquele que, produzindo e legitimando o trabalho, marcou o andamento regular e constante para que o avanço a visar o progresso se integrasse no dever e na moral; do que arrancou e assentou arraiais para se alargar em cidades a borbotar proventos, legando-nos o rasto por onde poderemos chegar a entender, como foi possível, em tão escasso período, a Nação passar da adolescência à maioridade.

O que nos promove em passageiras crónicas consta do desejo de evitar que a esponja da ingratidão apague merecimentos dos que cavaram para espalhar a semente e a regaram com suor, para que o futuro colhesse a abundância que alimenta meio mundo.

Dentro da Terra da América entrecruzam-se qualidades e aleijões como país igual aos outros. A imponência não se alevantou de pé para a mão, com a facilidade de obra pronta a habitar. Foi criada desde os cadouços rudes, para alicerçar segurança na construção.

Certezas e dúvidas, fartezas e carências trabalham juntas e, parecendo opostas, mantêm a aliança que a Lei sugere, vinda na equipagem do Mayflower em 1620. Os fracassos são temidos, os avanços libertam a audácia. A «ordem», porém, está sempre presente a indicar a consequência do resultado e do que melhor serve.

A América, como todos os restantes países do Mundo, exibe vigor e jactâncias, nobrezas e plebeísmos, exactidões e dúvidas.

Logo no nome surgem desajustes. Uns afirmam que o baptismo foi consagrado em 1507, no mapa do cosmógrafo alemão Waltzemûller, que o ligou a Américo Vespúcio (1454-1512), considerando-o seu descobridor (mais um náo natural), mas outros supõem ser nome indígena, tanto mais que sabiam quem encontrara o, até então desconhecido, mas já baptizado Novo Continente.

A vasta América do Norte, nasceu rústica como as mais regiões do Globo. Os primeiros povoadores, os tais aventurosos que atravessaram o Estreito de Bering a que se poderá ajuntar alguns fenícios, gregos, cartagineses, egípcios, árabes, vikings, que parece se salvaram nas suas praias ou caIhaus, porém sem transporte consertado para os trazer de volta, e que foram, aos poucos, desbravando o mato, alargando clareiras para implantarem as suas tendas construídas das peles dos fornecedores da carne, leite e ovos para alimento. E que vendo o benefício de amansar animais, para os ter à mão para seu sustento, resolveram ser um bom exemplo para se domesticarem a si próprios, constituindo clãs respeitadores da emergente autoridade de um «chefe», para impor paz, no emaranhado dos caprichos, criancices, treinos e amadurecimento dos componentes. Foi imensurável o esforço, a teimosia de viver e fazer melhor que os pais e avós, dos primeiros seres humanos que pisaram a América, de Sul a Norte.

Porque, os que chegaram depois, no Sul e Centro, no Século XVI e no norte no Século XVII, já encontraram <<gente» que seguia princípios de sociabilidade e defendia os seus direitos de garantir o espaço necessário a responsabilidade de manter saudável os grupos familiares e a descendência. Os aborígenes, os primeiros habitantes, já tinham atingido o embrião do que viria a ser a Lei.

A luta por espaços para aldeamentos, dos repovoadores do Século XVI, no Sul e Centro e no Século XVII, no Norte, encontraram resistência dos nativos, não só por aversão a esses «face pálida» que se vinham intrometer nos seus costumes, mas em es­pecial por se atreverem a retirar-lhes a «posse» do que sempre Ihes tinha pertencido. Com zagaias de bambu enfrentaram a pólvora das espingardas e canhões. As etnias, afastado o medo, ripostaram aos intrusos melhor armados. A diferença das armas foi resolvendo o pleito para o lado da força, tal como sempre terminam as brigas por mais farto e garantido manjar. Aos mais fracos... nem se Ihes dá tempo de fazerem penitência, porque tudo se Ihes tira. A extinção apaga arroubos de consciência...

Os primeiros repovoadores que a História pode documentar, só desde o Século XX, graças ao Dr. Manuel Luciano da Silva, foram os marinheiros de Miguel Corte Real. A «Pedra de Dighton», vinca que sabiam ler, escrever e desenhar. O que não estavam era preparados para juntar alunos e ministrar ensino.

A diferença do grau intelectual, entre os nativos e a marinhagem das caravelas, patenteia-se na mesma «Pedra». O que está «escrito», e bem feito. As letras do nome do Comandante são equilibradas, propor-cionais. O delineamento, em mais de uma Cruz da Ordem de Cristo, seguiu o traço certo na extremidade dos braços, contornando os ângulos de 45 graus, portanto, foi alguém que tinha recebido Iições de desenho e de manejo do cinzel.

AO escudo português em “V” é perfeito. O traçado exterior e o interior, paralelo, teve mão de artista. Os números da data de 1511, mesmo o 5, em forma de S grande parece impressão da época.

A «Pedra de Dighton», autentica a História «as últimas vontades, o documento, o tratado», de quem não pretendeu ser santo, nem herói, simplesmente um HOMEM. Esse grande calhau, é uma pertença portuguesa e açoriana, oferta à ciência pelo Dr. Manuel Luciano da Silva.

Miguel Corte Real percebia as regras do Mar, reunia em si os dois suportes da dignidade humana, coragem e afeição familiar e possuía a sabedoria do patriota - porque mostra conhecimentos profundos, quem respeita e se identifica com a terra de nascença.

Prestar homenagem ao Dr. Manuel Luciano da Silva é um dever em aberto na cultura Açoriana.

Documentar, no Século XX, a façanha vivida nos princípios do Século XVI, do destemido homem do Mar, nascido nos fins do Século XV, é um acto que envolve mais do que um direito para ser divulgado.

O País tem de o inscrever na História dos Descobrimentos, com o selo da autenticidade; as entidades culturais dos Açores, estão a dever aos Açorianos, em especial à juventude, o acrescento histórico de um grande da Região, natural da Terceira; o orgulho regional deve aproveitar todos os seus valores, para associar o abraço da doutrina de animação e sentimento nas nove Ilhas e aos que as abandonam, para empregar saúde e préstimos, em terras estranhas.

Reconheçam-se agradecimentos ao Dr. Manuel Luciano da Silva. Preste-se homenagem, senão para realçar o Marinheiro de quinhentos, Herói e Mártir Açoriano, Mi­guel Corte Real... ao HOMEM.

 


Os Índios da Nova Inglaterra conservam mais de sessenta palavras Portuguesas no seu vocabulário  como em  nomes próprios dos chefes índios, de lugares,  como rios, lagos,  montanhas , cabos e baías. 

Documentação fotográfica na Nova Inglaterra

Para atestar as considerações feitas pelo Sr. Basílio José Dias  nesta série de artigos sobre a colonização portuguesa na Nova Inglaterra aqui estão algumas fotos  relacionadas com os Índios  chamados  Wampanoags, ou "Índios Brancos": 

Fig No. 1 :Monumento aos Peregrinos Ingleses, inaugurado em 1920. Notar a abertura na parte baixa do monumento, pois é a entrada para onde está a Pedra de Plymouth, exposta às águas das marés.  A Pedra de Dighton agora está melhor protegida. 

Fig. No. 2: Esta é a Pedra de Plymouth. Pesa 8 toneladas. A Pedra de Dighton pesa 40 toneladas. Notar que  a Pedra de Plymouth só tem a data 1620 e foi ali gravada em 1860!

 

Fig 3: Massasoit segurando o seu cachimbo  cerimonial. Os Índios chamavam ao cachimbo "Tabaca". É  deste termo que nasceu o nome  "tabaco". Mas os Índios só fumavam em actos cerimoniais, não como agora que as pessoas fumam mais de vinte cigarros por dia...

Fig. 4 : Mayflower II, cópia do navio com o mesmo nome  Mayflower que trouxe os Peregrinos Ingleses para Plymouth em 1620.

 

Fig. 5: Estátua de Massasoit, Chefe da grande tribo dos chamados Wampanoags, cuja palavra quer dizer " Povo Branco".  Tinha um nome Português: Osamequina.  Massasoit era o seu título. "Massa" em Índio quer dizer "grande" e "soit" quer dizer "chefe". É  do nome Massasoit que derivou o nome do Estado de Massachusets. 

 

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