Quarto
artigo
A Pedra de Dighton e o
Pelo Jornalista-historiador Basílio José Dias
Ponta
Delgada, São Miguel, Açores
Uma série de artigos intitulada “América- América”

A Família e a
afeição que dela emerge, regem o encadeamento
das atitudes temperamentais.
Coragem e afeição Familiar, dois suportes
da dignidade
humana.
Quem os possui,
arrosta o triunfo, o insucesso,
Nota
do Dr. Luciano da Silva:
Não
tenho o prazer de
conhecer o escritor Basílio José Dias. Certamente que vou procurar o
seu endereço para lhe agradecer a publicação desta série de artigos e
dizer-lhe que esta é a primeira vez que ALGUÉM publica
POSITIVAMENTE num
jornal açoriano
artigos sobre a veracidade Portuguesa das inscrições da Pedra de Dighton e
sobre os heróis navegadores Corte Reais. Bem haja).
Eis o quarto artigo do Basílio José Dias:
A visita e a memória
Estas nossas crónicas de turista aligeirado, de capital
reduzido para requisitar cicerone diplomado e transporte rápido e ligeiro, para,
saltitando, olhar de perto, para,
então, rascunhar descrições dos pontos principais de uma nação
começada a civilizar-se, apenas há 384 anos, não foram entusiasmadas para
envaidecer a grandeza exposta
para quem quiser sentir-se contaminado a
prestar elogios a
exemplos feitos. Nem aspiram a foguetear repisas já conhecidas.
Têrn como simples prioridade evocar o
factor humano, o
que começou, sola do pé
endurecida nas andanças pela sobrevivência, destemendo a
competição entre animais
de força igual ou superior. Relembrar aquele que, produzindo
e legitimando o
trabalho, marcou o andamento regular e constante para que o avanço
a visar o progresso se
integrasse no dever e na moral; do que arrancou e assentou
arraiais para se alargar
em cidades a borbotar proventos, legando-nos o rasto por
onde poderemos chegar a
entender, como foi possível, em tão escasso período, a Nação
passar da adolescência à maioridade.
O que nos promove em passageiras crónicas consta do
desejo de evitar que a esponja da ingratidão apague merecimentos
dos que cavaram
para espalhar a semente e
a regaram com suor, para que o futuro
colhesse
a abundância que alimenta meio
mundo.
Dentro da Terra da América entrecruzam-se qualidades
e aleijões como país
igual aos outros. A imponência não se alevantou de pé
para a mão, com a facilidade
de obra pronta a habitar. Foi criada desde
os cadouços
rudes, para alicerçar segurança na construção.
Certezas e dúvidas, fartezas e carências
trabalham juntas
e, parecendo opostas, mantêm a aliança que a Lei sugere, vinda na
equipagem do
Mayflower em 1620. Os fracassos são temidos, os avanços libertam a
audácia. A «ordem»,
porém, está sempre
presente a indicar a consequência do resultado e do que
melhor serve.
A América, como todos os restantes
países do Mundo,
exibe vigor e jactâncias, nobrezas e plebeísmos, exactidões e dúvidas.
Logo no nome surgem desajustes. Uns
afirmam que o
baptismo foi consagrado em
1507, no mapa do cosmógrafo alemão Waltzemûller, que o
ligou a Américo Vespúcio (1454-1512), considerando-o seu descobridor (mais um náo
natural), mas outros supõem ser nome indígena, tanto mais que
sabiam quem
encontrara o, até então desconhecido, mas já baptizado Novo Continente.
A vasta América do Norte, nasceu rústica como as mais
regiões do Globo. Os
primeiros povoadores, os tais aventurosos
que atravessaram o
Estreito de Bering a que
se poderá ajuntar alguns fenícios, gregos,
cartagineses, egípcios,
árabes, vikings, que
parece se salvaram nas suas praias ou caIhaus, porém sem
transporte consertado para
os trazer de volta, e que foram, aos poucos,
desbravando o
mato, alargando clareiras
para implantarem as suas tendas construídas
das peles dos
fornecedores da carne, leite e
ovos para alimento. E que vendo o benefício de amansar
animais, para os ter à mão
para seu sustento, resolveram ser um bom exemplo para se
domesticarem a si próprios, constituindo clãs respeitadores da emergente autoridade
de um «chefe», para impor paz, no emaranhado dos caprichos,
criancices,
treinos e amadurecimento dos
componentes. Foi imensurável o esforço, a
teimosia de viver
e fazer melhor que os pais
e avós, dos primeiros seres humanos que
pisaram a América,
de Sul a Norte.
Porque, os que chegaram depois, no Sul
e Centro, no Século
XVI e no norte no Século XVII, já encontraram <<gente» que seguia princípios
de sociabilidade e defendia
os seus direitos de garantir o espaço necessário a
responsabilidade de manter saudável os grupos familiares e a descendência.
Os aborígenes,
os primeiros habitantes, já
tinham atingido o embrião do que viria a
ser a Lei.
A luta por espaços para aldeamentos,
dos repovoadores
do Século XVI, no Sul e
Centro e no Século XVII, no Norte, encontraram resistência
dos nativos, não só por
aversão a esses «face pálida» que se vinham
intrometer nos
seus costumes, mas em especial por se atreverem a retirar-lhes a «posse» do que sempre
Ihes tinha pertencido.
Com zagaias de bambu enfrentaram a pólvora das
espingardas e canhões. As etnias,
afastado o medo, ripostaram aos intrusos
melhor armados. A
diferença das armas foi
resolvendo o pleito para o lado da força, tal
como sempre
terminam as brigas por mais
farto e garantido manjar. Aos mais fracos...
nem se Ihes dá
tempo de fazerem penitência, porque tudo se Ihes tira. A extinção apaga arroubos de
consciência...
Os primeiros repovoadores que a História
pode documentar, só desde o Século
XX, graças ao Dr. Manuel Luciano da Silva, foram os
marinheiros de Miguel Corte
Real. A «Pedra de Dighton», vinca que sabiam ler,
escrever e desenhar. O que não
estavam era preparados para juntar alunos
e ministrar
ensino.
A diferença do grau intelectual, entre os
nativos e a
marinhagem das caravelas, patenteia-se na mesma «Pedra». O que está «escrito», e
bem feito. As letras do nome
do Comandante são equilibradas, propor-cionais. O
delineamento, em mais de uma
Cruz da Ordem de Cristo, seguiu o traço
certo na
extremidade dos braços, contornando os ângulos de 45 graus, portanto, foi alguém que tinha
recebido Iições de desenho
e de manejo do cinzel.
AO escudo português em “V” é perfeito. O
traçado exterior
e o interior, paralelo, teve
mão de artista. Os números da data de 1511,
mesmo o 5, em
forma de S grande parece
impressão da época.
A «Pedra de Dighton», autentica a História «as últimas
vontades, o documento, o
tratado», de quem não pretendeu ser santo,
nem herói,
simplesmente um HOMEM.
Esse grande calhau, é uma pertença portuguesa e açoriana,
oferta à ciência pelo Dr.
Manuel Luciano da Silva.
Miguel Corte Real percebia as regras do
Mar, reunia em si
os dois suportes da dignidade humana, coragem e afeição familiar
e possuía a
sabedoria do patriota - porque
mostra conhecimentos profundos, quem
respeita e se
identifica com a terra de nascença.
Prestar homenagem ao Dr. Manuel Luciano
da Silva é um dever em aberto na cultura
Açoriana.
Documentar, no Século XX, a façanha
vivida nos princípios
do Século XVI, do
destemido homem do Mar, nascido nos fins
do Século XV, é
um acto que envolve mais
do que um direito para ser divulgado.
O País tem de o inscrever na História
dos
Descobrimentos, com o selo da autenticidade; as entidades culturais dos Açores,
estão a dever aos
Açorianos, em especial à
juventude, o acrescento histórico de um
grande da Região,
natural da Terceira; o
orgulho regional deve aproveitar todos os
seus valores, para
associar o abraço da doutrina de animação e sentimento nas nove
Ilhas e aos que
as abandonam, para empregar saúde e préstimos, em terras estranhas.
Reconheçam-se agradecimentos ao Dr.
Manuel Luciano da
Silva. Preste-se homenagem, senão para realçar o Marinheiro de
quinhentos, Herói
e Mártir Açoriano, Miguel Corte Real... ao HOMEM.
Os Índios da Nova Inglaterra conservam mais de sessenta palavras Portuguesas no seu vocabulário como em nomes próprios dos chefes índios, de lugares, como rios, lagos, montanhas , cabos e baías.
Documentação fotográfica na Nova Inglaterra
Para atestar as considerações feitas pelo Sr. Basílio José Dias nesta série de artigos sobre a colonização portuguesa na Nova Inglaterra aqui estão algumas fotos relacionadas com os Índios chamados Wampanoags, ou "Índios Brancos":
![]() |
![]() |
|
Fig No. 1 :Monumento aos Peregrinos Ingleses, inaugurado em 1920. Notar a abertura na parte baixa do monumento, pois é a entrada para onde está a Pedra de Plymouth, exposta às águas das marés. A Pedra de Dighton agora está melhor protegida. |
Fig. No. 2: Esta é a Pedra de Plymouth. Pesa 8 toneladas. A Pedra de Dighton pesa 40 toneladas. Notar que a Pedra de Plymouth só tem a data 1620 e foi ali gravada em 1860! |
![]() |
![]() |
|
Fig 3: Massasoit segurando o seu cachimbo cerimonial. Os Índios chamavam ao cachimbo "Tabaca". É deste termo que nasceu o nome "tabaco". Mas os Índios só fumavam em actos cerimoniais, não como agora que as pessoas fumam mais de vinte cigarros por dia... |
Fig. 4 : Mayflower II, cópia do navio com o mesmo nome Mayflower que trouxe os Peregrinos Ingleses para Plymouth em 1620. |
![]() |
|
Fig. 5: Estátua de Massasoit, Chefe da grande tribo dos chamados Wampanoags, cuja palavra quer dizer " Povo Branco". Tinha um nome Português: Osamequina. Massasoit era o seu título. "Massa" em Índio quer dizer "grande" e "soit" quer dizer "chefe". É do nome Massasoit que derivou o nome do Estado de Massachusets. |