Quer conhecer o pai português do Colombo?!
Por Manuel Luciano da Silva, Médico
19 Julho 2005

 

Toda a gente sabe que já se escreveram muitos milhares de artigos e livros sobre a possível nacionalidade do navegador vulgarmente conhecido por Cristovão Colombo. Durante séculos vários historiadores têm atribuído a nacionalidade deste navegador como sendo genovesa, espanhola, catalana, maiorcana, galega e até grega. Duma maneira geral, os chamados historiadores e noticiaristas portugueses e estrangeiros esquecem-se da teoria portuguesa. Parece que até o fazem de propósito!

 

Eu já demonstrei, ponto por ponto, num artigo que está na minha página na Internet --- http://www.dightonrock.com/todososdocumetnosdocolomboitalia.htm ---  que todos os documentos atribuídos à teoria genovesa são falsos!   No que diz respeito às outras teorias: espanhola, galega, catalã e grega, também não existe nenhum documento coevo irrefutável que possa demonstrar que qualquer dessas teorias esteja certa. Se houvesse um tal documento os defensores dessas teorias já tinham feito um alarido ensurdecedor, tremendo, em todo o mundo!

 

Teoria Portuguesa

Finalmente, no princípio do século XXI, chegou a vez da teoria portuguesa ser considerada mesmo a sério.

Tem havido uma tradição histórica de séculos  de que o navegador Cristovão Colombo, ou Salvador Fernandes Zarco, ou Cristovão Cólon, era filho de gente portuguesa. O pai teria sido o Primeiro Duque de Beja, D. Fernando, filho do Rei D. Duarte, que teve aos 19 anos amores proibidos com uma rapariga da Corte Real chamada Isabel Gonçalves Zarco, filha do navegador e descobridor de Porto Santo e da Madeira, João Gonsalves Zarco. A donzela engravidou e foi parir o menino a Cuba, no Alentejo, terra que fica a vinte quilómetros ao norte de Beja. Mas não há certidão de nascimento,  nem de  baptismo! Vários historiadores têm defendido, sim, a teoria portuguesa analisando outros documentos. Portanto temos que analisar a teoria portuguesa por meio de duas formas:

(1)   Documentos coevos ou do tempo em que o navegador Cristovão Cólon viveu entre 1452 até 20 de Maio de 1506.

 (2) Análise científica por meio do ADN, (Ácido desoxirribonucleico)

nas ossadas e nas células dos descendestes vivos relacionados geneticamente com o célebre navegador.  

(A) - Documentos

Aqui está a lista dos documentos que atestam a teoria portuguesa:

(1)   Primeira Bula Papal  de Alexandre VI de 3 de Maio de 1493, com o nome em português arcaico: Cristofõm Colon.

(2)   Segunda Bula Papal  de 4 de Maio de 1493 com o nome em português arcaico: Cristofõm Colon.

(3)    Análise em português da firma ou Sigla do navegador .

(4)   Análise do Monograma do nome Português  Salvador Fernandes Zarco.

(5)   Análise da Benção do navegador ao filho Diogo, nas doze últimas cartas.

(6)   Análise  da composição do Brasão do Navegador  com símbolos portugueses.

(7)   Mais de quarenta  vocábulos  topónimos portugueses   usados pelo navegador na nova geografia depois das quatro viagens que ele  fez à região das  Caraíbas.  (Nem sequer um nome italiano!)  A explicação de cada assunto enumerado nesta  lista está exposta na minha website nos  respectivos títulos.    Consulte-os.

(B)- Diagnóstico  por meio do ADN (Ácido desoxirribonucleico)

 

Eu sempre tive dois amores: a Medicina e a História. Quando me aborrecia com uma, virava-me para a outra. Tem sido para mim uma simbiose e uma vivência feliz! Agora que estou reformado há sete anos, coisa extraordinária, chegou mesmo a altura em que  as minhas investigações históricas coincidem com as investigações médicas!  

 

Desde 1999, tenho andado à procura  duma instituição em Portugal que fosse capaz de fazer o diagnóstico do ADN nas ossadas dos familiares relacionados com o Primeiro Duque de Beja, D. Fernando, ou com os descendentes de João Gonsalves Zarco. Colegas meus médicos e até professores universitários de Arqueologia em Portugal informaram-me que tal instituição NUNCA existiu em Portugal! Quando há necessidade de se fazer tal diagnóstico do ADN em ossadas antigas, a amostra óssea será enviada a um laboratório estrangeiro!!!

 

Nunca quis aceitar esta informação negativa. Continuei sempre com o meu entusiasmo e perseverança, persistindo na minha busca e finalmente encontrei o melhor que há em Portugal sob o ponto de vista científico e até oficial: o Instituto Nacional de Medicina Legal localizado em Coimbra!  

Professor-Doutor Francisco Corte Real

Usando o Internet consegui  contacto com o Professor Francisco Corte Real  sobre o estudo do ADN  que me respondeu com o seguinte  e-mail:

 

Original Message-----
From: Francisco Cortereal (INML) [mailto:fcortereal@inml.mj.pt]
Sent: Saturday, February 05, 2005 6:01 AM
To: drdasilva@dightonrock.com
Subject: Pedra de Dighton

Caro Senhor Doutor Luciano:

Tenho muito interesse pelo seu estudo. Neste momento está este Instituto a desenvolver metodologia para o estudo de material biológico antigo. Teria todo o gosto em falar pessoalmente e gostaria de o convidar a visitar o Instituto Nacional de Medicina Legal aqui em Coimbra. Virá brevemente a Portugal?

Com os melhores cumprimentos
Francisco Corte-Real
 

Professor-Doutor Francisco Corte Real  quando nos recebeu no seu gabinete em 13 de Maio de 2005

 

 

Fiquei contentíssimo com esta noticia!  Marcamos  encontro para  sexta-feira,  13 de Maio de 2005,  no gabinete do Professor Corte Real em Coimbra. As dez e meia da manhã, minha  mulher e eu fomos recebidos amistosa e  entusiasticamente  pelo Professor com quem estivemos mais de 4 horas. Coincidências extraordinárias: (1)  Viemos a saber que o Professor Francisco Corte Real  é casado com a filha mais nova do meu colega do curso médico da Universidade de Coimbra,  Professor-Doutor Luís Manuel Menezes de Almeida;  (2) que o Professor Francisco Corte Real  é descendente da Família  dos  Corte Reais, portanto  parente genético  de Miguel Corte Real que gravou   as inscrições portuguesas na Pedra de Dighton, em 1511, e (3) que a sua tese de doutoramento, há cinco anos,  tratou do estudo original da influência do genoma português nos povos da Guiné, de Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.  

 

Disse-nos ainda mais  duas coisas muito importantes: (1) que a sua equipa de fazer diagnósticos  do ADN está apetrechada com toda a tecnologia actualizada  moderna  como qualquer laboratório do FBI nos Estados Unidos  da América; (2) que as verbas para o Instituto de Medicina Legal não dependem da Faculdade de Medicina de Coimbra, mas sim do Ministério da Justiça de Portugal. Portanto funcionam com total independência. Assim é que deve ser.

Depois deste intróito tão agradável, entramos no assunto da portugalidade do navegador Cristovão Colombo, como é mais conhecido em Portugal.

 

Entreguei ao Professor Corte Real cópias dos documentos coevos que tenho vindo a coleccionar durante os vários anos  descritos na lista apresentada acima, assim como exemplares das minhas monografias e artigos sobre a mesma matéria. Disse ao Professor Corte Real que a minha participação nestas investigações históricas tem sido até agora uma corrida olímpica em estafeta e que doravante lhe entregava o facho olímpico para ele com a sua equipa científica cortar a meta final com a demonstração através da análise do ADN, se o célebre navegador tinha ou não genes portugueses.

 

Se ambos somos médicos, temos que ser cientistas. Portanto teremos que ter coragem para enfrentar a verdade científica do diagnóstico que resultar do ADN. Ambos concordamos plenamente!

 

Informei o Professor Corte Real que na segunda feira, 16 de Maio de 2005, íamos à Madeira à procura dos mausoléus de João Gonçalves Zarco e seus familiares. Imediatamente o Professor Corte Real mandou ligar para a o Dr. Pita Leite Silva, Director do Instituto de Medicina Legal na Madeira, para nos ensinar o caminho para o Mosteiro de Santa Clara, mandado construir por João Gonsalves Zarco que foi o descobridor da Madeira e também o Primeiro Donatário da zona do Funchal.   

 

 

 

 

Convento de Santa Clara no Funchal mandado construir por João Gonçalves Zarco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando chegamos ao Funchal, no mesmo dia, o Dr. Pita acompanhou-nos ao Mosteiro de Santa Clara onde fomos recebidos de braços abertos pela Madre Superiora, Isabel Gouveia, que nos mostrou todas as dependências assim como a igreja do mesmo mosteiro.  Ensinou-nos o caminho para as sepulturas que procurávamos.  

 

Dr. Luciano da Silva e Dr. Pita Leite Silva quando da visita ao convento de Santa Clara

Professora Sílvia da Silva a tomar apontamentos da Madre Superiora Isabel Gouveia sobre o túmulo do genro e da filha de João Gonçalves  Zarco,  dentro da igreja.

 

Em frente ao altar-mor, debaixo do soalho, estão as sepulturas de João Gonçalves Zarco, da mulher e da filha mais velha. Logo à entrada da igreja encontra-se o túmulo dum genro e de outra filha e no claustro do convento estão ainda as sepulturas de duas netas. Confesso que não esperávamos encontrar tamanha fartura de dados arqueológico. Estamos muitíssimo gratos ao Dr. Pita e à Madre Superiora pela cooperação imprescindível que nos deram para alcançarmos o nosso desiderato. Bem hajam!  

 

 

 

 

Em frente ao altar-mor está o mausoleu de João Gonçalves Zarco, da mulher e da filha mais velha. O Dr. Pita observa a Sílvia e a Madre Superiora  a colherem informações. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Regressamos ao Continente muito satisfeitos depois duma viagem histórica e turística à maravilhosa Madeira. Tivemos ainda a felicidade de confraternizarmos com o nosso colega de curso, Dr. Jaime Jardim Fernandes, ortopedista, que juntamente com os seus familiares nos trataram com muito carinho e amizade, mostrando-nos os pontos mais deslumbrantes da Madeira. Foi um rever académico muito saudoso da nossa velha Coimbra! Nunca mais nos esqueceremos da recepção que nos ofereceram!  

 

Estátua do avô de Cristovão Colon ou Colombo na baixa da Cidade do Funchal

Estátua de Cristovão Colon or Colombo no jardim da cidade do Funchal 

 

Há dois anos - em Maio de 2003 – já tínhamos tido o grande desgosto de  verificarmos que o mausoléu do Primeiro Duque de Beja, D. Fernando,   existente no Museu de Beja,  estava vazio das suas ossadas,  porque  os malvados dos soldados napoleónicos  o tinham destruído! 

 

Grande desilusão em Beja, Portugal!  Por Manuel Luciano  da Silva, Médico, Maio 2,  2004

 

Por isso desta vez fomos à procura de outros mausoléus da família da Dinastia de Avis. Se é verdade que o D. Fernando foi o pai biológico do Cristovão Colombo ou Colon, era também irmão biológico do Rei D. Manuel I.  Se isto é verdade, os cromossomas Y do D. Fernando, do Cristovão Colon , do Rei D. Manuel e de todos os machos da Dinastia  de Avis têm que ter  todos  os cromossomas Y iguaizinhos!,,,  

Fomos ao Mosteiro dos Jerónimos para fotografar os mausoléus dos Rei D. Manuel I e do D. João III que estão na secção do altar-mor.   

Túmulo do Rei D. Manuel I no Jerónimos

Túmulo do Rei D. João III nos Jerónimos

Dali partimos para Alcobaça para fotografar também o túmulo do Rei D. Pedro I, por este monarca ter sido também pai biológico do rei D. João I, portanto com o mesmo cromossoma Y. Verificamos que mausoléu do Dr. Pedro I apresenta uma cicatriz muito grande de arrombamento provocado também pelos soldados napoleónicos. Duvido que contenha algumas ossadas.  Depois seguimos caminho para o Mosteiro da Batalha para fotografar os mausoléus do Rei D. João I, do Rei D. João  II, do Infante  D. Henrique, do  Infante D. Pedro, o Regente  e ainda do Rei D. Duarte.   

Túmulo do Rei D. João I e Esposa na Batalha 

Túmulo do Rei D. João II na Batalha 

Túmulo do Infante D. Henrique na Batalha 

Túmulo do Rei D. Duarte nas Capelas Imperfeitas  ou Não-Acabadas da Batalha 

Tenho fotografias dos outros túmulos da Dianastia de Avis, mas por razões de espaço não as coloco aqui nesta website, mas enviei-as ao Professor Francisco Corte Real.

Relatório para o Prof. Corte Real

Com o material fotográfico que obtivemos fizemos um relatório que enviamos ao gabinete do Professor Francisco Corte Real, em Coimbra e ao Dr. Pita Leite Silva, no Funchal. Pedimos mais um encontro com o Professor antes de regressarmos à América para revermos não só os familiares da Dinastia de Avis, mas também dos Duques de Bragança porque o Primeiro Duque de Bragança, D. Afonso, era filho biológico do Rei D. João I, portanto todos os machos da Casa de Bragança têm que ter  todos os cromossomas Y todos iguais.  

 

 

Segundo encontro com o Professor Francisco Corte Real

 

Assim aconteceu. Neste encontro, para se fazer a análise genética comparativa do ADN,  tratamos também de saber como devemos fazer para colher o cromossoma Y do lado espanhol, quer das ossadas do Cristovão Colombo ou Colon, quer dos filhos Diogo Colon e Fernando Colon, ou então ainda dos Condes de Verágua, residentes em  Madrid,  Espanha, porque são descendentes directos do Primeiro Conde de Verágua, Don  Diogo  Colon, filho  legítimo de  Cristovão Colon e de Filipa Moniz, de Porto Santo, Madeira, Portugal. 

 

Responsabilidades

Cada um de nós assumiu a responsabilidade de fazer estas pesquisas  com o objectivo,  se ainda possível,  termos mais um encontro antes do nosso regresso aos Estados Unidos. Assim aconteceu.   No sábado,  véspera do nosso regresso à América,   25 de Junho de 2005, o Professor Francisco Corte Real, deu-nos o grande prazer de ir visitar à  Biblioteca-Museu,  com o meu nome, em Cavião, Vale de Cambra,  com a sua Esposa e os dois  filhos e ao  mesmo tempo  podermos comparar as personagens das Dinastia  de Avis, da Casa de Bragança e dos Duques  de Verágua para  que a equipa científica do Instituto Nacional  Português de  Medicina Legal  possa decidir, sobriamente, por onde é que deve começar a colheita das amostras genéticas.  

Terceiro encontro: 

Professor Corte Real e Dr. Luciano da Silva na Biblioteca em Cavião discutindo as Dinastias de Avis, da Casa de Bragança  dos Duques de Verágua de Espanha.  

Professor Corte Real explicando energicamente a técnica do ADN  

Compreendendo bem o entusiasmo pela investigação histórica do Dr. Luciano da Silva , o Professor Corte Real registou no Livro de Honra da Biblioteca estas palavras:

“O Senhor Doutor Luciano da Silva constitui um exemplo impar das virtudes de persistência, dedicação e profundidade científica que devem servir de modelo a todos os que visitem esta muito ilustre casa de saber”.

“Foi para mim uma honra ter partilhado este e muitos outros dias na sua companhia e todo o seu conhecimento.”                                                                                             
                                                                                             Francisco Corte  Real Gonsalves  
  
                                                                                                          25.06.2005
   


Tarefa difícil e de muita responsabilidade científica! Dum impacto tremendo na História Mundial nos últimos 500 anos! Mas o Professor Francisco Corte Real está deveras entusiasmado com este magno projecto. Os nossos sinceros votos para que seja muito bem sucedido. Será para ele uma grande vitória, para a Universidade de Coimbra, para Portugal e para todos os portugueses espalhado pelo mundo!  


Notar Bem: 

Estamos a preparar uma série de artigos para explicarmos o que são cromossomas, genes e as três Dinastias de Avis, da Casa de Bragança e dos Duques de Verágua de Espanha, para  depois compreendermos, claramente, o diagnóstico comparativo dos Cromossomas Y,  do lado de Portugal e do lado de Espanha.

 

Veja o artigo seguinte:  O que são cromossomas e genes?

 

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